{"id":39558,"date":"2009-06-20T17:20:52","date_gmt":"2009-06-20T17:20:52","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/20\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-francisco-marto-crescer-para-o-dom\/"},"modified":"2009-06-20T17:20:52","modified_gmt":"2009-06-20T17:20:52","slug":"conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-francisco-marto-crescer-para-o-dom","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/conferencia-de-d-jose-policarpo-no-congresso-francisco-marto-crescer-para-o-dom\/","title":{"rendered":"Confer\u00eancia de D. Jos\u00e9 Policarpo no Congresso \u00abFrancisco Marto: crescer para o dom\u00bb"},"content":{"rendered":"<p>Desafios da crian\u00e7a \u00e0 Igreja e \u00e0 Sociedade <!--more--> <\/p>\n<p align=\"left\"><strong>Introdu&ccedil;&atilde;o<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 1. Um dos sinais da harmonia e da maturidade de uma comunidade humana, trate-se da fam&iacute;lia, da Igreja ou da sociedade, exprime-se no lugar que d&aacute; &agrave;s crian&ccedil;as como seus membros de pleno direito, reconhecendo o contributo que d&atilde;o &agrave; comunidade, t&atilde;o ou mais importante e decisivo como o de todos os outros seus membros. N&atilde;o se trata apenas de respeitar as crian&ccedil;as que ainda o s&atilde;o pela idade e fase de desenvolvimento; trata-se de um desafio a que todos os membros da comunidade, em qualquer idade e em todas as idades, n&atilde;o apaguem no seu cora&ccedil;&atilde;o a crian&ccedil;a que j&aacute; foram e que permanece como modelo inspirador do que desejariam ser, no melhor dos seus ideais. Ao falar dos desafios colocados pelas crian&ccedil;as &agrave; Igreja e &agrave; sociedade, n&atilde;o me referirei apenas &agrave;s crian&ccedil;as definidas como grupo et&aacute;rio, mas &agrave; crian&ccedil;a que continua a existir em cada um de n&oacute;s e que &eacute; anseio de simplicidade de vida e de amor experimentado como ternura, desejo de mitigar a racionalidade da nossa vida com a mensagem abrangente dos s&iacute;mbolos e convite da vida a descobrir e a construir em cada dia mais, atra&iacute;dos pela sua plenitude. A minha chave de leitura &eacute; mais b&iacute;blica e teol&oacute;gica do que filos&oacute;fica. Espero que seja tamb&eacute;m po&eacute;tica, homenagem prestada a figuras modelo que me ajudaram, em todas as fases da minha busca da maturidade, a guardar a crian&ccedil;a que h&aacute; em mim e que, desejo profundamente, seja o &uacute;ltimo rosto da minha vida neste mundo. N&atilde;o gostaria de acabar &quot;infantil&quot;; mas desejaria muito morrer com um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Da protologia &agrave; escatologia<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 2. O primeiro desafio que a crian&ccedil;a apresenta a todos n&oacute;s &eacute; o de compreender a vida como um processo a acontecer, sempre a construir, fruto da luta da liberdade, inserido na comunidade, seja ela a fam&iacute;lia nuclear, a fam&iacute;lia crist&atilde; ou a fam&iacute;lia humana. &Eacute; um erro de perspectiva considerar a inf&acirc;ncia como uma etapa de crescimento e descoberta da vida e a crian&ccedil;a um ser em constru&ccedil;&atilde;o, em oposi&ccedil;&atilde;o ao adulto, o ser acabado. O homem &eacute; sempre, neste mundo, um ser em constru&ccedil;&atilde;o. A vida humana, desde o seu in&iacute;cio at&eacute; &agrave; sua plenitude, est&aacute; em cont&iacute;nua constru&ccedil;&atilde;o. &Eacute; a longa caminhada da vida.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O ritmo da cria&ccedil;&atilde;o e o da forma&ccedil;&atilde;o do universo recapitulam-se em cada homem. Para um e outro, h&aacute; um princ&iacute;pio e um fim a atingir, ambos envoltos no mist&eacute;rio, de que a ci&ecirc;ncia apenas se aproxima e em que s&oacute; a Revela&ccedil;&atilde;o e a F&eacute; nos conduzem a uma certa inteligibilidade. E a Revela&ccedil;&atilde;o apenas nos diz que ao princ&iacute;pio e ao fim preside o Verbo, a Palavra eterna e criadora de Deus. Entre a crian&ccedil;a e o adulto n&atilde;o h&aacute; diferen&ccedil;as fundamentais, s&atilde;o apenas momentos e etapas dessa longa descoberta da vida. Quem n&atilde;o aceitar que o princ&iacute;pio e o fim est&atilde;o envoltos no mist&eacute;rio, procurar&aacute; a sua concretiza&ccedil;&atilde;o em momentos control&aacute;veis pela raz&atilde;o: o in&iacute;cio identifica-se na constitui&ccedil;&atilde;o do sistema nervoso central, outros dizem, na capacidade relacional do ser humano. O fim &eacute;, por sua vez, identificado na morte f&iacute;sica, embora a discuss&atilde;o sobre a sua defini&ccedil;&atilde;o continue em aberto. &Eacute; uma maneira de excluir o desconhecido, de negar o mist&eacute;rio.