{"id":395542,"date":"2025-10-19T09:31:54","date_gmt":"2025-10-19T08:31:54","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=395542"},"modified":"2025-10-19T18:57:30","modified_gmt":"2025-10-19T17:57:30","slug":"setubal-diocese-ultrapassa-fronteiras-atraves-da-resposta-social-da-caritas-paulo-valente-da-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/setubal-diocese-ultrapassa-fronteiras-atraves-da-resposta-social-da-caritas-paulo-valente-da-cruz\/","title":{"rendered":"Set\u00fabal: Diocese ultrapassa fronteiras atrav\u00e9s da resposta social da C\u00e1ritas \u2013 Paulo Valente da Cruz"},"content":{"rendered":"<p><em>Um dia depois do Jubileu dos Ciganos e itinerantes, promovido pelo Vaticano, vamos abordar o trabalho da C\u00e1ritas de Diocesana de Set\u00fabal, junto da comunidade cigana, com esfor\u00e7os no apoio escolar, creche, jardim de inf\u00e2ncia e centro de dia para idosos. \u00c9 convidado da entrevista conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a o respons\u00e1vel da C\u00e1ritas sadina<\/em><!--more--><\/p>\n<p><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-395543 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1079\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401-768x432.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/IMG_20251016_110049_edit_4200774348401-1536x863.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>O Vaticano quis promover, no contexto deste Ano Santo, um Jubileu para as popula\u00e7\u00f5es da comunidade cigana e para os itinerantes.\u00a0\u00c9 um sinal importante para a Igreja e para a sociedade e, em particular, tamb\u00e9m para o trabalho que a C\u00e1ritas de Diocesana de Set\u00fabal vai fazendo?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida alguma, \u00e9 um sinal muito importante. Importa salientar que a C\u00e1ritas de Diocesana de Set\u00fabal n\u00e3o defende a cria\u00e7\u00e3o de respostas sociais pura e simplesmente dirigidas \u00e0 comunidade cigana, mas sim a todas as pessoas de todas as nacionalidades e etnias, de forma a integrar a comunidade cigana de uma forma transversal e exatamente igual a qualquer outro utente da C\u00e1ritas de Diocesana de Set\u00fabal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que v\u00ea o aumento de discursos pol\u00edticos que promovem de forma aberta o discurso da discrimina\u00e7\u00e3o e mesmo, por vezes, da criminaliza\u00e7\u00e3o da comunidade cigana em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Vejo com alguma tristeza, porque, de facto, se as pessoas estivessem mais perto do terreno, percebiam que este tipo de pessoas como as de etnia cigana t\u00eam coisas muito boas e que hoje t\u00eam outra realidade na forma de estar na sociedade. Vai-se sempre buscar s\u00f3 os casos menos positivos, mas h\u00e1 casos muito positivos e de muito sucesso e de integra\u00e7\u00e3o na sociedade. Portanto, vejo com muita pena.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Papa Francisco falava do \u00f3dio aos pobres. H\u00e1 no discurso pol\u00edtico uma ideia de que as pessoas s\u00e3o respons\u00e1veis pela situa\u00e7\u00e3o em que se encontram quando s\u00e3o exclu\u00eddas?<\/em><\/p>\n<p>Eu, de facto, chego a uma conclus\u00e3o: As pessoas n\u00e3o t\u00eam no\u00e7\u00e3o que o pobre pode ser um de n\u00f3s um dia. E isso pode acontecer muito mais r\u00e1pido do que as pessoas pensam.