{"id":395186,"date":"2025-10-14T08:51:53","date_gmt":"2025-10-14T07:51:53","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=395186"},"modified":"2025-11-06T10:06:29","modified_gmt":"2025-11-06T10:06:29","slug":"dilexi-te-uma-primeira-leitura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dilexi-te-uma-primeira-leitura\/","title":{"rendered":"\u00abDilexi te\u00bb \u2013 Uma primeira leitura"},"content":{"rendered":"<p><em>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-271042 size-medium\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2023\/02\/Antonio-Morgado-guarda.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>De uma leitura r\u00e1pida a pedir uma releitura atenta, ficam aqui umas linhas anotadas ao ritmo do tempo breve a solicitar um tempo longo para uma reflex\u00e3o cuidada e virtualmente activa.<\/p>\n<p>A 29 de Junho de 2013 o Papa Francisco publicou a sua primeira enc\u00edclica, intitulada \u201c<em>Lumen fidei<\/em>\u201d [Luz da f\u00e9]. Com ela Francisco completava uma trilogia de enc\u00edclicas sobre as virtudes teologais que Bento XVI vinha desenvolvendo. Como \u00e9 sabido, o texto da enc\u00edclica sobre a F\u00e9 j\u00e1 se encontrava em amplo desenvolvimento quando se verificou a ren\u00fancia papal. O Papa Francisco retoma-o, completa-o e f\u00e1-lo publicar. Notam-se bem os dois estilos existentes no texto. Naturalmente, n\u00e3o \u00e9 nesta enc\u00edclica sobre a F\u00e9 que encontramos as linhas program\u00e1ticas de Francisco. Elas h\u00e3o-de aparecer com clareza meridiana cinco meses mais tarde na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201c<em>Evangelium Gaudium<\/em>\u201d [Alegria do Evangelho] de 24 de Novembro de 2013.<\/p>\n<p>No dia 4 de Outubro passado o Papa Le\u00e3o XIV assinou em Roma a sua primeira Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica, intitulada \u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d [Eu te amei], \u00ab<em>Sobre o Amor para com os pobres<\/em>\u00bb. O pr\u00f3prio t\u00edtulo evoca de imediato a \u00faltima Enc\u00edclica \u201c<em>Dilexit nos<\/em>\u201d [Amou-nos] publicada pelo Papa Francisco a 24 de Outubro de 2024, sobre \u00ab<em>Sobre o amor humano e divino do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo\u00bb.<\/em> Uma Enc\u00edclica mais espiritual e uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica essencialmente de natureza social, o encontro dos dois textos \u00e9 tamb\u00e9m a completude de um projecto interrompido com o falecimento do Papa Francisco. Como no caso da Enc\u00edclica sobre a F\u00e9, publicada pelo Papa Francisco, tamb\u00e9m na Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d n\u00e3o encontramos um programa da orienta\u00e7\u00e3o pastoral de Le\u00e3o XIV, embora possamos vislumbrar a inten\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o XIV dar seguimento a uma linha de pensamento e ac\u00e7\u00e3o do Papa que o precedeu, at\u00e9 pela utiliza\u00e7\u00e3o de muitos conceitos que fazem parte do campo lingu\u00edstico do anterior Papa. Conceitos como \u00abcausas estruturais da pobreza\u00bb, \u00abperiferias\u00bb, \u00abestruturas de pecado\u00bb, \u00abditadura da economia que mata\u00bb ou \u00abestruturas de injusti\u00e7a\u00bb, ocupam bem o centro da rede conceptual deste primeiro documento do novo Papa.<\/p>\n<p>Le\u00e3o XIV \u00e9 bem claro quando, logo no in\u00edcio do texto, escreve: \u00ab<em>Por esta raz\u00e3o, em continuidade com a Enc\u00edclica \u201c<\/em><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/encyclicals\/documents\/20241024-enciclica-dilexit-nos.html\"><em>Dilexit nos<\/em><\/a><em>\u201d, o Papa Francisco, nos \u00faltimos meses da sua vida, estava a preparar uma Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica sobre o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres, intitulada \u201cDilexi te\u201d, imaginando Cristo a dirigir-se a cada um deles dizendo: Tens pouca for\u00e7a, pouco poder, mas \u00abEu te amei\u00bb (Ap 3, 9). Ao receber como heran\u00e7a este projeto, sinto-me feliz ao assumi-lo como meu \u2013 acrescentando algumas reflex\u00f5es \u2013 e ao apresent\u00e1-lo no in\u00edcio do meu pontificado, partilhando o desejo do meu amado Predecessor de que todos os crist\u00e3os possam perceber a forte liga\u00e7\u00e3o existente entre o amor de Cristo e o seu chamamento a tornarmo-nos pr\u00f3ximos dos pobres<\/em>.