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na cria&ccedil;&atilde;o como na vida humana o princ&iacute;pio encerra a not&iacute;cia do fim. A plenitude final, a descobrir e a construir durante o per&iacute;odo temporal da vida terrena, est&aacute; toda anunciada e potencialmente contida na for&ccedil;a do in&iacute;cio. A filosofia tomista definiu esse processo como a passagem da pot&ecirc;ncia ao acto. Essa pot&ecirc;ncia &eacute; a for&ccedil;a do Verbo criador; o acto, plenitude realizada, ser&aacute; o homem escatol&oacute;gico, obra de Cristo ressuscitado. O mist&eacute;rio do princ&iacute;pio e do fim s&oacute; se esclarecem na for&ccedil;a criadora do Verbo eterno de Deus, manifestado na pessoa de Jesus Cristo. &Eacute; nesse sentido que a Gaudium et Spes afirma que o mist&eacute;rio do homem s&oacute; se esclarece no mist&eacute;rio do Verbo encarnado (G.S. n. 22).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Hoje, a pr&oacute;pria ci&ecirc;ncia est&aacute; aberta &agrave; afirma&ccedil;&atilde;o de que os primeiros meses de vida do ser humano s&atilde;o constitutivos de toda a sua potencialidade, e encerram as caracter&iacute;sticas da sua personalidade.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 3. O princ&iacute;pio e o fim n&atilde;o se anulam mutuamente, n&atilde;o s&atilde;o apenas sucessivos mas interpenetram-se no tempo. Na sua busca da vida, o adulto anseia ser a crian&ccedil;a que j&aacute; foi e a plenitude da vida &eacute; facilmente idealizada como a realiza&ccedil;&atilde;o definitiva da verdade e da simplicidade da crian&ccedil;a. Santa Teresa de Lisieux, nos seus escritos autobiogr&aacute;ficos, referindo-se ao per&iacute;odo da sua vida entre os quatro anos e a sua voca&ccedil;&atilde;o de carmelita, escreve: &quot;este per&iacute;odo estende-se desde a idade de quatro anos e meio at&eacute; aos meus catorze anos, &eacute;poca em que reencontrei o meu car&aacute;cter de crian&ccedil;a, ao mesmo tempo que entrava no s&eacute;rio da vida&quot; (1). Toda a sua exist&ecirc;ncia neste mundo foi um redescobrir, em cada etapa, e com a exig&ecirc;ncia do realismo da vida, o ideal e o dinamismo da crian&ccedil;a que foi, e que deseja continuar a ser at&eacute; ao fim. Por isso, afirmei que n&atilde;o se trata, apenas, de respeitar as crian&ccedil;as, mas de descobrir, em cada momento da nossa caminhada na vida, a crian&ccedil;a que est&aacute; em n&oacute;s.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Contemplemos o mist&eacute;rio deste in&iacute;cio, onde se exprime toda a for&ccedil;a criadora da Palavra eterna, em ritmo de encarna&ccedil;&atilde;o, pois toda a fecundidade de Deus se realiza na simplicidade de duas c&eacute;lulas que se encontram, dando origem a um novo ser. A vida come&ccedil;a a acontecer, porque come&ccedil;a a crescer, no corpo e no esp&iacute;rito: o di&aacute;logo silencioso com a m&atilde;e at&eacute; ao primeiro contacto com a luz do dia, a primeira experi&ecirc;ncia de ser envolvida em ternura, o primeiro olhar e o primeiro sorriso. A partir dali, basta crescer, encetar a longa caminhada da vida, at&eacute; ao momento em que toda a potencialidade desse in&iacute;cio se torna plenitude de vida para sempre.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vida &eacute; a mesma, numa identidade pessoal, desde o in&iacute;cio at&eacute; ao fim. A nossa linguagem habitual corre o risco de n&atilde;o afirmar essa grandeza da vida em todos os momentos da caminhada. &quot;Infantil&quot; exprime, tantas vezes, o que ainda n&atilde;o &eacute; vida a s&eacute;rio, o que &eacute; ainda mais claro quando falamos de &quot;infantilidade&quot;, de &quot;criancices&quot;, esquecendo que &quot;criancices&quot; s&oacute; os adultos as podem praticar, quando n&atilde;o assumem a grandeza e a responsabilidade da idade adulta. As crian&ccedil;as s&atilde;o capazes de express&otilde;es de vida t&atilde;o ou mais adultas do que as daqueles que, pela idade, se consideram adultos, na linha do amor, da generosidade e mesmo da manifesta&ccedil;&atilde;o sobrenatural da santidade. Jesus aos doze anos, no Templo de Jerusal&eacute;m entre os doutores, revela a consci&ecirc;ncia da sua identidade e da sua miss&atilde;o, mostra a maturidade dos grandes profetas e a exclusividade da Sua rela&ccedil;&atilde;o &uacute;nica com Deus seu Pai (cf. Lc. 2,41ss).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estamos mais predispostos a considerar a grandeza da voca&ccedil;&atilde;o dos Ap&oacute;stolos, quando o Senhor lhes diz: &quot;e tu segue-Me&quot;, do que a tomar a s&eacute;rio o chamamento de Deus, dirigido a uma crian&ccedil;a. E no entanto, isso acontece. Deus chama Samuel ainda crian&ccedil;a (1Sam. 3,1ss). Jeremias sente-se escolhido, chamado e consagrado, desde o seio de sua m&atilde;e (cf. Jer. 1,4-5) e Jo&atilde;o Baptista &eacute; consagrado no seio de sua m&atilde;e (cf. Lc. 1,39ss). Ao longo dos s&eacute;culos, quantas voca&ccedil;&otilde;es enraizaram no chamamento de Deus a uma crian&ccedil;a. Santa Teresa de Lisieux situa o seu chamamento a uma entrega total na idade de dois anos. Escreve &agrave; sua irm&atilde; de sangue e sua superiora no Convento: &quot;Ouvia dizer frequentemente que Pauline seria, certamente, religiosa; ent&atilde;o, sem saber exactamente o que isso significava, pensei: tamb&eacute;m eu serei religiosa. &Eacute; uma das minhas primeiras recorda&ccedil;&otilde;es e nunca mais mudei de resolu&ccedil;&atilde;o!