{"id":39566,"date":"2009-06-22T12:33:39","date_gmt":"2009-06-22T12:33:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/22\/bairro-da-bela-vista-no-le-monde-diplomatic\/"},"modified":"2009-06-22T12:33:39","modified_gmt":"2009-06-22T12:33:39","slug":"bairro-da-bela-vista-no-le-monde-diplomatic","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/bairro-da-bela-vista-no-le-monde-diplomatic\/","title":{"rendered":"Bairro da Bela Vista no \u00abLe Monde Diplomatic\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Em artigo de opini\u00e3o, p\u00e1roco do Bairro, Pe. Constantino Alves, fala das causas que levaram aos picos de viol\u00eancia e do futuro das popula\u00e7\u00f5es <!--more--> &nbsp;Pela primeira vez em Portugal um bairro foi not&iacute;cia durante v&aacute;rios dias pelos piores motivos: carros incendiados, contentores de lixo, esquadra da pol&iacute;cia baleada e apedrejada, &quot;estado de s&iacute;tio&quot; local. <\/p>\n<p>A morte dum jovem deste bairro ocorrida no Algarve, baleado pela GNR, ap&oacute;s persegui&ccedil;&atilde;o decorrente duma tentativa de assalto a uma caixa de multibanco, foi o rastilho que incendiou os &acirc;nimos e petardos.<\/p>\n<p>O governo ficou perturbado e enviou refor&ccedil;os policiais para impor a autoridade. <\/p>\n<p>As explica&ccedil;&otilde;es para os primeiros acontecimentos pecaram pela superficialidade: Meia d&uacute;zia de jovens desordeiros e violentos, por isso, um problema de pol&iacute;cia.<\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o sentiu uma vez mais os holofotes da comunica&ccedil;&atilde;o social transmitindo do local not&iacute;cias e reportagens que desnudavam a sua intimidade. Exposta pelas piores raz&otilde;es sentiu a sua vida a andar para tr&aacute;s.<\/p>\n<p>V&aacute;rios jovens presos, apontados como autores e l&iacute;deres, trouxeram uma acalmia.<\/p>\n<p>At&eacute; quando? Perguntamos.<\/p>\n<p>Uma leitura simplista dir&aacute; que sim e que criar&aacute; a falsa ideia de que o aumento da ac&ccedil;&atilde;o policial resolver&aacute; o problema. Isso &eacute; uma an&aacute;lise de quem n&atilde;o palmilha o terreno deste bairro e n&atilde;o conhece as suas gentes. <\/p>\n<p>Se &eacute; verdade que a maioria da popula&ccedil;&atilde;o, numa riqueza intercultural impressionante, &eacute; pac&iacute;fica e trabalhadora, n&atilde;o deixa de ser verdade que h&aacute; aspira&ccedil;&otilde;es e direitos abafados, tens&otilde;es contidas que explodem e conduzem a atitudes aventureiras e de desespero quando menos se possa esperar!<\/p>\n<p>Considero que estes picos de viol&ecirc;ncia (em dois meses e meio, tr&ecirc;s jovens morreram violentamente), s&atilde;o &quot;excrec&ecirc;ncias&quot; de cancros e tumores sociais em evolu&ccedil;&atilde;o permanente e que al&eacute;m do tratamento &eacute; necess&aacute;rio remover suas causas. Existe um &quot;sufoco&quot; que recai sobre um parte significativa desta popula&ccedil;&atilde;o e particularmente dos jovens.<\/p>\n<p>Fam&iacute;lias numerosas quase enjauladas, e sobrepostas, em reduzidas habita&ccedil;&otilde;es, que j&aacute; perderam a esperan&ccedil;a duma casa, pois h&aacute; dezenas de anos que n&atilde;o se constr&oacute;i habita&ccedil;&atilde;o social em Set&uacute;bal, que educa&ccedil;&atilde;o podem dar a seus filhos?