{"id":39556,"date":"2009-06-20T17:03:05","date_gmt":"2009-06-20T17:03:05","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/20\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-abertura-do-ano-sacerdotal\/"},"modified":"2009-06-20T17:03:05","modified_gmt":"2009-06-20T17:03:05","slug":"homilia-do-bispo-de-santarem-na-abertura-do-ano-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-santarem-na-abertura-do-ano-sacerdotal\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Santar\u00e9m na abertura do Ano Sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p>O sacerd\u00f3cio \u00e9 o amor do cora\u00e7\u00e3o de Jesus <!--more--> Celebramos a abertura solene do Ano Sacerdotal proposto pelo Papa Bento XVI &quot;<em>para fomentar a renova&ccedil;&atilde;o interior de todos os sacerdotes em ordem a um testemunho evang&eacute;lico mais vigoroso e incisivo&quot;.<\/em> Inauguramos o Ano Sacerdotal quando estamos a preparar o encerramento do Ano Paulino. &Aacute; luz de S&atilde;o Paulo, podemos descobrir o encanto pelo minist&eacute;rio, encanto que o Ap&oacute;stolo mostra com evid&ecirc;ncia na dedica&ccedil;&atilde;o total a Cristo e &agrave; miss&atilde;o, na for&ccedil;a interior, no &acirc;nimo inquebrant&aacute;vel com que enfrentou as muitas provas da evangeliza&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Outra refer&ecirc;ncia inspiradora para o Ano Sacerdotal &eacute; S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney, Cura d&#39;Ars, de quem celebramos, no pr&oacute;ximo 4 de Agosto, o 150 &ordm; anivers&aacute;rio da morte. O Santo Cura d&#39;Ars &eacute; conhecido pelas dificuldades no estudo da teologia e da filosofia, mas na sua personalidade &eacute; mais marcante a excepcional profundidade espiritual que sempre manifestou. Quando os seus professores, desanimados, renunciaram a interrog&aacute;-lo nos exames e comentaram a pena que sentiam pois aquele aluno era um modelo de piedade, o Vig&aacute;rio Geral decidiu: &quot;<em>Se ele &eacute; um modelo de piedade eu chamo-o ao sacerd&oacute;cio e a gra&ccedil;a de Deus far&aacute; o resto&quot;.<\/em> De facto, a piedade e a humildade permitiram que a gra&ccedil;a de Deus tenha realizado nele e atrav&eacute;s dele maravilhas.<\/p>\n<p>S&atilde;o Jo&atilde;o Maria Vianney era reconhecido tamb&eacute;m, por aqueles que o procuravam, como um padre humilde e af&aacute;vel, generoso e dedicado. Enquadra-se bem na solenidade do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus que hoje celebramos. Costumava ele dizer que &quot;<em>o sacerd&oacute;cio &eacute; o amor do cora&ccedil;&atilde;o de Jesus&quot;.<\/em>De facto, cada sacerdote &eacute; uma imagem e um instrumento vivo do amor de Cristo enquanto comunica aos fi&eacute;is e ao mundo a palavra, os gestos e os mist&eacute;rios de Cristo. Assim pregava o Cura d&#39;Ars: <em>&quot;Um pastor segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus &eacute; o maior tesouro que Deus pode conceder a uma par&oacute;quia e um dos dons mais preciosos da miseric&oacute;rdia divina&quot;.