{"id":39506,"date":"2009-06-18T14:54:38","date_gmt":"2009-06-18T14:54:38","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/18\/carta-de-bento-xvi-para-a-proclamacao-do-ano-sacerdotal\/"},"modified":"2009-06-18T14:54:38","modified_gmt":"2009-06-18T14:54:38","slug":"carta-de-bento-xvi-para-a-proclamacao-do-ano-sacerdotal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/carta-de-bento-xvi-para-a-proclamacao-do-ano-sacerdotal\/","title":{"rendered":"Carta de Bento XVI para a proclama\u00e7\u00e3o do Ano Sacerdotal"},"content":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do 150\u00ba Anivers\u00e1rio do \u00abDies Natalis\u00bb do Santo Cura D\u00b4Ars <!--more--> <\/p>\n<p>Amados irm&atilde;os no sacerd&oacute;cio,<br \/>Na pr&oacute;xima solenidade do Sacrat&iacute;ssimo Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus, sexta-feira 19 de Junho de 2009 &#8211; dia dedicado tradicionalmente &agrave; ora&ccedil;&atilde;o pela santifica&ccedil;&atilde;o do clero &#8211; tenho em mente proclamar oficialmente um &laquo;Ano Sacerdotal&raquo; por ocasi&atilde;o do 150.&ordm; anivers&aacute;rio do &laquo;dies natalis&raquo; de Jo&atilde;o Maria Vianney, o Santo Patrono de todos os p&aacute;rocos do mundo.[1] <br \/>Tal ano, que pretende contribuir para fomentar o empenho de renova&ccedil;&atilde;o interior de todos os sacerdotes para um seu testemunho evang&eacute;lico mais vigoroso e incisivo, terminar&aacute; na mesma solenidade de 2010. &laquo;O sacerd&oacute;cio &eacute; o amor do Cora&ccedil;&atilde;o de Jesus&raquo;: costumava dizer o Santo Cura d&#39;Ars.[2] <\/p>\n<p>Esta tocante afirma&ccedil;&atilde;o permite-nos, antes de mais nada, evocar com ternura e gratid&atilde;o o dom imenso que s&atilde;o os sacerdotes n&atilde;o s&oacute; para a Igreja mas tamb&eacute;m para a pr&oacute;pria humanidade. Penso em todos os presb&iacute;teros que prop&otilde;em, humilde e quotidianamente, aos fi&eacute;is crist&atilde;os e ao mundo inteiro as palavras e os gestos de Cristo, procurando aderir a Ele com os pensamentos, a vontade, os sentimentos e o estilo de toda a sua exist&ecirc;ncia. <\/p>\n<p>Como n&atilde;o sublinhar as suas fadigas apost&oacute;licas, o seu servi&ccedil;o incans&aacute;vel e escondido, a sua caridade tendencialmente universal? E que dizer da fidelidade corajosa de tantos sacerdotes que, n&atilde;o obstante dificuldades e incompreens&otilde;es, continuam fi&eacute;is &agrave; sua voca&ccedil;&atilde;o: a de &laquo;amigos de Cristo&raquo;, por Ele de modo particular chamados, escolhidos e enviados?<\/p>\n<p>Eu mesmo guardo ainda no cora&ccedil;&atilde;o a recorda&ccedil;&atilde;o do primeiro p&aacute;roco junto de quem exerci o meu minist&eacute;rio de jovem sacerdote: deixou-me o exemplo de uma dedica&ccedil;&atilde;o sem reservas ao pr&oacute;prio servi&ccedil;o sacerdotal, a ponto de encontrar a morte durante o pr&oacute;prio acto de levar o vi&aacute;tico a um doente grave. <\/p>\n<p>Depois repasso na mem&oacute;ria os inumer&aacute;veis irm&atilde;os que encontrei e encontro, inclusive durante as minhas viagens pastorais &agrave;s diversas na&ccedil;&otilde;es, generosamente empenhados no exerc&iacute;cio di&aacute;rio do seu minist&eacute;rio sacerdotal. Mas a express&atilde;o utilizada pelo Santo Cura d&#39;Ars evoca tamb&eacute;m o Cora&ccedil;&atilde;o traspassado de Cristo com a coroa de espinhos que O envolve.<\/p>\n<p>E isto leva o pensamento a deter-se nas inumer&aacute;veis situa&ccedil;&otilde;es de sofrimento em que se encontram imersos muitos sacerdotes, ou porque participantes da experi&ecirc;ncia humana da dor na multiplicidade das suas manifesta&ccedil;&otilde;es, ou porque incompreendidos pelos pr&oacute;prios destinat&aacute;rios do seu minist&eacute;rio: como n&atilde;o recordar tantos sacerdotes ofendidos na sua dignidade, impedidos na sua miss&atilde;o e, &agrave;s vezes, mesmo perseguidos at&eacute; ao supremo testemunho do sangue?