{"id":39844,"date":"2009-07-07T11:09:30","date_gmt":"2009-07-07T11:09:30","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/07\/do-papa-actor-ao-papa-professor\/"},"modified":"2009-07-07T11:09:30","modified_gmt":"2009-07-07T11:09:30","slug":"do-papa-actor-ao-papa-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/do-papa-actor-ao-papa-professor\/","title":{"rendered":"Do Papa actor ao Papa professor"},"content":{"rendered":"<p>Mal foi eleito sucessor de Jo&atilde;o Paulo II, logo os media o tiveram na mira para confirmar as suas suspeitas. Em 1978, quando foi eleito para suceder a Jo&atilde;o Paulo I, o Papa Wojtyla, vindo do frio, tinha apenas 58 anos e a Imprensa dizia que era uma &quot;atleta de Deus&quot;. Em 2005, de Roma, a Imprensa mundial diria, nalguns casos com manifesto exagero e a ro&ccedil;ar a inj&uacute;ria, que o cardeal alem&atilde;o Joseph Ratzinger era o &quot;rotteweiler de Deus&quot;. <\/p>\n<p>Adivinhava-se que o ex-prefeito da Congrega&ccedil;&atilde;o para a Doutrina da F&eacute; n&atilde;o seria um &quot;clone&quot; de Jo&atilde;o Paulo II, apesar de ter sido o reconhecido ide&oacute;logo do Papa polaco.<\/p>\n<p>Eram iguais no conte&uacute;do, mas bem diferentes na forma. Um sabia pisar o palco e por mais que afirmasse o que viria a dizer Bento XVI, fazia-o com bons modos, agrad&aacute;veis ao mediatismo da Comunica&ccedil;&atilde;o Social. Um, Bento XVI, continuaria na miss&atilde;o petrina a ser o modelo do professor universit&aacute;rio, muito formal e doutrinador; o outro, o polaco que chegou a Papa, era um bom actor e sabia dizer com agrado o que os media esperavam que fosse dito ou parecesse que fora afirmado, a confirmar que vale mais cair em gra&ccedil;a do que ser engra&ccedil;ado.<\/p>\n<p>O primeiro semestre de 2009 ter&aacute; sido o mais dif&iacute;cil dos quatro anos do pontificado de Bento XVI. Primeiro, foi a surpreendente reabilita&ccedil;&atilde;o dos quatro bispos tradicionalistas seguidores do cism&aacute;tico arcebispo Marcel Lef&egrave;bvre, sem garantias algumas que aceitem o magist&eacute;rio do Conc&iacute;lio Vaticano II; depois, foi o uso do preservativo em &Aacute;frica; e, mais tarde, os discursos na Terra Santa.<\/p>\n<p>A revista espanhola &quot;Vida Nueva&quot; ouviu conhecidos vaticanistas. Gian Franco Svidercoschi, que fora subdirector de &quot;L&#39;Osservatore Romano&quot;, confirma que est&aacute; a ser uma &quot;ano dif&iacute;cil&quot;, para dizer que o &quot;problema principal da Igreja, em particular da Santa S&eacute;, &eacute; o da comunica&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Quem diria que Jo&atilde;o Paulo II que chegou a Roma sem experi&ecirc;ncia da C&uacute;ria lhe imprimiria o seu estilo e mereceria respeito e Bento XVI, com larga experi&ecirc;ncia romana, seria v&iacute;tima da desorganiza&ccedil;&atilde;o curial, que lhe esconderia que um dos bispos lefebvrianos reabilitados nega o Holocausto nazi que sacrificou milh&otilde;es de judeus?! <\/p>\n<p>J&aacute; para Valentina Alazraki, correspondente do Vaticano da Televisa, s&atilde;o vis&iacute;veis as &quot;diferen&ccedil;as entre Bento XVI e Jo&atilde;o Paulo II, nas rela&ccedil;&otilde;es com os m&eacute;dia&quot;. A raz&atilde;o &eacute; simples: Jo&atilde;o Paulo II &quot;sabia comunicar&quot;, embora as suas &quot;convic&ccedil;&otilde;es morais ou doutrinais fossem as mesmas de Bento XVI&quot;. Ou seja, mesmo quando dizia &quot;verdades inc&oacute;modas ou impopulares&quot;, Jo&atilde;o Paulo II sabia como deveria faz&ecirc;-las aceitar e n&atilde;o tinha medo da Imprensa.<\/p>\n<p>Para o jornalista do di&aacute;rio &quot;Il Giornale&quot;, Andrea Tornioelli, a crise de comunica&ccedil;&atilde;o est&aacute; na C&uacute;ria Romana, em particular na Secretaria de Estado, dirigida pelo cardeal Tarcisio Bertone.<\/p>\n<p>Para o ex-vaticanista do &quot;Corriere della Sera&quot;, Luigi Accattoli, Bento XVI &eacute; um &quot;Papa solista&quot; e a C&uacute;ria deixou de ser a corte que &quot;ajuda a prever e a acompanhar os actos pontif&iacute;cios&quot;.<\/p>\n<p>Bento XVI tem sido julgado mais severamente do que o seu antecessor. N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil aceit&aacute;-lo como &quot;Papa te&oacute;logo&quot; que pretende p&ocirc;r as coisas no devido lugar. Em vez de afeito a &quot;fait divers&quot;, &eacute; um Papa que defende e promove a &quot;teologia pura&quot;. E nada disso &eacute; medi&aacute;tico. Por isso, cobram-lhe uma elevada factura e n&atilde;o lhe perdoam deslizes, por muito que o seu magist&eacute;rio, a largo prazo, venha a ser uma refer&ecirc;ncia cultural.<\/p>\n<p>Diante de Jo&atilde;o Paulo II, de cuja elei&ccedil;&atilde;o fiz a cobertura jornal&iacute;stica em Roma, apetecia-me, desde a primeira hora, aplaudir um grande actor. Perante Bento XVI, cuja elei&ccedil;&atilde;o acompanhei em Roma, em 2005, n&atilde;o me apeteceu aplaudi-lo &#8211; e teria desejado que tivesse sido escolhido outro -, mas contive-me para n&atilde;o o patear. Admiro-o agora na sua pedagogia teol&oacute;gica, que lhe valoriza o magist&eacute;rio, e lamento que tenha t&atilde;o m&aacute; Imprensa. Merece mais aten&ccedil;&atilde;o e um aplauso discreto, mas sentido e agradecido.<\/p>\n<p>Fa&ccedil;am o favor de ler atentamente a sua terceira enc&iacute;clica e a primeira de car&aacute;cter social e digam-me se valeu ou n&atilde;o a pena. N&atilde;o esque&ccedil;am que os estilos de Jo&atilde;o Paulo II e de Bento XVI s&atilde;o muito diferentes, mas enriquecem-nos.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Rui Os&oacute;rio, <\/em><em>Jornalista e p&aacute;roco da Foz do Douro<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mal foi eleito sucessor de Jo&atilde;o Paulo II, logo os media o tiveram na mira para confirmar as suas suspeitas. Em 1978, quando foi eleito para suceder a Jo&atilde;o Paulo I, o Papa Wojtyla, vindo do frio, tinha apenas 58 anos e a Imprensa dizia que era uma &quot;atleta de Deus&quot;. 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