&#8230; Fostes v&oacute;s, minha M&atilde;e querida, que Jesus escolheu para me desposar com Ele. Nessa altura n&atilde;o est&aacute;veis junto de mim, mas j&aacute; se tinha formado um la&ccedil;o entre as nossas almas&#8230; v&oacute;s &eacute;reis o meu ideal, eu queria ser semelhante a v&oacute;s e foi o vosso exemplo que me guiou desde a idade de dois anos e me arrastou para o Esposo das Virgens&quot; (2). Desde os quatro anos sente o anseio radical da perfei&ccedil;&atilde;o e da santidade. &quot;Logo que comecei a pensar seriamente, o que aconteceu sendo eu ainda muito pequena, bastava dizerem-me que uma coisa n&atilde;o era bem, para que eu n&atilde;o desejasse repeti-la duas vezes&quot;. &quot;Compreendi que havia muitos degraus na perfei&ccedil;&atilde;o e que cada alma era livre de responder &agrave;s propostas (aux avances) de Nosso Senhor, de fazer pouco ou muito por Ele, numa palavra, de escolher entre os sacrif&iacute;cios que Ele pede. Ent&atilde;o, como no tempo em que era ainda muito pequenina, gritei: Meu Deus, eu escolho tudo. N&atilde;o quero ser uma santa a meias, n&atilde;o me mete medo sofrer por V&oacute;s; s&oacute; temo uma coisa, guardar a minha vontade; tomai-a, porque eu escolho tudo o que V&oacute;s quiserdes&quot; (3).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Em Francisco e Jacinta Marto temos dois exemplos, muito perto de n&oacute;s, de chamamento de crian&ccedil;as &agrave; santidade. E ao beatific&aacute;-los, a Igreja confirmou essa santidade vivida. As crian&ccedil;as s&atilde;o capazes da ousadia da santidade e esta &eacute; a mais adulta manifesta&ccedil;&atilde;o da vida.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>&nbsp; A crian&ccedil;a, an&uacute;ncio do Reino de Deus<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 4. &Eacute; o pr&oacute;prio Jesus quem relaciona o acolhimento do Reino de Deus com a atitude das crian&ccedil;as. Trouxeram a Jesus umas crian&ccedil;as para que Ele as tocasse, isto &eacute;, as aben&ccedil;oasse ou lhes fizesse uma &quot;festinha&quot;. Os disc&iacute;pulos, sempre preocupados em defender Jesus das multid&otilde;es, tentam impedi-las. Acham que o momento n&atilde;o &eacute; para &quot;criancices&quot;. Diz o texto de Marcos: &quot;ao ver isto Jesus zangou-se e disse-lhes: deixai vir a Mim as criancinhas, n&atilde;o as impe&ccedil;ais, porque o Reino de Deus pertence &agrave;queles que lhe s&atilde;o semelhantes. Em verdade vos digo, quem n&atilde;o acolher o Reino de Deus com atitude de crian&ccedil;a, n&atilde;o entrar&aacute; nele&quot; (Mc. 10,13-16). Noutra passagem, que ainda comentaremos, a crian&ccedil;a aparece como o modelo de disc&iacute;pulo. Aqueles que o Senhor convida a seguirem-n&#39;O como disc&iacute;pulos, t&ecirc;m de ter um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O verbo grego que &eacute; traduzido por &quot;acolher o Reino de Deus&quot;, significa a simplicidade de quem acolhe um presente, uma pessoa, uma d&aacute;diva. A atitude das crian&ccedil;as que Jesus considera fundamental para quem quer ser seu disc&iacute;pulo, &eacute; a simplicidade e a alegria de quem acolhe. O Reino aparece, aqui, como uma d&aacute;diva de Deus. Se os adultos, para serem disc&iacute;pulos, t&ecirc;m de ter um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, est&aacute; dito que as crian&ccedil;as podem ser disc&iacute;pulos de Jesus, parece mesmo serem aqueles de quem Jesus gosta mais.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Extravasando o &acirc;mbito do coment&aacute;rio a este texto, podemos partir dele para encontrar outras concretiza&ccedil;&otilde;es desta converg&ecirc;ncia da crian&ccedil;a com o Reino de Deus, ou seja, no momento actual da Hist&oacute;ria da Salva&ccedil;&atilde;o, com a Igreja, Povo de disc&iacute;pulos, an&uacute;ncio do Reino de Deus &agrave; sociedade de cada tempo.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 5. A vida descobre-se em comunidade. Na longa caminhada da vida, ningu&eacute;m a descobre e constr&oacute;i sozinho. E a primeira etapa dessa caminhada, a que corresponde &agrave; inf&acirc;ncia, &eacute; aquela em que esta dimens&atilde;o da vida humana &eacute; mais clara: nenhuma crian&ccedil;a subsiste sozinha. A sua vida depende totalmente da comunidade em que est&aacute; inserida, em que &eacute; amada, apoiada, guiada. A primeira comunidade decisiva &eacute; a fam&iacute;lia, em que a rela&ccedil;&atilde;o com a m&atilde;e e o pai cimentam no seu cora&ccedil;&atilde;o o car&aacute;cter &uacute;nico do amor paternal e a prepara para se abrir &agrave; experi&ecirc;ncia &uacute;nica de amar a Deus como um Pai; onde o amor dos irm&atilde;os &#8211; &eacute; t&atilde;o importante que a crian&ccedil;a tenha irm&atilde;os &#8211; lhe d&aacute; a base, a atitude fundamental para se inserir na comunidade mais alargada, quer na Igreja, quer na sociedade.