{"id":39721,"date":"2009-07-06T10:58:17","date_gmt":"2009-07-06T10:58:17","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/06\/nova-enciclica-vai-mostrar-papa-social\/"},"modified":"2009-07-06T10:58:17","modified_gmt":"2009-07-06T10:58:17","slug":"nova-enciclica-vai-mostrar-papa-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nova-enciclica-vai-mostrar-papa-social\/","title":{"rendered":"Nova enc\u00edclica vai mostrar Papa social"},"content":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00f5es sobre a pobreza, o sistema financeiro ou a ecologia t\u00eam-se multiplicado desde 2005 <!--more--> Esta Ter&ccedil;a-feira, 7 de Julho,&nbsp;vai surgir em p&uacute;blico a terceira enc&iacute;clica do pontificado, desta feita centrada especificamente em temas sociais. O enquadramento deste documento no magist&eacute;rio de Bento XVI e no conjunto da Doutrina Social da Igreja ocupa, esta semana, o Dossier apresentado pela Ag&ecirc;ncia ECCLESIA, que aponta alguns dos temas que, &agrave; luz das interven&ccedil;&otilde;es do Papa, nesta &aacute;rea, ser&atilde;o abordadas na <em>Caritas in veritate<\/em>. <\/p>\n<p>&quot;Este documento, que tem a data de 29 de Junho, solenidade dos Santos Ap&oacute;stolos Pedro e Paulo, pretende aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento integral na nossa &eacute;poca, &agrave; luz da caridade na verdade&quot;, disse o pr&oacute;rpio Bento XVI, na semana pasada. O Papa indicou que ser&atilde;o retomados os temas tratados na &quot;Populorum Progressio&quot;, documento de refer&ecirc;ncia para a Doutrina Social da Igreja, publicado em 1967 por Paulo VI. <\/p>\n<p>Respons&aacute;veis do Vaticano j&aacute; adiantaram que, neste texto, Bento XVI manifestar&aacute; a necessidade de potencializar um humanismo que concilie o desenvolvimento social e econ&oacute;mico com o respeito pelo ser humano, que diminua as diferen&ccedil;as entre ricos e pobres. <\/p>\n<p>Fala-se desta enc&iacute;clica desde 2007, mas a sua publica&ccedil;&atilde;o atrasou-se por dois motivos principais: por quest&otilde;es de tradu&ccedil;&atilde;o, j&aacute; que o texto sair&aacute; tamb&eacute;m em chin&ecirc;s, e devido &agrave; recente crise econ&oacute;mica internacional.<\/p>\n<p>As outras duas enc&iacute;clicas de Bento XVI s&atilde;o &quot;Deus caritas est&quot;, de 2006, e &quot;Spe salvi&quot;, de 2007, centradas nas &quot;virtudes teologais&quot; da caridade e da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Bento XVI repete a palavra &quot;caridade&quot;, abordando desta feita mat&eacute;rias ligadas ao mundo do trabalho, da economia e do desenvolvimento. Num mundo ainda abalado pela crise financeira que fez desmoronar v&aacute;rias das coisas que dava como certas, o Papa apresenta regras para o mundo econ&oacute;mico e exig&ecirc;ncias de solidariedade.<\/p>\n<p>J&aacute; em 1985, numa interven&ccedil;&atilde;o que viria a ganhar novo sentido &agrave; luz dos &uacute;ltimos acontecimentos da vida econ&oacute;mica, o ent&atilde;o Cardeal Joseph Ratzinger previa a crise no sistema financeiro mundial. Numa confer&ecirc;ncia intitulada &quot;Market Economy and Ethics&quot;, proferida em Roma, a 23 de Novembro de 1985, Joseph Ratzinger disse que o decl&iacute;nio observado ao n&iacute;vel da &eacute;tica poderia &quot;levar a um colapso das leis do mercado&quot;.