{"id":396601,"date":"2025-10-26T09:31:06","date_gmt":"2025-10-26T09:31:06","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=396601"},"modified":"2025-10-24T10:39:05","modified_gmt":"2025-10-24T09:39:05","slug":"cabo-delgado-os-numeros-sao-dramaticos-diz-bispo-de-pemba-sobre-consequencias-da-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cabo-delgado-os-numeros-sao-dramaticos-diz-bispo-de-pemba-sobre-consequencias-da-violencia\/","title":{"rendered":"Cabo Delgado: \u00ab Os n\u00fameros s\u00e3o dram\u00e1ticos\u00bb, diz bispo de Pemba sobre consequ\u00eancias da viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p><em>A viol\u00eancia religiosa causou mais de 5 mil mortos e mais de um milh\u00e3o de deslocados nos \u00faltimos cinco anos na regi\u00e3o do Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique. O dado, inscrito no Relat\u00f3rio da Liberdade Religiosa no Mundo 2025, serve para in\u00edcio de conversa com D. Ant\u00f3nio Juliasse, bispo de Pemba e Presidente da Comiss\u00e3o Justi\u00e7a e Paz da Confer\u00eancia Episcopal de Mo\u00e7ambique, o entrevistado deste domingo da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_203259\" aria-describedby=\"caption-attachment-203259\" style=\"width: 1500px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-203259 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba.jpeg\" alt=\"\" width=\"1500\" height=\"843\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba.jpeg 1500w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-400x225.jpeg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-1024x575.jpeg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-768x432.jpeg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-1080x607.jpeg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-1280x719.jpeg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-980x551.jpeg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/Antonio-Juliasse_Pemba-480x270.jpeg 480w\" sizes=\"(max-width: 1500px) 100vw, 1500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-203259\" class=\"wp-caption-text\">Foto Vatican News, D. Ant\u00f3nio Juliasse<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Desdobrou-se nos \u00faltimos dias os alertas para o aumento da viol\u00eancia em Cabo Delgado. E f\u00ea-lo, por exemplo, durante a 14\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria dos Bispos da \u00c1frica Austral. Isso significa que a instabilidade est\u00e1 de volta \u00e0 regi\u00e3o? <\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o usaria a palavra estar de volta, porque nunca cessou. O conflito de Cabo Delgado tem oito anos, oito anos ininterruptos. O que tem acontecido \u00e9 que \u00e0s vezes n\u00e3o h\u00e1 muita divulga\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o h\u00e1 muita informa\u00e7\u00e3o a respeito do que est\u00e1 a acontecer em Cabo Delgado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Sobretudo a n\u00edvel internacional? Deixou-se de falar dos ataques e das mortes em Cabo Delgado, contudo isso n\u00e3o significou uma diminui\u00e7\u00e3o do problema\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, \u00e9 exatamente isso. O que eu fiz na nossa 4\u00aa Assembleia Plen\u00e1ria da IMBISA [Associa\u00e7\u00e3o Inter-regional dos Bispos da \u00c1frica Austral] foi tentar informar todos os bispos sobre o que est\u00e1 a acontecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E que relatos mais recentes, pode partilhar connosco?