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na comunidade que a faz viver, a crian&ccedil;a n&atilde;o &eacute; apenas benefici&aacute;ria. Ela &eacute; um elemento decisivo da solidez e da autenticidade dessa comunidade. Isto &eacute; particularmente verdade na comunidade familiar, em que as crian&ccedil;as podem ser decisivas na constru&ccedil;&atilde;o dessa comunidade, a come&ccedil;ar na comunh&atilde;o esponsal dos esposos que s&atilde;o pais, que descobrem nos filhos o elemento de coes&atilde;o do seu pr&oacute;prio amor, que nunca mais poder&aacute; ser julgado s&oacute; a partir de dois, mas a partir da comunidade que formam com os filhos.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Este &eacute; o aspecto mais dram&aacute;tico das fam&iacute;lias desfeitas. Quando um casal se separa, tomam essa decis&atilde;o s&oacute; a partir de si mesmos, sem terem em conta os filhos, membros de pleno direito da comunidade familiar, para os quais se procuram solu&ccedil;&otilde;es, que nunca substituem a perda da comunidade da vida.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas o que se diz da descoberta da vida em geral, pode igualmente afirmar-se da descoberta da f&eacute;, que s&oacute; se pode fazer em comunidade crente. A Igreja &eacute; para o crente o que a fam&iacute;lia &eacute; para a crian&ccedil;a. Ser crente descobre-se e experimenta-se na comunidade que a Igreja &eacute;. A isso chama-se, na fase da nossa &quot;inf&acirc;ncia espiritual&quot;, inicia&ccedil;&atilde;o crist&atilde;. S&oacute; em Igreja se descobrem os horizontes da santidade, a&iacute; se recebe a for&ccedil;a e a luz para construir a vida, da&iacute; se parte e se &eacute; enviado, sempre com um novo ardor, a anunciar Jesus Cristo, o irm&atilde;o que nos conduz na descoberta do amor paternal de Deus. Realmente, quem n&atilde;o tiver um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, que precisa de caminhar com os outros, nunca perceber&aacute; a Igreja.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 6. O amor ternura. O modo de a crian&ccedil;a amar &eacute; marcado pela ternura. Na Sagrada Escritura, o amor de Deus pelo seu Povo define-se pela ternura: &eacute; um amor bondoso e misericordioso, que faz desabrochar no cora&ccedil;&atilde;o do homem a alegria de ser amado, une-o a Deus e f&aacute;-lo desejar uma intimidade cada vez maior; convida-o a amar ternamente os seus irm&atilde;os, sobretudo os mais pequeninos, pobres e desprotegidos, como o &oacute;rf&atilde;o, a vi&uacute;va, e o estrangeiro. A ternura &eacute; um dos principais atributos do Deus de Israel.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Jesus Cristo, Filho de Deus feito Homem, encarna a ternura de Deus num cora&ccedil;&atilde;o humano. Jesus comove-se perante as multid&otilde;es abandonadas, como ovelhas sem pastor, chora diante do t&uacute;mulo de L&aacute;zaro, enternece-se com a vi&uacute;va de Naim, ressuscitando-lhe o filho, e diante da mulher que lhe banha os p&eacute;s com perfume. O amor ternura ser&aacute; o sinal distintivo dos seus disc&iacute;pulos. Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, ou seja, com a ternura de Deus.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O amor da crian&ccedil;a &eacute; um amor-ternura, tamb&eacute;m porque nela ainda n&atilde;o despertou a for&ccedil;a de outros instintos de rela&ccedil;&atilde;o, e essa forma de amar faz desabrochar nos adultos que ela ama a for&ccedil;a da ternura, tantas vezes j&aacute; esquecida ou escondida. Muitas vezes, os adultos t&ecirc;m vergonha de ser ternos, abafam a riqueza do cora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A crian&ccedil;a desafia-nos a n&atilde;o deixarmos secar as fontes do amor-ternura. Quando a rela&ccedil;&atilde;o com os outros passa a ser marcada pelo pr&oacute;prio interesse, seja este de que ordem for, sexual, econ&oacute;mico ou outro, a ternura est&aacute; amea&ccedil;ada. O amor-ternura &eacute; generoso, gratuito e oblativo; &eacute; contemplativo da beleza e do mist&eacute;rio do outro. S&oacute; a ternura nos leva &agrave; contempla&ccedil;&atilde;o da beleza. &Eacute; de ternura o amor de Cristo pela Igreja, que Ele ama como uma esposa. S&atilde;o Paulo convida os esposos crist&atilde;os a imitarem este amor de Cristo pela Igreja. Ali&aacute;s, a experi&ecirc;ncia humana ensina-nos que &eacute; no seio da rela&ccedil;&atilde;o conjugal que a ternura est&aacute; mais amea&ccedil;ada, devido &agrave; for&ccedil;a de auto-procura de que se reveste a sexualidade humana. &Eacute; a ternura que d&aacute; sentido &agrave; sexualidade humana e permanece para al&eacute;m dela. Verificamos isso nas pessoas idosas que, quando todas as outras potencialidades humanas se foram apagando, permanecem os afectos e a ternura &eacute; a express&atilde;o de amor que os faz viver. A ternura &eacute; o amor dos cora&ccedil;&otilde;es puros e &eacute; por isso que toda a ternura, de modo particular a das crian&ccedil;as, anuncia o Reino de Deus. &quot;Bem-aventurados os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o puro, porque ver&atilde;o a Deus&quot; (Mt. 5,8).