<\/p>\n<p>Sobre estas tem&aacute;ticas, que levaram a uma revis&atilde;o do texto, o Papa oferecer&aacute; um contributo incontorn&aacute;vel para repensar uma economia dominada por paradigmas dominantes que se vieram a revelar um fracasso.<\/p>\n<p>&Eacute;tica e mercado n&atilde;o est&atilde;o de costas viradas, para Bento XVI, e v&aacute;rios respons&aacute;veis da Igreja t&ecirc;m subscrito a posi&ccedil;&atilde;o de que a actual crise mostra, sobretudo, uma perda de valores. O ser humano n&atilde;o deve ser um escravo das regras de mercado ou, pior ainda, estar submetido &agrave; cren&ccedil;a de que as leis desse mercado s&atilde;o boas em si mesmas e levam, necessariamente, ao bem, sem depender da moralidade de cada sujeito.<\/p>\n<p>&quot;Os dois pressupostos n&atilde;o est&atilde;o completamente errados, como demonstram os sucessos da economia de mercado, mas n&atilde;o s&atilde;o aplic&aacute;veis sem limites nem justos em absoluto, como parece evidente pelos problemas da economia mundial actual&quot;, escrevia o Papa&#8230; h&aacute; 24 anos.<\/p>\n<p>Tal como Peter Koslowski, Bento XVI acredita que a economia n&atilde;o se rege por leis econ&oacute;micas, apenas, mas por homens. A falta de &eacute;tica nas estruturas econ&oacute;micas teria levado, por isso, &agrave; actual situa&ccedil;&atilde;o de crise.<\/p>\n<p>A liberdade econ&oacute;mica n&atilde;o &eacute;, assim, uma condi&ccedil;&atilde;o suficiente em si mesma para o sucesso. Ali&aacute;s, na linha da tradi&ccedil;&atilde;o da Igreja, o actual Papa n&atilde;o v&ecirc; no capitalismo um modelo &uacute;nico para a economia, embora n&atilde;o entenda a actual crise como uma crise de sistema.<\/p>\n<p>A&nbsp;Igreja assume-se como equidistante face ao capitalismo e ao marxismo, sistemas que Bento XVI acusa de terem fracassado, de um ponto de vista ideol&oacute;gico, por causa das suas promessas de criar um mundo melhor deixando Deus de lado ou &quot;entre par&ecirc;nteses&quot;.<\/p>\n<p><strong>Documento antecipado<\/strong><\/p>\n<p>Num discurso aos congressistas da Funda&ccedil;&atilde;o &laquo;Centesimus Annus &#8211; Pro Pontifice&raquo;, a 13 de Junho deste ano, o Papa falava desta enc&iacute;clica, destacando &quot;s situa&ccedil;&atilde;o que vive neste momento a inteira humanidade&quot;.<\/p>\n<p>Nesta ocasi&atilde;o, Bento XVI adiantava que &quot;ser&aacute; publicada proximamente a minha Enc&iacute;clica dedicada precisamente ao vasto tema da economia e do trabalho: nela ser&atilde;o postos em evid&ecirc;ncia aqueles que para n&oacute;s, crist&atilde;os, s&atilde;o os objectivos que devem ser perseguidos e os valores que devem ser promovidos e defendidos incansavelmente, a fim de realizar uma conviv&ecirc;ncia humana verdadeiramente livre e solid&aacute;ria&quot;.<\/p>\n<p>Para Bento XVI, &eacute; fundamental perceber quais s&atilde;o os valores e as regras segundo as quais o mundo moderno se deveria &quot;regular para realizar um novo modelo de desenvolvimento, mais atento &agrave;s exig&ecirc;ncias da solidariedade e mais respeitador da dignidade humana&quot;.<\/p>\n<p>Tal como Jo&atilde;o Paulo II, o actual Papa entende que a liberdade no sector da economia deve enquadrar-se &quot;num s&oacute;lido contexto jur&iacute;dico que a ponha ao servi&ccedil;o da liberdade humana integral&quot;, uma liberdade respons&aacute;vel &quot;cujo centro seja &eacute;tico e religioso&quot;. <\/p>\n<p>&quot;De facto, a crise financeira e econ&oacute;mica que atingiu os pa&iacute;ses industrializados, os emergentes e os que est&atilde;o em vias de desenvolvimento, mostra de modo evidente como se devem reconsiderar certos paradigmas econ&oacute;mico-financeiros que foram predominantes nos &uacute;ltimos anos&quot;, apontou.