<\/p>\n<p>Eu poder-vos-ia dar aqui v\u00e1rios exemplos do meu dia-a-dia, em que, de facto, temos de apoiar pessoas da classe m\u00e9dia, porque, como j\u00e1 falamos nos m\u00e9dia, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria e, de facto, os aumentos de rendas, levam a que haja determinadas fam\u00edlias da classe m\u00e9dia que n\u00e3o conseguem, num determinado momento, pagar uma renda. E n\u00f3s, C\u00e1ritas, tentamos fazer essa preven\u00e7\u00e3o, porque sen\u00e3o a fam\u00edlia vai para a rua e as crian\u00e7as s\u00e3o retiradas \u00e0 fam\u00edlia e, portanto, isto \u00e9 uma realidade que pode acontecer com qualquer um. Eu diria que na classe pol\u00edtica e nos intervenientes que vamos ouvindo na comunica\u00e7\u00e3o social, \u00e0s vezes, \u00e9 bom pensar um pouco at\u00e9 que ponto \u00e9 que um dia n\u00e3o lhes pode bater este problema \u00e0 porta.\u00a0\u00a0E a\u00ed j\u00e1 davam, com certeza, outro tipo de discurso a este tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A C\u00e1ritas tem estado, desde a inser\u00e7\u00e3o ao acompanhamento da comunidade cigana atrav\u00e9s do Centro Social Nossa Senhora da Paz. Que tipo de a\u00e7\u00f5es concretas desenvolvem no dia-a-dia e que frutos t\u00eam visto deste trabalho?<\/em><\/p>\n<p>A C\u00e1ritas, de facto, no bairro da Bela Vista, tem uma comunidade, em que montou um programa de luta contra a pobreza e apoio social e alfabetiza\u00e7\u00e3o e, nessa sua vertente de resposta a estas necessidades, apoia tamb\u00e9m, dentro do bairro, a comunidade cigana. E, portanto, tem vindo a alargar a oferta no bairro e disponibiliza, atualmente, creche pr\u00e9-escolar, apoio \u00e0s jovens m\u00e3es, centro de servi\u00e7o de apoio domiciliar.\u00a0\u00a0Como eu tinha dito, n\u00f3s defendemos a integra\u00e7\u00e3o como se fosse outro utente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 um apoio transversal? <\/em><\/p>\n<p>\u00c9 um apoio transversal e, portanto, atualmente, n\u00f3s contamos, por exemplo, com tr\u00eas crian\u00e7as de etnia cigana na creche, quatro no pr\u00e9-escolar, tr\u00eas no servi\u00e7o de apoio domicili\u00e1rio, 15 jovens de etnia cigana a frequentar o clube de jovens e duas jovens m\u00e3es de etnia cigana acompanhadas na resposta social do centro de apoio \u00e0 vida, que s\u00e3o as m\u00e3es gr\u00e1vidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u00c9 fundamental evitar a guetiza\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. Portanto, est\u00e1 tudo inserido dentro de toda a tipologia de utentes que temos, da sociedade de uma forma transversal. E esse \u00e9 que \u00e9 o caminho, no meu entender, e no entendimento da C\u00e1ritas de Diocesana que n\u00f3s devemos defender. Esse \u00e9 o caminho para, de facto, a integra\u00e7\u00e3o ser eficaz. Continuaremos este trabalho. Devo recordar que no passado dia 8 de abril, no Dia Internacional da Pessoa Cigana, tivemos a honra de receber o seu Presidente da Rep\u00fablica, que se juntou \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cigana e \u00e0 restante comunidade e, de facto, foi destacada a import\u00e2ncia da integra\u00e7\u00e3o, do respeito e da valoriza\u00e7\u00e3o das diferentes identidades culturais no contexto de uma sociedade mais justa e solid\u00e1ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tanto o presidente da Rep\u00fablica como o bispo de Set\u00fabal falaram nessa ocasi\u00e3o da necessidade de combater preconceitos e desigualdades. A partir da experi\u00eancia concreta, a comunidade sente que se torna mais inclusiva com este contexto direto, o que \u00e9 que ainda falta para uma verdadeira inclus\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Efetivamente, este tipo de a\u00e7\u00f5es ajuda muito. A comunidade cigana, naquele momento sentiu-se apoiada e depois, o que falta \u00e9 haver mais a\u00e7\u00e3o neste tipo de apoio, neste tipo de momentos. E \u00e9 isso que temos de tentar fazer. Foi muito gratificante ter o senhor Cardeal e nosso Bispo de Set\u00fabal e o nosso Presidente da Rep\u00fablica, porque depois criou-se um momento em que houve comunica\u00e7\u00e3o e em que o Presidente da Rep\u00fablica quis comunicar com os presentes. E \u00e9 interessante, e eu gostaria de partilhar isto convosco, que a certa altura dizem que fala um determinado indiv\u00edduo, e esse indiv\u00edduo \u00e9 um indiv\u00edduo que trabalha numa multinacional &#8211; eu n\u00e3o vou referir o nome &#8211; uma grande empresa a n\u00edvel nacional, que quando entrou n\u00e3o disse que era da etnia cigana, e que casou com a esposa que por acaso n\u00e3o \u00e9 da etnia cigana.