{"id":39828,"date":"2009-07-06T12:25:55","date_gmt":"2009-07-06T12:25:55","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/06\/homilia-de-d-manuel-quintas-no-santuario-de-fatima\/"},"modified":"2009-07-06T12:25:55","modified_gmt":"2009-07-06T12:25:55","slug":"homilia-de-d-manuel-quintas-no-santuario-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-de-d-manuel-quintas-no-santuario-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia de D. Manuel Quintas no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimo irm&atilde;o no episcopado, D. Filipe, Bispo da Irlanda, meus caros irm&atilde;os, sacerdotes e di&aacute;conos, consagrados e leigos, vindos de diferentes partes de Portugal e de outras partes do mundo. <\/p>\n<p>Aqui nos encontramos congregados &agrave; volta deste altar, sob o olhar materno de Maria, a Senhora do Ros&aacute;rio de F&aacute;tima, como peregrinos vindos individualmente ou integrando grupos paroquiais ou fam&iacute;lias religiosas e mission&aacute;rias, que constituem uma refer&ecirc;ncia inspiradora na viv&ecirc;ncia do pr&oacute;prio baptismo, no testemunho da f&eacute;, no an&uacute;ncio do Evangelho do Reino, na constru&ccedil;&atilde;o de uma mundo mais fraterno.<\/p>\n<p>Permiti-me que saliente dentre v&oacute;s a Peregrina&ccedil;&atilde;o Nacional da Fam&iacute;lia Mission&aacute;ria Espiritana, padres, irm&atilde;os, irm&atilde;s e leigos a eles associados, unidos em grande movimento mission&aacute;rio que faz do cora&ccedil;&atilde;o humano, ao perto e ao longe, campo privilegiado de an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p>Quero saudar e manifestar o meu reconhecimento a todos os mission&aacute;rios presentes e ausentes, pelo testemunho contagiante de uma vida &quot;oferecida&quot; e &quot;gasta&quot; ao servi&ccedil;o da miss&atilde;o ad gentes, eles que representam, segundo express&atilde;o do Papa Jo&atilde;o Paulo II &#8211; tamb&eacute;m ele grande mission&aacute;rio e catequista itinerante &#8211; &quot;o paradigma do compromisso mission&aacute;rio da Igreja, que tem sempre necessidade de doa&ccedil;&otilde;es radicais e totais, de impulsos novos e corajosos&quot; (RM 66).<\/p>\n<p>Convosco louvo o Senhor pelo vosso servi&ccedil;o &agrave; miss&atilde;o da Igreja e invoca a for&ccedil;a do Esp&iacute;rito para que a celebra&ccedil;&atilde;o jubilar dos 300 anos da morte do vosso fundador constitua verdadeiramente um tempo de gra&ccedil;a e de dom para renovardes o vosso ardor mission&aacute;rio em fidelidade ao carisma e &agrave; miss&atilde;o de que sois herdeiros.<\/p>\n<p>Sa&uacute;do, igualmente, a fam&iacute;lia carmelita em peregrina&ccedil;&atilde;o nacional. Destas duas fam&iacute;lias queremos acolher hoje o apelo a sermos contemplativos e ap&oacute;stolos, seduzidos pelo Pai, impelidos pelo Esp&iacute;rito, no seguimento de Cristo e no an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>2. S&atilde;o certamente muitos e variados os motivos que aqui nos trazem neste domingo e inspiram a nossa peregrina&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Motivos que nos levam a depositar sobre este altar o nosso louvor agradecido ao Pai por todos os dons recebidos, bem como a dirigir-lhe pelas m&atilde;os de Maria a nossa invoca&ccedil;&atilde;o filial e confiante, certos de que, pela intercess&atilde;o de Jesus, seu Filho, nos escuta e atende nas nossas dificuldades, anseios, projectos&#8230;<\/p>\n<p>A nossa peregrina&ccedil;&atilde;o a este Santu&aacute;rio deve despertar em cada um de n&oacute;s a disposi&ccedil;&atilde;o e a disponibilidade interior para correspondermos ao apelo aqui deixado por Maria: ora&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia, ou seja, convers&atilde;o pessoal e mudan&ccedil;a de vida; adequar a nossa vida aos valores do Evangelho: o primeiro convite de Jesus ao iniciar a sua vida p&uacute;blica: convertei-vos e acreditai no Evangelho.