<\/p>\n<p><strong>Avareza e crise<\/strong><\/p>\n<p>Num encontro com o clero da Diocese de Roma, a 26 de Fevereiro de 2009, Bento XVI considera que a actual crise financeira e econ&oacute;mica estava no centro dos &quot;problemas do nosso tempo&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Eu distinguiria entre dois n&iacute;veis. O primeiro &eacute; o n&iacute;vel da macroeconomia, que depois se realiza e vai at&eacute; ao &uacute;ltimo cidad&atilde;o, o qual sente as consequ&ecirc;ncias de uma constru&ccedil;&atilde;o errada. Naturalmente, denunciar isto &eacute;, um dever da Igreja&quot;, indicou.<\/p>\n<p>Nesta ocasi&atilde;o, o Papa adiantou que &quot;h&aacute; muito tempo que preparamos uma Enc&iacute;clica sobre estes pontos. E no longo caminho vejo como &eacute; dif&iacute;cil falar com compet&ecirc;ncia, porque se n&atilde;o for enfrentada com compet&ecirc;ncia uma determinada realidade econ&oacute;mica n&atilde;o pode ser cred&iacute;vel. E, por outro lado, &eacute; preciso falar tamb&eacute;m com uma grande consci&ecirc;ncia &eacute;tica, digamos criada e despertada por uma consci&ecirc;ncia formada pelo Evangelho&quot;. <\/p>\n<p>&quot;Portanto &eacute; preciso denunciar estes erros fundamentais que agora s&atilde;o evidenciados pela queda dos grandes bancos americanos, os erros na base. No final, &eacute; a avareza humana como pecado ou, como diz a Carta aos Colossenses, avareza como idolatria&quot;, apontou. <\/p>\n<p>Segundo Bento XVI, &quot;devemos denunciar esta idolatria que vai contra o verdadeiro Deus e a falsifica&ccedil;&atilde;o da imagem de Deus com outro deus &laquo;dinheiro&raquo;&quot;. <\/p>\n<p>&quot;Devemos faz&ecirc;-lo com coragem mas tamb&eacute;m concretamente, pois os grandes moralismos n&atilde;o ajudam se n&atilde;o forem substanciados com conhecimentos da realidade, que ajudam tamb&eacute;m a compreender o que se pode fazer concretamente para mudar pouco a pouco a situa&ccedil;&atilde;o. E, naturalmente, para o poder fazer, s&atilde;o necess&aacute;rios o conhecimento desta verdade e a boa vontade de todos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Noutras v&aacute;rias ocasi&otilde;es, o Papa defendeu que no actual cen&aacute;rio de crise a prioridade deve ir para &quot;os trabalhadores e suas fam&iacute;lias&quot;, pedindo um &quot;forte compromisso comum&quot; para fazer face &agrave;s dificuldades do momento.<\/p>\n<p>Os bancos tamb&eacute;m n&atilde;o ficaram fora da mira do Papa, para quem &eacute; preciso que exista &quot;solidariedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s faixas mais enfraquecidas&quot; da popula&ccedil;&atilde;o e &quot;apoio &agrave; actividade produtiva&quot;. <\/p>\n<p>Bento XVI considera que este &eacute; &quot;um tempo de dificuldade para muitas fam&iacute;lias&quot; a que as institui&ccedil;&otilde;es banc&aacute;rias e de cr&eacute;dito devem estar atentas. <\/p>\n<p>Como escreveu no in&iacute;cio deste ano, o Papa quer que a Igreja aponte para &quot;os novos aspectos da quest&atilde;o social, n&atilde;o s&oacute; em extens&atilde;o mas tamb&eacute;m em profundidade, no que se refere &agrave; identidade do homem e &agrave; sua rela&ccedil;&atilde;o com Deus. S&atilde;o princ&iacute;pios de doutrina social que tendem a esclarecer os v&iacute;nculos entre pobreza e globaliza&ccedil;&atilde;o e a orientar a ac&ccedil;&atilde;o para a constru&ccedil;&atilde;o da paz&quot;.