{"id":397749,"date":"2025-11-02T09:31:35","date_gmt":"2025-11-02T09:31:35","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=397749"},"modified":"2025-10-31T17:32:47","modified_gmt":"2025-10-31T17:32:47","slug":"portugal-solidariedade-se-nao-fossem-os-imigrantes-ha-muitos-servicos-que-deixavam-de-ser-prestados-padre-lino-maia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/portugal-solidariedade-se-nao-fossem-os-imigrantes-ha-muitos-servicos-que-deixavam-de-ser-prestados-padre-lino-maia\/","title":{"rendered":"Portugal\/Solidariedade: \u00abSe n\u00e3o fossem os imigrantes, h\u00e1 muitos servi\u00e7os que deixavam de ser prestados\u00bb &#8211; padre Lino Maia"},"content":{"rendered":"<p><em>A poucos dias do Dia Mundial dos Pobres, e no final da primeira semana de discuss\u00e3o do Or\u00e7amento do Estado, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social (CNIS)<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_154773\" aria-describedby=\"caption-attachment-154773\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-154773 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"1000\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia.jpg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/lino_maia-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-154773\" class=\"wp-caption-text\">Ag\u00eancia Ecclesia\/MC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>No seu editorial, no jornal Solidariedade, alerta para a possibilidade de o Governo n\u00e3o cumprir o Pacto de Coopera\u00e7\u00e3o para a Solidariedade. Que ind\u00edcios aponta para este receio?<\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 come\u00e7aram as negocia\u00e7\u00f5es para atualiza\u00e7\u00f5es dos acordos de coopera\u00e7\u00e3o. A perspetiva para j\u00e1 \u00e9, de facto, m\u00e1. N\u00f3s sabemos que h\u00e1 val\u00eancias em que a comparticipa\u00e7\u00e3o p\u00fablica \u00e9 muito baixa, temos val\u00eancias como Centro de Dia, ATL, em que estamos longe, muito longe, dos 50%, est\u00e3o abaixo de 40%, est\u00e3o 35%, portanto, est\u00e3o muito abaixo.<\/p>\n<p>E parece-me que para chegar aos 50%, aquilo que est\u00e1 consagrado no Pacto de Coopera\u00e7\u00e3o, a perspetiva n\u00e3o \u00e9 assim muito favor\u00e1vel. \u00c9 evidente que n\u00f3s vamos pressionar, insistir oportunamente e n\u00e3o oportunamente, porque, palavra dada, palavra honrada, e para mais nada consagrado num pacto, temos que dar passos no sentido da aproxima\u00e7\u00e3o dos 50%, em muitas val\u00eancias, nas respostas para pessoas com&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Mas est\u00e1 em risco um acordo neste momento, h\u00e1 uma data-limite? <\/em><\/p>\n<p>Tem que ser negociado logo que poss\u00edvel. E de facto pode ser ou n\u00e3o concretizado; pode n\u00e3o haver, de facto, acordo. Tudo se conjuga para que, antes do fim do ano, cheguemos a uma conclus\u00e3o, para que em janeiro de 2026, ent\u00e3o j\u00e1 esteja a ser atualizada as comparticipa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Fica com a impress\u00e3o de que o Estado est\u00e1 a privilegiar presta\u00e7\u00f5es sociais em vez do apoio \u00e0 a\u00e7\u00e3o social? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 verdade, ali\u00e1s, quando digo tamb\u00e9m nesse editorial que, o Or\u00e7amento do Estado ignora, estes setores, as pessoas podem pensar, mas afinal h\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es de presta\u00e7\u00f5es sociais. H\u00e1 atualiza\u00e7\u00f5es, mas n\u00f3s temos de pensar, e de concretizar isto. \u00c9 que o setor social solid\u00e1rio e as IPSS&#8217;s prestam muita a\u00e7\u00e3o social em favor dos mais carenciados. E quanto \u00e0s atualiza\u00e7\u00f5es para os acordos de coopera\u00e7\u00e3o, portanto, para que as institui\u00e7\u00f5es continuem a prestar o servi\u00e7o que prestam, nesse aspeto o Or\u00e7amento do Estado n\u00e3o se pronuncia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E nesta perspetiva pode estar em causa esta boa coopera\u00e7\u00e3o entre o Estado e o setor social?