\u00bb [3] S\u00e3o palavras que dispensam coment\u00e1rios. Nele Le\u00e3o XIV assume como seu o projecto que herdou do seu \u00ab<em>amado Predecessor<\/em>\u00bb: \u00ab<em>o cuidado da Igreja pelos pobres e com os pobres<\/em>\u00bb. Ou a \u00ab<em>a op\u00e7\u00e3o preferencial pelos pobres<\/em>\u00bb<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de tr\u00eas par\u00e1grafos introdut\u00f3rios, comp\u00f5em a \u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d cinco cap\u00edtulos assim intitulados: \u00ab<em>Algumas palavras indispens\u00e1veis<\/em>\u00bb [4-15], \u00ab<em>Deus escolhe os Pobres<\/em>\u00bb [16-34], \u00ab<em>Uma Igreja para os Pobres<\/em>\u00bb [35-81], \u00ab<em>Uma Hist\u00f3ria que continua<\/em>\u00bb [82-102] e \u00ab<em>Um permanente desafio<\/em>\u00bb [102-121]. Esta Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica n\u00e3o trar\u00e1 novidades na sua subst\u00e2ncia. Passando pelos fundamentos b\u00edblicos, pela Hist\u00f3ria da Igreja com os seus Santos e Congrega\u00e7\u00f5es Religiosas ao servi\u00e7o e cuidado dos pobres e dos mais necessitados, bem como pelo s\u00e9culo e meio de Doutrina Social da Igreja, esta Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica aproxima-se depois dos pobres da situa\u00e7\u00e3o presente que continuam a constituir um permanente desafio para a sociedade e, particularmente, para a Igreja.<\/p>\n<p>Sabendo que, em raz\u00e3o dos contextos das possibilidades reais dos momentos hist\u00f3ricos, \u00e0s antigas se acrescentam outras formas novas de pobreza \u00abpor vezes mais subtis e perigosas\u00bb [102], Le\u00e3o XIV escreve: \u00ab<em>N\u00e3o estamos no horizonte da benefic\u00eancia, mas no da Revela\u00e7\u00e3o: o contato com quem n\u00e3o tem poder nem grandeza \u00e9 um modo fundamental de encontro com o Senhor da hist\u00f3ria. Nos pobres, Ele ainda tem algo a dizer-nos<\/em>.\u00bb [5]<\/p>\n<p><strong>\u00ab<\/strong><em>Para n\u00f3s, crist\u00e3os, a quest\u00e3o dos pobres remete-nos \u00e0 ess\u00eancia da nossa f\u00e9<\/em>.\u00bb E esclarece o Papa: \u00ab<em>A realidade \u00e9 que, para os crist\u00e3os, os pobres n\u00e3o s\u00e3o uma categoria sociol\u00f3gica, mas a pr\u00f3pria carne de Cristo. Com efeito, n\u00e3o basta limitar-se a enunciar de modo gen\u00e9rico a doutrina da encarna\u00e7\u00e3o de Deus. Para entrar verdadeiramente neste mist\u00e9rio, \u00e9 preciso especificar que o Senhor se faz carne que tem fome e sede, que est\u00e1 doente e na pris\u00e3o<\/em>.\u00bb [110]<\/p>\n<p>Os pobres, os pobres que s\u00e3o fam\u00edlia [104] e que s\u00e3o \u00absujeitos\u00bb de vida e n\u00e3o tanto \u00abobjectos\u00bb de benemer\u00eancia, s\u00e3o tamb\u00e9m eles que \u00ab<em>nos evangelizam<\/em>\u00bb porque, \u00ab<em>No sil\u00eancio da sua condi\u00e7\u00e3o, eles colocam-nos diante da nossa fraqueza<\/em>\u00bb, \u00ab<em>eles revelam a nossa precariedade e o vazio de uma vida aparentemente protegida e segura.<\/em>\u00bb Ser\u00e1 por isso tamb\u00e9m que Le\u00e3o XIV acentua, logo no in\u00edcio, que \u00ab<em>o cuidado da Igreja pelos pobres<\/em>\u00bb \u00e9 tamb\u00e9m uma Igreja \u00ab<em>com os pobres<\/em>\u00bb. [3]<\/p>\n<p>\u00abPelos pobres\u00bb e \u00abcom os pobres\u00bb, duas express\u00f5es preposicionais que s\u00e3o tamb\u00e9m uma proposta inadi\u00e1vel, quer no trabalho, quer no empenho em mudar estruturas injustas, quer atrav\u00e9s de um gesto simples e pessoal de proximidade, importa sempre que o pobre sinta serem para ele, os pobres de todas as formas de pobreza, as palavras de Jesus: \u00ab<em>Eu te amei<\/em>\u00bb.<\/p>\n<p>Assim termina a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica \u201c<em>Dilexi te<\/em>\u201d de Le\u00e3o XIV para ser lida de papel na m\u00e3o e com os olhos postos na Cruz da F\u00e9 e no mundo dos humanos. Termina, como come\u00e7ou, com um verbo b\u00edblico conjugado no passado, que \u00e9, e dever\u00e1 ser, um presente continuado, porque ele \u00e9 do tempo da Eternidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ant\u00f3nio Salvado Morgado, Diocese da Guarda<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":271042,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-395186","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/395186","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=395186"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/395186\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271042"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=395186"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=395186"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=395186"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}