{"id":39593,"date":"2009-06-23T14:26:18","date_gmt":"2009-06-23T14:26:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/23\/discurso-de-luis-archer-ao-receber-o-grau-de-doutor-honoris-causa\/"},"modified":"2009-06-23T14:26:18","modified_gmt":"2009-06-23T14:26:18","slug":"discurso-de-luis-archer-ao-receber-o-grau-de-doutor-honoris-causa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/discurso-de-luis-archer-ao-receber-o-grau-de-doutor-honoris-causa\/","title":{"rendered":"Discurso de Lu\u00eds Archer ao receber o grau de Doutor honoris causa"},"content":{"rendered":"<p>Magn&iacute;fico Reitor da Universidade Nova de Lisboa, Prof. Doutor Ant&oacute;nio Rendas <\/p>\n<p>Excelent&iacute;ssimo Senhor Presidente do Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa e Presidente da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, Prof. Doutor Eduardo de Arantes e Oliveira<\/p>\n<p>Excelent&iacute;ssimo Senhor Director da Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia, Prof. Doutor Fernando Santana .<\/p>\n<p>Excelent&iacute;ssimo Senhor Decano da Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia e da Universidade Nova de Lisboa, Prof. Doutor Janeiro Borges. <\/p>\n<p>Excelent&iacute;ssima Senhora Presidente do Departamento de Ci&ecirc;ncias da Vida, Prof. Doutora Isabel S&aacute; Nogueira.<\/p>\n<p>Excelent&iacute;ssimas Autoridades&nbsp; <\/p>\n<p>Caros Colegas<\/p>\n<p>Minhas Senhoras e Meus Senhores<\/p>\n<p>Recebi com humilde perplexidade mas tamb&eacute;m com profunda emo&ccedil;&atilde;o a decis&atilde;o da Universidade Nova de Lisboa de me acolher na especial intimidade dos seus claustros, atribuindo-me o grau de Doutor <em>honoris causa.<\/em><\/p>\n<p>Humilde perplexidade porque esta t&atilde;o alta distin&ccedil;&atilde;o &eacute;, da minha parte, sem d&uacute;vida imerecida. Mas profunda emo&ccedil;&atilde;o porque me evoca todo um passado em que esta Universidade me abriu de facto perspectivas novas para o desenvolvimento da gen&eacute;tica molecular no nosso pa&iacute;s.<\/p>\n<p>A Universidade Nova de Lisboa foi institu&iacute;da em 11 de Agosto de 1973. Nessa altura, trabalhava eu com Maurice Fox, como Visiting Assistant Professor no MIT (Massachusetts Institute of Technology). No nosso laborat&oacute;rio t&iacute;nhamos um pequeno r&aacute;dio (debaixo da bancada) que nos dava a m&uacute;sica de fundo daquele tempo: as intermin&aacute;veis Auditorias em que ecoava a eclos&atilde;o social de segredos pol&iacute;ticos. De cima da bancada, tamb&eacute;m a gen&eacute;tica saia do seu secretismo cient&iacute;fico e eclodia em discuss&otilde;es p&uacute;blicas sobre uma explora&ccedil;&atilde;o social.<\/p>\n<p>Quando, nesse Ver&atilde;o de 1973, apresentei em Berkeley uma comunica&ccedil;&atilde;o sobre transforma&ccedil;&atilde;o bacteriana ao XIII Congresso Internacional de Gen&eacute;tica, tive relativamente pouca gente a assistir. As multid&otilde;es iam para sess&otilde;es em que se discutiam acaloradamente os manifestos e abaixo-assinados sobre manipula&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da gen&eacute;tica, eugenismo, racismo, e neo-imperialismo cient&iacute;fico. <\/p>\n<p>&Eacute; que a escuta atrevida dos segredos &iacute;ntimos de cada gene, come&ccedil;ava a abrir a possibilidade de uma revolu&ccedil;&atilde;o no mundo vivo &#8211; a colectiviza&ccedil;&atilde;o do material gen&eacute;tico.<\/p>\n<p>Foi nesse mesmo ano de 73 que se conseguiu o impens&aacute;vel &#8211; tirar genes de uma esp&eacute;cie e transferi-los para outra, em condi&ccedil;&otilde;es tais que esses genes continuam a multiplicar-se e a manter actividade como se estivessem em sua casa!<\/p>\n<p>Estava aberto o caminho para a engenharia gen&eacute;tica. Por exemplo, a insulina humana existia, dantes, em quantidades insuficientes para os processos terap&ecirc;uticos. Hoje obt&ecirc;m-se quantidades ilimitadas de insulina <u>rigorosamente<\/u> igual &agrave; humana a partir de uma bact&eacute;ria que recebeu o gene respectivo. At&eacute; parecem bact&eacute;rias humanizadas!