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A minha experi&ecirc;ncia Bairro da Bela Vista<\/strong><\/p>\n<p>Faz nove anos que na minha fun&ccedil;&atilde;o de padre percorro o Bairro da Bela Vista.<\/p>\n<p>Posso dizer que subo e des&ccedil;o constantemente as suas escadarias escuras, entro nas casas das pessoas, falo com grupos de jovens de dia e de noite.<\/p>\n<p>&nbsp;Conhe&ccedil;o os recantos mais problem&aacute;ticos, calco o lixo nas escadas e sinto o odor de dejectos e esgotos a c&eacute;u aberto.<\/p>\n<p>Desde o inicio me habituei a ir ao encontro de quem n&atilde;o conhecia, particularmente dos jovens, tomando a iniciativa em cumpriment&aacute;-los e apresentar-me. Por vezes, quando passo junto a um grupo pergunto se algu&eacute;m me conhece e h&aacute; sempre um jovem que diz: <em>&quot;Conhe&ccedil;o<\/em>&quot;. Pe&ccedil;o-lhe que me apresente aos seus colegas enquanto estendo a m&atilde;o a um e outro e ele diz: &quot;<em>&Eacute; o padre!&quot;.<\/em> A partir da&iacute; estou aceite. Cumprimento-os de acordo com os seus c&oacute;digo. Isso me familiariza.<\/p>\n<p>Entrei em casas verdadeiros tug&uacute;rios, onde a pobreza extrema era patente. Casas com os colch&otilde;es no ch&atilde;o, j&aacute; velhos e rotos, salas sem uma mesa nem cadeiras, janelas sempre fechadas por que estavam podres, doentes acamados h&aacute; v&aacute;rios anos dormindo em enxergas, sem frigor&iacute;fico nem fog&atilde;o (a comida era feita sobre um grelhador de peixe). E apesar disso tudo, nem as Assistentes sociais, que j&aacute; conheciam o caso, faziam mais do que atribu&iacute;rem o subs&iacute;dio de reinser&ccedil;&atilde;o social. Foi preciso mobilizar os nossos recursos para oferecer mesa, cadeiras, frigor&iacute;fico, televis&atilde;o, fog&atilde;o, cobertores e len&ccedil;&oacute;is aquelas duas mulheres desgra&ccedil;adas, uma com uma paralisia infantil e a m&atilde;e com uma forte anemia. <\/p>\n<p>Vi quatro fam&iacute;lias a viverem numa &uacute;nica casa, vinte e duas pessoas ao todo, num ambiente escuro e doentio<\/p>\n<p>Vi casas negras pela humidade, janelas podres e sem vidros tapadas a papel&atilde;o h&aacute; v&aacute;rios anos.<\/p>\n<p>Vi o abandono duma fam&iacute;lia a quem a casa ardeu com tudo o que l&aacute; havia dentro e que esperou sete meses para que a C&acirc;mara viesse colocar janelas e portas apesar de promessas sucessivas de que na pr&oacute;xima semana l&aacute; iam&#8230;<\/p>\n<p>Vi casas onde a &aacute;gua escorria do tecto descendo pelos fios das l&acirc;mpadas. Vi casas sem &aacute;gua h&aacute; v&aacute;rios meses. <\/p>\n<p>Vi casas com as janelas e portas fechadas com tijolo para ningu&eacute;m as ocupar e a popula&ccedil;&atilde;o sem saber porqu&ecirc;.<\/p>\n<p>Vi postes derrubados com os fios el&eacute;ctricos pelo ch&atilde;o semanas e semanas.<\/p>\n<p>Vi montureiras e lixo de v&aacute;rios anos nos v&atilde;os das escada, e os servi&ccedil;os de limpeza a passarem ao lado,<\/p>\n<p>Ouvi o queixume dos pobres j&aacute; desesperados de quem tanto espera<\/p>\n<p>Ouvi a raiva incontida de fam&iacute;lias que acusam as autoridades de n&atilde;o lhes prestarem aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vi grupos de adolescentes dias e dias em pequenos grupos desocupados e presa f&aacute;cil de outros mais aventureiros.