\u00a0 E a dada altura, a esposa contou o seguinte:\u00a0 quando vou a um restaurante, com a minha fam\u00edlia dizem que n\u00e3o h\u00e1 mesa, mas quando vou a casa e telefono para marcar a mesa, h\u00e1 mesa para ir ao restaurante.<\/p>\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica obviamente que ao ouvir uma coisa desta natureza disse, voc\u00eas t\u00eam que continuar esse trabalho e serem resilientes. Este \u00e9 o caso paradigm\u00e1tico, de que de facto n\u00f3s temos que, para al\u00e9m de promovermos estes momentos; n\u00f3s temos tamb\u00e9m de dar a conhecer \u00e0 sociedade\u00a0este tipo de registos para a sociedade perceber que tamb\u00e9m h\u00e1 casos de sucesso na etnia cigana. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 RSI. T\u00ednhamos ali obviamente todo o tipo de fam\u00edlias. T\u00ednhamos algumas que dependem do RSI, mas tamb\u00e9m t\u00ednhamos pessoas que j\u00e1 trabalham neste tipo de empresas, e que t\u00eam valor na forma como se afirmaram. H\u00e1 de facto que apostar mais neste tipo de exemplos, at\u00e9 para os outros acreditarem que \u00e9 poss\u00edvel; os outros da etnia cigana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A sociedade discrimina, mas a pr\u00f3pria comunidade tamb\u00e9m de alguma forma ainda n\u00e3o se autoexclui? N\u00e3o sente isso? <\/em><\/p>\n<p>Sinto, sinto, sinto, mas l\u00e1 est\u00e1, era aquilo que eu estava a tentar transmitir. Ela autoexclui-se, e estes momentos s\u00e3o importantes para dizer o seguinte, aten\u00e7\u00e3o, voc\u00eas t\u00eam pessoas de etnia cigana que j\u00e1 est\u00e3o inseridas, portanto n\u00e3o se autoexcluam. Mas sim, sem d\u00favida alguma, h\u00e1 essa autoexclus\u00e3o. Ali\u00e1s devo dizer que algumas das pessoas que vivem no bairro (Bela Vista), eu estive a ver n\u00fameros mais ou menos, o bairro tem sensivelmente 4500 pessoas e 10,4% \u00e9 de etnia cigana, portanto andamos ali nos 450-500, pelo menos os registados. E efetivamente h\u00e1 muitos que inclusive ainda pensam em n\u00e3o p\u00f4r as crian\u00e7as na escola, querem ficar com as crian\u00e7as com eles, sim. Autoexcluem-se, mas tamb\u00e9m eventualmente sentem-se sinais, principalmente entre os mais jovens de etnia cigana, sentem-se sinais de maior abertura e eventualmente n\u00e3o se autoexcluam tanto. Mas sem d\u00favida, sinto isso e n\u00f3s sabemos que a pr\u00f3pria cultura deles \u00e9 muito prop\u00edcia a se autoexclu\u00edrem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Um dos pontos mais sublinhados neste trabalho \u00e9 o desafio da educa\u00e7\u00e3o. Que obst\u00e1culos ainda persistem na perman\u00eancia escolar das crian\u00e7as e jovens ciganos e como \u00e9 que est\u00e3o a tentar super\u00e1-los, at\u00e9 porque ainda agora os descreveu?<\/em><\/p>\n<p>O que n\u00f3s tentamos fazer, atrav\u00e9s inclusive destes jovens, do clube de jovens que temos nesta resposta para os jovens, \u00e9 passar \u00e0 comunidade a ideia que realmente tem que ser mais cedo que as crian\u00e7as t\u00eam de ser inseridas para a educa\u00e7\u00e3o. Como estava a referir, h\u00e1 muito aquela tend\u00eancia de se tentar ficar com a crian\u00e7a at\u00e9 aos seis, sete anos, ou mais, e s\u00f3 depois \u00e9 que se faz o caminho escolar. Ali, que j\u00e1 \u00e9 mais urbano, o que eu sinto \u00e9 que come\u00e7amos a conseguir passar esta mensagem de que \u00e9 muito importante trazer as crian\u00e7as para a escola, porque \u00e9 aqui que come\u00e7am as bases.