<\/p>\n<p>S&oacute; com um cora&ccedil;&atilde;o convertido e aberto ao amor e aos apelos de Deus, podemos entender e acolher a mensagem presente na Palavra hoje proclamada e viver de modo mais pleno em fidelidade &agrave; voca&ccedil;&atilde;o mission&aacute;ria de todo o baptizado, como participa&ccedil;&atilde;o pessoal e co-respons&aacute;vel na miss&atilde;o da Igreja.<\/p>\n<p>O mandamento de Cristo &quot;Ide pelo mundo e anunciai o Evangelho&quot; &eacute; sempre actual e reclama a urg&ecirc;ncia de todas as horas e de todo o tempo para a Igreja entendida e definida, na sua ess&ecirc;ncia mais profunda, como mission&aacute;ria. Ela existe para evangelizar: &quot;O an&uacute;ncio do Evangelho &eacute; o servi&ccedil;o da Igreja ao mundo. Evangelizar &eacute; a voca&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria da Igreja, a sua identidade mais profunda&quot;. (EN1.1a)<\/p>\n<p>Esta tarefa n&atilde;o &eacute; facultativa para a Igreja nem deleg&aacute;vel ou preterida pelos seus membros.<\/p>\n<p>A miss&atilde;o &eacute; de todos, &eacute; para todos e para todo o mundo.<\/p>\n<p>Como baptizados devemos sentir-nos todos enviados e destinat&aacute;rios da evangeliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>3. A palavra de Deus proclamada neste domingo converge para um tema comum: Deus serve-se da fraqueza e da fragilidade humanas para se manifestar e transmitir a sua mensagem.<\/p>\n<p>Ezequiel: o &quot;filho do homem&quot; para ser no meio do seu povo a voz de Deus. O importante n&atilde;o s&atilde;o as qualidades do profeta, mas o chamamento de Deus e a miss&atilde;o que lhe confia. Tamb&eacute;m n&atilde;o &eacute; decisivo se a mensagem &eacute; acolhida. Podem escutar-te ou n&atilde;o, mas saber&atilde;o que haver&aacute; um profeta no meio deles.<\/p>\n<p>Paulo como todos os ap&oacute;stolos e mission&aacute;rios de todos os tempos: &quot;quando sou fraco &eacute; que sou forte&quot;. <\/p>\n<p>O pr&oacute;prio Jesus, Ele que sendo Deus assumiu a nossa humanidade, experimentou a rejei&ccedil;&atilde;o dos seus conterr&acirc;neos porque nada viam nele de invulgar&#8230; de extraordin&aacute;rio&#8230; de diferente dos outros habitantes de Nazar&eacute;&#8230;<\/p>\n<p>Ele, todos o conheciam, era o &quot;carpinteiro&quot;, o &quot;filho de Maria&quot;&#8230;<\/p>\n<p>Comodamente instalados nas suas certezas e preconceitos, os conterr&acirc;neos de Jesus estavam convencidos de que Deus n&atilde;o podia manifestar-se no humilde carpinteiro que todos conheciam&#8230; (Um profeta s&oacute; &eacute; desprezado na sua terra entre os seus parentes e em sua casa).<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o precisamos de recuar tanto no tempo&#8230; todos conhecemos a reac&ccedil;&atilde;o da maioria dos conterr&acirc;neos e contempor&acirc;neos dos pastorinhos quando come&ccedil;ou a divulgar-se a not&iacute;cia dos acontecimentos aqui ocorridos, da mensagem do c&eacute;u da qual eles, crian&ccedil;as ainda de tenra idade, foram fi&eacute;is e her&oacute;icos deposit&aacute;rios.