<\/p>\n<p>Vi a droga a ser vendida &agrave;s claras nos locais sobejamente por todos conhecidos e a preocupa&ccedil;&atilde;o de fam&iacute;lias por n&atilde;o verem ac&ccedil;&otilde;es dissuasoras ou repressivas. <\/p>\n<p>Vi a inseguran&ccedil;a estampada no rosto de muitos que &aacute; noite n&atilde;o saem das suas casas para participarem em reuni&otilde;es ou conviverem<\/p>\n<p>Vi as frases agressivas e ofensivas &agrave; pol&iacute;cia escritas nas paredes meses e meses a fazerem a sua ac&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica sem ningu&eacute;m perceber que isso ia minando as rela&ccedil;&otilde;es com as for&ccedil;as da autoridade<\/p>\n<p><strong>Uma massa enorme de casario<\/strong><\/p>\n<p>S&atilde;o 1259 fogos, cerca de 6500 pessoas, que formam as tr&ecirc;s unidades urbanas pertencentes &aacute; C&acirc;mara Municipal e divididas por cores: &quot;Os Azuis&quot;, &quot;Os Rosa&quot; e os &quot;Amarelos&quot;.<\/p>\n<p>Constru&iacute;dos h&aacute; cerca de trinta anos para serem habitados pelos oper&aacute;rios provenientes das v&aacute;rias regi&otilde;es do pa&iacute;s para as diversas empresas de Set&uacute;bal: Setenave e v&aacute;rias f&aacute;bricas do sector autom&oacute;vel e qu&iacute;mico. Todavia logo ap&oacute;s o 25 de Abril e dando eco &aacute;s leg&iacute;timas aspira&ccedil;&otilde;es dos &quot;sem habita&ccedil;&atilde;o&quot; que moravam em barracas e no &quot;quartel de S.Francisco&quot;, retornados de &Aacute;frica, al&eacute;m da comunidade cigana estes bairros foram-lhes destinados. Sem um necess&aacute;rio enquadramento e acompanhamento t&eacute;cnico-social a&iacute; foram instaladas estas centenas de fam&iacute;lias.<\/p>\n<p>Por ironia do destino, este bairro da Bela Vista constru&iacute;do nas margens da cidade situa-se hoje quase no centro da cidade, atendendo &agrave; constru&ccedil;&atilde;o das unidades educativas do Instituto Polit&eacute;cnico e da anunciada &quot;Nova Set&uacute;bal&quot; no Vale da Rosa!<\/p>\n<p>H&aacute; questionamentos sobre o tipo de arquitectura: <\/p>\n<p>Segundo os autores deste projecto, muito peculiar, com varandas compridas, p&aacute;tios interiores, isso favoreceria a conviv&ecirc;ncia entre as fam&iacute;lias. <\/p>\n<p>Outros, pelo contr&aacute;rio, olhando para os resultados, discordam totalmente.<\/p>\n<p><strong>Os n&uacute;meros da pobreza<\/strong><\/p>\n<p>O &iacute;ndice de desemprego cifra-se &agrave; volta dos 29 por cento e os n&iacute;veis de pobreza pelos 50 por cento.<\/p>\n<p>Muitas s&atilde;o as fam&iacute;lias que se dirigem &agrave; Par&oacute;quia a solicitarem apoio alimentar, pagamento de medicamentos, roupas, &aacute;gua, luz&#8230; Outras para desabafarem suas m&aacute;goas e problemas. Outras a suplicarem que intervenha na C&acirc;mara pois precisam duma habita&ccedil;&atilde;o. Outros a pedirem o meu apoio para uma ac&ccedil;&atilde;o de protesto e reivindica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>H&aacute; muitas fam&iacute;lias desestruturadas afectivamente e muitas pessoas idosas a viverem em grandes dificuldades.<\/p>\n<p>Grande parte das profiss&otilde;es &eacute; de baixa qualifica&ccedil;&atilde;o, constru&ccedil;&atilde;o civil e limpezas.<\/p>\n<p>O trabalho prec&aacute;rio fragiliza a vida das fam&iacute;lias e impede os jovens constru&iacute;rem com solidez o se projecto de vida. S&atilde;o, por isso, muitos os jovens os que permanecem em casa dos pais at&eacute; muito tarde impossibilitados de terem casa pr&oacute;pria e por isso mantendo rela&ccedil;&otilde;es afectivas ocasionais ou semi-est&aacute;veis, ora na casa dos pais do rapaz, ora na da rapariga.