{"id":39719,"date":"2009-06-30T12:17:56","date_gmt":"2009-06-30T12:17:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/30\/centro-de-incubacao-para-projectos-sociais\/"},"modified":"2009-06-30T12:17:56","modified_gmt":"2009-06-30T12:17:56","slug":"centro-de-incubacao-para-projectos-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/centro-de-incubacao-para-projectos-sociais\/","title":{"rendered":"Centro de incuba\u00e7\u00e3o para projectos sociais"},"content":{"rendered":"<p>Estudo apresentado pela Organiza\u00e7\u00e3o TESE mostra v\u00ednculos laborais prec\u00e1rios, dificuldades em poupan\u00e7as, endividamento e fraca confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es governativas  <!--more--> A popula&ccedil;&atilde;o portuguesa enfrenta &quot;fortes n&iacute;veis de pobreza e de grande disparidade social&quot;. Mais de metade da popula&ccedil;&atilde;o, 57%, declara que o seu or&ccedil;amento familiar &eacute; inferior a 900&euro;. Estas s&atilde;o algumas das conclus&otilde;es de um inqu&eacute;rito &laquo;Necessidades em Portugal&raquo;, da responsabilidade da Organiza&ccedil;&atilde;o N&atilde;o Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) TESE, apresentado esta Segunda-feira. <\/p>\n<p>Numa amostra de 1237 inqu&eacute;ritos v&aacute;lidos, 1\/3 da popula&ccedil;&atilde;o manifesta dificuldades v&aacute;rias, e de diferente intensidade, face &agrave; vida quotidiana. Segundo o estudo, a que a Ag&ecirc;ncia ECCLESIA teve acesso, 41,3% dos inquiridos experimenta v&iacute;nculos de alguma precariedade e 10,5% est&atilde;o desempregados. Neste quadro, 64% s&atilde;o mulheres. O tempo m&eacute;dio apresentado na condi&ccedil;&atilde;o de desempregado &eacute; longo, cerca de 3 anos.<\/p>\n<p>O desemprego &eacute; mais elevado entre os indiv&iacute;duos com n&iacute;veis de instru&ccedil;&atilde;o formal mais baixos. O estudo apresenta que 84,6% dos desempregados tem o ensino b&aacute;sico, 11,1% o secund&aacute;rio enquanto apenas 4,3% cumpriram um n&iacute;vel superior de ensino. <\/p>\n<p>Cerca de metade dos inquiridos admite ainda n&atilde;o conseguir fazer qualquer poupan&ccedil;a. De qualquer forma, os agregados que ganham at&eacute; 500&euro;, 76,5% dos casos afirma que nada ou quase nada lhes sobra por m&ecirc;s. Resposta equivalente para 36,8% dos agregados que auferem mais de 5000&euro; l&iacute;quidos mensais. <\/p>\n<p>O estudo mostra que 57% da popula&ccedil;&atilde;o aufere at&eacute; 900&euro; mensais, dos quais 29% tem um rendimento entre 505&euro; a 900&euro; e 28% vive com um rendimento l&iacute;quido mensal inferior a 500&euro;. <\/p>\n<p>Cerca de 35% dos inquiridos tem d&iacute;vidas e destes mais de 43% tem d&iacute;vidas superiores a 25% do seu rendimento familiar. O estudo manifesta ainda que mais de 15% afirma terem tido dificuldades no pagamento de despesas relativas &agrave; habita&ccedil;&atilde;o, nos &uacute;ltimos 12 meses. Cerca de 20% apresenta um &iacute;ndice de priva&ccedil;&atilde;o elevado.<\/p>\n<p>O&nbsp;exerc&iacute;cio de uma actividade remunerada, al&eacute;m da sua profiss&atilde;o principal, &eacute; op&ccedil;&atilde;o para 8% dos inquiridos e, dentro destes o motivo invocado para o exerc&iacute;cio de um trabalho remunerado adicional &eacute; a necessidade econ&oacute;mica decorrente da insufici&ecirc;ncia do rendimento obtido.<\/p>\n<p>A precariedade assume-se como tra&ccedil;o marcante no mercado de emprego. O contrato a termo certo (20,4%) &eacute; o regime maioritariamente experimentado pelos inquiridos. A manifesta&ccedil;&atilde;o de maior precariedade, o trabalho sem contrato, surge como a terceira categoria mais representada (12,3%). <\/p>\n<p>Entre as iniciativas desejadas para melhorar a sua situa&ccedil;&atilde;o profissional, a emigra&ccedil;&atilde;o &eacute; equacionada por mais de 1\/3 dos entrevistados.<\/p>\n<p>O n&iacute;vel de confian&ccedil;a dos portugueses &eacute; tamb&eacute;m medido neste estudo. As institui&ccedil;&otilde;es governativas merecem o menor n&iacute;vel de confian&ccedil;a dos inquiridos, concentrando um maior n&uacute;mero de respostas nas categorias pouca ou nenhuma confian&ccedil;a (69,6%). Entre as institui&ccedil;&otilde;es que conquistam maiores n&iacute;veis de confian&ccedil;a por parte dos inquiridos, destacam-se as associadas ao sector privado e terceiro sector: ensino privado (76,4), sistemas de sa&uacute;de privados (73,9%), e associa&ccedil;&otilde;es de solidariedade social (69,3%).