{"id":39839,"date":"2009-07-07T11:01:01","date_gmt":"2009-07-07T11:01:01","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/07\/bento-xvi-advoga-nova-ordem-internacional\/"},"modified":"2009-07-07T11:01:01","modified_gmt":"2009-07-07T11:01:01","slug":"bento-xvi-advoga-nova-ordem-internacional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bento-xvi-advoga-nova-ordem-internacional\/","title":{"rendered":"Bento XVI advoga nova ordem internacional"},"content":{"rendered":"<p>Terceira enc\u00edclica do Papa pede autoridade pol\u00edtica mundial para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a crise <!--more--> Bento XVI defende na sua terceira enc&iacute;clica, &quot;<a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74044\">Caritas in Veritate<\/a>&quot; (A caridade na verdade), uma nova ordem pol&iacute;tica e financeira internacional, para governar a globaliza&ccedil;&atilde;o e superar a crise em que o mundo se encontra mergulhado. <\/p>\n<p>No documento, tornado p&uacute;blico esta ter&ccedil;a-feira, o Papa apresenta como prioridade a &quot;reforma quer da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas quer da arquitectura econ&oacute;mica e financeira internacional&quot;, sentida em especial &quot;perante o crescimento incessante da interdepend&ecirc;ncia mundial&quot;, mesmo no meio de uma &quot;recess&atilde;o igualmente mundial&quot;.<\/p>\n<p>Em v&eacute;speras de mais uma reuni&atilde;o do G8, a nova enc&iacute;clica diz que esta &quot;verdadeira Autoridade pol&iacute;tica mundial&quot;, pedida no texto, teria como objectivos priorit&aacute;rios &quot;o governo da economia mundial&quot;, o desarmamento, &quot;a seguran&ccedil;a alimentar e a paz&quot;, a defesa do <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74046\">ambiente<\/a> e as regula&ccedil;&otilde;es dos fluxos migrat&oacute;rios. Outra necessidade apontada &eacute; a de ajudar &quot;as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e, em consequ&ecirc;ncia, maiores desequil&iacute;brios&quot;.<\/p>\n<p>&Eacute; sobretudo a quest&atilde;o financeira que merece um olhar atento neste documento, que identifica &quot;tend&ecirc;ncia actuais para uma economia a curto, sen&atilde;o mesmo curt&iacute;ssimo prazo&quot; e assinala que &quot;isto requer uma nova e profunda reflex&atilde;o sobre o sentido da economia e dos seus fins, bem como uma revis&atilde;o profunda e clarividente do modelo de <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74043\">desenvolvimento<\/a>&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Um dado &eacute; essencial: a necessidade de trabalhar n&atilde;o s&oacute; para que nas&ccedil;am sectores ou segmentos &laquo;&eacute;ticos&raquo; da economia ou das finan&ccedil;as, mas tamb&eacute;m para que toda a economia e as finan&ccedil;as sejam &eacute;ticas&quot;, assinala o documento, em que nunca aparece a palavra capitalismo.<\/p>\n<p>Bento XVI considera que os &quot;princ&iacute;pios tradicionais da &eacute;tica social&quot;, como a transpar&ecirc;ncia, a honestidade e a responsabilidade, continuam a ter lugar nos dias de hoje para enfrentar &quot;problem&aacute;ticas do desenvolvimento neste tempo de globaliza&ccedil;&atilde;o&quot;, em especial perante a crise econ&oacute;mico-financeira.<\/p>\n<p>O documento indica que &quot;tamb&eacute;m nas rela&ccedil;&otilde;es comerciais, o princ&iacute;pio de gratuidade e a l&oacute;gica do dom como express&atilde;o da fraternidade podem e devem encontrar lugar dentro da actividade econ&oacute;mica normal&quot;.<\/p>\n<p>O Papa considera que todo o sistema financeiro &quot;deve ser orientado para dar apoio a um verdadeiro desenvolvimento&quot;. &quot;H&aacute; que considerar errada a vis&atilde;o de quantos pensam que a economia de mercado tenha estruturalmente necessidade duma certa quota de pobreza e subdesenvolvimento para poder funcionar do melhor modo&quot;, alerta.<\/p>\n<p>Neste sentido, apela a uma regulamenta&ccedil;&atilde;o do sector capaz de impedir &quot;especula&ccedil;&otilde;es escandalosas&quot;, referindo que &agrave; luz da actual crise fica claro que &quot;o progresso econ&oacute;mico se revela fict&iacute;cio e danoso quando se abandona aos &laquo;prod&iacute;gios&raquo; das finan&ccedil;as para apoiar incrementos artificiais e consumistas&quot;. <\/p>\n<p>&quot;E preciso que as finan&ccedil;as enquanto tais &#8211; com estruturas e modalidades de funcionamento necessariamente renovadas depois da sua m&aacute; utiliza&ccedil;&atilde;o que prejudicou a economia real &#8211; voltem a ser um instrumento que tenha em vista a melhor produ&ccedil;&atilde;o de riqueza e o desenvolvimento&quot;, aponta.<\/p>\n<p>&quot;A doutrina social nunca deixou de p&ocirc;r em evid&ecirc;ncia a import&acirc;ncia que tem a justi&ccedil;a distributiva e a justi&ccedil;a social para a pr&oacute;pria economia de mercado&quot;, prossegue o texto, indicando que &quot;sem formas internas de solidariedade e de confian&ccedil;a rec&iacute;proca, o mercado n&atilde;o pode cumprir plenamente a sua pr&oacute;pria fun&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mica&quot;.