{"id":397425,"date":"2025-10-29T14:09:30","date_gmt":"2025-10-29T14:09:30","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=397425"},"modified":"2025-10-31T10:54:11","modified_gmt":"2025-10-31T10:54:11","slug":"morte-se-amamos-ate-ao-fim-a-nossa-vida-tem-sentido-padre-custodio-langane","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/morte-se-amamos-ate-ao-fim-a-nossa-vida-tem-sentido-padre-custodio-langane\/","title":{"rendered":"Morte: \u00abSe amamos at\u00e9 ao fim, a nossa vida tem sentido\u00bb &#8211; Padre Cust\u00f3dio Langane"},"content":{"rendered":"<p><em>Capel\u00e3o do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia, em Lisboa, fala do acompanhamento de pacientes, de diferentes idades, pais e fam\u00edlias, num local onde as pessoas atravessam a morte e o luto na procura de sa\u00fade e esperan\u00e7a<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_396508\" aria-describedby=\"caption-attachment-396508\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-396508 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"800\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049.jpg 1200w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Custorio-Langane_5049-391x260.jpg 391w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-396508\" class=\"wp-caption-text\">Foto Ag\u00eancia ECCLESIA\/PR, Padre Cust\u00f3dio Langane<\/figcaption><\/figure>\n<p>Lisboa, 29 out 2025 (Ecclesia) \u2013 O padre Cust\u00f3dio Langane disse que ser capel\u00e3o do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia, em Lisboa, o tem ensinado ser \u201co amor\u201d a dar \u201csentido \u00e0 vida\u201d e que, \u201csendo um local de dor\u201d, no IPO se respira \u201cvida\u201d.<\/p>\n<p>\u201cA minha experi\u00eancia no IPO \u00e9 que o amor cura, o amor transforma, e o amor d\u00e1 sentido \u00e0 vida. O IPO \u00e9 uma escola de vida e de f\u00e9. Ensina-nos que o que importa n\u00e3o \u00e9 o tempo de vida que temos, mas \u00e9 a qualidade do amor que colocamos na nossa vida. E se n\u00f3s amamos at\u00e9 o fim, a nossa vida tem um sentido\u201d, explica \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA.<\/p>\n<p>Foi em 2019 que o padre Cust\u00f3dio entrou pela primeira vez, e foi na ala da Pediatria que lhe elogiaram primeiro o sorriso.<\/p>\n<p>\u201cQuando entro no quarto de um doente, eu sinto que \u00e9 um lugar do sil\u00eancio. O sil\u00eancio onde se escuta a dor e o sofrimento da pessoa. Quando entro no quarto, eu entendo que \u00e9 ali um lugar onde a verdade da condi\u00e7\u00e3o humana \u00e9 revelada\u201d, conta.<\/p>\n<p>O sacerdote explica \u201cusar tr\u00eas ferramentas\u201d para estar com as pessoas.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cA capacidade de escutar o que o doente diz e aquilo que n\u00e3o diz &#8211; escutar a sua dor, o seu sofrimento, o medo, a sua ang\u00fastia, escutar tamb\u00e9m os porqu\u00eas. A segunda ferramenta \u00e9 a compaix\u00e3o &#8211; eu colocar-me no lugar do doente, sentir o que o doente sente para ajudar a encontrar ferramentas para gerir a sua doen\u00e7a, dar nome \u00e0 sua dor, dar significados \u00e0 vida e at\u00e9 \u00e0 morte. A terceira ferramenta \u00e9 a presen\u00e7a, estar sem tempo. \u00c0s vezes, num dia, escuto tr\u00eas pacientes e saio muito feliz por ter tido esse tempo\u201d, conta.