{"id":39692,"date":"2009-06-29T13:10:15","date_gmt":"2009-06-29T13:10:15","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/29\/d-antonio-marto-escreve-aos-padres-sobre-o-ano-sacerdotal\/"},"modified":"2009-06-29T13:10:15","modified_gmt":"2009-06-29T13:10:15","slug":"d-antonio-marto-escreve-aos-padres-sobre-o-ano-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/d-antonio-marto-escreve-aos-padres-sobre-o-ano-sacerdotal\/","title":{"rendered":"D. Ant\u00f3nio Marto escreve aos padres sobre o Ano Sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p>Caros irm&atilde;os Padres:<\/p>\n<p>Ap&oacute;s um frutuoso ano dedicado a S. Paulo, o Santo Padre prop&otilde;e a toda a Igreja um &quot;Ano Sacerdotal&quot;, com o sugestivo lema &quot;Fidelidade de Cristo, fidelidade do padre&quot;. E coloca-o sob a &eacute;gide e inspira&ccedil;&atilde;o do Santo Cura d&#39; Ars, por ocasi&atilde;o do 150&ordm; anivers&aacute;rio da sua morte.<\/p>\n<p>Ao completar tr&ecirc;s anos da minha tomada de posse como bispo da diocese, resolvi escrever uma carta aos meus irm&atilde;os padres sobre o Ano Sacerdotal, que mais directamente nos diz respeito, acrescentando algumas informa&ccedil;&otilde;es. Pe&ccedil;o, pois, a vossa benevol&ecirc;ncia para a lerdes.<\/p>\n<p>A ac&ccedil;&atilde;o do Cura d&#39; Ars desenvolveu-se numa situa&ccedil;&atilde;o caracterizada pela indiferen&ccedil;a, pela hostilidade e pelo cinismo em rela&ccedil;&atilde;o&nbsp; ao cristianismo e &agrave; Igreja, num mundo p&oacute;s-revolu&ccedil;&atilde;o francesa. O estado de crise da Igreja no seu tempo assemelha-se, em v&aacute;rios pontos, &agrave; situa&ccedil;&atilde;o que a Igreja enfrenta hoje. <\/p>\n<p>A refer&ecirc;ncia ao Santo Patrono n&atilde;o pode ser vista como uma &quot;c&oacute;pia&quot; conforme ao modelo. Deve ser, antes, compreendida como uma din&acirc;mica espiritual e pastoral de que ele continua a ser inspirador. De facto, o povo apreciava nele o sacerd&oacute;cio acorrendo em multid&atilde;o, enquanto o via como testemunha da ternura salv&iacute;fica de Cristo e da santidade na entrega total e quotidiana ao seu minist&eacute;rio de pastor.<\/p>\n<p>Por que raz&otilde;es o Papa Bento XVI decidiu ent&atilde;o proclamar um Ano Sacerdotal?<\/p>\n<p>1. Em primeiro lugar, o Ano Sacerdotal pretende levar as comunidades crist&atilde;s a tomar consci&ecirc;ncia do minist&eacute;rio dos padres como um dom de Deus essencial para a vida e a miss&atilde;o da Igreja, portanto, das pr&oacute;prias comunidades. &Eacute; que hoje vivemos numa cultura onde se mede tudo pelo funcional. E entre o povo crist&atilde;o tamb&eacute;m se infiltrou esta vis&atilde;o deformada e redutora acerca do padre como funcion&aacute;rio duma institui&ccedil;&atilde;o religiosa, um prestador de servi&ccedil;os de que se tem necessidade algumas horas na vida. Assim perde-se a dimens&atilde;o sobrenatural do sacerd&oacute;cio de Cristo e dos padres para o povo de Deus e a humanidade.<\/p>\n<p>Hoje como ontem, os padres s&atilde;o um dom inestim&aacute;vel e necess&aacute;rio para a beleza e a sa&uacute;de espirituais da Igreja e do mundo.<\/p>\n<p>Onde o bem estar &eacute; o limite do horizonte, eles anunciam o Invis&iacute;vel que &eacute; Deus-Amor e a esperan&ccedil;a que ele suscita e oferece.