{"id":397176,"date":"2025-10-28T10:17:19","date_gmt":"2025-10-28T10:17:19","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=397176"},"modified":"2025-11-06T10:01:49","modified_gmt":"2025-11-06T10:01:49","slug":"ou-te-convertes-ou-matamos-te","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ou-te-convertes-ou-matamos-te\/","title":{"rendered":"\u201cOu te convertes, ou matamos-te!\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Sacerdote recorda os 33 dias de cativeiro no norte da Nig\u00e9ria<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-397177 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Steven-Ojapah-400x267.jpg\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"267\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Steven-Ojapah-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Steven-Ojapah-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Steven-Ojapah-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Padre-Steven-Ojapah.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" \/>O Padre Steven Ojapah foi raptado em Maio de 2022, em Adamawa, no norte da Nig\u00e9ria, por homens armados, jihadistas. Esteve em cativeiro durante 33 dias. Foi uma situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica em que, durante v\u00e1rias vezes, chegou a pensar que iria ser assassinado. Entretanto, aceitou recordar essa experi\u00eancia para a Funda\u00e7\u00e3o AIS no Reino Unido.<\/em><\/p>\n<p>\u201cA regra \u00e9 muito simples: se algu\u00e9m n\u00e3o consegue andar mais, \u00e9 morto.\u201d O Padre Steven Ojapah foi raptado, juntamente com mais um sacerdote e dois jovens em Maio de 2022. A experi\u00eancia foi aterradora e durou 33 longos dias. Entretanto, este ano, o sacerdote aceitou recordar o que lhe aconteceu para o \u2018podcast Break the Silence\u2019, promovido pelo secretariado brit\u00e2nico da Funda\u00e7\u00e3o AIS sobre a realidade da persegui\u00e7\u00e3o aos Crist\u00e3os nos dias de hoje em v\u00e1rias regi\u00f5es do mundo. A Nig\u00e9ria \u00e9 um desses pa\u00edses onde a viol\u00eancia religiosa \u00e9 mais acentuada. Al\u00e9m dos ataques do grupo jihadista Boko Haram, que desde 2009 procura instaurar um califado no norte deste pa\u00eds africano, os Crist\u00e3os t\u00eam sido v\u00edtimas tamb\u00e9m da viol\u00eancia dos pastores n\u00f3madas fulani, cada vez mais radicalizados e agressivos, especialmente contra as comunidades de agricultores crist\u00e3os, e ainda de grupos de criminosos que fazem dos raptos um neg\u00f3cio cada vez mais comum. Foi o que aconteceu ao Padre Steven Ojapah a 24 de Maio, quando bandidos entraram na casa onde dormia. Faltavam 20 minutos para a meia-noite. \u201cEram cerca de 15, entraram em casa e est\u00e1vamos todos a dormir, eu, o Padre Oliver e dois irm\u00e3os, Ummie\u00a0e Hassan. Est\u00e1vamos todos em quartos diferentes. Senti tocarem-me nas pernas e ouvi, \u201cKashi Kaki\u201d que significa \u2018Acorda, tens visitas\u2019. Por isso, quando abri os olhos, vi uma lanterna, vi facas, vi armas apontadas \u00e0 minha cabe\u00e7a e depois arrastaram-me para fora da casa. Foram para os outros quartos e, passados cinco minutos, arrastaram-nos aos quatro para fora da casa. Come\u00e7\u00e1mos a caminhar a partir desse momento, durante toda a noite.\u201d<\/p>\n<p>Quem n\u00e3o consegue andar, \u00e9 morto<\/p>\n<p>E come\u00e7a assim a conversa com John Pontifex, respons\u00e1vel de comunica\u00e7\u00e3o do secretariado brit\u00e2nico da AIS. Foram longas horas de marcha. Pelo caminho estiveram numa cabana, provavelmente numa pequena aldeia, pois escutavam-se vozes, pessoas a circular e at\u00e9 crian\u00e7as. Mas foi apenas uma pequena pausa. Durante muitas horas os quatro homens foram for\u00e7ados a caminhar por vezes em condi\u00e7\u00f5es muito duras, por trilhos, atravessando riachos, passando fome. O cansa\u00e7o chegou rapidamente. \u201cEu, pessoalmente, n\u00e3o conseguia voltar a andar porque estava cansado e a regra deles \u00e9 muito simples: se algu\u00e9m n\u00e3o consegue andar mais, \u00e9 morto. Eu estava exausto, ca\u00ed no ch\u00e3o e eles pediram-me para me levantar. Eu n\u00e3o conseguia levantar-me e pensei que eles iam disparar. Os outros tr\u00eas que estavam comigo, o Padre Oliver, Ummie e Hassan, gritaram e imploraram-me que me levantasse.\u201d Estava t\u00e3o exausto que s\u00f3 conseguiu faz\u00ea-lo com a ajuda de um dos rapazes que tamb\u00e9m foi raptado. Andaram mais um pouco at\u00e9 que chegaram ao suposto destino.<\/p>\n<p>\u201cPuseram-nos correntes nos p\u00e9s\u2026\u201d<\/p>\n<p>\u201cPerguntaram-nos: \u2018Querem tomar ch\u00e1?\u2019 E como est\u00e1vamos com fome, toda a gente disse simplesmente que sim. Ent\u00e3o, aproximaram-se para nos dar o ch\u00e1 e, adivinhem o que era o ch\u00e1? Tareia. Come\u00e7aram a bater-nos com tudo o que tinham \u00e0 m\u00e3o, chicotes, armas, tudo o que podiam usar. Era esse o ch\u00e1. Depois da primeira ronda de agress\u00f5es, mantiveram-nos no ch\u00e3o, puseram-nos correntes nas pernas e deixaram-nos ali durante todo o dia. Em resumo, foi isso que aconteceu.