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 7. Primazia do simb&oacute;lico sobre o racional. A harmonia entre a linguagem simb&oacute;lica e a intelig&ecirc;ncia racional, na capta&ccedil;&atilde;o da verdade e na descoberta do sentido da vida, &eacute; fundamental para entrar no Reino de Deus, ou seja, para compreender a Igreja e ter acesso &agrave; sabedoria. Na viv&ecirc;ncia crist&atilde;, a express&atilde;o simb&oacute;lica &eacute; tanto ou mais importante que a compreens&atilde;o racional: a &aacute;gua purificadora e fecundante, a luz que anuncia o novo dia, o &oacute;leo que fortalece, o p&atilde;o que alimenta e o vinho que alegra o cora&ccedil;&atilde;o do homem, o &oacute;sculo da paz ou as m&atilde;os dadas quando se sela um pacto de amor. Os s&iacute;mbolos n&atilde;o valem pelo peso da sua materialidade, mas pelo que significam e anunciam. A pr&oacute;pria linguagem da beleza &eacute; mais simb&oacute;lica do que racional.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A crian&ccedil;a exprime-se espontaneamente atrav&eacute;s de s&iacute;mbolos, nos seus jogos, nos seus gestos, na sua alegria. A simb&oacute;lica &eacute; a linguagem com que diz a vida. Tamb&eacute;m neste aspecto, quem n&atilde;o tiver um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, n&atilde;o poder&aacute; acolher o Reino de Deus.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 8. E o mist&eacute;rio torna-se realidade. No tempo em que confessava crian&ccedil;as, uma das coisas que me encantava era verificar que para elas os mist&eacute;rios tinham a simplicidade da realidade. Na chamada idade adulta, tamb&eacute;m fruto de uma educa&ccedil;&atilde;o marcada pela racionalidade, esta simplicidade pode perder-se. Habituamo-nos &agrave; realidade palp&aacute;vel, verific&aacute;vel, e a realidade do mist&eacute;rio escapa a esse crit&eacute;rio. A prop&oacute;sito da ressurrei&ccedil;&atilde;o de Cristo, dizia S&atilde;o Tom&eacute;: s&oacute; aceitarei que Ele est&aacute; vivo se lhe tocar, se meter a minha m&atilde;o na ferida do seu lado.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Passa por aqui o realismo da f&eacute;, que nos leva a aceitar a realidade dos mist&eacute;rios, como aceitamos tudo o que &eacute; real. Neste processo, situa-se, tantas vezes, a nossa d&uacute;vida que &eacute; sempre uma interroga&ccedil;&atilde;o sobre a realidade do mist&eacute;rio. Uma crian&ccedil;a n&atilde;o tem d&uacute;vidas de f&eacute;. Para ela, o colo de Deus &eacute; t&atilde;o real como o colo da m&atilde;e. &Eacute; um erro retardar a viv&ecirc;ncia dos grandes mist&eacute;rios como a Eucaristia, a Confirma&ccedil;&atilde;o, relegando-os para um tempo em que a incerteza e a d&uacute;vida come&ccedil;am j&aacute; a perturbar o cora&ccedil;&atilde;o do adolescente. &Eacute; que essa ades&atilde;o &agrave; realidade do mist&eacute;rio e a sua viv&ecirc;ncia simples &eacute; experi&ecirc;ncia que ficar&aacute; para a vida. Tamb&eacute;m aqui, quem n&atilde;o tiver um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a n&atilde;o poder&aacute; acolher o Reino de Deus.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong> A inf&acirc;ncia espiritual<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 9. Estas atitudes s&atilde;o constitutivas da f&eacute; como acolhimento do Reino de Deus. O que &eacute; espont&acirc;neo na crian&ccedil;a tem de ser cultivado toda a vida, defendido de perigos e amea&ccedil;as, acalentado na beleza de um ideal e na for&ccedil;a de um desejo, enraizado em n&oacute;s pela ac&ccedil;&atilde;o amorosa do pr&oacute;prio Esp&iacute;rito de Deus. Esta ideia de que quem n&atilde;o tiver um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a n&atilde;o poder&aacute; acolher o Reino de Deus, originou uma corrente de espiritualidade, chamada &quot;inf&acirc;ncia espiritual&quot;, interpela&ccedil;&atilde;o forte para quem quer viver esse Reino de Deus em tempos t&atilde;o complicados, t&atilde;o distantes da simplicidade de uma crian&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como toda e qualquer espiritualidade, &eacute; uma compreens&atilde;o harm&oacute;nica e global dos caminhos da f&eacute;. Encontramos os seus fundamentos na Sagrada Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamento, atravessa toda a hist&oacute;ria da Igreja, encontra exemplos fortes em figuras de grandes Santos como Francisco de Assis, O Cura d&#39;Ars ou Teresa de Lisieux. A esta, devemos a sua actualiza&ccedil;&atilde;o nos tempos modernos. Esta via da inf&acirc;ncia, h&aacute; muito praticada, ganha vigor e atrac&ccedil;&atilde;o com a publica&ccedil;&atilde;o da &quot;Hist&oacute;ria de uma Alma&quot;. Teresa n&atilde;o lhe chama &quot;via da inf&acirc;ncia&quot;, mas &quot;sa petite voie&quot;, ou &quot;sa petite doctrine&quot;. O Papa Bento XV diz de Teresa: &quot;uma vida toda caracterizada pelos m&eacute;ritos da inf&acirc;ncia espiritual. Ora esse &eacute; o segredo da santidade (&#8230;). Desejamos que o segredo da santidade da Irm&atilde; Teresa n&atilde;o fique escondido a nenhum dos nossos filhos&quot; (4).