<\/em><\/p>\n<p>Se n\u00e3o dermos passos no sentido da aproxima\u00e7\u00e3o dos 50 por cento, est\u00e1 em causa. E para mim est\u00e3o em causa outras quest\u00f5es que s\u00e3o importantes. H\u00e1 um discurso que vai reinando no sentido destas institui\u00e7\u00f5es poderem converter-se em empresas sociais. Isto \u00e9 complicado, \u00e9 grave, porque convertendo-se em empresas sociais n\u00f3s estamos a abandonar aqueles que mais precisam de apoios. Come\u00e7ar\u00e3o a ter, certamente, acesso \u00e0s v\u00e1rias respostas sociais, aqueles que poderem contribuir, aqueles que poderem pagar. Isso \u00e9 complicado e, portanto, ficar\u00e1 mais gente para tr\u00e1s, aumentar\u00e1 de facto a pobreza e, sobretudo, s\u00e3o muitas as pessoas que s\u00e3o exclu\u00eddas de servi\u00e7os que s\u00e3o necess\u00e1rios e que s\u00f3 estas institui\u00e7\u00f5es podem prestar privilegiando, como digo os mais necessitados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Vai-se privilegiar de alguma forma o lucro com a cria\u00e7\u00e3o de uma empresa social em detrimento da pobreza?<\/em><\/p>\n<p>Ainda que n\u00e3o se privilegie o lucro de imediato. Esse \u00e9 o segundo passo. Desde j\u00e1 ir-se-ia privilegiar de facto os que podem pagar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>H\u00e1 uma pervers\u00e3o da natureza destas institui\u00e7\u00f5es, nessa proposta?<\/em><\/p>\n<p>Na proposta, sim. Agora, \u00e9 evidente que isto \u00e9 acabar, ou p\u00f4r de facto em perigo estas institui\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o ser remetidas apenas para institui\u00e7\u00f5es de caridade. A caridade \u00e9 importante, \u00e9 muito importante, mas s\u00f3 presta caridade, s\u00f3 d\u00e1 quem tem e, por isso, muitas das pessoas que precisam de servi\u00e7os deixar\u00e3o de ter acesso a esses servi\u00e7os de que precisam.<\/p>\n<p><em>O Or\u00e7amento do Estado prev\u00ea um aumento de 50 euros no pr\u00f3ximo ano, para os 920 euros. Defende a ideia de sal\u00e1rios dignos e justos, mas tamb\u00e9m alerta para a fragilidade financeira das institui\u00e7\u00f5es de solidariedade. Este aumento \u00e9 aceit\u00e1vel? E para as institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 incomport\u00e1vel? a) Existe risco de novas fal\u00eancias? Como compatibilizar a justi\u00e7a do aumento com a sa\u00fade financeira das IPSS?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Primeiro, sou absolutamente a favor de um aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo, at\u00e9 porque, de facto, \u00e9 muito baixo. Nas institui\u00e7\u00f5es, sente-se, de facto, que \u00e9 mesmo muito baixo o sal\u00e1rio m\u00ednimo porque, com um trabalho menos duro e, talvez, at\u00e9 a ganhar mais, os trabalhadores partem para outros servi\u00e7os e abandonam as institui\u00e7\u00f5es. Est\u00e1 a haver, j\u00e1, de facto, dificuldade em recrutar trabalhadores nas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade. Agora, qualquer aumento de sal\u00e1rio m\u00ednimo tem um impacto muito grande nas institui\u00e7\u00f5es porque, enquanto na economia em geral, a massa salarial representa cerca de 17%, 18% dos custos na economia em geral, nas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade a massa salarial representa 70% dos custos dos servi\u00e7os das institui\u00e7\u00f5es e, portanto, qualquer aumento tem um impacto grande.<\/p>\n<p>E reparamos que isto n\u00e3o est\u00e1 a ser tido em aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o est\u00e1 a ser tido suficientemente em aten\u00e7\u00e3o e n\u00f3s temos tamb\u00e9m de pugnar para que, de facto, haja aumento significativo das comparticipa\u00e7\u00f5es p\u00fablicas para as institui\u00e7\u00f5es, exatamente tamb\u00e9m para elas poderem pagar melhores sal\u00e1rios, e at\u00e9 para n\u00e3o perderem trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Existe ent\u00e3o esse risco de novas fal\u00eancias no setor e, j\u00e1 agora, como \u00e9 se compatibiliza o aumento dos sal\u00e1rios