<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s tivemos no m\u00eas de junho, julho, agosto, setembro, outubro, ataques intensos e dispersos em toda a prov\u00edncia de Cabo Delgado, provocando nova onda de deslocados, mortes e muitas igrejas destru\u00eddas para al\u00e9m das v\u00e1rias outras infraestruturas, incluindo a habita\u00e7\u00e3o das povoa\u00e7\u00f5es. Portanto, a caracter\u00edstica desta viol\u00eancia permanece como foi desde o in\u00edcio, com novos elementos que mostram que eles v\u00e3o aprimorando cada vez mais as suas estrat\u00e9gias e t\u00e9cnicas de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E at\u00e9 que ponto estas situa\u00e7\u00f5es est\u00e3o estritamente ligadas \u00e0 quest\u00e3o da liberdade religiosa, ou colocando a quest\u00e3o de outra maneira: muitas destas ocorr\u00eancias s\u00e3o por raz\u00f5es econ\u00f4micas? <\/em><\/p>\n<p>Diria que os dois elementos, os dois fatores; o religioso e os econ\u00f3micos e sociais, s\u00e3o de ter em conta, mas na verdade h\u00e1 muitos mais fatores que est\u00e3o todos interligados. O elemento econ\u00f3mico, a pobreza, a falta de oportunidades para a juventude e at\u00e9 a falta de sonhos, de ver que os seus sonhos podem ser realizados, colocam os jovens vulner\u00e1veis para poderem aceitar qualquer tipo de aliciamento, que envolve tamb\u00e9m ganhos econ\u00f3micos ou at\u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o para eles. O elemento econ\u00f3mico est\u00e1 presente, mas o que n\u00f3s temos visto e que motiva bastante o tipo de viol\u00eancia e de ades\u00e3o \u00e9 o fato de usarem a ideologia extremista jihadista e que mobiliza bastante os jovens dos c\u00edrculos isl\u00e2micos extremistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>As diversas institui\u00e7\u00f5es de car\u00e1cter humanit\u00e1rio que operam no terreno tamb\u00e9m s\u00e3o confrontadas naturalmente com as dificuldades causadas por essa instabilidade e inseguran\u00e7a. Tem conhecimento de algumas que foram obrigadas, por exemplo, a deixar de operar? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s temos tido reuni\u00f5es de coordena\u00e7\u00e3o com as ag\u00eancias humanit\u00e1rias que operam aqui em Cabo Delgado, atrav\u00e9s da C\u00e1ritas de Diocesana, ou de tempos a tempos tenho tido audi\u00eancia no meu escrit\u00f3rio para me informar em o que est\u00e1 a acontecer. Muitas organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o est\u00e3o a operar em zonas muito mais tensas, por falta de seguran\u00e7a e agora est\u00e3o a tentar mudar um pouquinho de estrat\u00e9gia nessas zonas onde eles n\u00e3o podem operar. Est\u00e3o a tentar encontrar organiza\u00e7\u00f5es locais constitu\u00eddas por pessoas que se encontram naquela regi\u00e3o para poderem fazer a sua vez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Uma delas eram os M\u00e9dicos Sem Fronteiras, que na \u00faltima semana diziam que n\u00e3o tinham possibilidade e meios para poder operar?<\/em><\/p>\n<p>Os M\u00e9dicos Sem Fronteiras est\u00e3o em zonas at\u00e9 mais cr\u00edticas, est\u00e3o presentes, mas o problema \u00e0s vezes \u00e9 que os recursos come\u00e7am a escassear, porque n\u00e3o sendo visualizado, n\u00e3o sendo muito falado este conflito de Cabo Delgado ao n\u00edvel internacional, o interesse de financiar as organiza\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias tamb\u00e9m diminui e v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es est\u00e3o a sofrer por causa disso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nesse sentido tamb\u00e9m, como \u00e9 que \u00e9 a igreja local que continua a ser um sinal de esperan\u00e7a para este povo em di\u00e1spora permanente?\u00a0 <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s definimos aqui a nossa forma de ser como igreja cujo rosto de Cristo \u00e9 aquele rosto de Cristo na Cruz. Esta imagem que n\u00f3s temos na nossa miss\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m a nossa for\u00e7a para saber que n\u00f3s temos de ser mission\u00e1rios mesmo nestas circunst\u00e2ncias muito dif\u00edceis, e tamb\u00e9m sermos para o povo um sinal de esperan\u00e7a, n\u00e3o \u00e9? Isso eu tenho visto, experimentado pessoalmente quando vou em visitas pastorais, quando eles me dizem que \u00e9 poss\u00edvel chegar e eu vou, e vejo a alegria enorme que eles demonstram porque Deus est\u00e1 presente, Deus n\u00e3o os abandona e a figura de um pastor, de um mission\u00e1rio faz quase concreta esta presen\u00e7a de Deus que n\u00e3o os abandona.