<\/p>\n<p>Infelizmente existem tamb&eacute;m situa&ccedil;&otilde;es, nunca suficientemente deploradas, em que &eacute; a pr&oacute;pria Igreja a sofrer pela infidelidade de alguns dos seus ministros. Da&iacute; adv&eacute;m ent&atilde;o para o mundo motivo de esc&acirc;ndalo e de repulsa. O m&aacute;ximo que a Igreja pode recavar de tais casos n&atilde;o &eacute; tanto a acintosa releva&ccedil;&atilde;o das fraquezas dos seus ministros, como sobretudo uma renovada e consoladora consci&ecirc;ncia da grandeza do dom de Deus, concretizado em figuras espl&ecirc;ndidas de generosos pastores, de religiosos inflamados de amor por Deus e pelas almas, de directores espirituais esclarecidos e pacientes. <\/p>\n<p>A este respeito, os ensinamentos e exemplos de S. Jo&atilde;o Maria Vianney podem oferecer a todos um significativo ponto de refer&ecirc;ncia. O Cura d&#39;Ars era humil&iacute;ssimo, mas consciente de ser, enquanto padre, um dom imenso para o seu povo: &laquo;Um bom pastor, um pastor segundo o cora&ccedil;&atilde;o de Deus, &eacute; o maior tesouro que o bom Deus pode conceder a uma par&oacute;quia e um dos dons mais preciosos da miseric&oacute;rdia divina&raquo;.[3] Falava do sacerd&oacute;cio como se n&atilde;o conseguisse alcan&ccedil;ar plenamente a grandeza do dom e da tarefa confiados a uma criatura humana: &laquo;Oh como &eacute; grande o padre! (&#8230;) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. (&#8230;)<\/p>\n<p>Deus obedece-lhe: ele pronuncia duas palavras e, &agrave; sua voz, Nosso Senhor desce do c&eacute;u e encerra-se numa pequena h&oacute;stia&raquo;.[4] E, ao explicar aos seus fi&eacute;is a import&acirc;ncia dos sacramentos, dizia: &laquo;Sem o sacramento da Ordem, n&atilde;o ter&iacute;amos o Senhor. Quem O colocou ali naquele sacr&aacute;rio? O sacerdote. <\/p>\n<p>Quem acolheu a vossa alma no primeiro momento do ingresso na vida? O sacerdote. Quem a alimenta para lhe dar a for&ccedil;a de realizar a sua peregrina&ccedil;&atilde;o? O sacerdote. Quem a h&aacute;-de preparar para comparecer diante de Deus, lavando-a pela &uacute;ltima vez no sangue de Jesus Cristo? O sacerdote, sempre o sacerdote. E se esta alma chega a morrer [pelo pecado], quem a ressuscitar&aacute;, quem lhe restituir&aacute; a serenidade e a paz? Ainda o sacerdote. (&#8230;) Depois de Deus, o sacerdote &eacute; tudo! (&#8230;) Ele pr&oacute;prio n&atilde;o se entender&aacute; bem a si mesmo, sen&atilde;o no c&eacute;u&raquo;.[5] <\/p>\n<p>Estas afirma&ccedil;&otilde;es, nascidas do cora&ccedil;&atilde;o sacerdotal daquele santo p&aacute;roco, podem parecer excessivas. Nelas, por&eacute;m, revela-se a sublime considera&ccedil;&atilde;o em que ele tinha o sacramento do sacerd&oacute;cio. Parecia subjugado por uma sensa&ccedil;&atilde;o de responsabilidade sem fim: &laquo;Se compreend&ecirc;ssemos bem o que um padre &eacute; sobre a terra, morrer&iacute;amos: n&atilde;o de susto, mas de amor. (&#8230;) Sem o padre, a morte e a paix&atilde;o de Nosso Senhor n&atilde;o teria servido para nada.<\/p>\n<p>&Eacute; o padre que continua a obra da Reden&ccedil;&atilde;o sobre a terra (&#8230;) Que aproveitaria termos uma casa cheia de ouro, sen&atilde;o houvesse ningu&eacute;m para nos abrir a porta? O padre possui a chave dos tesouros celestes: &eacute; ele que abre a porta; &eacute; o ec&oacute;nomo do bom Deus; o administrador dos seus bens (&#8230;) Deixai uma par&oacute;quia durante vinte anos sem padre, e l&aacute; adorar-se-&atilde;o as bestas. (&#8230;) O padre n&atilde;o &eacute; padre para si mesmo, &eacute;-o para v&oacute;s&raquo;.