com a sa\u00fade financeira das institui\u00e7\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9 evidente que aqui s\u00f3 h\u00e1 duas hip\u00f3teses. Ou as institui\u00e7\u00f5es come\u00e7am a desviar-se da sua matriz e da sua miss\u00e3o, e come\u00e7am de facto a aceitar como utentes aqueles que podem pagar melhor, ou ent\u00e3o o Estado passa a comparticipar melhor. Por exemplo, numa ERPI (Estrutura Resid\u00eancia para Pessoas Idosas), ou num lar, enquanto o custo m\u00e9dio previsto para 2025 anda nos 1.630 por utente, e o custo em 2026 ainda ser\u00e1 superior; se o Estado s\u00f3 compartilha, em cerca de 700 euros por utente, significa que o utente, com a respetiva fam\u00edlia, ter\u00e1 de comparticipar em cerca de 900 euros. Quais s\u00e3o os utentes que podem, de facto, comparticipar com esses 900 euros, quando as reformas s\u00e3o ainda muito baixas, o pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 todo igual, e em muitas zonas do pa\u00eds a maior parte dos utentes, ou muitos utentes, nunca descontaram, ou ent\u00e3o eram trabalhadores rurais com pequenos descontos e, portanto, t\u00eam reformas muito baixas. Portanto, tem de haver aqui um aumento significativo por parte do Estado nas comparticipa\u00e7\u00f5es, repito, para que as institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o se desviem da sua miss\u00e3o que \u00e9 privilegiar os mais desfavorecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ou que possam ir \u00e0 fal\u00eancia por causa do aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo?<\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o gosto do termo e, sobretudo, de acenar com esse risco, porque sen\u00e3o pode mesmo acontecer. Da parte dos dirigentes vai havendo sempre um esfor\u00e7o pessoal, h\u00e1 uma tentativa tamb\u00e9m de envolvimento da comunidade, h\u00e1 milagres que v\u00e3o sendo feitos por institui\u00e7\u00f5es, mas h\u00e1, e para mim esse \u00e9 o grande problema, h\u00e1 muitas institui\u00e7\u00f5es que se est\u00e3o a endividar sistematicamente. Nos estudos que temos feito periodicamente, um estudo com a chancela da Cat\u00f3lica, v\u00ea-se que, de facto, sistematicamente, 50% e at\u00e9 mais das institui\u00e7\u00f5es chegam com resultados negativos ao fim do ano.<\/p>\n<p>E s\u00e3o sempre as mesmas institui\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 assim uma grande varia\u00e7\u00e3o, o que significa que, se eu falar da possibilidade de fal\u00eancia, isso pode abrir mesmo uma caixa de Pandora e pode acontecer isso mesmo. Mas as institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o-se endividando, isto n\u00e3o pode ser indefinidamente, isto tem que ter um fim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falou da dificuldade de recrutamento de trabalhadores das institui\u00e7\u00f5es particulares de solidariedade social e sabemos que muitos destes trabalhadores j\u00e1 s\u00e3o imigrantes. A nova lei da imigra\u00e7\u00e3o, a nova lei da nacionalidade, vai dificultar ainda mais o recrutamento?<\/em><\/p>\n<p>Vai dificultar. Eu sou um bocado reticente ao discurso vigente, ao discurso que est\u00e1 agora a imperar. N\u00f3s, portugueses, temos um hist\u00f3rico, somos um povo que imigra, n\u00e3o podemos ser um povo que fecha sistematicamente as portas aos imigrantes. N\u00f3s precisamos de mais trabalhadores vindos de fora, at\u00e9 porque a popula\u00e7\u00e3o portuguesa, diria de origem portuguesa, vai envelhecendo. Se n\u00e3o fossem os imigrantes, h\u00e1 muitos servi\u00e7os que deixavam de ser prestados porque de facto, o que vale s\u00e3o os imigrantes.