{"id":39840,"date":"2009-07-07T16:36:26","date_gmt":"2009-07-07T16:36:26","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/07\/um-guia-social-em-79-pontos\/"},"modified":"2009-07-07T16:36:26","modified_gmt":"2009-07-07T16:36:26","slug":"um-guia-social-em-79-pontos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-guia-social-em-79-pontos\/","title":{"rendered":"Um guia social em 79 pontos"},"content":{"rendered":"<p>Bento XVI apresentou neste dia 7 de Julho a sua terceira enc&iacute;clica, &quot;Caritas in Veritate&quot; (A caridade na verdade), um texto de 79 pontos, em que se mostra a um mundo ainda abalado pela crise financeira um conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es para o mundo econ&oacute;mico e exig&ecirc;ncias de solidariedade. Lembrar os pobres e os mais desprotegidos no tempo da globaliza&ccedil;&atilde;o &eacute; o fio condutor do documento, que procura apresentar caminhos para o &quot;verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade&quot;. <\/p>\n<p>O Papa repete a palavra &quot;caridade&quot;, que dava o mote &agrave; sua primeira enc&iacute;clica abordando desta feita mat&eacute;rias ligadas ao mundo do trabalho, da economia e do desenvolvimento. Na abertura da enc&iacute;lica refere-se que h&aacute; um contexto social e cultural que &quot;relativiza a verdade&quot; e provoca um &quot;esvaziamento&quot; da caridade, o que pode fazer com que &quot;a actividade social acabe &agrave; merc&ecirc; de interesses privados e l&oacute;gicas de poder&quot;.<\/p>\n<p>Justi&ccedil;a e bem comum s&atilde;o apresentados como crit&eacute;rios orientadores para o agir, tamb&eacute;m dos crist&atilde;os, embora Bento XVI reafirme que a Igreja n&atilde;o tem solu&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas para apresentar, mas &quot;uma miss&atilde;o de verdade para cumprir&quot;. &quot;Quando o empenho pelo bem comum &eacute; animado pela caridade, tem uma val&ecirc;ncia superior &agrave; do empenho simplesmente secular e pol&iacute;tico&quot;, pode ler-se.<\/p>\n<p><em>Alertas e preocupa&ccedil;&otilde;es<\/em><\/p>\n<p>O I Cap&iacute;tulo &eacute; dedicado &agrave; enc&iacute;lica &quot;Populorum Progressio&quot; (1967), de Paulo VI, retomando &quot;os seus ensinamentos sobre o desenvolvimento humano integral&quot; e pedindo um &quot;verdadeiro humanismo&quot;, aberto ao &quot;Absoluto&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Deus &eacute; o garante do verdadeiro desenvolvimento do homem&quot;, escreve.<\/p>\n<p>Neste contexto, &eacute; dito que a Igreja tem um papel p&uacute;blico a cumprir, &quot;sem olhar a privil&eacute;gios nem posi&ccedil;&otilde;es de poder&quot;, e prop&otilde;e-se uma &quot;liga&ccedil;&atilde;o entre &eacute;tica de vida e &eacute;tica social&quot;, comprometendo cada pessoa &quot;a fim de fazer avan&ccedil;ar os actuais processos econ&oacute;micos e sociais para metas plenamente humanas&quot;.<\/p>\n<p>A falta de fraternidade entre homens e povos &eacute; uma das preocupa&ccedil;&otilde;es apresentadas: &quot;A sociedade cada vez mais globalizada torna-nos vizinhos, mas n&atilde;o nos faz irm&atilde;os&quot;. <\/p>\n<p>O cap&iacute;tulo II aborda a quest&atilde;o do desenvolvimento no nosso tempo, come&ccedil;ando com um alerta de Bento XVI: &quot;O lucro &eacute; &uacute;til se, como meio, for orientado para um fim que lhe indique o sentido e o modo como o produzir e utilizar&quot;.<\/p>\n<p>&quot;As for&ccedil;as t&eacute;cnicas em campo, as inter-rela&ccedil;&otilde;es a n&iacute;vel mundial, os efeitos delet&eacute;rios sobre a economia real duma actividade financeira mal utilizada e maioritariamente especulativa, os imponentes fluxos migrat&oacute;rios, com frequ&ecirc;ncia provocados e depois n&atilde;o geridos adequadamente, a explora&ccedil;&atilde;o desregrada dos recursos da terra, induzem-nos hoje a reflectir sobre as medidas necess&aacute;rias para dar solu&ccedil;&atilde;o a problemas que s&atilde;o n&atilde;o apenas novos relativamente aos enfrentados pelo Papa Paulo VI, mas tamb&eacute;m e sobretudo com impacto decisivo no bem presente e futuro da humanidade&quot;, indica. <\/p>\n<p>No contexto da crise, surgiu uma renovada avalia&ccedil;&atilde;o do &quot;papel e poder&quot; dos Estados, com o Papa a pedir &quot;novas formas de participa&ccedil;&atilde;o&quot; na vida pol&iacute;tica nacional e internacional. <\/p>\n<p>A luta contra a fome merece uma chamada de aten&ccedil;&atilde;o: &quot;&Eacute; necess&aacute;ria a matura&ccedil;&atilde;o duma consci&ecirc;ncia solid&aacute;ria que considere a alimenta&ccedil;&atilde;o e o acesso &agrave; &aacute;gua como direitos universais de todos os seres humanos, sem distin&ccedil;&otilde;es nem discrimina&ccedil;&otilde;es&quot;, observa.