<\/p><\/blockquote>\n<p>O sacerdote explica que a vida de cada pessoa \u00e9 feita de \u201cmuitos lutos\u201d e de muitos \u201cnascimentos\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOs doentes, em especial quando entram nos cuidados paliativos, t\u00eam sempre uma esperan\u00e7a, que \u00e9 a esperan\u00e7a da cura. Quando n\u00e3o se curam, fazem o luto desta esperan\u00e7a, que n\u00e3o se concretizou, mas depois esta esperan\u00e7a tamb\u00e9m vai amadurecendo. E esta esperan\u00e7a torna-se um fortalecer interior. Ajudar a pessoa a nomear a sua dor, a dar significado \u00e0 sua dor, a nomear a morte, a dar significado \u00e0 morte do filho ou da filha, ou do pai ou do irm\u00e3o, a dizer-nos o que sente, esta pessoa, no fundo, vai fazendo um caminho de cura interior\u201d, indica.<\/p>\n<p>O padre Cust\u00f3dio lembra que uma m\u00e3e lhe afirmou encontrar na pediatria do IPO \u201cum lugar onde se vive muita dor, onde cheira a morte\u201d, mas \u201conde se respira muita vida e muito amor\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 o amor que vemos tamb\u00e9m nos profissionais de sa\u00fade. H\u00e1 muita humaniza\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o, os pr\u00f3prios doentes verbalizam isso, mesmo aqueles que os familiares partiram \u2013 \u2018O meu filho partiu, mas foi cuidado com humaniza\u00e7\u00e3o, foi muito amado\u2019. Isto tamb\u00e9m cura\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>O sacerdote, natural da aldeia de Bilene, na diocese de Xai Xai, em Mo\u00e7ambique, afirma encontrar na sua hist\u00f3ria pessoal a certeza de que as mem\u00f3rias s\u00e3o importantes para o processo de luto e recorda ter perdido a sua m\u00e3e aos dois anos de vida, mas nunca se ter sentido \u00f3rf\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>\u201cTinha muita gente que me ensinou a amar e a sentir-me amado. Sou daquelas crian\u00e7as que n\u00e3o soube o que \u00e9 ser \u00f3rf\u00e3o. S\u00f3 aos 13 anos fui \u00e0 procura da mem\u00f3ria da minha m\u00e3e: vi fotografias, quis conhecer a sua terra natal, o seu local de sepultamento, li os seus livros, e comecei a construir uma rela\u00e7\u00e3o com a minha m\u00e3e, uma rela\u00e7\u00e3o de mem\u00f3rias sobre as fotografias que eu via, atrav\u00e9s das m\u00fasicas que ela ouvia, do que o meu pai me dizia. E hoje falo com ela. Muitas vezes, quando me sinto triste ou num dilema, eu digo, \u2018tu que est\u00e1s a\u00ed diante de Deus, ilumina-me\u2019\u201d, conta.<\/p><\/blockquote>\n<p>O padre Cust\u00f3dio diz ter encontrado o seu lugar ao contactar com a Obra de Rua, do padre Am\u00e9rico em Mo\u00e7ambique, e afirma ter-se ordenado padre para estar juntos dos mais fragilizados e tentar dar esperan\u00e7a \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>\u201cSempre que vou ao quarto de um doente, eu entro num lugar sagrado. Eu vou ali tocar Jesus na pessoa fragilizada. E, muitas das vezes, n\u00e3o falo de Deus, mas a minha forma de me aproximar, a forma de escutar, a forma de compaix\u00e3o e de mostrar amor, faz com que Deus toque o cora\u00e7\u00e3o e se fa\u00e7a presente na vida daquele doente\u201d, traduz.<\/p>\n<p>A conversa com o padre Cust\u00f3dio Langane, as suas origens e percurso at\u00e9 \u00e0 chegada em 2007 a Portugal, pode ser acompanhada esta noite no programa ECCLESIA, com emiss\u00e3o na Antena 1 ap\u00f3s a meia-noite, e disponibilizado no podcast \u00abAlarga a tua tenda\u00bb.<\/p>\n<p><em>LS<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Capel\u00e3o do Instituto Portugu\u00eas de Oncologia, em Lisboa, fala do acompanhamento de pacientes, de diferentes idades, pais e fam\u00edlias, num local onde as pessoas atravessam a morte e o luto na procura de sa\u00fade e 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