<\/p>\n<p>E nas institui\u00e7\u00f5es de solidariedade n\u00f3s j\u00e1 temos muitos imigrantes de v\u00e1rias nacionalidades e que s\u00e3o uma mais-valia. O problema \u00e9 que muitas vezes est\u00e3o uns meses nas institui\u00e7\u00f5es, para fazerem uma esp\u00e9cie de forma\u00e7\u00e3o e depois demandam para onde pagam mais ou onde ter\u00e3o menos trabalho, ou um trabalho menos duro. E, portanto, h\u00e1 de facto dificuldade, mas, repito, s\u00e3o uma mais-valia de modo geral e at\u00e9 temos trabalhadores com habilita\u00e7\u00f5es elevadas que se sujeitam a trabalhos, diria, para pessoas que poderiam ter menos habilita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E at\u00e9, reparamos, n\u00e3o vou agora aqui dizer nacionalidades, mas reparamos que h\u00e1 um aspeto muito importante nas institui\u00e7\u00f5es. Em muitos destes imigrantes trabalhadores encontramos, de facto, a cria\u00e7\u00e3o de la\u00e7os de afeto com os utentes, um tratamento bom, bonito, de afeto e nestas institui\u00e7\u00f5es isso \u00e9 extremamente importante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Vamos falar de um projeto novo tamb\u00e9m, porque temos falado, sobretudo, de dificuldades, mas as institui\u00e7\u00f5es a\u00ed est\u00e3o no terreno e continuam a trabalhar. Em outubro entrou em vigor o projeto que junta sa\u00fade ao apoio domicili\u00e1rio, \u00e9 o SAD+Sa\u00fade. Qual tem sido a recidividade deste projeto? <\/em><\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 bastantes anos que lut\u00e1vamos por isto mesmo. O projeto piloto est\u00e1 previsto para cinco regi\u00f5es de pa\u00eds, e haver\u00e1 institui\u00e7\u00f5es que o v\u00e3o implementar, que est\u00e3o agora a candidatar-se, aguardando por uma decis\u00e3o. \u00c9 muito importante encetarmos este caminho. Ali\u00e1s, cuidados de sa\u00fade j\u00e1 vamos prestando no apoio domicili\u00e1rio, apesar de tal n\u00e3o estar previsto e n\u00e3o ser apoiado, mas os utentes de SAD, do servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio, s\u00e3o muitas vezes pessoas que precisam mesmo de cuidados de sa\u00fade e de um apoio domicili\u00e1rio n\u00e3o restringido a oito horas por dia, mas ao longo de 24 horas por dia.<\/p>\n<p>Isso \u00e9, de facto, mesmo muito importante, particularmente nas zonas de baixa densidade populacional. \u00c9 muito importante que haja algu\u00e9m que, \u00e0 meia-noite, v\u00e1 apagar a luz, v\u00e1 dar os medicamentos, v\u00e1 dar um ch\u00e1 \u00e0s pessoas, que acompanhe na medica\u00e7\u00e3o as pessoas e que mesmo as transportem, as levem as pessoas para cuidados externos de sa\u00fade. Eu penso que esta medida, este SAD+Sa\u00fade \u00e9, de facto, muito importante e que, se for convenientemente apoiada pelo Estado, a breve trecho, alargar-se-\u00e1 a todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>N\u00e3o digo que todas as institui\u00e7\u00f5es v\u00e3o aderir, n\u00f3s vamos continuar a precisar do outro tipo de apoio domicili\u00e1rio, mas, de facto, tender\u00e1 a ser o verdadeiro SAD, ser\u00e1 o SAD+Sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 em curso, na Concerta\u00e7\u00e3o Social, a discuss\u00e3o de uma nova reforma da legisla\u00e7\u00e3o laboral. Era uma quest\u00e3o permanente? Os sindicatos j\u00e1 vieram a p\u00fablico contestar esta proposta de reforma?<\/em><\/p>\n<p>Atualiza\u00e7\u00f5es poder\u00e3o acontecer, mas eu tenho algum receio. Os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o um problema, s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode haver um discurso, nem uma legisla\u00e7\u00e3o, diria que olhe s\u00f3 para os empregadores, \u00e9 preciso uma legisla\u00e7\u00e3o que tenha em aten\u00e7\u00e3o, de facto, os direitos dos trabalhadores, a dignidade dos trabalhadores que s\u00e3o pessoas. Eu temo que o mexer muito na atual lei laboral possa, de facto, perigar os direitos dos trabalhadores atentar contra a sua dignidade. Come\u00e7ou mal esta discuss\u00e3o, mesmo muito mal, e espero que, de facto &#8211; ela vai ser transferida para o Parlamento &#8211;\u00a0espero que, de facto, n\u00e3o nos desviemos muito do essencial. N\u00e3o nos devemos desviar nada dos direitos dos trabalhadores. Repito, os trabalhadores n\u00e3o s\u00e3o o problema, s\u00e3o a solu\u00e7\u00e3o. Quando h\u00e1 incumprimento, evidentemente, h\u00e1 lei, mas n\u00e3o os devemos ver como problema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s vamos