{"id":39718,"date":"2009-07-06T10:56:45","date_gmt":"2009-07-06T10:56:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/07\/06\/enciclica-social-num-mundo-em-crise\/"},"modified":"2009-07-06T10:56:45","modified_gmt":"2009-07-06T10:56:45","slug":"enciclica-social-num-mundo-em-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/enciclica-social-num-mundo-em-crise\/","title":{"rendered":"Enc\u00edclica social num mundo em crise"},"content":{"rendered":"<p>O mundo est&aacute; em forte crise e muita gente sofre muito por causa dela. Este &eacute; o momento para o Papa dirigir uma palavra de conforto e orienta&ccedil;&atilde;o ao povo cat&oacute;lico. Est&aacute; anunciado para&nbsp;esta Ter&ccedil;a-feira, 7 de Julho,&nbsp;um texto longamente amadurecido, <em>Caritas in veritate<\/em>, primeira enc&iacute;clica social de Bento XVI. Para al&eacute;m da evidente oportunidade, ela tem um significado hist&oacute;rico assinal&aacute;vel. Vale a pena ver brevemente o seu enquadramento. <\/p>\n<p>H&aacute; quase 120 anos, um Papa prudente e devoto teve um gesto espantoso. Ao tratar da &laquo;condi&ccedil;&atilde;o dos oper&aacute;rios&raquo; na sua enc&iacute;clica <em>Rerum Novarum<\/em>, Le&atilde;o XIII estava consciente que se ia envolver na &laquo;<em>sede de coisas novas, que h&aacute; muito tempo se apoderou das sociedades e as tem numa agita&ccedil;&atilde;o febril<\/em>&raquo; (<em>Rerum Novaram<\/em> 1), como afirma a express&atilde;o inicial que lhe deu o t&iacute;tulo. Nascia assim em 1891 a Doutrina Social da Igreja, reflex&atilde;o cat&oacute;lica contempor&acirc;nea sobre as quest&otilde;es s&oacute;cio-econ&oacute;micas.<\/p>\n<p>Le&atilde;o XIII era um tomista profundo e sabedor e foi em S. Tom&aacute;s de Aquino que inspirou os princ&iacute;pios da sua enc&iacute;clica fundadora. Das catorze cita&ccedil;&otilde;es n&atilde;o b&iacute;blicas do texto, nove s&atilde;o directamente do Doutor Ang&eacute;lico, al&eacute;m de muitas alus&otilde;es e par&aacute;frases. A escolha foi judiciosa, porque o te&oacute;logo dominicano foi o primeiro grande pensador que lidou com o capitalismo nascente nos empreendimentos comerciais italianos do s&eacute;culo XIII.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de S. Tom&aacute;s, e tamb&eacute;m atrav&eacute;s de S. Tom&aacute;s, a enc&iacute;clica usou toda a tradi&ccedil;&atilde;o dos 1891 anos de Igreja e 4 mil anos de revela&ccedil;&atilde;o, que assim ressoaram neste tratamento das quest&otilde;es contempor&acirc;neas. Porque a verdadeira Doutrina Social da Igreja vem do Alto, come&ccedil;ou no Evangelho e foi sucessivamente desenvolvida e aplicada ao longo de s&eacute;culos pelos Padres, Doutores, Bispos e fi&eacute;is, inspirados pelo Esp&iacute;rito. A proclama&ccedil;&atilde;o de Le&atilde;o XIII, momento especialmente marcante dessa actividade, integra-se e partilha assim dessa incompar&aacute;vel linhagem.<\/p>\n<p>Em seguida, durante o primeiro s&eacute;culo ap&oacute;s a genial interven&ccedil;&atilde;o do Papa Pecci, sucederam-se os pronunciamentos do magist&eacute;rio, todos com alta qualidade e oportunidade, e todos invocando a Rerum Novarum como refer&ecirc;ncia original. A <em>Quadragesimo Anno<\/em> de Pio XI, os discursos de Pio XII, as constitu&ccedil;&otilde;es do Conc&iacute;lio e os textos de Jo&atilde;o XXIII, Paulo VI e Jo&atilde;o Paulo II foram renovando e interpretando este extraordin&aacute;rio tesouro espiritual e intelectual para as circunst&acirc;ncias do momento.