<\/p>\n<p>Os portugueses assumem uma elevada participa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica activa (formal), atrav&eacute;s do exerc&iacute;cio de voto nas &uacute;ltimas elei&ccedil;&otilde;es para a Assembleia da Rep&uacute;blica em 2005 (74,8%). Menos expressiva, com uma m&eacute;dia total de 11,4%, &eacute; a participa&ccedil;&atilde;o informal na comunidade, expressa em actividades de voluntariado, no associativismo, ou atrav&eacute;s de donativos junto de uma institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O estudo da TESE, em parceria com o Instituto da Seguran&ccedil;a Social e a Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkian, sob coordena&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica do CET-ISCTE, mostra que h&aacute; um alargado conjunto de fam&iacute;lias portuguesas que, apesar de auferir recursos materiais que s&atilde;o suficientes para as exclu&iacute;rem do acesso &agrave;s presta&ccedil;&otilde;es sociais de combate &agrave; pobreza, n&atilde;o t&ecirc;m recursos suficientes para fazer face &agrave;s suas despesas e cumprir expectativas e aspira&ccedil;&otilde;es naturais de vida. <\/p>\n<p>Essas fam&iacute;lias s&atilde;o adequadamente descritas como &laquo;fam&iacute;lias sandu&iacute;che&raquo; que est&atilde;o fora da rede de apoios sociais de combate &agrave; pobreza, mas n&atilde;o deixam por isso de ser pobres.<\/p>\n<p><strong>Obter respostas inovadoras<\/strong>&nbsp;<br \/>Jo&atilde;o Menezes, Presidente da TESE, explica &agrave; Ag&ecirc;ncia ECCLESIA que o objectivo cimeiro do estudo apresentado visava &quot;obter uma&nbsp; b&uacute;ssola de actua&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento de projectos em Portugal&quot;.<\/p>\n<p>&quot;As ONG portuguesas t&ecirc;m pouco h&aacute;bito de reflex&atilde;o e de dar sugest&otilde;es de pol&iacute;tica p&uacute;blica&quot;, lamenta Jo&atilde;o Menezes, que prop&otilde;e analisar a realidade &quot;em constante mudan&ccedil;a&quot; e que, por isso, &quot;esgota modelos de resposta&quot;, e dar sugest&otilde;es de pol&iacute;tica p&uacute;blica e de melhoria da efic&aacute;cia de instrumentos p&uacute;blicos. <\/p>\n<p>A TESE actua no &quot;dom&iacute;nio da inova&ccedil;&atilde;o social&quot;. O estudo permite &quot;perceber as &aacute;reas mais urgentes a que &eacute; necess&aacute;rio dar resposta&quot; de forma &quot;concertada e inovadora&quot;.<\/p>\n<p>A primeira ac&ccedil;&atilde;o decorrente das respostas do estudo &eacute; a cria&ccedil;&atilde;o de um centro de incuba&ccedil;&atilde;o de projectos sociais, a criar em Lisboa. Esta proposta foi j&aacute; apresentada &agrave; C&acirc;mara Municipal.<\/p>\n<p>O objectivo &eacute; &quot;acolher e promover projectos de cariz social para dar resposta a necessidades indicadas pelo estudo&quot;. A TESE vai simultaneamente acolher projectos de terceiros e tamb&eacute;m lan&ccedil;ar novos. <\/p>\n<p>Segundo Jo&atilde;o Menezes esta organiza&ccedil;&atilde;o quer &quot;provocar mudan&ccedil;a&quot; e n&atilde;o ser apenas &quot;ser radar&quot;. Para isso apresenta numa tripla identidade, assente na investiga&ccedil;&atilde;o-ac&ccedil;&atilde;o, em projectos nas comunidades e tamb&eacute;m na incuba&ccedil;&atilde;o, &quot;abrindo espa&ccedil;o para a cria&ccedil;&atilde;o de projectos sociais&quot;. <\/p>\n<p>Outro projecto a lan&ccedil;ar brevemente ser&aacute; um semin&aacute;rio de Ver&atilde;o de forma&ccedil;&atilde;o social. Em parceria com a Funda&ccedil;&atilde;o Calouste Gulbenkien, ir&aacute; decorrer entre os dias 15 a 17 de Julho, uma forma&ccedil;&atilde;o onde estar&atilde;o presentes inovadores sociais internacionais. <\/p>\n<p>&quot;Estamos a estudar a possibilidade de um projecto semelhante se realizar na &aacute;rea da terceira idade, uma vez que esta &eacute; uma das necessidades apontadas pelo estudo, e tamb&eacute;m uma &aacute;rea priorit&aacute;ria para a pr&oacute;pria Gulbenkien&quot;, adianta o presidente da TESE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo apresentado pela Organiza\u00e7\u00e3o TESE mostra v\u00ednculos laborais prec\u00e1rios, dificuldades em poupan\u00e7as, endividamento e fraca confian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es governativas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[314,329],"class_list":["post-39719","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39719"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39719\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}