<\/p>\n<p>Para guiar a globaliza&ccedil;&atilde;o, defende o Papa, &eacute; precisa uma &quot;forte solidariedade global entre pa&iacute;ses ricos e pa&iacute;ses pobres, como tamb&eacute;m no &acirc;mbito interno de cada uma das na&ccedil;&otilde;es, incluindo as ricas&quot;.<\/p>\n<p><strong>Agir moral<\/strong><\/p>\n<p>Tal como acontecia no magist&eacute;rio de Jo&atilde;o Paulo II, somos confrontados nas palavras de Bento XVI, eleito em 2005, com repetidas refer&ecirc;ncias &agrave; quest&atilde;o do agir moral, da responsabilidade e da liberdade humanas.<\/p>\n<p>No &uacute;ltimo S&iacute;nodo dos Bispos, em Outubro de 2008, o Papa falara a respeito da recente crise financeira internacional, assinalando que a mesma mostra a &quot;futilidade&quot; da corrida ao dinheiro e ao sucesso. <\/p>\n<p>Perante os 253 delegados sinodais, vindos de todo o mundo, Bento XVI indicou que &quot;a Palavra de Deus, mais do que qualquer outra palavra, &eacute; o fundamento de tudo, da verdadeira realidade&quot;, criticando quem constr&oacute;i &quot;sobre a areia&quot;, ou seja, quem pensa que &quot;a mat&eacute;ria, as coisas s&oacute;lidas que podemos tocar s&atilde;o a realidade mais segura&quot;. <\/p>\n<p>Exemplificando, Bento XVI afirmou que &quot;hoje vemos, com o desmoronamento dos grandes bancos, que o dinheiro desaparece, que n&atilde;o &eacute; nada, &eacute; uma realidade de &laquo;segunda ordem&raquo;&quot;.<\/p>\n<p>E nem s&oacute; de dinheiro dever&aacute; falar o Papa na sua terceira carta magna, onde devem ter lugar alertas conta os ataques &agrave; dignidade humana &#8211; uma quest&atilde;o sempre presente -, o terrorismo, quest&otilde;es ecol&oacute;gicas, a globaliza&ccedil;&atilde;o e a luta contra a fome, entre outras. A cultura da vida e da paz, tanta vezes presente nos seus pronunciamentos, deve aqui ocupar um lugar privilegiado, face &agrave;s novas problem&aacute;ticas sociais e econ&oacute;micas.<\/p>\n<p><strong>A refer&ecirc;ncia <em>Populorum Progressio<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Esta nova enc&iacute;clica era esperada em 2007, nos 40 anos da publica&ccedil;&atilde;o da grande Enc&iacute;clica social de Deus Paulo VI, a <em>Populorum progressio<\/em>. Apesar dos v&aacute;rios motivos que levaram a que seja publicada apenas em 2009, o actual Papa faz quest&atilde;o de sublinhar que a sua carta tem em vista retomar o ensinamento do seu predecessor nas quest&otilde;es sociais.<\/p>\n<p>Num discurso proferido em 2007, Bento XVI defendia que &quot;neste texto, diversas vezes citado nos documentos sucessivos, aquele grande Pont&iacute;fice j&aacute; asseverava que &laquo;o desenvolvimento n&atilde;o se reduz a um simples crescimento econ&oacute;mico&raquo;&quot;.<\/p>\n<p>Na nova enc&iacute;clica, espera-se que, como &eacute; tradi&ccedil;&atilde;o, o actual Papa passe em revista o ensinamento de quem o antecedeu, com destaque para Paulo VI e Jo&atilde;o Paulo II, que deram um grande impulso ao que hoje designamos como Doutrina Social da Igreja, desafiando divis&otilde;es simplistas e redutoras como conservadores e liberais ou direita e esquerda.