<\/p>\n<p>Igualmente, de acordo com as nossas conveni&ecirc;ncias, genes de plantas poderiam ser enxertados em animais ou no pr&oacute;prio Homem.<\/p>\n<p>Rompiam-se, assim, os muros isolacionistas entre as esp&eacute;cies. DNAs diferentes que nunca se tinham visto, iriam socializar e confraternizar na mesma c&eacute;lula. O imenso patrim&oacute;nio gen&eacute;tico dos actuais 10 milh&otilde;es de esp&eacute;cies poderia ser redistribu&iacute;do e readministrado por n&oacute;s, depois de instaurada uma certa colectiviza&ccedil;&atilde;o g&eacute;nica. Esta foi uma das maiores revolu&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas na hist&oacute;ria da biologia.<\/p>\n<p>Entre n&oacute;s, tamb&eacute;m se deu, na mesma altura, uma revolu&ccedil;&atilde;o e socializa&ccedil;&atilde;o, tanto na pol&iacute;tica como na ci&ecirc;ncia. No Ver&atilde;o de 74, por entre as greves no Instituto Gulbenkian de Ci&ecirc;ncia, e quase passando por cima dos piquetes e das assembleias de saneamento, Frank Young j&aacute; nos conseguiu mostrar, em Oeiras, como a enzima de restri&ccedil;&atilde;o <em>Eco <\/em>RI de facto corta <em>in vitro<\/em> qualquer DNA em pontos de sequ&ecirc;ncia rigorosamente espec&iacute;fica, permitindo recombina&ccedil;&otilde;es novas. Por causa das greves, muitas das aulas te&oacute;ricas tiveram de ser dadas longe, na praia, usando como quadro preto os tampos de lousa das mesas de um caf&eacute; pr&oacute;ximo. Assim anunci&aacute;mos, em cal&ccedil;&atilde;o de banho, a revolu&ccedil;&atilde;o da engenharia gen&eacute;tica, no pr&oacute;prio ver&atilde;o da revolu&ccedil;&atilde;o dos cravos.<\/p>\n<p>O p&uacute;blico correspondeu, e pedia informa&ccedil;&otilde;es. E durante o ano de 1976 fui aprender a s&eacute;rio em Rochester, N. Y., com Frank Young, as t&eacute;cnicas de engenharia gen&eacute;tica. Ao regressar, vi que a agita&ccedil;&atilde;o tinha ressurgido. O planeado Curso de manipula&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica e a prepara&ccedil;&atilde;o das suas infrastruturas tinham sido cancelados. Mas encontrei em Sacav&eacute;m um trabalhador de materiais de acr&iacute;lico que me fez &agrave; pressa os indispens&aacute;veis aparelhos de electroforese em gel de agarose. E apesar do ver&atilde;o quente de 76 que fazia cair os geles (ent&atilde;o verticais) conseguimos realizar, em Oeiras, sob a orienta&ccedil;&atilde;o dos Professores Frank Young e Gary Wilson, o 1.&ordm;&nbsp;&laquo;Workshop on Genetic Manipulation&raquo;. Foi a primeira vez que, em Portugal se isolou uma enzima de restri&ccedil;&atilde;o (a <em>Bam<\/em> HI), se construiu o mapa f&iacute;sico de um plasm&iacute;dio quim&eacute;rico e se fez um Southern Blotting. Ainda guardo a lista e assinaturas dos ilustres participantes deste Workshop. Recordo-os com saudade e admira&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>A partir de ent&atilde;o, as t&eacute;cnicas de engenharia gen&eacute;tica passaram a fazer-nos companhia por toda a parte. Plasm&iacute;deos que tinha trazido de Rochester, N. Y., foram passear comigo, em 1979 e 1982, at&eacute; Yerevan na Arm&eacute;nia sovi&eacute;tica, para pequenos cursos intensivos. E devo dizer que os plasm&iacute;deos americanos conviveram amistosamente com as c&eacute;lulas sovi&eacute;ticas.<\/p>\n<p>Mas o importante era o entusiasmo dos novos perante esta revolu&ccedil;&atilde;o da gen&eacute;tica e as suas fant&aacute;sticas possibilidades. De 1975 a 1978 regi disciplinas meramente de op&ccedil;&atilde;o na Faculdade de Ci&ecirc;ncias de Lisboa. &nbsp;A sala enchia-se e as aulas pr&aacute;ticas eram dadas por assistentes dessa Escola que, entretanto, preparavam as suas teses de doutoramento no meu laborat&oacute;rio no Instituto Gulbenkian de Ci&ecirc;ncia, e hoje s&atilde;o professoras dessas mesmas mat&eacute;rias (a Prof. Doutora Gra&ccedil;a Vieira e a Prof. Doutora Gra&ccedil;a Fialho, aqui presentes nas primeiras filas, e a Prof. Doutora Helena Paveia que infelizmente j&aacute; n&atilde;o est&aacute; no meio de n&oacute;s)-.