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; N&atilde;o admira, pois, que se procure em Santa Teresa a compreens&atilde;o global desta corrente de espiritualidade. O Dicion&aacute;rio de Espiritualidade afirma: &quot;reduzida aos seus tra&ccedil;os essenciais, a inf&acirc;ncia espiritual, tal como se exprime na vida e nos escritos de Santa Teresa, pode definir-se como uma humildade fundamental, vivida por uma alma filha de Deus, ou como um abandono absoluto nas n&atilde;os do Pai, de uma alma que tem consci&ecirc;ncia da sua pequenez e da sua impot&ecirc;ncia radical&quot; (5).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mas demos a palavra a Santa Teresa do Menino Jesus. Algu&eacute;m lhe pergunta o que &eacute; que ela entende por &quot;permanecer criancinha diante de Deus&quot; e ela responde: &quot;&Eacute; reconhecer o seu nada, esperar tudo do Bom Deus, como uma criancinha espera tudo do seu pai; &eacute; n&atilde;o se inquietar com nada, n&atilde;o querer ganhar nada. Mesmo entre os pobres d&aacute;-se &agrave; crian&ccedil;a o que lhe &eacute; necess&aacute;rio, mas quando crescem, o seu pai j&aacute; n&atilde;o os quer alimentar e diz-lhes: agora trabalha, podes sustentar-te a ti mesmo. Foi para n&atilde;o ouvir isso que eu nunca quis crescer, sentindo-me incapaz de ganhar a minha vida, a vida eterna do C&eacute;u. Assim fiquei sempre pequena, n&atilde;o tendo outra ocupa&ccedil;&atilde;o sen&atilde;o a de colher flores, as flores do amor e do sacrif&iacute;cio e de as oferecer ao Bom Deus para Lhe dar prazer (&#8230;). Ser pequeno &eacute; ainda n&atilde;o atribuir a si mesmo as virtudes que praticamos, crendo-se capaz de alguma coisa, mas reconhecer que o Bom Deus p&otilde;e este tesouro da virtude na m&atilde;o do seu filhinho, para que se sirva dele sempre que precise; mas &eacute; sempre o tesouro do Bom Deus. Depois &eacute; nunca se desencorajar com as suas faltas, porque as crian&ccedil;as caem muitas vezes, mas s&atilde;o muito pequenas para se magoarem muito&quot; (6).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A inf&acirc;ncia espiritual, a &quot;petite voie&quot;, &eacute; a humildade, o abandono total nos bra&ccedil;os do Pai, &eacute; viver a vida numa confian&ccedil;a sem limites. &Eacute; permanecendo crian&ccedil;a, que se cresce em ordem &agrave; maturidade espiritual.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 10. Os tra&ccedil;os fundamentais da atitude que estamos a designar por &quot;espiritualidade da inf&acirc;ncia&quot;, enra&iacute;zam na Sagrada Escritura, tanto do Antigo como do Novo Testamento. No Antigo Testamento ela &eacute; caracterizada por duas atitudes perante o Deus da Alian&ccedil;a, e que acabam por definir o verdadeiro Povo de Deus: o ter um cora&ccedil;&atilde;o de pobre e confiar em Deus Pai, como uma crian&ccedil;a se abandona ao colo da m&atilde;e.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os profetas denunciam o orgulho e a prepot&ecirc;ncia dos ricos e poderosos; ao contr&aacute;rio, os pobres confiam em Yahw&eacute;. De verifica&ccedil;&atilde;o sociol&oacute;gica, a pobreza transformou-se em atitude espiritual e em muitos textos &eacute; dif&iacute;cil saber se referem a indig&ecirc;ncia ou a humildade confiante. Pela boca de Isa&iacute;as, Deus declara: &quot;Aquele sobre quem lan&ccedil;o o meu olhar &eacute; o pobre e o cora&ccedil;&atilde;o arrependido que treme &agrave; minha palavra&quot; (Is. 66,2). Para o pobre, Deus &eacute; o &uacute;nico ref&uacute;gio, a sua seguran&ccedil;a. O Povo que Deus deseja, n&atilde;o procura a sua for&ccedil;a nas grandezas do mundo, mas na confian&ccedil;a em Yahw&eacute;. S&atilde;o poucos, s&atilde;o um &quot;resto fiel&quot;, mas &eacute; o povo que o Senhor deseja, um povo de pobres, os &quot;anawim&quot;. Esta atitude confiante dos que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o pobre &eacute; bem expressa no Salmo 131:<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"center\">&quot;Yahw&eacute;, o meu cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; ambicioso,<\/p>\n<p align=\"center\">nem os meus olhos altaneiros.<\/p>\n<p align=\"center\">N&atilde;o ando atr&aacute;s de grandezas,<\/p>\n<p align=\"center\">nem de maravilhas que me ultrapassam.<\/p>\n<p align=\"center\">N&atilde;o! Eu fiz calar e repousar os meus desejos,<\/p>\n<p align=\"center\">como&nbsp; crian&ccedil;a desmamada no colo de sua m&atilde;e.<\/p>\n<p align=\"center\">Isarel, coloca a tua esperan&ccedil;a em Yahw&eacute;,<\/p>\n<p align=\"center\">desde agora e para sempre&quot;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 11. Esta atitude confiante exprime-se tamb&eacute;m no total abandono ao amor paternal de Deus. A ideia da paternidade de Deus come&ccedil;a por afirmar-se em rela&ccedil;&atilde;o ao Povo escolhido. &quot;Assim fala Yahw&eacute;: o meu filho primog&eacute;nito &eacute; Israel (&#8230;) deixa ir o meu filho para que ele me preste um culto&quot; (Ex. 4,22). Considerar Deus um Pai &eacute; um desafio a descobrir cada vez mais profundamente o amor que Deus tem pelo Seu Povo, um amor que se revela miseric&oacute;rdia, mais inclinado a perdoar do que a castigar (cf. Os. 11,8-9).