j\u00e1 caminhando para a reta final desta entrevista, e voltamos ao in\u00edcio. \u00c9 costume dizer que o setor social chega onde o Estado deixou de ir ou onde deixou de estar. Para que possa continuar a cumprir essa miss\u00e3o, \u00e9 necess\u00e1rio aprofundar a coopera\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Claro que temos dificuldade, at\u00e9 porque muitas vezes as zonas de maior densidade populacional, o Estado normalmente est\u00e1 voltado para a\u00ed, porque \u00e9 onde h\u00e1 votos. As de baixa densidade populacional s\u00e3o as zonas normalmente mais abandonadas. N\u00e3o est\u00e1 a haver em Portugal, de facto, uma pol\u00edtica de coes\u00e3o territorial, de coes\u00e3o social, como era importante que houvesse.<\/p>\n<p>Eu temo que, de facto, estas zonas fiquem para tr\u00e1s, fiquem cada vez mais para tr\u00e1s e \u00e9 importante que as institui\u00e7\u00f5es a\u00ed continuem. No estudo que vamos apresentar brevemente, prova-se aquilo que j\u00e1 \u00e9, j\u00e1 sab\u00edamos, mas prova-se que em muitas das aldeias deste pa\u00eds, o \u00fanico servi\u00e7o, diria \u00e0s pessoas que existe \u00e9 prestado por estas institui\u00e7\u00f5es. Em 23%, 23 ou 27, agora n\u00e3o tenho bem presente o n\u00famero, de aldeias, o \u00fanico servi\u00e7o prestado \u00e0s pessoas, \u00e9 para estas institui\u00e7\u00f5es. Ora, se n\u00e3o fossem estas institui\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o n\u00e3o havia qualquer servi\u00e7o de qualquer ordem \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Le\u00e3o XIV retoma as cr\u00edticas de Francisco \u00e0 \u201ceconomia que mata\u201d, na sua primeira exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica do pontificado, na \u201cDilexi Te\u201d, publicada a 9 de outubro pelo Vaticano. Qual \u00e9 a import\u00e2ncia desta exorta\u00e7\u00e3o para o contexto social atual em Portugal?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Em primeiro lugar era\u00a0preciso que n\u00f3s, de facto, estud\u00e1ssemos bem estas alertas. E eu temo que em Portugal caminhemos um bocado para um liberalismo excessivo, eu sou a favor da liberdade, mas agora \u00e9 importante que o lucro n\u00e3o seja, de facto, o objetivo, mas o objetivo seja o servir as pessoas. E, portanto, eu tenho algum receio que estejamos a caminhar mal. Eu defendo intransigentemente dois direitos da doutrina social da Igreja. Defendo todos, os princ\u00edpios, mas h\u00e1 dois que para mim s\u00e3o fundamentais, a vida, a preserva\u00e7\u00e3o da vida, desde a conce\u00e7\u00e3o at\u00e9 \u00e0 morte natural, e a dignidade da pessoa.<\/p>\n<p>Eu penso que estamos, nesta economia que mata. Estamos, de facto, a esquecer, a abandonar a dignidade de toda a pessoa, de cada um e de todos, e temo que estejamos tamb\u00e9m a n\u00e3o respeitar convenientemente a vida de cada um e de todos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E essa \u00e9 uma mensagem central tamb\u00e9m para as institui\u00e7\u00f5es e para o setor social no combate \u00e0 pobreza?<\/em><\/p>\n<p>\u00c9, sem d\u00favida. Eu direi que as institui\u00e7\u00f5es s\u00e3o, de facto, uma luz tamb\u00e9m, um alerta permanente para contrariar esta economia que mata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A poucos dias do Dia Mundial dos Pobres, e no final da primeira semana de discuss\u00e3o do Or\u00e7amento do Estado, \u00e9 convidado da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional das Institui\u00e7\u00f5es Particulares de Solidariedade Social (CNIS)<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":154773,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[314],"class_list":["post-397749","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=397749"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397749\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/154773"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=397749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=397749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}