<\/p>\n<p>A percentagem de alunos que ingressam no ensino superior &eacute; muito reduzida e as taxas de abandono precoce da escola muito elevada.<\/p>\n<p>A emigra&ccedil;&atilde;o, principalmente para Espanha, em trabalho sazonal, Inglaterra, Su&iacute;&ccedil;a e Fran&ccedil;a tem sido uma porta de escape para muitos deles.<\/p>\n<p><strong>Estigmas da Bela Vista<\/strong><\/p>\n<p>&quot;<em>&Eacute; da Bela Vista<\/em>!&quot;, l&aacute; s&atilde;o s&oacute; <em>&quot;pretos e ciganos<\/em>&quot;, &quot;<em>aquilo &eacute; s&oacute; viol&ecirc;ncia<\/em>&quot;. S&atilde;o preconceitos destes que criam uma ideia distorcida e redutora da vida nestes bairros.<\/p>\n<p>O bairro que n&atilde;o beneficiou de qualquer pintura desde a sua constru&ccedil;&atilde;o tem uma cor feia e descolorida.:pichagens, graffitis de mau gosto, portas sem fechadura, gradeamentos partidos, jardins ao abandono, electricidade l&uacute;gubre ou inexistente nos p&aacute;tios interiores e nas escadarias das habita&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>De fora ningu&eacute;m passa pelo bairro com interesse a n&atilde;o ser para visitar algum familiar ou amigo. Nada h&aacute; de atractivo: zonas de lazer e conviv&ecirc;ncia, iniciativas culturais, com&eacute;rcio atraente ou oficinas que dessem resposta a necessidades da vida local. Nem mesmo o lindo Parque Verde da Bela Vista consegue disfar&ccedil;ar esta grande aus&ecirc;ncia de p&oacute;los atractivos.<\/p>\n<p>Taxistas recusam-se a ir ao centro do Bairro durante a noite. Jovens escondem a sua morada, dando a de familiares noutras zonas da cidade, quando respondem a ofertas de emprego.<\/p>\n<p>Nos &quot;Azuis, por exemplo, n&atilde;o h&aacute; um &uacute;nico parque recreativo para as crian&ccedil;as, apenas um caf&eacute; frequentado quase s&oacute; por uma etnia.<\/p>\n<p>Entre os moradores, por vezes com dificuldade de entrela&ccedil;amento intercultural tenta-se n&atilde;o criar problemas e conflitos, numa coexist&ecirc;ncia for&ccedil;ada. <\/p>\n<p>O forte &iacute;ndice de analfabetismo e o abandono precoce da escola, deixam a faixa et&aacute;ria entre os 13 e 16 anos desprotegidos, abandonados a si e &agrave; rua, vulner&aacute;veis a aliciamentos apara a marginalidade.<\/p>\n<p>Uma sociedade de consumo que acena com ilus&otilde;es e padr&otilde;es sociais propostos a que muitos destes adolescentes e jovens n&atilde;o podem aceder criam a tenta&ccedil;&atilde;o do risco e do arranjar dinheiro como puderem alguns enveredam pelo consumo ou tr&aacute;fico de droga e roubos.<\/p>\n<p>&nbsp;Sem vislumbrarem perspectivas de vida, surge-lhes um futuro e horizontes sombrios que n&atilde;o os estimulam a ser protagonistas do seu futuro. Os baixos sal&aacute;rios e o trabalho prec&aacute;rio desmotivam-nos.<\/p>\n<p>Confrontados com a inc&uacute;ria ou desleixo, muitas vezes, pelas v&aacute;rias institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas que sentimentos podem fazer germinar dentro dos adolescentes e jovens?<\/p>\n<p><strong>Sinais portadores de esperan&ccedil;a<\/strong><\/p>\n<p>O elevado n&uacute;mero de crian&ccedil;as, adolescentes e jovens que frequentam a escola s&atilde;o um sinal de esperan&ccedil;as para os tempos futuros. Quase como flores lindas no meio do p&acirc;ntano muitos jovens delineiam projectos de vida e esfor&ccedil;am-se acumulando estudo e trabalho. <\/p>\n<p>Muitos s&atilde;o os vizinhos que se entreajudam com alimentos e presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de vizinhan&ccedil;a.