[6] <\/p>\n<p>Tinha chegado a Ars, uma pequena aldeia com 230 habitantes, precavido pelo Bispo de que iria encontrar uma situa&ccedil;&atilde;o religiosamente prec&aacute;ria: &laquo;Naquela par&oacute;quia, n&atilde;o h&aacute; muito amor de Deus; infundi-lo-eis v&oacute;s&raquo;. Por conseguinte, achava-se plenamente consciente de que devia ir para l&aacute; a fim de encarnar a presen&ccedil;a de Cristo, testemunhando a sua ternura salv&iacute;fica: &laquo;[Meu Deus], concedei-me a convers&atilde;o da minha par&oacute;quia; aceito sofrer tudo aquilo que quiserdes por todo o tempo da minha vida!&raquo;: foi com esta ora&ccedil;&atilde;o que come&ccedil;ou a sua miss&atilde;o.[7]<\/p>\n<p>E, &agrave; convers&atilde;o da sua par&oacute;quia, dedicou-se o Santo Cura com todas as suas energias, pondo no cume de cada uma das suas ideias a forma&ccedil;&atilde;o crist&atilde; do povo a ele confiado. Amados irm&atilde;os no sacerd&oacute;cio, pe&ccedil;amos ao Senhor Jesus a gra&ccedil;a de podermos tamb&eacute;m n&oacute;s assimilar o m&eacute;todo pastoral de S. Jo&atilde;o Maria Vianney. A primeira coisa que devemos aprender &eacute; a sua total identifica&ccedil;&atilde;o com o pr&oacute;prio minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Em Jesus, tendem a coincidir Pessoa e Miss&atilde;o: toda a sua ac&ccedil;&atilde;o salv&iacute;fica era e &eacute; express&atilde;o do seu &laquo;Eu filial&raquo; que, desde toda a eternidade, est&aacute; diante do Pai em atitude de amorosa submiss&atilde;o &agrave; sua vontade. Com modesta mas verdadeira analogia, tamb&eacute;m o sacerdote deve ansiar por esta identifica&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o se trata, certamente, de esquecer que a efic&aacute;cia substancial do minist&eacute;rio permanece independentemente da santidade do ministro; mas tamb&eacute;m n&atilde;o se pode deixar de ter em conta a extraordin&aacute;ria frutifica&ccedil;&atilde;o gerada do encontro entre a santidade objectiva do minist&eacute;rio e a subjectiva do ministro.<\/p>\n<p>O Cura d&#39;Ars principiou imediatamente este humilde e paciente trabalho de harmoniza&ccedil;&atilde;o entre a sua vida de ministro e a santidade do minist&eacute;rio que lhe estava confiado, decidindo &laquo;habitar&raquo;, mesmo materialmente, na sua igreja paroquial: &laquo;Logo que chegou, escolheu a igreja por sua habita&ccedil;&atilde;o. (&#8230;) Entrava na igreja antes da aurora e n&atilde;o sa&iacute;a de l&aacute; sen&atilde;o &agrave; tardinha depois do Angelus. Quando precisavam dele, deviam procur&aacute;-lo l&aacute;&raquo;: l&ecirc;-se na primeira biografia.[8]<\/p>\n<p>O exagero devoto do pio hagi&oacute;grafo n&atilde;o deve fazer-nos esquecer o facto de que o Santo Cura soube tamb&eacute;m &laquo;habitar&raquo; activamente em todo o territ&oacute;rio da sua par&oacute;quia: visitava sistematicamente os doentes e as fam&iacute;lias; organizava miss&otilde;es populares e festas dos Santos Patronos; recolhia e administrava dinheiro para as suas obras s&oacute;cio-caritativas e mission&aacute;rias; embelezava a sua igreja e dotava-a de alfaias sagradas; ocupava-se das &oacute;rf&atilde;s da &laquo;Providence&raquo; (um instituto fundado por ele) e das suas educadoras; tinha a peito a instru&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as; fundava confrarias e chamava os leigos para colaborar com ele.<\/p>\n<p>O seu exemplo induz-me a evidenciar os espa&ccedil;os de colabora&ccedil;&atilde;o que &eacute; imperioso estender cada vez mais aos fi&eacute;is leigos, com os quais os presb&iacute;teros formam um &uacute;nico povo sacerdotal[9] e no meio dos quais, em virtude do sacerd&oacute;cio ministerial, se encontram &laquo;para os levar todos &agrave; unidade, &quot;amando-se uns aos outros com caridade fraterna, e tendo os outros por mais dignos&quot; (Rm 12, 10)&raquo;.