<\/p>\n<p>Bento XVI sublinha que a actual crise veio destacar ainda mais &quot;anomalias e problemas dram&aacute;ticos&quot; presentes no desenvolvimento econ&oacute;mico. &quot;Cresce a riqueza mundial em termos absolutos, mas aumentam as desigualdades. Nos pa&iacute;ses ricos, novas categorias sociais empobrecem e nascem novas pobrezas&quot;, lamenta, falando ainda de &quot;situa&ccedil;&otilde;es de mis&eacute;ria desumanizadora&quot;, corrup&ccedil;&atilde;o e ilegalidade.<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica aborda &quot;pecados&quot; econ&oacute;micos e critica a &quot;convic&ccedil;&atilde;o de ser auto-suficiente&quot;. Mais &agrave; frente, diz que &quot;a convic&ccedil;&atilde;o da exig&ecirc;ncia de autonomia para a economia, que n&atilde;o deve aceitar &laquo;influ&ecirc;ncias&raquo; de car&aacute;cter moral, impeliu o homem a abusar dos instrumentos econ&oacute;micos, at&eacute; mesmo de forma destrutiva&quot;.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso evitar que o motivo para o emprego dos recursos financeiros seja especulativo, cedendo &agrave; tenta&ccedil;&atilde;o de procurar apenas o lucro a breve prazo sem cuidar igualmente da sustentabilidade da <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74039\">empresa <\/a>a longo prazo&quot;, escreve Bento XVI.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, precisa-se que &quot;o objectivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim &uacute;ltimo o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza&quot;.<\/p>\n<p>&quot;A economia tem necessidade da &eacute;tica para o seu correcto funcionamento; n&atilde;o de uma &eacute;tica qualquer, mas de uma &eacute;tica amiga da pessoa&quot;, frisa o Papa.<\/p>\n<p><em>Modelos para a globaliza&ccedil;&atilde;o<\/em><\/p>\n<p>A &quot;sociedade em vias de globaliza&ccedil;&atilde;o&quot; &eacute; o alvo preferencial de v&aacute;rias considera&ccedil;&otilde;es de Bento XVI na &quot;<a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74037\">Caritas in veritate<\/a>&quot;. Olhado para as v&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es dos seus predecessores em mat&eacute;ria social, o actual Papa considera que a principal novidade do nosso tempo &quot;foi a explos&atilde;o da interdepend&ecirc;ncia mundial, j&aacute; conhecida comummente por globaliza&ccedil;&atilde;o&quot;. <\/p>\n<p>&quot;A globaliza&ccedil;&atilde;o &#8211; escreve &#8211; &eacute; um fen&oacute;meno pluridimensional e polivalente, que exige ser compreendido na diversidade e unidade de todas as suas dimens&otilde;es, incluindo a <a href=\"http:\/\/www.agencia.ecclesia.pt\/cgi-bin\/noticia.pl?id=74040\">teol&oacute;gica<\/a>.&quot;<\/p>\n<p>Bento XVI avisa que &quot;o processo de globaliza&ccedil;&atilde;o poderia substituir as ideologias com a t&eacute;cnica, passando esta a ser um poder ideol&oacute;gico&quot;, pedindo por isso uma &quot;forma&ccedil;&atilde;o para a responsabilidade &eacute;tica no uso da t&eacute;cnica&quot;.<\/p>\n<p>O Papa n&atilde;o alinha com as &quot;atitudes fatalistas&quot; a respeito deste fen&oacute;meno, que mostra a realidade de &quot;uma humanidade cada vez mais interligada&quot;. Ainda assim, declara que &quot;&eacute; preciso corrigir as suas disfun&ccedil;&otilde;es, tantas vezes graves, que introduzem novas divis&otilde;es&quot; e fazer com que &quot;a redistribui&ccedil;&atilde;o da riqueza n&atilde;o se verifique &agrave; custa de uma redistribui&ccedil;&atilde;o da pobreza ou at&eacute; com o seu agravamento, como uma m&aacute; gest&atilde;o da situa&ccedil;&atilde;o actual poderia fazer-nos temer&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Na &eacute;poca da globaliza&ccedil;&atilde;o, a actividade econ&oacute;mica n&atilde;o pode prescindir da gratuidade, que difunde e alimenta a solidariedade e a responsabilidade pela justi&ccedil;a e o bem comum em seus diversos sujeitos e actores. Trata-se, em &uacute;ltima an&aacute;lise, de uma forma concreta e profunda de democracia econ&oacute;mica&quot;, observa Bento XVI.<\/p>\n<p>Neste contexto, diz o Papa, &quot;eliminar a fome no mundo tornou-se tamb&eacute;m um objectivo a alcan&ccedil;ar para preservar a paz e a subsist&ecirc;ncia da terra&quot;. &quot;Poderia revelar-se &uacute;til considerar as novas fronteiras abertas por um correcto emprego das t&eacute;cnicas de produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola, tanto as tradicionais como as inovadoras, desde que as mesmas tenham sido, depois de adequada verifica&ccedil;&atilde;o, reconhecidas oportunas, respeitadoras do ambiente e tendo em conta as popula&ccedil;&otilde;es mais desfavorecidas&quot;, indica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terceira enc\u00edclica do Papa pede autoridade pol\u00edtica mundial para governar a globaliza\u00e7\u00e3o e superar a 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