{"id":396002,"date":"2025-10-20T13:02:54","date_gmt":"2025-10-20T12:02:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=396002"},"modified":"2025-11-06T10:02:36","modified_gmt":"2025-11-06T10:02:36","slug":"os-apateistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/os-apateistas\/","title":{"rendered":"Os Apate\u00edstas"},"content":{"rendered":"<p><em>Pe. V\u00edtor Pereira,\u00a0Diocese de Vila Real<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_268285\" aria-describedby=\"caption-attachment-268285\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-268285\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/PeVitor-Pereira-vila-real.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-268285\" class=\"wp-caption-text\">Padre Vitor Pereira, Diocese de Vila Real<\/figcaption><\/figure>\n<p>Estamos a viver tempos em que a f\u00e9 e o ate\u00edsmo convivem pacificamente e se toleram sem grande confronta\u00e7\u00e3o. J\u00e1 l\u00e1 v\u00e3o os tempos em que se travaram grandes disputas e combates para se aniquilarem um ao outro. Claro que ainda t\u00eam os seus defensores sempre atentos e empedernidos, que de vez em quando se envolvem em escaramu\u00e7as intelectuais e largam uns dichotes ou umas senten\u00e7as presun\u00e7osas para n\u00e3o deixar morrer as brasas, mas sem o fervilhar e a belicosidade de tempos idos. A Igreja reagiu, sobretudo, ao ate\u00edsmo promovido por ideologias e regimes pol\u00edticos, movimentos culturais e um certo cientismo radical que se instalou na mentalidade cient\u00edfica.<\/p>\n<p>O confronto com o ate\u00edsmo foi \u00fatil e importante para a f\u00e9. Permitiu purificar a f\u00e9 de muitas incongru\u00eancias e incoer\u00eancias, nomeadamente das muitas imagens erradas de falar de Deus e de O apresentar e das defici\u00eancias que existem nas propostas religiosas. O ate\u00edsmo manifestou aos crentes algumas inconsist\u00eancias da sua f\u00e9 e obrigou-os a compreenderem melhor a sua f\u00e9, a estud\u00e1-la e aprofund\u00e1-la, e a repensarem na forma como a prop\u00f5em ao mundo.<\/p>\n<p>Pelo que ainda vamos vendo e lendo, o ate\u00edsmo ainda subsiste na sociedade, nas suas varia\u00e7\u00f5es, na linha do que pensava o sacerdote, te\u00f3logo e fil\u00f3sofo alem\u00e3o, Bernhard Welte: ainda vemos o ate\u00edsmo negativo, que considera sem sentido qualquer busca de Deus ou pergunta por Deus, j\u00e1 que ao ser humano s\u00f3 interessa investigar e inteirar-se do mundo, Deus n\u00e3o interessa nada. Temos o ate\u00edsmo cr\u00edtico, que acredita que o pensamento humano quando chega \u00e0 sua maturidade prescinde de Deus e elimina-o, e mesmo que Deus possa existir, \u00e9 imposs\u00edvel conhec\u00ea-lo e defini-lo com clareza. Portanto, Deus \u00e9 estranho e \u00e9 descart\u00e1vel. Persiste ainda o ate\u00edsmo militante: h\u00e1 que derrubar Deus de uma vez por todas, Deus amarra e castra o ser humano, \u00e9 uma limita\u00e7\u00e3o ao poder, \u00e0 liberdade e \u00e0 ambi\u00e7\u00e3o do ser humano. O homem s\u00f3 deve acreditar em si mesmo e nas suas capacidades e assim colocar-se no lugar de Deus. Ent\u00e3o o mundo ser\u00e1 de verdade livre e maravilhoso. Um ate\u00edsmo que, no fundo, est\u00e1 ao servi\u00e7o da fome de poder e controle do ser humano, e j\u00e1 sabemos que efeitos teve na hist\u00f3ria da humanidade. Por fim, e este talvez seja