<\/p>\n<p>Situa&ccedil;&atilde;o semelhante se deu no Instituto de Ci&ecirc;ncias Biom&eacute;dicas de Abel Salazar na Universidade do Porto, a convite do Prof. Corino de Andrade. <\/p>\n<p>Mas o entusiasmo dos novos obrigou-me a reger disciplinas ou blocos de aulas numa variedade de outros locais, como a Faculdade de Medicina de Lisboa (no curso do Prof. David-Ferreira), o Instituto Polit&eacute;cnico de Vila-Real, Universidade de &Eacute;vora (aqui sob pretexto de hist&oacute;ria da biologia), Universidade Cat&oacute;lica e v&aacute;rios outros locais.<\/p>\n<p>O entusiasmo de todos era impressionante.&nbsp; <\/p>\n<p>A &uacute;nica dificuldade era o esquema j&aacute; estabelecido em velhas Universidades, n&atilde;o facultando o acomodamento f&aacute;cil de neo-estruturas curriculares. Quer&iacute;amos um novo arqu&eacute;tipo, agora que a inova&ccedil;&atilde;o e o inesperado surgiam de toda a parte. Quer&iacute;amos&#8230; uma Universidade nova! Aquela que (e agora cito o nosso Gui&atilde;o) &quot;sugere e apela &agrave; constante imagina&ccedil;&atilde;o e inova&ccedil;&atilde;o&quot;. E tivemo-la. De acordo com o Prof. Fra&uacute;sto da Silva (1&ordm; Reitor), o Prof. Nicolau van Uden encarregou-me de planear o grupo de disciplinas de gen&eacute;tica molecular.<\/p>\n<p>Agora sim. Em 5 disciplinas, com mais uma ou outra de op&ccedil;&atilde;o, era perfeitamente conceb&iacute;vel estruturar o desenvolvimento sistem&aacute;tico e gradual da gen&eacute;tica molecular, passando pela informatividade das mol&eacute;culas auto-perpetuantes, auto-perpetua&ccedil;&atilde;o de mol&eacute;culas informativas, transfer&ecirc;ncias g&eacute;nicas, altera&ccedil;&otilde;es mutacionais, sistemas recombinat&oacute;rios, reestrutura&ccedil;&atilde;o artificial de genomas, terapia g&eacute;nica som&aacute;tica ou germinativa, engenharia gen&eacute;tica, e por a&iacute; fora.&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp;Em 1982 regi pela primeira vez a biologia molecular. Herm&iacute;nia de Lencastre tinha-se doutorado no ano anterior (quando a Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia ainda funcionava nos Olivais) e, nos anos seguintes, v&aacute;rios doutoramentos se seguiram, preparados uns no Instituto Gulbenkian de Ci&ecirc;ncia orientados pela Prof. Doutora Herm&iacute;nia de Lencastre ou por mim, e muitos outros na Faculdade de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas, magistralmente orientados pelo Prof. Doutor Jos&eacute; Rueff, nosso valioso amigo desde sempre. <\/p>\n<p>As possibilidades de futuro s&atilde;o cada vez maiores. A desmontagem qu&iacute;mica e molecular da vida &#8211; na sua origem, natureza, reprodu&ccedil;&atilde;o e evolu&ccedil;&atilde;o &#8211; chegou a tal pormenor e exactid&atilde;o que permitiu passar da desmontagem &agrave; remontagem, da ci&ecirc;ncia-an&aacute;lise da vida &agrave; ci&ecirc;ncia-constru&ccedil;&atilde;o de novas formas de vida. <\/p>\n<p>Tornou-se poss&iacute;vel sintetizar genes (humanos ou n&atilde;o) por pura qu&iacute;mica org&acirc;nica total (na aus&ecirc;ncia de seres vivos) e introduzi-los depois num organismo, verificando-se que eles a&iacute; funcionam e se perpetuam. <\/p>\n<p>Deste modo se conseguiram, e j&aacute; est&atilde;o comercializadas, bact&eacute;rias que produzem, em condi&ccedil;&otilde;es altamente econ&oacute;micas, v&aacute;rias hormonas e outros compostos humanos de enorme interesse terap&ecirc;utico e comercial.