{"id":39819,"date":"2009-07-06T11:06:02","date_gmt":"2009-07-06T11:06:02","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/06\/crise-etica-na-economia-e-na-politica-3\/"},"modified":"2009-07-06T11:06:02","modified_gmt":"2009-07-06T11:06:02","slug":"crise-etica-na-economia-e-na-politica-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/crise-etica-na-economia-e-na-politica-3\/","title":{"rendered":"Crise \u00e9tica na economia e na pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p>Ao longo do dia de S&aacute;bado, num semin&aacute;rio organizado pela CNJP, figuras como Laborinho L&uacute;cio, Guilherme de Oliveira Martins, Ulisses Garrido ou Adriano Moreira reflectiram sobre a &quot;Crise &eacute;tica na economia e na pol&iacute;tica&quot;. <\/p>\n<p>Tendo como ressalva a recusa de &quot;euforias&quot; ou &quot;cruzadas&quot; &eacute;ticas (nas palavras de D. Carlos Azevedo ou de Jos&eacute; Manuel Pureza) e sublinhando, portanto, a necessidade de actuar responsavelmente em vez de ideologicamente, ficou por&eacute;m claro que j&aacute; n&atilde;o h&aacute; como defender a neutralidade axiol&oacute;gica do sistema econ&oacute;mico vigente. <\/p>\n<p>&Eacute; imperativo denunciar a imoralidade de um modelo econ&oacute;mico que tem vindo a aumentar as desigualdades, a causar profundas fracturas sociais e a p&ocirc;r em risco at&eacute; a sobreviv&ecirc;ncia humana no planeta.<\/p>\n<p>Da mesma forma, a pretens&atilde;o de que h&aacute; um s&oacute; modelo cred&iacute;vel, um s&oacute; sistema econ&oacute;mico vencedor (o capitalismo neoliberal) n&atilde;o pode j&aacute; persistir, pois as suas falhas est&atilde;o &agrave; vista de todos e os exclu&iacute;dos do sistema aumentam, assim como aumenta a desigualdade entre ricos e pobres.<\/p>\n<p>A Doutrina Social da Igreja criticou h&aacute; j&aacute; muitas d&eacute;cadas os riscos do crescimento desmedido e de uma economia que n&atilde;o est&aacute; ao servi&ccedil;o do homem. Infelizmente, a chegada ao s&eacute;culo XXI deu-lhe raz&atilde;o. <\/p>\n<p>Por outro lado, esta &quot;teologia de mercado&quot; tem vindo a esvaziar o poder pol&iacute;tico do poder real (que se deslocou para o campo financeiro e econ&oacute;mico &#8211; an&oacute;nimo, n&atilde;o responsabiliz&aacute;vel, inimput&aacute;vel), pondo seriamente em risco a necess&aacute;ria credibilidade das institui&ccedil;&otilde;es, que &eacute; o pressuposto da democracia e da participa&ccedil;&atilde;o c&iacute;vica (a pietas que, como lembrou Adriano Moreira, era, segundo C&iacute;cero, o dever do cidad&atilde;o de se devotar ao servi&ccedil;o da comunidade e obedecer &agrave;s leis, devendo por&eacute;m revoltar-se contra o Estado caso este se afastasse da autenticidade).<\/p>\n<p>Ora, &quot;n&atilde;o h&aacute; democracia quando os cidad&atilde;os sentem que n&atilde;o t&ecirc;m qualquer poder para mudar o sistema&quot; (Laborinho L&uacute;cio), da&iacute; a necessidade de transpar&ecirc;ncia por parte das institui&ccedil;&otilde;es, e de uma educa&ccedil;&atilde;o que saiba formar cidad&atilde;os cr&iacute;ticos, exigentes, respons&aacute;veis.<\/p>\n<p>Ao longo do s&eacute;culo XX, referiu Jos&eacute; Manuel Pureza, houve duas grandes crises que se assemelharam a esta: surpreendentemente, o professor n&atilde;o se refere a crises estritamente econ&oacute;mico-financeiras, como a de 1929, mas &agrave;s crises que se sucederam &agrave;s duas grandes guerras mundiais e que fizeram o mundo mudar de rumo, gritando &quot;Nunca mais!&quot;. Para a resolu&ccedil;&atilde;o dessas crises, surgiram grandes organiza&ccedil;&otilde;es e pactos internacionais, estabeleceram-se direitos humanos irrevog&aacute;veis, cuja defesa a n&iacute;vel internacional passaria a ser responsabilidade de todos, assumiu-se a autodetermina&ccedil;&atilde;o dos povos como um direito e um objectivo.<\/p>\n<p>O esc&acirc;ndalo que as cat&aacute;strofes das duas grandes guerras provocou, conduziu a estes projectos ambiciosos de &quot;paz positiva&quot;. O que falta para que, tamb&eacute;m agora, se grite um &quot;Nunca mais&quot;? Para que sejamos mais audazes nos projectos de mudan&ccedil;a? Faltar&aacute; essa consci&ecirc;ncia do esc&acirc;ndalo? A consci&ecirc;ncia do esmagamento da dignidade humana?<\/p>\n<p>Mas &quot;podemos fazer mais do que julgamos para a supera&ccedil;&atilde;o da crise&quot; (Guilherme d&#39;Oliveira Martins&quot;) nas suas m&uacute;ltiplas facetas. E h&aacute; tr&ecirc;s palavras-chave que nos ficam, e que foram acentuadas por quase todos os oradores do semin&aacute;rio:<\/p>\n<p>&#61485;A confian&ccedil;a (entre o Estado e os cidad&atilde;os, ou entre os pr&oacute;prios co-cidad&atilde;os entre si), como pressuposto da democracia e do pluralismo que hoje &eacute; uma necessidade incontorn&aacute;vel, para al&eacute;m de uma riqueza indesment&iacute;vel;<\/p>\n<p>&#61485;A responsabilidade na constru&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica e dial&eacute;ctica do Bem Comum;<\/p>\n<p>&#61485;A sustentabilidade, relembrando o conceito de &quot;cidadania global&quot; proclamado por Jo&atilde;o Paulo II, e que hoje se deve estender n&atilde;o s&oacute; ao espa&ccedil;o como ao tempo, na prepara&ccedil;&atilde;o da vinda das gera&ccedil;&otilde;es futuras que habitar&atilde;o a Terra.<\/p>\n<p>A crise permitiu-nos, portanto, denunciar de forma p&uacute;blica quest&otilde;es &eacute;ticas que andavam relegadas para a esfera privada, mostrando-nos os desafios da realidade. Pensamento ou ac&ccedil;&atilde;o?, perguntamo-nos. Atitude prof&eacute;tica ou pol&iacute;tica? Exige-se o equil&iacute;brio entre ambas. H&aacute; escolhas a fazer e no momento presente isso torna-se mais evidente ainda. Agarremos a oportunidade de mudar de rumo agora, em tempo de crise (que etimologicamente significa &quot;m&aacute;xima oportunidade e m&aacute;ximo risco&quot;), pois &quot;os actores devem ser todos&quot; (Ulisses Garrido), pol&iacute;ticos e sociedade civil, leigos e crist&atilde;os &#8211; embora a responsabilidade destes &uacute;ltimos seja, porventura, maior ainda.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Joana Rigato<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao longo do dia de S&aacute;bado, num semin&aacute;rio organizado pela CNJP, figuras como Laborinho L&uacute;cio, Guilherme de Oliveira Martins, Ulisses Garrido ou Adriano Moreira reflectiram sobre a &quot;Crise &eacute;tica na economia e na pol&iacute;tica&quot;. 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