<\/p>\n<p>Onde o que &eacute; rent&aacute;vel e mensur&aacute;vel domina e torna prisioneira a vida, eles querem ser &quot;profetas&quot; do Evangelho do amor e da liberdade aut&ecirc;nticos.<\/p>\n<p>Onde as divis&otilde;es ferem e destroem as rela&ccedil;&otilde;es, eles oferecem o dom do perd&atilde;o divino e abrem caminhos de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de comunh&atilde;o e de paz.<\/p>\n<p>No meio das mudan&ccedil;as profundas da nossa sociedade, os padres querem ser pastores bons e compassivos, incans&aacute;veis testemunhas da ternura e da miseric&oacute;rdia de Deus que salva o mundo. &quot;Um bom pastor, um pastor segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus, &eacute; o maior tesouro que Deus pode dar a uma par&oacute;quia e um dos mais preciosos dons da miseric&oacute;rdia divina&quot; (Cura d&#39;Ars).<\/p>\n<p>2. Em segundo lugar, o Ano Sacerdotal pretende levar os pr&oacute;prios padres a redescobrir a beleza do seu sacerd&oacute;cio, a dar um &quot;salto de qualidade&quot; na sua vida espiritual e pastoral, na sua entrega a Cristo e ao seu povo, para corresponderem o mais dignamente poss&iacute;vel ao dom e &agrave; responsabilidade de que s&atilde;o portadores. &Eacute; o que chamamos a &quot;segunda convers&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Homens tomados dentre os homens, os padres tamb&eacute;m conhecem as suas pr&oacute;prias fragilidades e apoiam-se na gra&ccedil;a de Deus (&quot;Basta-te a minha gra&ccedil;a&quot;- disse o Senhor a Paulo), na fraternidade do presbit&eacute;rio e no amor e carinho das comunidades que servem. <\/p>\n<p>A grandeza do minist&eacute;rio do padre n&atilde;o vem apenas do poder &quot;agir em nome de Cristo&quot; para anunciar o Evangelho, para celebrar a Eucaristia, para perdoar e para construir a comunh&atilde;o. A for&ccedil;a da sua miss&atilde;o vem tamb&eacute;m do facto de que as suas palavras e os seus gestos, pelos quais Cristo age no mundo, se enra&iacute;zam na oferta que ele&nbsp; faz da sua pr&oacute;pria vida a Cristo e aos irm&atilde;os, em cada dia.<\/p>\n<p>Tal como os pais fazem tantos sacrif&iacute;cios para alimentar, vestir e educar os filhos, assim tamb&eacute;m o sacerdote os realiza, como pai espiritual, para assegurar os dons da salva&ccedil;&atilde;o ao povo que Deus lhe confiou. E isto s&oacute; se faz com muita f&eacute; e muito amor! O pr&oacute;prio celibato &eacute; a express&atilde;o dum amor que d&aacute; a vida pelo seu povo.<\/p>\n<p>A usura do tempo leva por&eacute;m a esmorecer os entusiasmos do in&iacute;cio: &eacute; o p&oacute; do tempo a cobrir de insensibilidade mesmo as maiores realidades. Torna-se ent&atilde;o mais propenso a &quot;calcular&quot; o que se d&aacute;; a sentir o peso de um cansa&ccedil;o subtil; a agir de modo quase mec&acirc;nico, privando de alma mesmo os gestos mais nobres e sagrados. Facilmente se pode resvalar para uma mediocridade de vida.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta pois uma fidelidade puramente exterior, resignada, compensada por algum &quot;suced&acirc;neo&quot; mais ou menos l&iacute;cito ou agrad&aacute;vel.