<\/p>\n<p>Muitas s&atilde;o as horas passadas junto de doentes ou de fam&iacute;lias a viverem situa&ccedil;&otilde;es de luto. &Eacute; de notar, por exemplo, na comunidade de origem africana que todos as noites na primeira semana de luto, vizinhos est&atilde;o junto da fam&iacute;lia, ora conversando, ora rezando com ela.<\/p>\n<p>H&aacute; um sentimento nos jovens muito marcado pela amizade e solidariedade. Embora discordando de comportamentos que condenam, roubos, viol&ecirc;ncia, droga, eles s&atilde;o &quot;seus amigos&quot;. Isso viu-se nos &uacute;ltimos acontecimentos da bela Vista.<\/p>\n<p>&Eacute; uma popula&ccedil;&atilde;o que responde facilmente a desafios para ac&ccedil;&otilde;es de luta em prol, do bairro, portadora de dinamismos transformadores.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s o atropelamento mortal dum homem quando a travessa uma das avenidas beneficiada h&aacute; v&aacute;rios meses com um tapete de alcatr&atilde;o, mas onde n&atilde;o foi colocado qualquer sinal de tr&acirc;nsito e passadeiras a popula&ccedil;&atilde;o organizou-se a apresentou um baixo assinado de protesto e reclama&ccedil;&atilde;o de medidas urgentes. Feita a promessa para sua efectiva&ccedil;&atilde;o num curto prazo de poucas semanas foi preciso esperar meio ano.<\/p>\n<p>Como solidariedade para com uma fam&iacute;lia com ordem de despejo, formada por uma m&atilde;e desempregada e duas filhas deficientes os vizinhos organizaram-se e fizeram outro baixo assinado dirigido &agrave; C&acirc;mara.<\/p>\n<p><strong>O desafio &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es<\/strong><\/p>\n<p>V&aacute;rias s&atilde;o as institui&ccedil;&otilde;es com ac&ccedil;&atilde;o ou influ&ecirc;ncia no bairro, destacando-se, a Escola, a Caritas, a C&acirc;mara, a ACM, a PSP, a Par&oacute;quia, a Associa&ccedil;&atilde;o Cabo-verdiana, o Club desportivo &quot;os &quot;Amarelos&quot;, entre outras. Cada uma desenvolvendo a sua actividade pr&oacute;pria, encontram dificuldades para acertarem estrat&eacute;gias comuns e formas concertadas de ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Sectores como a Juventude, a exclus&atilde;o social, o meio ambiente, a seguran&ccedil;a no bairro, a educa&ccedil;&atilde;o, a cultura. A terceira idade, a diversidade &eacute;tnica e cultural bem necessitam disso.<\/p>\n<p><strong>Que futuro para a Bela Vista?<\/strong><\/p>\n<p>A Bela Vista &eacute; um problema, mas tamb&eacute;m um desafio e uma oportunidade de se desenvolver uma ac&ccedil;&atilde;o transformadora<\/p>\n<p>Aos moradores, uns j&aacute; desencantados outros em vias disso urge apresentar sinais r&aacute;pidos e vis&iacute;veis.<\/p>\n<p>J&aacute; h&aacute; estudos e diagn&oacute;sticos que cheguem. &Agrave;s vezes at&eacute; parece que alguns, uns atr&aacute;s dos outros, servem para t&eacute;cnicos ganharem dinheiro e para pol&iacute;ticos apresentarem conclus&otilde;es. <\/p>\n<p><strong>Solu&ccedil;&otilde;es radicais? Um processo de transforma&ccedil;&atilde;o?