[10] Neste contexto, h&aacute; que recordar o caloroso e encorajador convite feito pelo Conc&iacute;lio Vaticano II aos presb&iacute;teros para que &laquo;reconhe&ccedil;am e promovam sinceramente a dignidade e participa&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria dos leigos na miss&atilde;o da Igreja. Estejam dispostos a ouvir os leigos, tendo fraternalmente em conta os seus desejos, reconhecendo a experi&ecirc;ncia e compet&ecirc;ncia deles nos diversos campos da actividade humana, para que, juntamente com eles, saibam reconhecer os sinais dos tempos&raquo;. [11] <\/p>\n<p>O Santo Cura ensinava os seus paroquianos sobretudo com o testemunho da vida. Pelo seu exemplo, os fi&eacute;is aprendiam a rezar, detendo-se de bom grado diante do sacr&aacute;rio para uma visita a Jesus Eucaristia.[12] &laquo;Para rezar bem &#8211; explicava-lhes o Cura -, n&atilde;o h&aacute; necessidade de falar muito. Sabe-se que Jesus est&aacute; ali, no tabern&aacute;culo sagrado: abramos-Lhe o nosso cora&ccedil;&atilde;o, alegremo-nos pela sua presen&ccedil;a sagrada. Esta &eacute; a melhor ora&ccedil;&atilde;o&raquo;.[13] E exortava: &laquo;Vinde &agrave; comunh&atilde;o, meus irm&atilde;os, vinde a Jesus. Vinde viver d&#39;Ele para poderdes viver com Ele&raquo;.[14] &laquo;&Eacute; verdade que n&atilde;o sois dignos, mas tendes necessidade!&raquo;.[15] <\/p>\n<p>Esta educa&ccedil;&atilde;o dos fi&eacute;is para a presen&ccedil;a eucar&iacute;stica e para a comunh&atilde;o adquiria um efic&aacute;cia muito particular, quando o viam celebrar o Santo Sacrif&iacute;cio da Missa. Quem ao mesmo assistia afirmava que &laquo;n&atilde;o era poss&iacute;vel encontrar uma figura que exprimisse melhor a adora&ccedil;&atilde;o. (&#8230;) Contemplava a H&oacute;stia amorosamente&raquo;.[16] Dizia ele: &laquo;Todas as boas obras reunidas n&atilde;o igualam o valor do sacrif&iacute;cio da Missa, porque aquelas s&atilde;o obra de homens, enquanto a Santa Missa &eacute; obra de Deus&raquo;.[17]<\/p>\n<p>Estava convencido de que todo o fervor da vida de um padre dependia da Missa: &laquo;A causa do relaxamento do sacerdote &eacute; porque n&atilde;o presta aten&ccedil;&atilde;o &agrave; Missa! Meu Deus, como &eacute; de lamentar um padre que celebra [a Missa] como se fizesse um coisa ordin&aacute;ria!&raquo;.[18] E, ao celebrar, tinha tomado o costume de oferecer sempre tamb&eacute;m o sacrif&iacute;cio da sua pr&oacute;pria vida: &laquo;Como faz bem um padre oferecer-se em sacrif&iacute;cio a Deus todas as manh&atilde;s!&raquo;.[19]<\/p>\n<p>Esta sintonia pessoal com o Sacrif&iacute;cio da Cruz levava-o &#8211; por um &uacute;nico movimento interior &#8211; do altar ao confession&aacute;rio. Os sacerdotes n&atilde;o deveriam jamais resignar-se a ver os seus confession&aacute;rios desertos, nem limitar-se a constatar o menosprezo dos fi&eacute;is por este sacramento. Na Fran&ccedil;a, no tempo do Santo Cura d&#39;Ars, a confiss&atilde;o n&atilde;o era mais f&aacute;cil nem mais frequente do que nos nossos dias, pois a tormenta revolucion&aacute;ria tinha longamente sufocado a pr&aacute;tica religiosa.<\/p>\n<p>Mas ele procurou de todos os modos, com a prega&ccedil;&atilde;o e o conselho persuasivo, fazer os seus paroquianos redescobrirem o significado e a beleza da Penit&ecirc;ncia sacramental, apresentando-a como uma exig&ecirc;ncia &iacute;ntima da Presen&ccedil;a eucar&iacute;stica. P&ocirc;de assim dar in&iacute;cio a um c&iacute;rculo virtuoso. Com as longas perman&ecirc;ncias na igreja junto do sacr&aacute;rio, fez com que os fi&eacute;is come&ccedil;assem a imit&aacute;-lo, indo at&eacute; l&aacute; visitar Jesus, e ao mesmo tempo estivessem seguros de que l&aacute; encontrariam o seu p&aacute;roco, dispon&iacute;vel para os ouvir e perdoar. <\/p>\n<p>Em seguida, a multid&atilde;o crescente dos penitentes, provenientes de toda a Fran&ccedil;a, haveria de o reter no confession&aacute;rio at&eacute; 16 horas por dia. Dizia-se ent&atilde;o que Ars se tinha tornado &laquo;o grande hospital das almas&raquo;.