<\/p>\n<p>Ali j\u00e1 come\u00e7a a haver esta no\u00e7\u00e3o, mas ainda h\u00e1 a preval\u00eancia de uma outra cultura. As t\u00e9cnicas transmitem-me, que de facto ainda h\u00e1 algumas situa\u00e7\u00f5es em que n\u00e3o p\u00f5em as crian\u00e7as na escola. E se formos mais para o mundo rural, sabemos que isso ent\u00e3o \u00e9 muito gritante. Eu tenho um caso conhecido de um jovem que aos nove anos ainda n\u00e3o tinha feito a primeira classe. Inseriu-se depois com nove anos, e\u00a0come\u00e7ou ent\u00e3o a estudar a partir da\u00ed.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Temos falado muito como a C\u00e1ritas, pelos seus servi\u00e7os, \u00e9 tamb\u00e9m muitas vezes a primeira porta onde se vai bater. Neste caso tamb\u00e9m do que nos tem descrito como forma de promover e valorizar culturas pr\u00f3prias, como no caso da comunidade cigana. Vivemos um ano na Igreja Cat\u00f3lica, um ano de Jubileu dedicado \u00e0 esperan\u00e7a. Que sinais concretos, mudan\u00e7a e de esperan\u00e7a \u00e9 que consegue identificar no trabalho que se est\u00e1 a realizar nesta \u00e1rea?<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os sinais concretos e de esperan\u00e7a \u00e9 come\u00e7ar a perceber &#8211; e h\u00e1 pouco estava um bocadinho a falar nesse tema antes de come\u00e7armos &#8211; que n\u00e3o basta s\u00f3 o assistencialismo, neste caso concreto inclusive \u00e0 comunidade cigana, quando estamos a falar de jovens. Devemos promover a autonomiza\u00e7\u00e3o no sentido de eles serem outro tipo de registo na sociedade. Quando eu falei do exemplo deste indiv\u00edduo que trabalha j\u00e1 numa multinacional, estamos a falar de um jovem talvez com 30 anos, e, portanto, eu come\u00e7o a ter esse sinal de esperan\u00e7a de que aquele caso exemplar pode ser replicado.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E que h\u00e1 outros futuros poss\u00edveis&#8230;. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Exatamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu queria-lhe colocar uma quest\u00e3o relativa aos 50 anos da cria\u00e7\u00e3o da Diocese de Set\u00fabal. Que impacto teve essa presen\u00e7a eclesial na rela\u00e7\u00e3o da igreja com a comunidade local, e j\u00e1 agora olhando para o futuro imediato, quais os maiores desafios sociais que Set\u00fabal enfrenta e como \u00e9 que a Caritas pode contribuir para ajudar a dar uma resposta?<\/em><\/p>\n<p>O impacto foi muito grande, n\u00f3s sabemos a hist\u00f3ria de todos que de facto Set\u00fabal nos anos 80 ou 90 viveu de grandes dificuldades, chegava-se a falar em fome em Set\u00fabal. A Diocese, que nasce com D. Manuel Martins, \u00e9 o caso exemplar de resposta a essas necessidades. Ali\u00e1s, devo dizer que neste momento temos equipamentos que respondem de uma forma transversal a todas as camadas et\u00e1rias, e de facto na altura havia mesmo pobreza em Set\u00fabal. Hoje fruto dos equipamentos que foram desenvolvidos n\u00f3s damos resposta \u00e0 sociedade em geral portuguesa e fora. Por exemplo, nas pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, aparecem-nos pessoas de toda a realidade do mundo, que facilmente atravessam a ponte pelo comboio e v\u00e3o ter connosco.<\/p>\n<p>S\u00f3 para vos dar um exemplo, s\u00f3 em alimenta\u00e7\u00e3o, no ano passado foram 165 mil refei\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Est\u00e1 a aumentar muito essa val\u00eancia?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, sim, eu quando cheguei eram sensivelmente 80 mil, depois passou a 100, 135 e o ano passado 165. \u00e9 uma pena dizer-vos isto, mas com a tristeza que o fa\u00e7o, mas ultrapassa mais de meio milh\u00e3o de euros em resposta e n\u00f3s l\u00e1 estamos, mas j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas para a sociedade em Set\u00fabal.