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>O Papa Francisco foi sempre um farol bem vivo na den\u00fancia da situa\u00e7\u00e3o e o Papa Le\u00e3o tamb\u00e9m j\u00e1 fala com frequ\u00eancia deste conflito. O senhor acredita que enquanto n\u00e3o houver uma posi\u00e7\u00e3o firme internacional n\u00e3o vai ser poss\u00edvel sanar este conflito? <\/em><\/p>\n<p>O Papa Francisco foi muito pr\u00f3ximo de Cabo Delgado, temos aqui apoios que vieram diretamente dele, temos dois hospitais constru\u00eddos e que est\u00e3o em seu nome, constru\u00eddos nas zonas dos deslocados. O Papa Le\u00e3o tamb\u00e9m tem muito interesse, ele pronunciou-se na pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro, mas fora desse pronunciamento p\u00fablico de ora\u00e7\u00e3o, de pedido de ora\u00e7\u00e3o, o Santo Padre tem estado sempre atento ao que est\u00e1 a acontecer aqui atrav\u00e9s do Dicast\u00e9rio para o Desenvolvimento Humano Integral, e, portanto, n\u00f3s ficamos muito confortados por esta presen\u00e7a t\u00e3o paterna, t\u00e3o cordial do Santo Padre aqui, nesta situa\u00e7\u00e3o que n\u00f3s vivemos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O desconforto \u00e9 porque a comunidade internacional n\u00e3o tem uma posi\u00e7\u00e3o firme? <\/em><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei, porque isto j\u00e1 ultrapassa a todos os contornos diplom\u00e1ticos, n\u00e3o \u00e9? Ultrapassa-me, porque como sabem, este \u00e9 um pa\u00eds e a comunidade internacional n\u00e3o pode avan\u00e7ar se n\u00e3o h\u00e1 posi\u00e7\u00f5es claras dentro do pa\u00eds e o que \u00e9 que podem colaborar, o que \u00e9 que podem ajudar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tem dito que a viol\u00eancia nestes oito anos nunca parou e a pergunta \u00e9: \u00a0as autoridades nacionais, as autoridades mo\u00e7ambicanas s\u00e3o impotentes para travar estes ataques terroristas? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 que este tipo de guerra que estamos a ter n\u00e3o \u00e9 o que o pa\u00eds j\u00e1 teve antes. O pa\u00eds teve a guerra dos 16 anos, sabia-se onde \u00e9 que estavam as tropas da RENAMO e havia clareza nisso, mas com o terrorismo que n\u00f3s vivemos agora, ou esta insurg\u00eancia, que n\u00e3o se definiu claramente qual o nome que se pode dar, \u00e9 mais complicado. Eles falam do califado e falam da jihad, e tamb\u00e9m n\u00f3s sabemos que est\u00e3o ligados ao Estado Isl\u00e2mico, porque eles mant\u00eam sempre uma publica\u00e7\u00e3o corrente nos sites do Estado Isl\u00e2mico. Isto mostra que \u00e9 uma viol\u00eancia que tem liga\u00e7\u00f5es internacionais, e, portanto, o seu combate n\u00e3o pode ser s\u00f3 adstrito aqui, as for\u00e7as armadas locais. O problema para combater o terrorismo aqui em Cabo Delgado, n\u00e3o ser\u00e1 apenas a geografia de Cabo Delgado. Tem de incluir v\u00e1rias outras respostas nacionais e respostas internacionais, penso que ali \u00e9 que h\u00e1 ainda dificuldade de se perceber.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E insisto: falta ent\u00e3o essa resposta internacional, n\u00e3o \u00e9? <\/em><\/p>\n<p>Falta, falta, falta uma resposta mais coordenada ao n\u00edvel nacional e tamb\u00e9m uma resposta internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um ano depois das elei\u00e7\u00f5es gerais, marcadas por momentos de tens\u00e3o e contesta\u00e7\u00e3o, o pa\u00eds pode finalmente dizer que regressou \u00e0 normalidade? J\u00e1 agora, que leitura faz do atual clima pol\u00edtico e social em Mo\u00e7ambique? H\u00e1 condi\u00e7\u00f5es reais para um di\u00e1logo inclusivo?