<\/em><\/p>\n<p>O ano sacerdotal procura, portanto, aprofundar em todos n&oacute;s o apre&ccedil;o e encanto pelo sacerd&oacute;cio de modo levar-nos ao exerc&iacute;cio feliz do minist&eacute;rio ordenado. <em>&quot;Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote&quot;, <\/em>&eacute; uma orienta&ccedil;&atilde;o oportuna para meditar nestes tempos. Actualmente, experimenta-se, por vezes, algum cansa&ccedil;o e desencanto na vida dos sacerdotes. Diminuem os pastores e aumentam as tarefas pastorais. Os padres, (como o bispo), andam com pressa, dispers&atilde;o, impaci&ecirc;ncia, desaten&ccedil;&atilde;o; esta falta de boa disposi&ccedil;&atilde;o impede o acolhimento e a afabilidade, a alegria e a paz que deviam transparecer no nosso minist&eacute;rio<\/p>\n<p>O ambiente cultural n&atilde;o favorece o estilo de vida evang&eacute;lico do sacerdote. Privilegia-se a fachada exterior, enquanto a riqueza do sacerd&oacute;cio est&aacute; no interior do cora&ccedil;&atilde;o, na espiritualidade. No s&eacute;culo conta a imagem do sucesso ou do &ecirc;xito vis&iacute;vel, ao passo que o evangelho nos recomenda semear e confiar nas potencialidades da semente que cresce dia e noite pela for&ccedil;a divina sem sabermos nem vermos como.<\/p>\n<p>Neste contexto cultural de leveza, de superficialidade, de banalidades, notamos como a proposta do evangelho &eacute; de outra ordem, reveste-se de uma sabedoria do alto e n&atilde;o segue os crit&eacute;rios terrenos. S&atilde;o Paulo, no trecho da Carta aos Ef&eacute;sios que escut&aacute;mos, convida-nos a meditar na diferen&ccedil;a evang&eacute;lica: &quot;<em>foi-me concedida a gra&ccedil;a de anunciar aos pag&atilde;os a riqueza insond&aacute;vel de Cristo (&#8230;) e manifestar como se realiza o mist&eacute;rio escondido&quot;. <\/em>O minist&eacute;rio &eacute; um dom, uma gra&ccedil;a, mas a realidade que anunciamos n&atilde;o entra pelos olhos dentro, &quot;&eacute; insond&aacute;vel, &eacute; um mist&eacute;rio escondido&quot;.<\/p>\n<p>Como podemos na cultura que vive do exterior e com a nossa fragilidade anunciar o que n&atilde;o d&aacute; nas vistas nem atrai? Necessitamos de uma grande dose de convic&ccedil;&atilde;o, de for&ccedil;a interior, de confian&ccedil;a e de entusiasmo. Precisamos de acreditar convictamente no que fazemos e amar firmemente as realidades em que acreditamos. <em>&quot;Acreditar no que fazemos e amar o que acreditamos&quot;<\/em> &eacute; uma express&atilde;o de Santo Agostinho indispens&aacute;vel no exerc&iacute;cio do sacerd&oacute;cio neste tempos de fachada exterior e de espect&aacute;culo. <\/p>\n<p>Qual o caminho? Meditemos no trecho da carta aos Ef&eacute;sios: <em>&quot;Dobro os joelhos diante do Pai (&#8230;) para que se digne armar-vos poderosamente pelo Seu Esp&iacute;rito para que se fortifique em v&oacute;s o homem interior e Cristo habite pela f&eacute; em vossos cora&ccedil;&otilde;es&quot;.<\/em> Esta riqueza interior da vida em Cristo tornava S&atilde;o Paulo forte para o bom combate e dava a fecundidade apost&oacute;lica &agrave; actividade pastoral do Cura d&#39;Ars. A vida interior, cultivada pela ora&ccedil;&atilde;o, pela contempla&ccedil;&atilde;o, pela f&eacute;, esperan&ccedil;a e caridade, permite compreender o que est&aacute; para al&eacute;m da compreens&atilde;o humana, permite ver e mover-se em quatro dimens&otilde;es: al&eacute;m das tr&ecirc;s habituais (comprimento, largura e altura), tamb&eacute;m a profundidade, onde se situam as ra&iacute;zes, onde actua o amor. Da vida interior, da uni&atilde;o com Cristo, vem a paz, a serenidade, o encanto do minist&eacute;rio: <em>&quot;Assim sejais totalmente saciados na plenitude de Deus&quot;.