[20] &laquo;A gra&ccedil;a que ele obtinha [para a convers&atilde;o dos pecadores] era t&atilde;o forte que aquela ia procur&aacute;-los sem lhes deixar um momento de tr&eacute;gua!&raquo;: diz o primeiro bi&oacute;grafo.[21] E assim o pensava o Santo Cura d&#39;Ars, quando afirmava: &laquo;N&atilde;o &eacute; o pecador que regressa a Deus para Lhe pedir perd&atilde;o, mas &eacute; o pr&oacute;prio Deus que corre atr&aacute;s do pecador e o faz voltar para Ele&raquo;.[22] &laquo;Este bom Salvador &eacute; t&atilde;o cheio de amor que nos procura por todo o lado&raquo;.[23]<\/p>\n<p>Todos n&oacute;s, sacerdotes, dever&iacute;amos sentir que nos tocam pessoalmente estas palavras que ele colocava na boca de Cristo: &laquo;Encarregarei os meus ministros de anunciar aos pecadores que estou sempre pronto a receb&ecirc;-los, que a minha miseric&oacute;rdia &eacute; infinita&raquo;.[24] Do Santo Cura d&#39;Ars, n&oacute;s, sacerdotes, podemos aprender n&atilde;o s&oacute; uma inexaur&iacute;vel confian&ccedil;a no sacramento da Penit&ecirc;ncia que nos instigue a coloc&aacute;-lo no centro das nossas preocupa&ccedil;&otilde;es pastorais, mas tamb&eacute;m o m&eacute;todo do &laquo;di&aacute;logo de salva&ccedil;&atilde;o&raquo; que nele se deve realizar. O Cura d&#39;Ars tinha maneiras diversas de comportar-se segundo os v&aacute;rios penitentes.<\/p>\n<p>Quem vinha ao seu confession&aacute;rio atra&iacute;do por uma &iacute;ntima e humilde necessidade do perd&atilde;o de Deus, encontrava nele o encorajamento para mergulhar na &laquo;torrente da miseric&oacute;rdia divina&raquo; que, no seu &iacute;mpeto, tudo arrasta e depura. E se aparecia algu&eacute;m angustiado com o pensamento da sua debilidade e inconst&acirc;ncia, temeroso por futuras quedas, o Cura d&#39;Ars revelava-lhe o segredo de Deus com um discurso de comovente beleza: &laquo;O bom Deus sabe tudo. Ainda antes de vos confessardes, j&aacute; sabe que voltareis a pecar e todavia perdoa-vos. Como &eacute; grande o amor do nosso Deus, que vai at&eacute; ao ponto de esquecer voluntariamente o futuro, s&oacute; para poder perdoar-nos!&raquo;.[25] <\/p>\n<p>Diversamente, a quem se acusava de forma t&iacute;bia e quase indiferente, expunha, atrav&eacute;s das suas pr&oacute;prias l&aacute;grimas, a s&eacute;ria e dolorosa evid&ecirc;ncia de qu&atilde;o &laquo;abomin&aacute;vel&raquo; fosse aquele comportamento. &laquo;Choro, porque v&oacute;s n&atilde;o chorais&raquo;:[26] exclamava ele. &laquo;Se ao menos o Senhor n&atilde;o fosse assim t&atilde;o bom! Mas &eacute; assim bom! S&oacute; um b&aacute;rbaro poderia comportar-se assim diante de um Pai t&atilde;o bom!&raquo;.[27] Fazia brotar o arrependimento no cora&ccedil;&atilde;o dos t&iacute;bios, for&ccedil;ando-os a verem com os pr&oacute;prios olhos o sofrimento de Deus, causado pelos pecados, quase &laquo;encarnado&raquo; no rosto do padre que os atendia de confiss&atilde;o.<\/p>\n<p>Entretanto a quem se apresentava j&aacute; desejoso e capaz de uma vida espiritual mais profunda, abria-lhe de par em par as profundidades do amor, explicando a inexprim&iacute;vel beleza de poder viver unidos a Deus e na sua presen&ccedil;a: &laquo;Tudo sob o olhar de Deus, tudo com Deus, tudo para agradar a Deus. (&#8230;) Como &eacute; belo!&raquo;[28] E ensinava-lhes a rezar assim: &laquo;Meu Deus, dai-me a gra&ccedil;a de Vos amar tanto quanto &eacute; poss&iacute;vel que eu Vos ame!&raquo;.