<\/p>\n<p>Pela an&aacute;lise completa do genoma humano, &eacute; agora poss&iacute;vel caracterizar na sua raiz muitas doen&ccedil;as e eventualmente trat&aacute;-las, predizer algumas enfermidades futuras e introduzir, no pr&oacute;prio homem, genes que o curam de certas enfermidades (terapia g&eacute;nica) ou silenciam genes m&oacute;rbidos. <\/p>\n<p>&Eacute; o in&iacute;cio de uma nova forma de fazer biologia humana. &Eacute; entender o Homem na mem&oacute;ria do seu passado evolutivo, na raiz da sua doen&ccedil;a presente, assim como na previs&atilde;o e inven&ccedil;&atilde;o do seu futuro. <\/p>\n<p>Surge a farmacogen&eacute;tica e a farmacogen&oacute;mica buscando medicamentos personalizados e mais eficazes. Surgem as c&eacute;lulas estaminais (n&atilde;o s&oacute; de embri&otilde;es mas tamb&eacute;m de &oacute;rg&atilde;os do adulto) que, devidamente desenvolvidas, podem originar c&eacute;lulas e tecidos de enorme interesse terap&ecirc;utico por transplanta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;A tecnoci&ecirc;ncia introduz, assim, uma verdadeira revolu&ccedil;&atilde;o na medicina, com enormes benef&iacute;cios para a sa&uacute;de e para a longevidade. <\/p>\n<p>Mas para l&aacute; da terapia, surge a ambi&ccedil;&atilde;o do melhoramento da condi&ccedil;&atilde;o&nbsp; humana.<\/p>\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel, pela tecnoci&ecirc;ncia, sintetizar genes diferentes dos naturais e transformar geneticamente plantas ou animais, que passam a ter novas caracter&iacute;sticas, de acordo com interesses da agricultura e da pecu&aacute;ria.&nbsp; <\/p>\n<p>&nbsp;E na esp&eacute;cie humana, j&aacute; existem protocolos de engenharia gen&eacute;tica de melhoramento para produzir indiv&iacute;duos com maior capacidade de mem&oacute;ria, ou estatura aumentada, ou maior for&ccedil;a muscular (para o caso de atletas), ou super-resist&ecirc;ncia a uma toxina (no caso de trabalhadores que a ela est&atilde;o continuamente expostos), e muitos outros. <\/p>\n<p>Quando esta engenharia gen&eacute;tica de melhoramento se puder realizar, um dia, sem perigos, em c&eacute;lulas da linha germinativa, essas novas caracter&iacute;sticas transmitir-se-&atilde;o &agrave;s gera&ccedil;&otilde;es seguintes.<\/p>\n<p>&nbsp;Abre-se, deste modo, a possibilidade de uma programa&ccedil;&atilde;o deliberada do futuro da nossa esp&eacute;cie. O homem, al&eacute;m de objecto da evolu&ccedil;&atilde;o, passa a ser tamb&eacute;m sujeito. Al&eacute;m de produto, pretende ser agente do seu destino evolutivo.<\/p>\n<p>J&aacute; n&atilde;o se trata de entender a linguagem da vida mas de a falar, de a soletrar no nosso discurso e de assumir a sua magia na nossa criatividade. <\/p>\n<p>O objectivo da ci&ecirc;ncia, que era o conhecimento da verdade, &eacute; substitu&iacute;do pelo objectivo da tecnoci&ecirc;ncia que &eacute; a operacionalidade. As ci&ecirc;ncias da natureza d&atilde;o lugar &agrave;s ci&ecirc;ncias do artificial. E a desmitifica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica d&aacute; lugar &agrave; remitifica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica. <\/p>\n<p>Mas o novo mito &eacute; essencialmente diferente do antigo. N&atilde;o &eacute; simb&oacute;lico, mas t&eacute;cnico. E porque, assim, nos toca e entra na nossa pele, traz-nos a ambival&ecirc;ncia da sedu&ccedil;&atilde;o e do p&acirc;nico. <\/p>\n<p>A tecnoci&ecirc;ncia ocupa hoje um lugar de lideran&ccedil;a e um papel de crescente import&acirc;ncia no progresso das sociedades. Do alto da escarpa que escalou, o tecnocientista espreita sobre a cidade culta dos homens, segurando j&aacute;, nas m&atilde;os, os fios m&aacute;gicos que controlam a alta finan&ccedil;a, a sa&uacute;de, a comunica&ccedil;&atilde;o social, o desenvolvimento industrial, o pensamento e a &eacute;tica. A tecnoci&ecirc;ncia tornou-se operacional e necess&aacute;ria para o progresso das civiliza&ccedil;&otilde;es <\/p>\n<p>As tecnoci&ecirc;ncias biol&oacute;gicas j&aacute; modificaram a imagem que o homem tinha da sua pr&oacute;pria natureza, da sua origem, das suas rela&ccedil;&otilde;es inter-pessoais, inter-raciais e com os outros seres vivos. Elas est&atilde;o a ganhar o controlo da reprodu&ccedil;&atilde;o humana, do comportamento ps&iacute;quico e da doen&ccedil;a. Come&ccedil;am a ensinar o homem a dominar a Terra, de um modo n&atilde;o perigosamente desp&oacute;tico mas sabiamente diplom&aacute;tico.