<\/em><\/p>\n<p>Viver em Cristo &eacute; o caminho para a serenidade a para boa disposi&ccedil;&atilde;o. &Eacute; dom do Esp&iacute;rito e tamb&eacute;m fruto do esfor&ccedil;o na luta que temos de travar contra o esp&iacute;rito do s&eacute;culo, o esp&iacute;rito de vaidade e de superficialidade. &Eacute; a proposta da solenidade do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus: &quot;<em>Aprendei de mim que sou manso e humilde e encontrareis a paz&quot;<\/em><\/p>\n<p>Os santos, nossas refer&ecirc;ncias na f&eacute;, seguiram este caminho: <em>&quot;Para triunfar no meu apostolado n&atilde;o quero conhecer outra escola de pedagogia que a do Sagrado Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus: &quot;Aprendei de Mim que sou manso e humilde de cora&ccedil;&atilde;o&quot;. A pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia me confirmou na efic&aacute;cia deste m&eacute;todo que assegura os verdadeiros triunfos&quot; (Jo&atilde;o XXIII, Di&aacute;rio &iacute;ntimo).<\/em><\/p>\n<p>A espiritualidade n&atilde;o nos dispensa da ac&ccedil;&atilde;o inteligente, coordenada, em comunidade. A fidelidade a Cristo no sacerdote &eacute;, como sabemos, indissoci&aacute;vel da fidelidade &agrave; Igreja e em Igreja. A uni&atilde;o faz a for&ccedil;a, o individualismo enfraquece. &Eacute; outra dimens&atilde;o que o Ano Sacerdotal nos convida a desenvolver.<\/p>\n<p>Na crescente multiplica&ccedil;&atilde;o de tarefas, &eacute; importante que nos dediquemos ao essencial, ao espec&iacute;fico do nosso minist&eacute;rio e aprendamos a delegar tarefas. <em>&quot;Irm&atilde;os &eacute; melhor procurardes entre v&oacute;s sete homens de boa reputa&ccedil;&atilde;o, cheios do Esp&iacute;rito Santo e de sabedoria&#8230; Quanto a n&oacute;s entregar-nos-emos assiduamente &agrave; ora&ccedil;&atilde;o e ao servi&ccedil;o da palavra&quot; (Act 6,3-4).<\/em> A escolha e forma&ccedil;&atilde;o de colaboradores pastorais &eacute; uma tarefa urgente.<\/p>\n<p>Outro caminho importante a percorrer no Ano Sacerdotal &eacute; promover as voca&ccedil;&otilde;es ao minist&eacute;rio ordenado. Antes de mais pela ora&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m pela proposta vocacional. Os padres devem sentir que faz parte da sua miss&atilde;o estar atentos e fazer chegar, aos que mostram sinais de voca&ccedil;&atilde;o, o convite do Senhor para se consagrarem ao servi&ccedil;o do reino de Deus. Pela proximidade, pelo exemplo cativante e pelo desafio pessoal.<\/p>\n<p>Se dependesse tudo de n&oacute;s seria pedir de mais. Mas tudo depende do Pai de quem procede todo o dom no c&eacute;u e na terra. Dobremos os joelhos diante d&#39;Ele para que nos conceda a for&ccedil;a do Seu Esp&iacute;rito e fa&ccedil;a crescer em n&oacute;s o encanto pelo exerc&iacute;cio do minist&eacute;rio que torna vis&iacute;vel e operante o Seu amor no mundo.<\/p>\n<p align=\"right\"><em>+ Manuel Pelino Domingues, Bispo de Santar&eacute;m<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sacerd\u00f3cio \u00e9 o amor do cora\u00e7\u00e3o de Jesus<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,114,120,180,199],"class_list":["post-39556","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-diocese-de-santarem","tag-espiritualidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39556","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39556"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39556\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39556"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39556"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39556"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}