<\/p>\n<p>Mensagem que aqui continua a convidar gente proveniente de todo o mundo, como a n&oacute;s hoje, e que de modo t&atilde;o eficaz nos desperta e impulsiona para a verdadeira convers&atilde;o a Cristo e ao Evangelho&#8230; Deus serve-se, hoje como ontem, da fragilidade e da fraqueza humana para se manifestar e revelar a obra redentora operada por Cristo.<\/p>\n<p>Este modo caracter&iacute;stico de Deus agir ver anular as desculpas que, tantas vezes, apresentamos, baseadas nas nossas limita&ccedil;&otilde;es, na nossa &quot;incapacidade&quot;, recusando participar de modo activo e correspons&aacute;vel na realiza&ccedil;&atilde;o da miss&atilde;o da Igreja, inseridos nas nossas comunidades paroquiais.<\/p>\n<p>Este modo caracter&iacute;stico de Deus se manifestar confunde-nos e baralha a nossa l&oacute;gica humana.<\/p>\n<p>Ele faz da fraqueza e da ignor&acirc;ncia humana a sua for&ccedil;a e a sua sabedoria.<\/p>\n<p>Escolhe o fraco para confundir o forte.<\/p>\n<p>Escolhe o simples e humilde para confundir o s&aacute;bio.<\/p>\n<p>Ele faz do esc&acirc;ndalo e da ignom&iacute;nia da cruz caminho de ressurrei&ccedil;&atilde;o e de gl&oacute;ria.<\/p>\n<p>Ele serve-se do sofrimento humano como instrumento portentoso e eficaz de an&uacute;ncio do Evangelho.<\/p>\n<p>Quando me sinto fraco, ent&atilde;o &eacute; que sou forte &#8211; escutamos hoje no testemunho de Paulo, o mesmo que conclu&iacute;a: &quot;Sem em quem acreditei, nada temo&quot;, &quot;tudo posso, naquele que me d&aacute; for&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conclus&atilde;o: Com Maria, vivemos em Miss&atilde;o<\/p>\n<p>Caros peregrinos, n&atilde;o nos contentemos em regressar &agrave;s nossas terras, &agrave;s nossas fam&iacute;lias, &agrave; nossa vida quotidiana, apenas como algu&eacute;m que &quot;veio a F&aacute;tima&quot;, que &quot;esteve em F&aacute;tima&quot;, que &quot;passou por F&aacute;tima&quot;.<\/p>\n<p>Meus caros peregrinos, a mensagem aqui deixada e hoje aqui escutada pede-nos que regressemos diferentes&#8230; n&atilde;o basta &quot;passar por F&aacute;tima&quot;. &Eacute; preciso que F&aacute;tima e a sua mensagem nos acompanhe no regresso &agrave;s nossas casas&#8230; Toda a peregrina&ccedil;&atilde;o deve convergir para a convers&atilde;o pessoal, para o compromisso no an&uacute;ncio e no testemunho do Evangelho.<\/p>\n<p>A verdade da convers&atilde;o pessoal bem como a vitalidade de uma comunidade crist&atilde; &eacute; proporcional ao compromisso e ao dinamismo mission&aacute;rio presente em toda a sua ac&ccedil;&atilde;o pastoral.<\/p>\n<p>Que Maria, m&atilde;e de Jesus e nossa m&atilde;e, Estrela da nossa evangeliza&ccedil;&atilde;o, que aqui veneramos e invocamos como a Senhora do Ros&aacute;rio de F&aacute;tima, nos aben&ccedil;oe, nos acompanhe e nos fortale&ccedil;a no cumprimento das decis&otilde;es e prop&oacute;sitos que queremos levar para a nossa vida. Com ela e como ela, nossas comunidades querem viver em estado permanente de miss&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>D. Manuel Quintas, Bispo do Algarve<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Car&iacute;ssimo irm&atilde;o no episcopado, D. Filipe, Bispo da Irlanda, meus caros irm&atilde;os, sacerdotes e di&aacute;conos, consagrados e leigos, vindos de diferentes partes de Portugal e de outras partes do mundo. 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