<\/em><\/p>\n<p>Voltar \u00e0 normalidade como quando terminou o Covid, n\u00e3o \u00e9 voltar para tr\u00e1s. \u00c9 que n\u00f3s voltamos a uma situa\u00e7\u00e3o, digamos, de falta de viol\u00eancia e tal. O pa\u00eds ficou pacificado, mas n\u00e3o \u00e9 que o pa\u00eds voltou para a situa\u00e7\u00e3o que se encontrava antes. Aquele momento que se seguiu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es gerais de outubro do ano passado criou uma consci\u00eancia cr\u00edtica muito grande e d\u00e1 para perceber at\u00e9 hoje a situa\u00e7\u00e3o tensa que o pa\u00eds vive. As pessoas est\u00e3o muito atentas e at\u00e9, de certa forma, muito exigentes em rela\u00e7\u00e3o ao que \u00e9 tratado politicamente no pa\u00eds. Portanto, o pa\u00eds ganhou, digamos assim, nova forma de estar e de ser em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 coisa p\u00fablica e em rela\u00e7\u00e3o aos assuntos pol\u00edticos. Agora h\u00e1 apelos ao di\u00e1logo nacional e inclusivo.<\/p>\n<p>H\u00e1 certas cr\u00edticas por n\u00e3o se incluir o Ven\u00e2ncio Mondlane, e que de certa forma, promoveu aquele ambiente todo que se seguiu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es. H\u00e1 cr\u00edticas em rela\u00e7\u00e3o a isso, mas o exerc\u00edcio \u00e9 saud\u00e1vel. \u00c9 bom p\u00f4r os mo\u00e7ambicanos a discutirem os seus problemas e a tentarem encontrar, por via do di\u00e1logo, caminhos mais acertados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A esse respeito, a Igreja Cat\u00f3lica em Mo\u00e7ambique acaba de lan\u00e7ar a Cartilha Pol\u00edtica para o Di\u00e1logo Nacional, uma proposta de educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica voltada para a consolida\u00e7\u00e3o da paz, da unidade e do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Pergunto que impacto, olhando a tudo o que nos disse hoje, que impacto espera que ela tenha, sobretudo no envolvimento dos mais jovens e das comunidades crist\u00e3s?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s achamos que, assim como para as elei\u00e7\u00f5es gerais, temos feito um trabalho de sensibiliza\u00e7\u00e3o, um trabalho de educa\u00e7\u00e3o c\u00edvica, que desta vez tamb\u00e9m dev\u00edamos fazer alguma coisa. E fizemos a Cartilha da Pol\u00edtica para o Di\u00e1logo Nacional e Inclusivo, que \u00e9 como um instrumento para mobilizar os crist\u00e3os e as pessoas de boa vontade da sociedade mo\u00e7ambicana para entenderem os pontos que est\u00e3o sendo discutidos. N\u00f3s tentamos colocar uma linguagem muito simples, usando uma metodologia, do que se trata, qual \u00e9 o assunto, quais s\u00e3o os pontos cr\u00edticos e qual \u00e9 a vis\u00e3o da doutrina social da Igreja Cat\u00f3lica em rela\u00e7\u00e3o a isso, ou qual \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da Igreja de Mo\u00e7ambique, e essa posi\u00e7\u00e3o foi tirada das muitas cartas pastorais que foram divulgadas ao longo dos tempos em rela\u00e7\u00e3o aos assuntos pol\u00edticos candentes em Mo\u00e7ambique.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s vamos terminar a nossa entrevista, a nossa conversa, e eu deixava para o final &#8211; at\u00e9 porque o referiu ainda h\u00e1 pouco, que por vezes a Comunidade Internacional est\u00e1 alheada do conflito &#8211; a possibilidade de deixar um apelo no sentido de tudo se fazer para tentar estancar estes oito anos de terrorismo em Cabo Delgado.