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>E tem a no\u00e7\u00e3o do n\u00famero de popula\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo neste momento, em Set\u00fabal?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sim, n\u00f3s apoiamos 250 pessoas diariamente. Agora, a Camarata s\u00f3 tem 14 camas h\u00e1 muito tempo e a nova filosofia, e que eu defendo, foi a de criar apartamentos partilhados e o housing first, e a\u00ed triplic\u00e1mos para 46 camas. Mas precis\u00e1vamos de mais, e depois n\u00e3o h\u00e1 habita\u00e7\u00e3o e n\u00f3s \u00e9 que estamos a pagar os apartamentos. s\u00f3 temos o protocolo de seguran\u00e7a social a ajudar-nos efetivamente na quest\u00e3o dos t\u00e9cnicos, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E h\u00e1, portanto, muitos migrantes, como dizia, n\u00e3o \u00e9?\u00a0<\/em><\/p>\n<p>A pessoa que fica em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo, grande parte n\u00e3o \u00e9 migrante, porque essa depois faz alguma coisa e vai embora. N\u00e3o, \u00e9 nossa. E depois aqui temos um tema que t\u00ednhamos de explorar se tiv\u00e9ssemos tempo, \u00e9 que quando a pessoa aparece em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo e depois de n\u00f3s, com os nossos t\u00e9cnicos, come\u00e7armos a fazer o trabalho, percebemos que h\u00e1 pessoas em situa\u00e7\u00e3o de sem abrigo que depois tinham de ser tratadas de outra forma, que \u00e9, por exemplo, a toxicodepend\u00eancia, tinham de ir para a institui\u00e7\u00e3o, problemas de sa\u00fade mental, e n\u00e3o h\u00e1 respostas no pa\u00eds para isso. Conclus\u00e3o, voc\u00ea tem naquela camarada uma mistura explosiva. Foi de sem abrigo, foi, mas agora j\u00e1 precis\u00e1vamos de outro tipo de caminho. Aqueles que realmente n\u00f3s sentimos que n\u00e3o precisam desse tipo de apoio, tentamos p\u00f4-los nos apartamentos partilhados para criar otimiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, sim, a Diocese de Set\u00fabal, ainda hoje, \u00e9 fundamental com a sua C\u00e1ritas na resposta, mas hoje ultrapassou as fronteiras. A semana passada apareceu uma fam\u00edlia do Bangladesh, vinda de Lisboa, e que recebeu a indica\u00e7\u00e3o para vir ter com a C\u00e1ritas de Set\u00fabal, e n\u00f3s tentamos dar resposta. Efetivamente, com a sua C\u00e1ritas responde para al\u00e9m das fronteiras da diocese, e como eu digo, \u00e0s vezes tenho pena de serem tantos casos. H\u00e1 dois anos apoi\u00e1vamos 2700 pessoas diariamente, e o ano passado, 3715. Eu preferia que o n\u00famero fosse menor, porque significava que as pessoas estavam melhores e tinham-se otimizados.<\/p>\n<p>No ano todo, somando todas as respostas dos cinco equipamentos que temos, os de indicadores foram 3705 pessoas, que s\u00e3o apoiadas diariamente. Evidentemente que depois pode haver algumas que depois seguem a sua vida e que est\u00e3o nesse n\u00famero tamb\u00e9m, mas o\u00a0que \u00e9 facto \u00e9 que o n\u00famero era muito menor.\u00a0 E \u00e9 aqui que eu digo, sim, a nossa Diocese tem um papel fulcral, e ali\u00e1s, a classe pol\u00edtica sabe isso, ali como resposta, e j\u00e1 sabem que at\u00e9 \u00e9 para l\u00e1 da pen\u00ednsula.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dia depois do Jubileu dos Ciganos e itinerantes, promovido pelo Vaticano, vamos abordar o trabalho da C\u00e1ritas de Diocesana de Set\u00fabal, junto da comunidade cigana, com esfor\u00e7os no apoio escolar, creche, jardim de inf\u00e2ncia e centro de dia para idosos. \u00c9 convidado da entrevista conjunta Ecclesia\/Renascen\u00e7a o respons\u00e1vel da C\u00e1ritas 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