<\/p>\n<p>Naturalmente que no centen&aacute;rio da <em>Rerum Novarum<\/em>, a enc&iacute;clica <em>Centesimus Annus<\/em> de Jo&atilde;o Paulo II, de 1 de Maio de 1991, foi um texto marcante. Mas, poucos anos ap&oacute;s a queda do &laquo;muro de Berlim&raquo; e no ano da derrocada da Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, a oportunidade que se vivia contribuiu para gerar um texto capital. A doutrina exposta alimentou a reflex&atilde;o econ&oacute;mica cat&oacute;lica durante 18 anos.<\/p>\n<p>Todo o trabalho desse majestoso primeiro s&eacute;culo acabou depois compilado e organizado no <em>Comp&ecirc;ndio de Doutrina Social da Igreja<\/em>, publicado pelo Conselho Pontif&iacute;cio &laquo;Justi&ccedil;a e Paz&raquo; a 2 de Abril de 2004. Este livro not&aacute;vel, cheio de refer&ecirc;ncias e &iacute;ndices detalhados, assinala s&oacute; por si a maturidade da Doutrina. A partir de ent&atilde;o os cat&oacute;licos passaram a dispor de uma orienta&ccedil;&atilde;o clara, coerente e completa sobre a reflex&atilde;o s&oacute;cio-econ&oacute;mica.<\/p>\n<p>Nunca pode ser subestimado o valor espantoso deste corpo conceptual. Nenhuma outra institui&ccedil;&atilde;o ou agrupamento humanos tem algo de semelhante. Nenhuma entidade, com esta abrang&ecirc;ncia e dimens&atilde;o, alguma vez definiu princ&iacute;pios t&atilde;o n&iacute;tidos, vastos e operacionais como a Igreja. Os cat&oacute;licos possuem assim, como guia para a sua vida concreta, de um conjunto de linhas de orienta&ccedil;&atilde;o claras, elaboradas e fundamentadas. Infelizmente nem sempre as usam.<\/p>\n<p>A enc&iacute;clica agora anunciada ser&aacute; a primeira do segundo s&eacute;culo da Doutrina Social da Igreja. A primeira depois do Comp&ecirc;ndio, a primeira depois da grande crise de 2008-2009. Embora siga certamente o caminho tra&ccedil;ado e aplique o Esp&iacute;rito, os textos e orienta&ccedil;&otilde;es de sempre &agrave; situa&ccedil;&atilde;o actual, como fizeram todos os casos anteriores, ela trar&aacute; simultaneamente a abordagem original do seu autor e o sabor da conjuntura em que nasce.<\/p>\n<p>N&atilde;o compete ao Papa fazer an&aacute;lises econ&oacute;micas ou sequer apresentar solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas. Mas &eacute; importante compreender a necessidade e urg&ecirc;ncia desta interven&ccedil;&atilde;o. Como explicou Le&atilde;o XIII na enc&iacute;clica inaugural, &laquo;<em>&eacute; com toda a confian&ccedil;a que N&oacute;s abordamos este assunto, e em toda a plenitude do Nosso direito; porque a quest&atilde;o de que se trata &eacute; de tal natureza, que, se n&atilde;o apelamos para a religi&atilde;o e para a Igreja, &eacute; imposs&iacute;vel encontrar-lhe uma solu&ccedil;&atilde;o eficaz.<\/em>&raquo; (Rerum Novarum 8).<\/p>\n<p align=\"right\"><em>Jo&atilde;o C&eacute;sar das Neves<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo est&aacute; em forte crise e muita gente sofre muito por causa dela. Este &eacute; o momento para o Papa dirigir uma palavra de conforto e orienta&ccedil;&atilde;o ao povo cat&oacute;lico. Est&aacute; anunciado para&nbsp;esta Ter&ccedil;a-feira, 7 de Julho,&nbsp;um texto longamente amadurecido, Caritas in veritate, primeira enc&iacute;clica social de Bento XVI. 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