[29]<\/p>\n<p>No seu tempo, o Cura d&#39;Ars soube transformar o cora&ccedil;&atilde;o e a vida de muitas pessoas, porque conseguiu fazer-lhes sentir o amor misericordioso do Senhor. Tamb&eacute;m hoje &eacute; urgente igual an&uacute;ncio e testemunho da verdade do Amor: Deus caritas est (1 Jo 4, 8). Com a Palavra e os Sacramentos do seu Jesus, Jo&atilde;o Maria Vianney sabia instruir o seu povo, ainda que frequentemente suspirava convencido da sua pessoal inaptid&atilde;o a ponto de ter desejado diversas vezes subtrair-se &agrave;s responsabilidades do minist&eacute;rio paroquial de que se sentia indigno.<\/p>\n<p>Mas, com exemplar obedi&ecirc;ncia, ficou sempre no seu lugar, porque o consumia a paix&atilde;o apost&oacute;lica pela salva&ccedil;&atilde;o das almas. Procurava aderir totalmente &agrave; pr&oacute;pria voca&ccedil;&atilde;o e miss&atilde;o por meio de uma severa ascese: &laquo;Para n&oacute;s, p&aacute;rocos, a grande desdita &#8211; deplorava o Santo &#8211; &eacute; entorpecer-se a alma&raquo;,[30] entendendo, com isso, o perigo de o pastor se habituar ao estado de pecado ou de indiferen&ccedil;a em que vivem muitas das suas ovelhas. <\/p>\n<p>Com vig&iacute;lias e jejuns, punha freio ao corpo, para evitar que opusesse resist&ecirc;ncia &agrave; sua alma sacerdotal. E n&atilde;o se esquivava a mortificar-se a si mesmo para bem das almas que lhe estavam confiadas e para contribuir para a expia&ccedil;&atilde;o dos muitos pecados ouvidos em confiss&atilde;o. Explicava a um colega sacerdote: &laquo;Dir-vos-ei qual &eacute; a minha receita: dou aos pecadores uma penit&ecirc;ncia pequena e o resto fa&ccedil;o-o eu no lugar deles&raquo;.[31]<\/p>\n<p>Independentemente das penit&ecirc;ncias concretas a que se sujeitava o Cura d&#39;Ars, continua v&aacute;lido para todos o n&uacute;cleo do seu ensinamento: as almas custam o sangue de Cristo e o sacerdote n&atilde;o pode dedicar-se &agrave; sua salva&ccedil;&atilde;o se se recusa a contribuir com a sua parte para o &laquo;alto pre&ccedil;o&raquo; da reden&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No mundo actual, n&atilde;o menos do que nos tempos dif&iacute;ceis do Cura d&#39;Ars, &eacute; preciso que os presb&iacute;teros, na sua vida e ac&ccedil;&atilde;o, se distingam por um vigoroso testemunho evang&eacute;lico. Observou, justamente, Paulo VI que &laquo;o homem contempor&acirc;neo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres ou ent&atilde;o, se escuta os mestres, &eacute; porque eles s&atilde;o testemunhas&raquo;.[32] Para que n&atilde;o se forme um vazio existencial em n&oacute;s e fique comprometida a efic&aacute;cia do nosso minist&eacute;rio, &eacute; preciso n&atilde;o cessar de nos interrogarmos: &laquo;Somos verdadeiramente permeados pela Palavra de Deus? &Eacute; verdade que esta &eacute; o alimento de que vivemos, mais de que o sejam o p&atilde;o e as coisas deste mundo? Conhecemo-la verdadeiramente? Amamo-la? De tal modo nos ocupamos interiormente desta palavra, que a mesma d&aacute; realmente um timbre &agrave; nossa vida e forma o nosso pensamento?&raquo;.[33] <\/p>\n<p>Assim como Jesus chamou os Doze para estarem com Ele (cf. Mc 3, 14) e s&oacute; depois &eacute; que os enviou a pregar, assim tamb&eacute;m nos nossos dias os sacerdotes s&atilde;o chamados a assimilar aquele &laquo;novo estilo de vida&raquo; que foi inaugurado pelo Senhor Jesus e assumido pelos Ap&oacute;stolos.[34] <\/p>\n<p>Foi precisamente a ades&atilde;o sem reservas a este &laquo;novo estilo de vida&raquo; que caracterizou o trabalho ministerial do Cura d&#39;Ars. O Papa Jo&atilde;o XXIII, na carta enc&iacute;clica Sacerdotii nostri primordia &#8211; publicada em 1959, centen&aacute;rio da morte de S. Jo&atilde;o Maria Vianney -, apresentava a sua fisionomia asc&eacute;tica referindo-se de modo especial ao tema dos &laquo;tr&ecirc;s conselhos evang&eacute;licos&raquo;, considerados necess&aacute;rios tamb&eacute;m para os presb&iacute;teros: &laquo;Embora, para alcan&ccedil;ar esta santidade de vida, n&atilde;o seja imposta ao sacerdote como pr&oacute;pria do estado clerical a pr&aacute;tica dos conselhos evang&eacute;licos, entretanto esta representa para ele, como para todos os disc&iacute;pulos do Senhor, o caminho regular da santifica&ccedil;&atilde;o crist&atilde;&raquo;.