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A descoberta deste amor infinito de Deus pelo Seu Povo, fundamenta a primeira manifesta&ccedil;&atilde;o da f&eacute; de Israel, a confian&ccedil;a sem limites nas m&atilde;os de Deus, como uma crian&ccedil;a nos bra&ccedil;os de sua m&atilde;e. A total confian&ccedil;a da crian&ccedil;a surge como imagem sugestiva: &quot;Si&atilde;o dizia: Yahw&eacute; abandonou-me, o Senhor esqueceu-me. Mas pode a m&atilde;e esquecer-se do seu filhinho, pode ela deixar de ter amor pelo filho das suas entranhas? Ainda que ela se esque&ccedil;a, Eu n&atilde;o me esquecerei de ti&quot; (Is. 49-14-15).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta atitude de total abandono ao amor paternal de Deus torna-se ideal para cada membro do Povo, atitude definit&oacute;ria do &quot;justo&quot;, aspecto claro na ora&ccedil;&atilde;o dos Salmos. &quot;Se meu pai e minha m&atilde;e me abandonarem, Yahw&eacute; me recolher&aacute;&quot; (Sl. 27,10).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Esta mesma imagem serve a Isa&iacute;as para anunciar um Povo novo, fruto inaudito do amor de Deus: &quot;Assim fala Yahw&eacute;: farei correr para Jerusal&eacute;m a prosperidade como um rio, e as riquezas das na&ccedil;&otilde;es como torrentes que transbordam. Os seus beb&eacute;s ser&atilde;o levados ao colo e ser&atilde;o acariciados sobre os joelhos. Como a m&atilde;e consola o seu filho, assim Eu vou consolar-vos; em Jerusal&eacute;m sereis consolados&quot; (Is. 66,12-14).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Israel &eacute;, assim, educado pelos profetas para cultivarem uma rela&ccedil;&atilde;o com Deus, centrada na experi&ecirc;ncia da ternura de um Pai, que gera a confian&ccedil;a e abandono. De Deus espera-se tudo o que nos salvar&aacute;. O abandono da crian&ccedil;a e a confian&ccedil;a do pobre s&atilde;o s&iacute;mbolos de uma rela&ccedil;&atilde;o com Deus baseada na confian&ccedil;a. No entanto, estes dois temas, a confian&ccedil;a do pobre e o abandono da crian&ccedil;a, no Antigo Testamento, s&atilde;o temas paralelos. Ser&aacute; na mensagem de Jesus que eles se encontram, definindo a verdadeira atitude do cora&ccedil;&atilde;o para acolher o Reino de Deus (7).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 12. O Povo que Deus deseja, anuncia-o Jesus no tema do Reino de Deus; as atitudes que o caracterizam aplicam-se tanto ao novo Povo de Deus como aos disc&iacute;pulos de Jesus. A pobreza do cora&ccedil;&atilde;o e a simplicidade confiante da crian&ccedil;a sugerem, na prega&ccedil;&atilde;o de Jesus, a mesma caracter&iacute;stica fundamental do Reino de Deus, que s&oacute; os pequeninos acolhem; os grandes deste mundo s&atilde;o incapazes de perceber. Em Mt. 11,25-27, Jesus resume esta natureza profunda do Reino de Deus: &quot;Eu Te louvo, Pai, Senhor do C&eacute;u e da Terra, porque escondestes estas coisas aos s&aacute;bios e inteligentes e as revelastes aos pequeninos. Sim, Pai, porque assim foi do Teu agrado. Meu Pai entregou-me tudo a Mim. Ningu&eacute;m conhece o Filho, a n&atilde;o ser o Pai, e ningu&eacute;m conhece o Pai, a n&atilde;o ser o Filho e aquele a quem o Filho O quiser revelar&quot;.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Trata-se da revela&ccedil;&atilde;o do mist&eacute;rio do Reino de Deus, e Jesus f&aacute;-la a partir da sua pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia de intimidade filial com o Pai. Esta confian&ccedil;a filial acompanha Jesus em toda a sua vida. Ele faz a vontade do Pai, ensina o que aprendeu com o Pai, vai para a Casa do Pai fruir da gl&oacute;ria que Lhe pertence, quem O v&ecirc;, v&ecirc; o Pai, Ele e o Pai s&atilde;o um s&oacute;. Entrar no Reino de Deus &eacute; imit&aacute;-lo nessa intimidade filial, ser disc&iacute;pulo &eacute; ser como Ele. Maravilha-se e d&aacute; gra&ccedil;as ao verificar que n&atilde;o s&atilde;o os orgulhosos e convencidos das suas capacidades, como os fariseus, mas os pequeninos que acolhem o Reino de Deus.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Os pequeninos, em grego &quot;n&ecirc;pioi&quot;, s&atilde;o tanto os pobres como as crian&ccedil;as, que se encontram na simplicidade da confian&ccedil;a e do abandono; a palavra significa crian&ccedil;a pequenina, que ainda n&atilde;o sabe falar, que depende em tudo do amor dos pais. N&atilde;o admira, pois, que perante crian&ccedil;as, Ele diga que o Reino de Deus pertence a quem &eacute; como elas (cf. Mc. 10,13-16) (8). Isto s&oacute; pode querer dizer que Jesus se reconhece, na sua rela&ccedil;&atilde;o de abandono ao Pai, naquelas crian&ccedil;as. E por isso diz que quem quiser ser seu disc&iacute;pulo tem de ser como elas.