{"id":398534,"date":"2025-11-07T14:03:12","date_gmt":"2025-11-07T14:03:12","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=398534"},"modified":"2025-11-07T14:03:12","modified_gmt":"2025-11-07T14:03:12","slug":"a-forca-dos-numeros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-forca-dos-numeros\/","title":{"rendered":"A For\u00e7a dos n\u00fameros"},"content":{"rendered":"<p><em>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-266640 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Santos-Cabral-coimbra-1500.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>No m\u00eas de Setembro de 2025 foi publicitado o relat\u00f3rio da ONU sobre Paz e Seguran\u00e7a noticiando que, em 2024, os gastos militares globais militares alcan\u00e7aram um novo recorde mundial atingindo o montante astron\u00f3mico de US$ 2,7 trilh\u00f5es, ou seja, 2.538.000.000.000\u00a0 Euros. Por cada um dos habitantes deste planeta o montante gasto em armas durante aquele ano foi de cerca 300 Euros.<\/p>\n<p>Esta corrida aos armamentos acontece num planeta \u00a0em que mais de 780 milh\u00f5es de pessoas vivem abaixo do Limiar Internacional da Pobreza (com menos de 1,90 d\u00f3lar por dia) e lutam diariamente para satisfazer as necessidades mais b\u00e1sicas na esfera da sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e do acesso \u00e0 \u00e1gua e ao saneamento. Mais de 160 milh\u00f5es de crian\u00e7as correm o risco de continuar na pobreza extrema at\u00e9 2030. Segundo o relat\u00f3rio citado apenas 4% da despesa com armamento seria suficiente para acabar com a fome no mundo e 10% acabariam com a pobreza extrema.<\/p>\n<p>A extens\u00e3o, e a grandeza destes n\u00fameros, revela uma nega\u00e7\u00e3o da raz\u00e3o de ser da nossa exist\u00eancia que \u00e9 o desenvolvimento humano e, em s\u00edntese, a pr\u00f3pria Vida. Gastamos imensamente mais na procura da destrui\u00e7\u00e3o do nosso semelhante do que estamos dispostos a investir na sua sobreviv\u00eancia. Por cada tanque novo, cada m\u00edssil testado, cada bomba lan\u00e7ada, existe uma multid\u00e3o invis\u00edvel de crian\u00e7as que deixam de estudar, de fam\u00edlias que vivem sem \u00e1gua pot\u00e1vel e sem comida, de hospitais que nunca saem do papel!<\/p>\n<p>Mais do que assentar em ex\u00e9rcitos fortes e armas de destrui\u00e7\u00e3o maci\u00e7a a estabilidade e seguran\u00e7a mundiais deve residir na procura de uma vida digna e justa para milh\u00f5es de seres humanos. Gastamos trilh\u00f5es em armas, mas deixamos milh\u00f5es morrerem de fome!.<\/p>\n<p>A corrida aos armamentos est\u00e1 directamente ligada a uma outra enfermidade pr\u00f3pria dos dias que correm pois que, para os comprar armas, os pa\u00edses endividam-se e essa ser\u00e1 uma das raz\u00f5es que conduzem a uma d\u00edvida global que ascende, neste momento, a cerca de \u00a0<strong>\u00a0290.000.000.000.000 Euros. A grandeza de tal n\u00famero significa que, \u00e0 escala mundial, a maioria dos pa\u00edses<\/strong> devem mais de 100% do seu PIB anual, e quase nenhum pa\u00eds \u2014 rico ou pobre \u2014 est\u00e1 imune \u00e0 press\u00e3o crescente dos juros. Tal d\u00edvida p\u00fablica global \u00e9 um espelho da nossa civiliza\u00e7\u00e3o, refletindo a incapacidade de adiar o consumo e o desejo permanente de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise os n\u00fameros lan\u00e7ados lan\u00e7am uma interroga\u00e7\u00e3o premente\u00a0 sobre a forma como no futuro ser\u00e1 modelada a constru\u00e7\u00e3o do Estado.\u00a0 Na verdade, a promessa de um Estado que protege, educa e cuida est\u00e1 a ser lenta, mas gradualmente, alterada para um modelo focado na seguran\u00e7a e na vigil\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O Estado do futuro dever\u00e1 ser mais seletivo, mais eficiente e, paradoxalmente, mais necess\u00e1rio do que nunca, implicando um novo contrato social, fundado na transpar\u00eancia fiscal, responsabilidade pol\u00edtica e participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica. Os governos ter\u00e3o de justificar cada euro gasto, n\u00e3o como caridade p\u00fablica, mas como investimento coletivo.<\/p>\n<p>Os Estados que souberem direcionar recursos para investimentos produtivos \u2014 v.g digitaliza\u00e7\u00e3o, energia limpa, educa\u00e7\u00e3o\u2014conseguir\u00e3o transformar a d\u00edvida em instrumento de crescimento. Por\u00e9m, aqueles que insistirem em pol\u00edticas vocacionadas para a despesas sup\u00e9rfluas e injustificadas e or\u00e7amentos inflacionados, ver\u00e3o o seu equil\u00edbrio financeiro desaparecer e a confian\u00e7a dos mercados ruir. A despesa admiss\u00edvel num Estado Social \u00e9 aquela que equilibra a realiza\u00e7\u00e3o dos direitos sociais com a sustentabilidade econ\u00f3mica.<\/p>\n<p>Manter o Estado Social num mundo em guerra \u00e9 um desafio, mas tamb\u00e9m uma escolha. Uma escolha entre progresso e retrocesso, entre a esperan\u00e7a coletiva e o desespero.<\/p>\n<p>Por tudo isso vivemos tempos de perplexidade em que tudo parece em mudan\u00e7a. Enfrentamos crises econ\u00f4micas, conflitos, desigualdades e vemos o planeta sofrendo com as consequ\u00eancias das nossas decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Acreditar no futuro nem sempre \u00e9 uma tarefa f\u00e1cil pois que o temor\u00a0 e a d\u00favida tornaram-se nossos parecem companheiros constantes. Por\u00e9m, acreditar no futuro \u00e9 resistir \u00e0 indiferen\u00e7a. Mais do que uma escolha pessoal<strong> \u00e9 um compromisso c<\/strong>om as crian\u00e7as que hoje crescem e que um dia olhar\u00e3o para o mundo que deix\u00e1mos.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Santos Cabral.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Santos Cabral, Diocese de Coimbra<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":266640,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-398534","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398534","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=398534"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/398534\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/266640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=398534"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=398534"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=398534"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}