<\/em><\/p>\n<p>Para estancar o terrorismo em Cabo Delgado h\u00e1 dois aspetos importantes. O investimento para que a prov\u00edncia de Cabo Delgado tenha mais possibilidade de gerar emprego e que os jovens possam realmente encontrar caminhos para poderem construir as suas vidas e sustentar as suas fam\u00edlias. Isso \u00e9 muito importante o investimento. E o outro caminho \u00e9 ajudar o Estado mo\u00e7ambicano a compreender com mais propriedade o que est\u00e1 a acontecer e tamb\u00e9m favorecer com meios de combate aos fen\u00f3menos de terrorismo, at\u00e9 porque a Comunidade Internacional tem experi\u00eancias em outros quadrantes. Seria bom trazer esta experi\u00eancia para que o pa\u00eds tamb\u00e9m possa aprender e com isso ter meios para dar uma boa resposta ou uma resposta mais eficiente e efetiva. O di\u00e1logo tamb\u00e9m \u00e9 outro caminho que acho que n\u00f3s como Igreja sempre advogamos e penso que este caminho deve ser come\u00e7ado. E se for poss\u00edvel come\u00e7ar esse di\u00e1logo vai ser tamb\u00e9m muito importante a presen\u00e7a e a ajuda da Comunidade Internacional, tomando em considera\u00e7\u00e3o que o que est\u00e1 a acontecer em Cabo Delgado tem liga\u00e7\u00f5es internacionais j\u00e1 comprovadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E os n\u00fameros s\u00e3o dram\u00e1ticos, n\u00e3o \u00e9? <\/em><\/p>\n<p>Os n\u00fameros s\u00e3o dram\u00e1ticos, s\u00f3 nos dois meses, setembro e outubro, temos novos 70 mil, alguns dados falam j\u00e1 de 90 mil deslocados, mas s\u00e3o novos deslocados que se juntam a tantos outros deslocados que est\u00e3o aqui na prov\u00edncia de Cabo Delgado. Alguns j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o considerados deslocados internos porque j\u00e1 est\u00e3o h\u00e1 dois, tr\u00eas anos nessa condi\u00e7\u00e3o e, portanto, s\u00e3o chamados por reassentados. Ent\u00e3o n\u00f3s temos a popula\u00e7\u00e3o reassentada porque foi for\u00e7ada a sair da sua aldeia e est\u00e1 reassentada em zonas onde n\u00e3o h\u00e1 muitas condi\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m para poderem ter uma vida normal e depois juntam-se a isso novos casos de deslocados. \u00a0E as respostas de ajuda s\u00e3o cada vez mais diminu\u00eddas. Portanto, apelo para que n\u00e3o se esque\u00e7am de Cabo Delgado e desta situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria que c\u00e1 passamos, porque sem ajuda internacional n\u00e3o podemos ter uma grande resposta. Por outro lado, tamb\u00e9m aproveito a R\u00e1dio Renascen\u00e7a para agradecer porque nestes oito anos nos campos de deslocados internos n\u00e3o temos registos de muitas mortes porque tivemos de certa forma essa ajuda de solidariedade que nos chegou de v\u00e1rias pessoas. Para aqueles que escutam esta entrevista e tenham participado com seus apoios de forma singular ou coletiva em favor de Cabo Delgado, como bispo da Diocese de Pemba, aproveito para deixar aqui o meu agradecimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A viol\u00eancia religiosa causou mais de 5 mil mortos e mais de um milh\u00e3o de deslocados nos \u00faltimos cinco anos na regi\u00e3o do Cabo Delgado, no norte de Mo\u00e7ambique. O dado, inscrito no Relat\u00f3rio da Liberdade Religiosa no Mundo 2025, serve para in\u00edcio de conversa com D. Ant\u00f3nio Juliasse, bispo de Pemba e Presidente da [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":203259,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[6,630],"tags":[262],"class_list":["post-396601","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","category-entrevistas-ecclesia-rr","tag-mocambique"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396601","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=396601"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396601\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/203259"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=396601"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=396601"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=396601"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}