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Estes pequeninos a quem &eacute; revelado o Reino de Deus, s&atilde;o os bem-aventurados no Serm&atilde;o da Montanha, a nova Lei, a Carta Magna do Reino de Deus. E quem s&atilde;o eles, os que percebem o Evangelho do Reino? S&atilde;o os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o pobre, s&atilde;o os mansos e humildes, com cora&ccedil;&atilde;o doce, s&atilde;o os puros de cora&ccedil;&atilde;o, os misericordiosos; mas s&atilde;o tamb&eacute;m os pobres, os aflitos, os famintos, os perseguidos (cf. Mt. 5,1-12). Afinal, os verdadeiros pobres s&atilde;o os que t&ecirc;m um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <strong>A abertura ao Reino de Deus na sociedade contempor&acirc;nea<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; 13. No ensinamento de Jesus s&atilde;o claras as atitudes de cora&ccedil;&atilde;o que levam ao acolhimento do Evangelho do Reino. No contexto da sociedade judaica do tempo de Jesus, nota-se um confronto claro entre esta candura de um cora&ccedil;&atilde;o confiante em Deus nosso Pai, e o farise&iacute;smo. Este valoriza o cumprimento da Lei como caminho de salva&ccedil;&atilde;o; esta estava ao alcance do homem, da sua capacidade. A Deus restava reconhecer a virtude dos &quot;justos&quot; e recompens&aacute;-la. Um fariseu confia mais na sua capacidade do que na entrega confiante ao amor misericordioso de Deus. A atitude dos pobres, dos puros de cora&ccedil;&atilde;o, das crian&ccedil;as, n&atilde;o era valorizada; eram, porventura, marginalizados. Jesus verbera os fariseus com a mesma veem&ecirc;ncia com que valoriza os pobres de cora&ccedil;&atilde;o: &quot;ai de v&oacute;s escribas e fariseus hip&oacute;critas&quot;.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; No seu conjunto, a sociedade contempor&acirc;nea assemelha-se mais aos fariseus do que aos &quot;anawim&quot;, os que confiam em Deus com um cora&ccedil;&atilde;o puro. A euforia da raz&atilde;o tornou o homem orgulhoso, convencido que tudo pode e &eacute; capaz de tudo resolver; a &acirc;nsia de poder, a busca do dinheiro, a euforia do sexo, atrofiaram a candura da crian&ccedil;a que habita em cada um de n&oacute;s. H&aacute;, no entanto, um &quot;resto fiel&quot;, vis&iacute;vel na Igreja do Senhor, cujos membros s&atilde;o chamados a ser disc&iacute;pulos, o que s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel com um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; As crian&ccedil;as s&atilde;o uma interpela&ccedil;&atilde;o para os adultos: &eacute; preciso escut&aacute;-las, tom&aacute;-las a s&eacute;rio. Quantas vezes elas s&atilde;o na vida de pessoas, devoradas pelas urg&ecirc;ncias do mundo, a &uacute;nica mensagem de beleza e simplicidade que nos podem abrir para o Reino de Deus. &Eacute; preciso tomar a s&eacute;rio as crian&ccedil;as e a mensagem de vida que nos comunicam. Era a atitude de Jesus: &quot;quem acolhe uma crian&ccedil;a por causa do Meu Nome, &eacute; a Mim que acolhe&quot; (Mt. 18,5).<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &Eacute; preciso defender as crian&ccedil;as do esp&iacute;rito do mundo. A sociedade contempor&acirc;nea &eacute; capaz, n&atilde;o apenas de desconhecer, mas de corromper e violentar as crian&ccedil;as. Ai de quem escandalizar uma crian&ccedil;a, avisa Jesus (cf. Mt. 18,6.10). Isto interpela a sociedade a conceber a conviv&ecirc;ncia com crian&ccedil;as, aquilo a que chamamos educa&ccedil;&atilde;o, a partir da crian&ccedil;a e n&atilde;o do adulto. &Eacute; sobretudo no seio da fam&iacute;lia que esta conviv&ecirc;ncia &eacute; mais verdadeira. A crian&ccedil;a leva os pais a reencontrarem a crian&ccedil;a que est&aacute; neles, na prioridade dada &agrave; ternura que transforma todo o amor, a confiarem um no outro e em Deus, saindo da sua auto-sufici&ecirc;ncia, a captarem na vida a sua carga simb&oacute;lica, carregada de mensagem, a confiarem mais do que quererem resolver tudo sozinhos. O Reino de Deus &eacute; para viver j&aacute; neste mundo e semeia em n&oacute;s o desejo de eternidade. &Eacute; por isso que &eacute; bom desejar morrer com um cora&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;a, abra&ccedil;ar a &quot;irm&atilde; morte&quot; com a simplicidade com que se abra&ccedil;ou a vida.<\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">F&aacute;tima, 20 de Junho de 2009 <\/p>\n<p align=\"right\"><em>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/em><\/p>\n<p align=\"left\">&nbsp;<\/p>\n<p align=\"left\">NOTAS:<\/p>\n<p align=\"left\">1 &#8211; &quot;Manuscrits autobiographiques, pg. 46<\/p>\n<p align=\"left\">2 &#8211; Ibidem, pg. 29-30<\/p>\n<p align=\"left\">3 &#8211; Ibidem, pg. 39<\/p>\n<p align=\"left\">4 &#8211; &quot;Enfance spirituelle&quot;, in Dictionnaire de Spiritualit&eacute;, Tomo IV, pg. 710-711<\/p>\n<p align=\"left\">5 &#8211; Ibidem, pg. 682<\/p>\n<p align=\"left\">6 &#8211; Ibidem<\/p>\n<p align=\"left\">7 &#8211; Ibidem, pg. 683-687<\/p>\n<p align=\"left\">8 &#8211; Ibidem, pg. 687-690<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desafios da crian\u00e7a \u00e0 Igreja e \u00e0 Sociedade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[295,154,161,168,199],"class_list":["post-39558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-biblia","tag-crianca","tag-d-jose-policarpo","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39558"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39558\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}