<\/p>\n<p>Ao falar de Paulo VI, o Papa alem&atilde;o indicou, h&aacute; dois anos, que &quot;a aten&ccedil;&atilde;o &agrave;s verdadeiras exig&ecirc;ncias do ser humano, o respeito pela dignidade de cada pessoa e a busca sincera do bem comum s&atilde;o os princ&iacute;pios inspiradores que &eacute; bom ter presentes, quando se programa o desenvolvimento de uma na&ccedil;&atilde;o. Mas infelizmente, isto n&atilde;o acontece&quot;. <\/p>\n<p>&quot;A actual sociedade globalizada regista muitas vezes desequil&iacute;brios paradoxais e dram&aacute;ticos. Com efeito, quando consideramos o forte crescimento das taxas de crescimento econ&oacute;mico, quando paramos para analisar as problem&aacute;ticas ligadas ao progresso moderno, sem excluir a elevada polui&ccedil;&atilde;o e o consumo irrespons&aacute;vel dos recursos naturais e ambientais, parece evidente que apenas um processo de globaliza&ccedil;&atilde;o atento &agrave;s exig&ecirc;ncias da solidariedade pode assegurar &agrave; humanidade um porvir de aut&ecirc;ntico bem-estar e de paz est&aacute;vel para todos&quot;, defende Bento XVI.<\/p>\n<p><strong>Desenvolvimento integral<\/strong><\/p>\n<p>A quest&atilde;o do desenvolvimento tem merecido, da parte de Bento XVI, um olhar muito atento no contexto do fen&oacute;meno complexo que &eacute; a globaliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Como ficou claro na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2009, o Papa defende a necessidade de mudan&ccedil;a na ac&ccedil;&atilde;o dos l&iacute;deres pol&iacute;ticos, num mundo que marginaliza milh&otilde;es de pessoas n&atilde;o por falta de recursos, mas como consequ&ecirc;ncia de fen&oacute;menos especulativos que colocam o lucro acima da dignidade humana. Como tem vindo a repetir, Bento XVI acredita que a actual crise pode ser uma oportunidade para reajustar as institui&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas e econ&oacute;micas, de modo a garantir o acesso universal &agrave; alimenta&ccedil;&atilde;o e aos bens essenciais.<\/p>\n<p>No seu hist&oacute;rico discurso na sede da ONU, em Abril de 2008, o Papa colocou na agenda internacional &quot;quest&otilde;es de seguran&ccedil;a, objectivos de desenvolvimento, redu&ccedil;&atilde;o das desigualdades locais e globais, protec&ccedil;&atilde;o do ambiente, dos recursos e do clima&quot;, considerando que as mesmas &quot;exigem que todos os respons&aacute;veis internacionais ajam conjuntamente e demonstrem uma rapidez no agir em boa f&eacute;, no respeito da lei e na promo&ccedil;&atilde;o da solidariedade em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s regi&otilde;es mais d&eacute;beis do planeta&quot;. <\/p>\n<p>Um pensamento especial &eacute; sempre deixado para os pa&iacute;ses da &Aacute;frica e de outras partes do mundo que permanecem &agrave; margem de um &quot;aut&ecirc;ntico progresso integral&quot;, e por isso correm o risco de sentir apenas os efeitos negativos da globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A primeira viagem de Bento XVI a &Aacute;frica, em Mar&ccedil;o deste ano, serviu para pedir iniciativas internacionais que favore&ccedil;am seguran&ccedil;a, estabilidade e desenvolvimento. &quot;&Eacute; urgente e importante que a comunidade internacional coordene esfor&ccedil;os para enfrentar a quest&atilde;o das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e cumpra os compromissos em prol do desenvolvimento, concretizando nomeadamente a promessa, muitas vezes repetida pelos pa&iacute;ses desenvolvidos, de destinarem 0,7% do seu PIB a ajudas oficiais ao desenvolvimento&quot;, declarou, nos Camar&otilde;es.