o merecedor de mais respeito, temos o ate\u00edsmo sofredor: como acreditar em Deus diante do sofrimento, da maldade e da injusti\u00e7a que vemos no mundo? Poder\u00e1 existir um Deus, quando o mundo por Ele pretensamente criado bom est\u00e1 t\u00e3o cheio de sofrimento e injusti\u00e7a? Se o mundo \u00e9 assim, ent\u00e3o Deus n\u00e3o existe. A vida assim e um mundo assim n\u00e3o tem sentido. Assim n\u00e3o d\u00e1 para acreditar em Deus. \u00c9 um ate\u00edsmo para o qual n\u00e3o h\u00e1 resposta f\u00e1cil e razo\u00e1vel, e ningu\u00e9m est\u00e1 livre de ser atravessado por ele nas duras vias-sacras que a vida nos oferece.<\/p>\n<p>Um tipo de ate\u00edsmo que atualmente ocupa o primeiro lugar do p\u00f3dio talvez seja o que alguns chamam o \u201cate\u00edsmo do orgulho\u201d: impulsionado pelos grandes avan\u00e7os e descobertas cient\u00edficas dos \u00faltimos anos, pelo progresso tecnol\u00f3gico que permitiu \u00e0 humanidade adquirir ferramentas poderosas e de grande engenho e produtividade, que abriram um novo mundo de dom\u00ednio e possibilidades, o ser humano atual sente-se quase divino, sente-se tentado a ser como Deus e que pode ser Deus, com capacidade para ser senhor do bem e do mal, determinar o que \u00e9 bom e o que \u00e9 mau, segundo o seu pr\u00f3prio gosto, interesse e vantagem. Domina a sensa\u00e7\u00e3o de que tudo est\u00e1 nas suas m\u00e3os e tudo \u00e9 e ser\u00e1 poss\u00edvel, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso perder mais tempo na busca de um Deus e em viver uma rela\u00e7\u00e3o com Ele, j\u00e1 nada faz falta e o que Deus tem para oferecer j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 preciso. J\u00e1 tudo se pode alcan\u00e7ar para preencher todas as necessidades do ser humano. Deus \u00e9 para esquecer. Ate\u00edsmo que nos leva ao encontro do \u201cpecado original\u201d nos in\u00edcios da hist\u00f3ria da humanidade.<\/p>\n<p>No campo do ate\u00edsmo temos um grande campo de reflex\u00e3o, mas talvez o maior desafio que a Igreja hoje encontra \u00e9 o confronto com os que alguns denominam os apate\u00edstas, cada vez em maior n\u00famero, ou seja, os ap\u00e1ticos, os indiferentes perante Deus, a f\u00e9, a religi\u00e3o e a Igreja, aqueles que n\u00e3o manifestam qualquer interesse por Deus e pela vida religiosa, que afirmam n\u00e3o precisar de Deus para nada \u2013 essa quest\u00e3o nem se coloca \u2013 e que se pode viver perfeitamente sem qualquer liga\u00e7\u00e3o ao transcendente ou a uma confiss\u00e3o religiosa, pessoas completamente alheias \u00e0 f\u00e9 e sem necessidade de contacto com a Igreja. Pessoas que se sentem bem no seu mundo plenamente mundano. O agnosticismo verdadeiro n\u00e3o \u00e9 apate\u00edsmo, mas h\u00e1 muitos ditos agn\u00f3sticos que, na verdade, s\u00e3o apate\u00edstas. Conversar com os indiferentes, que rejeitam liminarmente qualquer di\u00e1logo e aten\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00e9 ou a Deus, que se sentem muito bem na sua indiferen\u00e7a saciada e autossatisfeita, despert\u00e1-los e traz\u00ea-los para o universo da f\u00e9, \u00e9 um berbicacho que a Igreja hoje tem diante de si. Como poderemos provoc\u00e1-los de forma positiva? Como poderemos quebrar esta indiferen\u00e7a?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pe. 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