<\/p>\n<p>As tecnoci&ecirc;ncias da vida est&atilde;o a tornar-se respons&aacute;veis por um novo tipo de cultura e de sociedade.<\/p>\n<p>Todas estas e muitas outras possibilidades t&ecirc;m amplo cabimento nas 5 ou 6 disciplinas de gen&eacute;tica molecular existentes no Departamento de Ci&ecirc;ncias da Vida da nossa Faculdade. Este Departamento foi constru&iacute;vel devido &agrave; boa vontade e esp&iacute;rito de colabora&ccedil;&atilde;o de muitos, mas especialmente devido &agrave; brilhante actua&ccedil;&atilde;o de quem, infelizmente, j&aacute; n&atilde;o est&aacute; entre n&oacute;s &#8211; a Prof. Doutora Isabel Spencer Martins, sendo tamb&eacute;m da sua iniciativa a proposta deste Doutoramento <em>honoris causa<\/em>.<\/p>\n<p>Termino agradecendo &agrave; Universidade Nova de Lisboa, na pessoa do seu magn&iacute;fico Reitor, Prof. Doutor Ant&oacute;nio Rendas, a alta distin&ccedil;&atilde;o que me conferiu. <\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o igualmente ao Conselho Geral da nossa Universidade, na pessoa do seu Presidente, Prof. Doutor Eduardo de Arantes e Oliveira, que sendo tamb&eacute;m Presidente da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, teve a gentileza de modificar o programa da Academia em benef&iacute;cio deste doutoramento <em>honoris causa<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;&nbsp;&Agrave; Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia, agrade&ccedil;o na pessoa do seu ilustre Director, Prof. Doutor Fernando Santana, que tanto me honrou e ajudou ao ser padrinho deste meu doutoramento, assim como ao Conselho Cient&iacute;fico da Faculdade presidido pelo Prof. Doutor Jo&atilde;o Paulo Goul&atilde;o Crespo.<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o as palavras t&atilde;o generosas e elegantes e com que me caracterizou o Prof. Doutor Ant&oacute;nio Janeiro Borges, decano da Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia e da Universidade Nova de Lisboa. &nbsp;<\/p>\n<p>Agrade&ccedil;o ao Departamento de Ci&ecirc;ncias da Vida, na pessoa da sua Presidente Prof. Doutora Isabel S&aacute; Nogueira, ter submetido a proposta deste doutoramento <em>honoris causa<\/em>.<\/p>\n<p>Muito especialmente agrade&ccedil;o ao Coro da Universidade e a todas as estruturas da Reitoria que organizaram esta sess&atilde;o, a incans&aacute;vel simpatia com que deram todo o encanto a esta tarde.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n<p>Muitas outras individualidades deviam tamb&eacute;m receber o meu reconhecimento, algumas aqui presentes, outras t&atilde;o distantes como os longos anos da minha vida. Todas foram, em noites escuras doutros tempos, estrelas poderosas que me foram transmitindo, uma a uma, o brilho forte da esperan&ccedil;a.<\/p>\n<p>E termino, Magn&iacute;fico Reitor, como comecei &#8211; com humilde perplexidade e com profunda emo&ccedil;&atilde;o. Humilde perplexidade de mim pr&oacute;prio e dos meus limites. Profunda emo&ccedil;&atilde;o pelo esplendor deste Templo de Sabedoria em que se tornou a Universidade Nova de Lisboa, a que reconhecidamente agrade&ccedil;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>MUITO OBRIGADO!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magn&iacute;fico Reitor da Universidade Nova de Lisboa, Prof. Doutor Ant&oacute;nio Rendas Excelent&iacute;ssimo Senhor Presidente do Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa e Presidente da Academia das Ci&ecirc;ncias de Lisboa, Prof. Doutor Eduardo de Arantes e Oliveira Excelent&iacute;ssimo Senhor Director da Faculdade de Ci&ecirc;ncias e Tecnologia, Prof. Doutor Fernando Santana . 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