<\/p>\n<p>Por tudo isto, o Ano Sacerdotal &eacute; um apelo aos sacerdotes a um exame de consci&ecirc;ncia e a dar um salto de qualidade na viv&ecirc;ncia do nosso sacerd&oacute;cio. Em concreto: renovar o entusiasmo do primeiro &quot;sim&quot;; intensificar a renova&ccedil;&atilde;o da vida espiritual &quot;num cora&ccedil;&atilde;o a cora&ccedil;&atilde;o com Cristo&quot; (Bento XVI), aproveitando as recolec&ccedil;&otilde;es mensais e o retiro anual; ter uma &quot;regra de vida&quot; que assegure tempo e espa&ccedil;o para Deus e para os fi&eacute;is bem como para o repouso salutar; recuperar a fraternidade sacramental do presbit&eacute;rio frente a uma forte tend&ecirc;ncia para o individualismo no exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio; valorizar os dons e carismas dos fi&eacute;is, a sua corresponsabilidade na edifica&ccedil;&atilde;o da comunidade; cuidar, com desvelo, das voca&ccedil;&otilde;es ao sacerd&oacute;cio. <\/p>\n<p>Que no vosso rosto brilhe a alegria de ser padre! Testemunhai com a vossa alegria irradiante que vale a pena ser padre! Proponde, com coragem, o caminho crist&atilde;o da alegria!<\/p>\n<p>Na sequ&ecirc;ncia desta reflex&atilde;o ouso solicitar a vossa participa&ccedil;&atilde;o interessada nos seguintes eventos eclesiais, marcando-os desde j&aacute; na vossa agenda.<\/p>\n<p>1 &#8211; O VI Simp&oacute;sio do Clero de Portugal, de 1 a 4 de Setembro pr&oacute;ximo, em F&aacute;tima, com o belo e apropriado tema: &quot;Reaviva o dom que h&aacute; em ti&quot;. As inscri&ccedil;&otilde;es devem ser enviadas para o Vig&aacute;rio Geral, at&eacute; 31 de Julho, com o valor requerido para a inscri&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>2 &#8211; A Festa da Dedica&ccedil;&atilde;o da Catedral no dia 13 de Julho, com celebra&ccedil;&atilde;o da eucaristia &agrave;s 19 horas, que revestir&aacute; o tom de abertura do Ano Sacerdotal na nossa diocese.<\/p>\n<p>3 &#8211; A &quot;Festa da F&eacute;. Rosto(s) da Igreja Diocesana&quot;, de 21 a 23 de Maio de 2010, na cidade de Leiria, com v&aacute;rios eventos, a culminar o pr&oacute;ximo ano pastoral dedicado &agrave; comunidade crist&atilde;. Mais tarde dar-se-&agrave; informa&ccedil;&atilde;o mais pormenorizada sobre esta festa de n&iacute;vel diocesano, que est&aacute; em prepara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>4 &#8211; Os turnos de forma&ccedil;&atilde;o permanente para o clero de 18 a 22 e de 25 a 29 de Janeiro, que ter&atilde;o lugar na Casa das Irm&atilde;s Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o, em Linda-a-Pastora, nos arredores de Lisboa. <\/p>\n<p>A todos e a cada um dos sacerdotes renovo a express&atilde;o da minha estima pessoal e toda a gratid&atilde;o pelo trabalho dedicado e por toda a colabora&ccedil;&atilde;o. Confio-vos a todos, na ora&ccedil;&atilde;o, &agrave; protec&ccedil;&atilde;o materna de Nossa Senhora, Rainha dos Ap&oacute;stolos. <\/p>\n<p><em>Um abra&ccedil;o fraterno do vosso irm&atilde;o bispo,<br \/>Leiria, 25 de Junho de 2009<br \/>D. Ant&oacute;nio Marto, Bispo de Leiria-F&aacute;tima<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros irm&atilde;os Padres: Ap&oacute;s um frutuoso ano dedicado a S. Paulo, o Santo Padre prop&otilde;e a toda a Igreja um &quot;Ano Sacerdotal&quot;, com o sugestivo lema &quot;Fidelidade de Cristo, fidelidade do padre&quot;. E coloca-o sob a &eacute;gide e inspira&ccedil;&atilde;o do Santo Cura d&#39; Ars, por ocasi&atilde;o do 150&ordm; anivers&aacute;rio da sua morte. 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