[35] <\/p>\n<p>O Cura d&#39;Ars soube viver os &laquo;conselhos evang&eacute;licos&raquo; segundo modalidades apropriadas &agrave; sua condi&ccedil;&atilde;o de presb&iacute;tero. Com efeito, a sua pobreza n&atilde;o foi a mesma de um religioso ou de um monge, mas a requerida a um padre: embora manejasse com muito dinheiro (dado que os peregrinos mais abonados n&atilde;o deixavam de se interessar pelas suas obras s&oacute;cio-caritativas), sabia que tudo era dado para a sua igreja, os seus pobres, os seus &oacute;rf&atilde;os, as meninas da sua &laquo;Providence&raquo;,[36] as suas fam&iacute;lias mais indigentes.<\/p>\n<p>Por isso, ele &laquo;era rico para dar aos outros e era muito pobre para si mesmo&raquo;.[37] Explicava: &laquo;O meu segredo &eacute; simples: dar tudo e n&atilde;o guardar nada&raquo;.[38] Quando se encontrava com as m&atilde;os vazias, dizia contente aos pobres que se lhe dirigiam: &laquo;Hoje sou pobre como v&oacute;s, sou um dos vossos&raquo;.[39] Deste modo p&ocirc;de, ao fim da vida, afirmar com absoluta serenidade: &laquo;N&atilde;o tenho mais nada. Agora o bom Deus pode chamar-me quando quiser!&raquo;.[40] Tamb&eacute;m a sua castidade era aquela que se requeria a um padre para o seu minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>Pode-se dizer que era a castidade conveniente a quem deve habitualmente tocar a Eucaristia e que habitualmente a fixa com todo o entusiasmo do cora&ccedil;&atilde;o e com o mesmo entusiasmo a d&aacute; aos seus fi&eacute;is. Dele se dizia que &laquo;a castidade brilhava no seu olhar&raquo;, e os fi&eacute;is apercebiam-se disso quando ele se voltava para o sacr&aacute;rio fixando-o com os olhos de um enamorado.[41] Tamb&eacute;m a obedi&ecirc;ncia de S. Jo&atilde;o Maria Vianney foi toda encarnada na dolorosa ades&atilde;o &agrave;s exig&ecirc;ncias di&aacute;rias do seu minist&eacute;rio.<\/p>\n<p>&Eacute; sabido como o atormentava o pensamento da sua pr&oacute;pria inaptid&atilde;o para o minist&eacute;rio paroquial e o desejo que tinha de fugir &laquo;para chorar a sua pobre vida, na solid&atilde;o&raquo;.[42] Somente a obedi&ecirc;ncia e a paix&atilde;o pelas almas conseguiam convenc&ecirc;-lo a continuar no seu lugar. A si pr&oacute;prio e aos seus fi&eacute;is explicava: &laquo;N&atilde;o h&aacute; duas maneiras boas de servir a Deus. H&aacute; apenas uma: servi-Lo como Ele quer ser servido&raquo;.[43] A regra de ouro para levar uma vida obediente parecia-lhe ser esta: &laquo;Fazer s&oacute; aquilo que pode ser oferecido ao bom Deus&raquo;.[44] <\/p>\n<p>No contexto da espiritualidade alimentada pela pr&aacute;tica dos conselhos evang&eacute;licos, aproveito para dirigir aos sacerdotes, neste Ano a eles dedicado, um convite particular para saberem acolher a nova primavera que, em nossos dias, o Esp&iacute;rito est&aacute; a suscitar na Igreja, atrav&eacute;s nomeadamente dos Movimentos Eclesiais e das novas Comunidades. &laquo;O Esp&iacute;rito &eacute; multiforme nos seus dons. (&#8230;) Ele sopra onde quer.<\/p>\n<p>E f&aacute;-lo de maneira inesperada, em lugares imprevistos e segundo formas precedentemente inimagin&aacute;veis (&#8230;); mas demonstra-nos tamb&eacute;m que Ele age em vista do &uacute;nico Corpo e na unidade do &uacute;nico Corpo&raquo;.[45] A prop&oacute;sito disto, vale a indica&ccedil;&atilde;o do decreto Presbyterorum ordinis: &laquo;Sabendo discernir se os esp&iacute;ritos v&ecirc;m de Deus, [os presb&iacute;teros] perscrutem com o sentido da f&eacute;, reconhe&ccedil;am com alegria e promovam com dilig&ecirc;ncia os multiformes carismas dos leigos, tanto os mais modestos como os mais altos&raquo;.