<\/strong><\/p>\n<p>Demolir o bairro da Bela Vista &agrave; semelhan&ccedil;a do que foi feito noutros pa&iacute;ses e transferir a popula&ccedil;&atilde;o para novos bairros constru&iacute;dos com dinheiro da venda dos terrenos? Requalific&aacute;-lo com interven&ccedil;&otilde;es tamb&eacute;m no interior das habita&ccedil;&otilde;es? Demolir partes do Bairro apenas?<\/p>\n<p>Problemas muito dif&iacute;ceis, atendendo &aacute;s dimens&otilde;es do bairro e ao facto de v&aacute;rias das habita&ccedil;&otilde;es pertencerem j&aacute; aos respectivos moradores.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; solu&ccedil;&otilde;es f&aacute;ceis. A responsabilidade &eacute; de todos, embora em graus diferentes, institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e cidad&atilde;os, pois est&atilde;o em patamares e responsabilidades diferentes. Mas nenhum por si mesmo, sem um projecto aglutinador poder&aacute; ensaiar respostas que erradiquem as causas profundas da exclus&atilde;o social e da viol&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>E assim, h&aacute; que saber quais e como articular medidas e ac&ccedil;&otilde;es de curto, m&eacute;dio e longo prazo.<\/p>\n<p>Sem o envolvimento da popula&ccedil;&atilde;o nada de est&aacute;vel e promissor ser&aacute; feito. E isso implica um plano de proximidade dos poderes respons&aacute;veis, um ouvir os problemas e solu&ccedil;&otilde;es propostas pelos moradores. Com eles iniciar-se ou ampliar-se uma cor responsabilidade organizada, comiss&otilde;es de moradores, de cond&oacute;minos e dum conselho geral do bairro.<\/p>\n<p>Mas tamb&eacute;m e torna claro: poderes p&uacute;blicos, autarquia (propriet&aacute;ria do bairro) e governo t&ecirc;m de fazer mais e melhor. Suspenso o Proqual (Plano de requalifica&ccedil;&atilde;o das zonas sub urbanas) o bairro foi votado ao esquecimento pelo governo.<\/p>\n<p>&nbsp;A autarquia incapaz de proceder a uma requalifica&ccedil;&atilde;o de fundo reclama do governo a sua imediata interven&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;S&oacute; o esfor&ccedil;o conjugado dos v&aacute;rios poderes p&uacute;blicos, institui&ccedil;&otilde;es que trabalham no bairro e popula&ccedil;&atilde;o poder&aacute; aurir uma esperan&ccedil;a duradoura. <\/p>\n<p><strong>Come&ccedil;ar j&aacute;!<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio dar uma cara nova ao bairro, pint&aacute;-lo e proceder a pequenas e f&aacute;ceis repara&ccedil;&otilde;es, cuidar dos espa&ccedil;os verdes nos p&aacute;tios interiores; seriam passos que trariam o sinal de que algo vai mudar! A m&atilde;o-de-obra procedente do bairro seria priorit&aacute;ria na constitui&ccedil;&atilde;o de equipas de trabalho.<\/p>\n<p>Teremos de esperar por novos focos de viol&ecirc;ncia para que se acorde de vez? &Eacute; que os tumores e os cancros sociais podem rebentar de forma fatal.<\/p>\n<p>O bairro est&aacute; doente. Os cuidados paliativos s&atilde;o inadequados. &Eacute; preciso ter a corarem e de ir &agrave;s suas causas e remov&ecirc;-las.<\/p>\n<p>&nbsp;Quanto ao povo, um j&aacute; desencantado outro habituado, vai contendo o seu sufoco e perde a oportunidade &uacute;nica de viver com alegria o resto dos dias da sua vida.<\/p>\n<p><em>Constantino Alves (P&aacute;roco da par&oacute;quia de N&ordf; Sr.&ordf; da Concei&ccedil;&atilde;o)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em artigo de opini\u00e3o, p\u00e1roco do Bairro, Pe. 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