<\/p>\n<p>Aborto, eutan&aacute;sia e viola&ccedil;&otilde;es &agrave; liberdade religiosa s&atilde;o outras preocupa&ccedil;&otilde;es apresentadas, a que se juntam o &quot;terrorismo de &iacute;ndole fundamentalista, que gera sofrimento, devasta&ccedil;&atilde;o e morte, bloqueia o di&aacute;logo entre as na&ccedil;&otilde;es e desvia grandes recursos do seu uso pac&iacute;fico e civil&quot;.<\/p>\n<p><em>Crise<\/em><\/p>\n<p>O Papa admite que &quot;as grandes novidades, que o quadro actual do desenvolvimento dos povos apresenta, exigem em muitos casos novas solu&ccedil;&otilde;es&quot;, considerando como priorit&aacute;rio &quot;o objectivo do acesso ao trabalho&quot;.<\/p>\n<p>Fraternidade, desenvolvimento econ&oacute;mico e sociedade civil s&atilde;o o tema do Cap&iacute;tulo III, em que se alerta contra uma vis&atilde;o &quot;meramente produtiva e utilarista da exist&ecirc;ncia&quot;.<\/p>\n<p>Regula&ccedil;&atilde;o, legisla&ccedil;&atilde;o e redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza s&atilde;o temas abordados num conjunto de reflex&otilde;es em que se procura afastar a ideia de um mercado negativo por natureza e se fala da import&acirc;ncia das &quot;leis justas&quot; nos Estados para a &quot;civiliza&ccedil;&atilde;o da economia&quot;.<\/p>\n<p>Esta sec&ccedil;&atilde;o conclui-se com uma nova avalia&ccedil;&atilde;o do fen&oacute;meno da globaliza&ccedil;&atilde;o, visto como mais do que um mero processo socio-econ&oacute;mico: &quot;N&atilde;o devemos ser v&iacute;timas dela, mas protagonistas, actuando com razoabilidade, guiados pela caridade e a verdade&quot;.<\/p>\n<p>No Cap&iacute;tulo IV aparecem as quest&otilde;es direitos e deveres, da ecologia e da &eacute;tica. Bento XVI fala de uma reivindica&ccedil;&atilde;o do &quot;sup&eacute;rfluo&quot; qu contrasta com a falta de &aacute;gua e alimento em certas regi&otilde;es subdesenvolvidas. O Papa afirma tamb&eacute;m que &eacute; &quot;errado&quot; considerar o aumento da popula&ccedil;&atilde;o como &quot;primeira causa de subdesenvolvimento&quot;, lembrando que a queda dos nascimentos &quot;p&otilde;e em crise os sistemas de assist&ecirc;ncia social&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Nesta perspectiva, os Estados s&atilde;o chamados a instaurar pol&iacute;ticas que promovam a centralidade e a integridade da fam&iacute;lia, fundada no matrim&oacute;nio entre um homem e uma mulher, c&eacute;lula primeira e vital da sociedade&quot;, acrescenta a enc&iacute;clica.<\/p>\n<p>A colabora&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia humana est&aacute; no centro do Cap&iacute;utulo V, onde se l&ecirc; que os crist&atilde;os apenas podem contribuir para o desenvolvimento &quot;apenas se Deus encontrar lugar tamb&eacute;m na esfera p&uacute;blica&quot;. O Papa faz refer&ecirc;ncia ao princ&iacute;pio da subsidariedade, como &quot;ant&iacute;doto&quot; contra qualquer forma de &quot;assistencialismo paternalista&quot;.<\/p>\n<p>Um maior acesso &agrave; educa&ccedil;&atilde;o e um compromisso internacional contra fen&oacute;menos como o turismo sexual s&atilde;o indica&ccedil;&otilde;es de Bento XVI para promover um desenvolvimento integral, em que se incluem ainda as novas din&acirc;micas das migra&ccedil;&otilde;es, imposs&iacute;veis de resolver &quot;por um pa&iacute;s, de forma isolada&quot;.<\/p>\n<p>A reforma &quot;urgente&quot; da ONU e da actual arquitectura econ&oacute;mica e financeira mundial levam o Papa a defender uma nova e verdadeira &quot;autoridade pol&iacute;tica mundial&quot;.<\/p>\n<p>O sexto e &uacute;ltimo cap&iacute;tulo &eacute; dedicado ao tema do desenvolvimento dos povos e da t&eacute;cnica, com aviso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; ideologias tecnocr&aacute;ticas. Neste contexto, &eacute; referido que &quot;um campo prim&aacute;rio e crucial da luta cultural entre o absolutismo da t&eacute;cnica e a responsabilidade moral do homem &eacute; o da bio&eacute;tica&quot;.<\/p>\n<p>Na conclus&atilde;o, Bento XVI dirige-se aos crist&atilde;os e indica que &quot;o desenvolvimento implica aten&ccedil;&atilde;o &agrave; vida espiritual, uma s&eacute;ria considera&ccedil;&atilde;o das experi&ecirc;ncias de confian&ccedil;a em Deus, de fraternidade espiritual em Cristo, de entrega &agrave; provid&ecirc;ncia e &agrave; miseric&oacute;rdia divina, de amor e de perd&atilde;o, de ren&uacute;ncia a si mesmos, de acolhimento do pr&oacute;ximo, de justi&ccedil;a e de paz&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bento XVI apresentou neste dia 7 de Julho a sua terceira enc&iacute;clica, &quot;Caritas in Veritate&quot; (A caridade na verdade), um texto de 79 pontos, em que se mostra a um mundo ainda abalado pela crise financeira um conjunto de orienta&ccedil;&otilde;es para o mundo econ&oacute;mico e exig&ecirc;ncias de solidariedade. 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