<\/p>\n<p>Nesse pa&iacute;s, entregou aos Bispos um documento com duras cr&iacute;ticas &agrave;s multinacionais que &quot;invadem&quot; &Aacute;frica para apropriar-se dos recursos naturais, deixando danos significativos no meio ambiente. As pr&oacute;prias institui&ccedil;&otilde;es financeiras internacionais foram colocadas em causa pelos efeitos &quot;funestos&quot; dos programas de desenvolvimento impostos a muitos pa&iacute;ses.<\/p>\n<p>J&aacute; na sua primeira enc&iacute;clica, Bento XVI indicava que &quot;a Igreja n&atilde;o pode nem deve tomar nas suas pr&oacute;prias m&atilde;os a batalha pol&iacute;tica para realizar a sociedade mais justa poss&iacute;vel. N&atilde;o pode nem deve colocar-se no lugar do Estado. Mas tamb&eacute;m n&atilde;o pode nem deve ficar &agrave; margem na luta pela justi&ccedil;a&quot;.<\/p>\n<p><strong>Pobreza<\/strong><\/p>\n<p>Para Bento XVI, combater a pobreza implica &quot;olhar os pobres bem cientes da perspectiva que todos somos participantes de um &uacute;nico projecto divino: chamados a constituir uma &uacute;nica fam&iacute;lia, na qual todos &#8211; indiv&iacute;duos, povos e na&ccedil;&otilde;es &#8211; regulem o seu comportamento segundo os princ&iacute;pios de fraternidade e responsabilidade&quot;. Da assist&ecirc;ncia social, o Papa parte para a ideia de uma fam&iacute;lia global, marcada por rela&ccedil;&otilde;es de fraternidade e responsabilidade face a um c&oacute;digo &eacute;tico assumido por todos.<\/p>\n<p>Nesta mat&eacute;ria, Bento XVI est&aacute; a refor&ccedil;ar uma mudan&ccedil;a de fundo na Doutrina Social da Igreja, ao defender a &quot;coopera&ccedil;&atilde;o nos planos econ&oacute;mico e jur&iacute;dico&quot; em substitui&ccedil;&atilde;o de &quot;pol&iacute;ticas marcadamente assistencialistas&quot;.<\/p>\n<p>Um exemplo desta mudan&ccedil;a &eacute; a centralidade ocupada pelos temas econ&oacute;micos na Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2009. O Papa pede &quot;uma correcta l&oacute;gica econ&oacute;mica por parte dos agentes do mercado internacional, uma correcta l&oacute;gica pol&iacute;tica por parte dos agentes institucionais e uma correcta l&oacute;gica participativa capaz de valorizar a sociedade civil local e internacional&quot;. <\/p>\n<p>Bento XVI escreve que &quot;a fun&ccedil;&atilde;o objectivamente mais importante do mercado financeiro, que &eacute; a de sustentar a longo prazo a possibilidade de investimentos e consequentemente de desenvolvimento, parece hoje muito fr&aacute;gil: sofre as consequ&ecirc;ncias negativas de um sistema de transac&ccedil;&otilde;es financeiras &#8211; a n&iacute;vel nacional e global &#8211; baseadas sobre uma l&oacute;gica de brev&iacute;ssimo prazo, que busca o incremento do valor das actividades financeiras e se concentra na gest&atilde;o t&eacute;cnica das diversas formas de risco&quot;.<\/p>\n<p>O Papa requeria ainda &quot;est&iacute;mulos para se criarem institui&ccedil;&otilde;es eficientes e participativas, bem como apoios para lutar contra a criminalidade e promover uma cultura da legalidade&quot;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Interven\u00e7\u00f5es sobre a pobreza, o sistema financeiro ou a ecologia t\u00eam-se multiplicado desde 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