{"id":396391,"date":"2025-10-22T17:20:04","date_gmt":"2025-10-22T16:20:04","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=396391"},"modified":"2025-10-22T17:24:59","modified_gmt":"2025-10-22T16:24:59","slug":"cibercultura-seremos-mais-tecno-religiosos-do-que-pensamos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/cibercultura-seremos-mais-tecno-religiosos-do-que-pensamos\/","title":{"rendered":"CIBERCULTURA &#8211; Seremos mais Tecno-religiosos do que pensamos?"},"content":{"rendered":"<p><em>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Professor<\/a>\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Blog<\/a>\u00a0&amp;\u00a0<a href=\"https:\/\/cienciafe.miguelpanao.com\/livros\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Autor<\/a><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-166774 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miguel_panao_novo.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Recentemente ouvi que no mundo medieval se retir\u00e1ssemos Deus, tudo ca\u00eda. E hoje? Honestamente, creio que pouco ou nada se alteraria na maior parte da vida das pessoas. Por\u00e9m, se retir\u00e1ssemos a <em>net<\/em> ou as redes sociais, parece-me que tudo cairia. Ser\u00e1 que a tecnologia \u00e9 a nova religi\u00e3o que ningu\u00e9m quer admitir ser a sua? Poderemos pensar que a tecnologia \u00e9 somente um meio, n\u00e3o o fim, e talvez a pergunta n\u00e3o tenha sentido. Ou tem sentido, mas \u00e9 demasiado incomodativo pensar sobre isso?<\/p>\n<p>No dia do apag\u00e3o, falharam os computadores ligados \u00e0 corrente, os telem\u00f3veis iam ficando sem bateria, e quem n\u00e3o tivesse r\u00e1dio ia at\u00e9 ao seu autom\u00f3vel para ouvir as \u00faltimas, ligando o carro (e polu\u00eddo o ambiente) s\u00f3 para estar a par da situa\u00e7\u00e3o, mesmo sem nada poder fazer. Naquele momento, estar\u00edamos a sentir a depend\u00eancia da electricidade ou da tecnologia que essa sustenta?<\/p>\n<p>Como professor e investigador em engenharia, tenho a experi\u00eancia de que a tecnologia \u00e9 desenvolvida para resolver os problemas das pessoas e melhorar a sua vida. Mas o que temos assistido \u00e9 a uma invers\u00e3o da tecnologia que antes servia a vida para uma vida que sirva a tecnologia sem se dar conta disso, ou chegando mesmo a neg\u00e1-lo. Captando a nossa aten\u00e7\u00e3o em quase todos os momentos do dia, j\u00e1 repararam que passamos mais tempo a nos relacionarmos <em>com<\/em> a tecnologia do que a nos relacionarmos <em>com<\/em> Deus? Ser\u00e1 poss\u00edvel relacionarmos-nos com Deus atrav\u00e9s da tecnologia?<\/p>\n<p>De manh\u00e3 acordas e v\u00eas as horas no <em>smartphone<\/em> que carregas \u00e0 beira da tua cama. Aproveitas para ver se tens alguma mensagem nova enviada durante a noite, que e-mails chegaram e quais as \u00faltimas not\u00edcias que circulam pela <em>net<\/em>. Vais tomar o pequeno-almo\u00e7o e, se n\u00e3o tens companhia, por que n\u00e3o ver o \u00faltimo v\u00eddeo daquele comentador que gostas de ouvir? No trajecto at\u00e9 ao trabalho, se fores de autocarro ou de metro, o mais comum \u00e9 passares (ou ver os outros passar) o tempo a jogar ou comunicar pelo telem\u00f3vel. Chegando ao trabalho, sabendo que uma boa parte das pessoas \u00e9 trabalhador do conhecimento, o mais prov\u00e1vel \u00e9 sentarem-se como tu em frente a um computador. Ligam-se ao mundo e aos dados para serem produtivos. E se precisas de uma pausa, tomas um caf\u00e9 com algu\u00e9m ou sozinho trincas um Kit-Kat, mas o mais comum ser\u00e1 levar o telem\u00f3vel contigo e j\u00e1 assisti a pessoas que juntas mant\u00eam a sua conex\u00e3o com o aparelho em vez de se conectarem com o outro. Se est\u00e1s nas redes sociais, ao longo do dia poder\u00e1s partilhar com uma foto ou frase o que est\u00e1s a viver. Os outros reagem e isso faz-te sentir bem. Realizado. No final do dia relaxas com um passeio pelas redes sociais, a ver o que os outros partilham, ou v\u00eas um epis\u00f3dio de uma s\u00e9rie que acompanhas. Mant\u00e9ns-te a par novamente das not\u00edcias e talvez te deites cedo para dormir. Talvez\u2026<\/p>\n<p>E se de manh\u00e3 acordasses e pensasses em Deus que est\u00e1 sempre contigo? Aproveitarias para dizer bom dia \u00e0 esposa, ao filho, ou familiar porque Deus est\u00e1 presente dentro deles. Talvez lesses um texto meditativo ou rezasses em sil\u00eancio. Vais tomar o pequeno-almo\u00e7o e, se n\u00e3o tens companhia, por que n\u00e3o ir junto \u00e0 janela para escutar o canto dos p\u00e1ssaros? No trajecto at\u00e9 ao trabalho, se fores de autocarro ou de metro, poder\u00e1s estar atento a cada pessoa. Ser\u00e1 que precisa de ajuda em alguma coisa? Chegando ao trabalho, independentemente de seres ou n\u00e3o trabalhador do conhecimento, sabes que fazer a Vontade de Deus \u00e9 fazer bem o que tens para fazer agora. Por isso, cada palavra escrita, cada gesto dado, cada escuta ou olhar atento pode tornar-se numa experi\u00eancia de Deus atrav\u00e9s do quotidiano. Ligas-te ao mundo, ligando-te aos outros para seres o amor que Deus quer que sejas. E se precisas de uma pausa, tomas um caf\u00e9 com algu\u00e9m que costuma estar sozinho e desligas-te do telem\u00f3vel para o escutar atentamente. Pois, quem sabe o que Deus poder\u00e1 querer dizer-te atrav\u00e9s dessa pessoa. Se est\u00e1s nas redes sociais, ao te cruzares com a foto de algu\u00e9m pensas\u2014<em>\u00abe se lhe telefonasse?\u00bb<\/em>\u2014Os outros reagem ao teu telefonema por sentirem que lhes querem bem. N\u00e3o telefonas para pedir alguma coisa, mas saber como est\u00e3o. O teu amor realiza-os. No final do tarde, relaxas com um passeio pelas fotos-mem\u00f3ria que tiraste com a vida ao longo do dia. Fazes um exame de consci\u00eancia e sentes-te grato. Pensas em Deus. L\u00eas um livro e o sono sereno cai sobre ti.<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m pretende que o mundo se torne novamente medieval, mas tamb\u00e9m ningu\u00e9m pretende que a vida digital, quando se d\u00e1 um apag\u00e3o, nos fa\u00e7a sentir vazios. Depois de uma pessoa preencher tanto a sua vida com tecnologia, essa acaba por ser o canal principal que a \u201cre-liga\u201d \u00e0 realidade, tornando-se a sua (n\u00e3o intencional) religi\u00e3o. Por\u00e9m, \u00e9 uma re-ligiosidade virtual, n\u00e3o real. N\u00e3o sei se estamos suficientemente cientes de estarmos ou n\u00e3o a fazer da tecnologia uma religi\u00e3o. Por vezes falam mais alto aquilo que fazemos do que o modo como pensamos. Fala mais alto o gesto exterior que pode n\u00e3o estar sincronizado com o desejo profundo interior.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso sentir que tudo cai se retirarmos Deus da nossa vida, mas ao menos que possamos sentir a saudade do sentido e significado que Ele d\u00e1 a cada momento, pessoa e lugar. N\u00e3o \u00e9 a explica\u00e7\u00e3o da realidade que retira espa\u00e7o a Deus, mas a ocupa\u00e7\u00e3o do nosso espa\u00e7o de aten\u00e7\u00e3o com o entretenimento infind\u00e1vel que a tecnologia oferece. Numa vida com Deus, o amor \u00e9 a linguagem universal que nos une \u00e0 realidade, aos outros e a todas as coisas. Prestemos aten\u00e7\u00e3o para n\u00e3o sujeitarmos a vida espiritual a um inesperado apag\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Para acompanhar o que escrevo pode subscrever a Newsletter\u00a0<em>Escritos<\/em>\u00a0neste\u00a0<a href=\"https:\/\/miguelpanao.us21.list-manage.com\/subscribe?u=79afec46a9b51d4f2fd96b42b&amp;id=de0124808e\">LINK<\/a>; \u2013 \u201c<a href=\"https:\/\/cordeldeprata.pt\/produto\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo\/\">Tempo 3.0 \u2013 Uma vis\u00e3o revolucion\u00e1ria da experi\u00eancia mais transformativa do mundo<\/a>\u201d (<a href=\"https:\/\/www.bertrand.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Bertrand<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.wook.pt\/livro\/tempo-3-0-uma-visao-revolucionaria-da-experiencia-mais-transformativa-do-mundo-miguel-oliveira-panao\/29562630\">Wook<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fnac.pt\/Tempo-3-0-Uma-Visao-Revolucionaria-da-Experiencia-Mais-Transformativa-do-Mundo-Miguel-Panao\/a11534362\">FNAC<\/a>\u00a0)<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Miguel Oliveira Pan\u00e3o (Professor\u00a0Universit\u00e1rio),\u00a0Blog\u00a0&amp;\u00a0Autor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":166774,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-396391","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396391","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=396391"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/396391\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/166774"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=396391"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=396391"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=396391"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}