\u201d O calv\u00e1rio s\u00f3 terminaria 33 dias depois. Mas houve mais viol\u00eancia, houve muita amea\u00e7a e at\u00e9 procuraram que ele renunciasse \u00e0 sua f\u00e9. Ao longo de praticamente 20 minutos de conversa, o sacerdote nigeriano recordou alguns dos momentos mais dram\u00e1ticos que passou precisamente por causa disso. \u201cO meu pior momento com eles foi quando trouxeram uma faca e disseram: \u201cOu te convertes hoje ou matamos-te.\u201d Foi o meu pior medo e, mesmo assim, tentei encorajar os outros, dizendo-lhes que, mesmo que isso aconte\u00e7a, n\u00e3o vamos recuar. Lutei para incutir essa coragem em todos, a come\u00e7ar por mim, claro, mas era o meu maior medo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>A for\u00e7a que vem de Deus<\/p>\n<p>V\u00edtima de viol\u00eancia, estando em cativeiro, sabendo que a sua pr\u00f3pria vida poderia estar por um fio, como \u00e9 que o Padre Steven Ojapah aguentou tudo, como \u00e9 que conseguiu ultrapassar tanta adversidade? \u201cTenho muita for\u00e7a que me vem de Deus. Durante esse tempo, rez\u00e1mos juntos\u201d, explica, lembrando que estava em cativeiro juntamente com mais tr\u00eas crist\u00e3os, um sacerdote, como ele, e dois rapazes. \u201cSenti-me abandonado v\u00e1rias vezes, mas tamb\u00e9m senti a Sua presen\u00e7a quando rez\u00e1vamos\u201d, confessa, recordando que os quatro tinham \u201cmomentos de ora\u00e7\u00e3o em conjunto, t\u00ednhamos momentos para nos fortalecermos uns aos outros\u201d. \u201cRez\u00e1vamos. Rez\u00e1vamos o salmo 23, rez\u00e1vamos o salmo 91, rez\u00e1vamos o ter\u00e7o diariamente no nosso cora\u00e7\u00e3o. Tudo isso nos manteve unidos.\u201d<\/p>\n<p>\u201cOs infi\u00e9is t\u00eam de ser mortos\u201d<\/p>\n<p>Os raptores eram terroristas mu\u00e7ulmanos fulani. Que est\u00e3o cada vez mais radicalizados e s\u00e3o uma amea\u00e7a concreta para <span style=\"text-decoration: line-through;\">com<\/span> os Crist\u00e3os. O Padre Steven disso n\u00e3o tem d\u00favidas. \u201cUtilizam muito o Cor\u00e3o nos seus ensinamentos e ouvem prega\u00e7\u00f5es muito violentas na sua medita\u00e7\u00e3o matinal. Ouvem homilias radicais sobre matar, matar, matar os infi\u00e9is. Um dia estavam a ouvir um pregador, n\u00e3o sei de onde, e o pregador estava a falar duramente sobre a rela\u00e7\u00e3o com os infi\u00e9is. Os infi\u00e9is t\u00eam de ser mortos!\u201d Eles estavam a ouvir estas homilias e n\u00f3s est\u00e1vamos gelados porque consegu\u00edamos entend\u00ea-las. Era com isso que eles alimentavam a mente e o esp\u00edrito. De manh\u00e3, acordavam a ouvir prega\u00e7\u00f5es muito violentas, por isso podem imaginar o que fazem aos ref\u00e9ns que n\u00e3o s\u00e3o da sua religi\u00e3o. Portanto, s\u00e3o essencialmente fulanis, mu\u00e7ulmanos e, claro, tamb\u00e9m s\u00e3o terroristas.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDeus vos aben\u00e7oe\u2026\u201d<\/p>\n<p>Ao fim de 33 dolorosos dias, o Padre Steven e os outros tr\u00eas companheiros de cativeiro acabariam por ser libertados a troco do pagamento do resgate. Iniciou-se ent\u00e3o um tempo de cura do trauma vivido, o que o levou a contactar com outras pessoas que igualmente passaram por situa\u00e7\u00f5es semelhantes. No final do \u2018podcast Break the Silence\u2019, o Padre Steven fez quest\u00e3o de deixar uma palavra de agradecimento pela ajuda que a Funda\u00e7\u00e3o AIS tem vindo a dar \u00e0 Igreja que sofre na Nig\u00e9ria, uma ajuda s\u00f3 poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 generosidade sem fim dos seus benfeitores e amigos espalhados por todo o mundo e tamb\u00e9m aqui em Portugal. \u201cA todos os que t\u00eam apoiado a Funda\u00e7\u00e3o AIS, obrigado. Numa palavra, obrigado. Voc\u00eas d\u00e3o ajuda a milh\u00f5es de almas, igrejas e comunidades em todo o mundo que talvez nunca tenham a oportunidade de conhecer. Talvez s\u00f3 leiam os relat\u00f3rios e vejam pessoas como eu a falar convosco, mas obrigado. De facto, a vossa colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 muito apreciada e valorizada, e s\u00f3 Deus vos pode recompensar. Deus vos aben\u00e7oe.\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sacerdote recorda os 33 dias de cativeiro no norte da Nig\u00e9ria<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-397176","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397176","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=397176"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/397176\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397176"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=397176"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=397176"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}