[46]<\/p>\n<p>Estes dons, que impelem n&atilde;o poucos para uma vida espiritual mais elevada, podem ser de proveito n&atilde;o s&oacute; para os fi&eacute;is leigos mas tamb&eacute;m para os pr&oacute;prios ministros. Com efeito, da comunh&atilde;o entre ministros ordenados e carismas pode brotar &laquo;um v&aacute;lido impulso para um renovado compromisso da Igreja no an&uacute;ncio e no testemunho do Evangelho da esperan&ccedil;a e da caridade em todos os recantos do mundo&raquo;.[47]<br \/>Queria ainda acrescentar, apoiado na exorta&ccedil;&atilde;o apost&oacute;lica Pastores dabo vobis do Papa Jo&atilde;o Paulo II, que o minist&eacute;rio ordenado tem uma radical &laquo;forma comunit&aacute;ria&raquo; e pode ser cumprido apenas na comunh&atilde;o dos presb&iacute;teros com o seu Bispo.[48] &Eacute; preciso que esta comunh&atilde;o entre os sacerdotes e com o respectivo Bispo, baseada no sacramento da Ordem e manifestada na concelebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, se traduza nas diversas formas concretas de uma fraternidade sacerdotal efectiva e afectiva.[49] S&oacute; deste modo &eacute; que os sacerdotes poder&atilde;o viver em plenitude o dom do celibato e ser&atilde;o capazes de fazer florir comunidades crist&atilde;s onde se renovem os prod&iacute;gios da primeira prega&ccedil;&atilde;o do Evangelho.<\/p>\n<p>O Ano Paulino, que est&aacute; a chegar ao fim, encaminha o nosso pensamento tamb&eacute;m para o Ap&oacute;stolo das na&ccedil;&otilde;es, em quem refulge aos nossos olhos um modelo espl&ecirc;ndido de sacerdote, totalmente &laquo;doado&raquo; ao seu minist&eacute;rio. &laquo;O amor de Cristo nos impele &#8211; escrevia ele -, ao pensarmos que um s&oacute; morreu por todos e que todos, portanto, morreram&raquo; (2 Cor 5, 14). E acrescenta: Ele &laquo;morreu por todos, para que os vivos deixem de viver para si pr&oacute;prios, mas vivam para Aquele que morreu e ressuscitou por eles&raquo; (2 Cor 5, 15). Que programa melhor do que este poderia ser proposto a um sacerdote empenhado a avan&ccedil;ar pela estrada da perfei&ccedil;&atilde;o crist&atilde;?<\/p>\n<p>Amados sacerdotes, a celebra&ccedil;&atilde;o dos cento e cinquenta anos da morte de S. Jo&atilde;o Maria Vianney (1859) segue-se imediatamente &agrave;s celebra&ccedil;&otilde;es h&aacute; pouco encerradas dos cento e cinquenta anos das apari&ccedil;&otilde;es de Lourdes (1858). J&aacute; em 1959, o Beato Papa Jo&atilde;o XXIII anotara: &laquo;Pouco antes que o Cura d&#39;Ars conclu&iacute;sse a sua longa carreira cheia de m&eacute;ritos, a Virgem Imaculada aparecera, noutra regi&atilde;o da Fran&ccedil;a, a uma menina humilde e pura para lhe transmitir uma mensagem de ora&ccedil;&atilde;o e penit&ecirc;ncia, cuja imensa resson&acirc;ncia espiritual h&aacute; um s&eacute;culo que &eacute; bem conhecida. Na realidade, a vida do santo sacerdote, cuja comemora&ccedil;&atilde;o celebramos, fora de antem&atilde;o uma viva ilustra&ccedil;&atilde;o das grandes verdades sobrenaturais ensinadas &agrave; vidente de Massabielle. Ele pr&oacute;prio nutria pela Imaculada Concei&ccedil;&atilde;o da Sant&iacute;ssima Virgem uma viv&iacute;ssima devo&ccedil;&atilde;o, ele que, em 1836, tinha consagrado a sua par&oacute;quia a Maria concebida sem pecado e havia de acolher com tanta f&eacute; e alegria a defini&ccedil;&atilde;o dogm&aacute;tica de 1854&raquo;.[50] <\/p>\n<p>O Santo Cura d&#39;Ars sempre recordava aos seus fi&eacute;is que &laquo;Jesus Cristo, depois de nos ter dado tudo aquilo que nos podia dar, quis ainda fazer-nos herdeiros de quanto Ele tem de mais precioso, ou seja, da sua Santa M&atilde;e&raquo;.[51]<\/p>\n<p>&Agrave; Virgem Sant&iacute;ssima entrego este Ano Sacerdotal, pedindo-Lhe para suscitar no &acirc;nimo de cada presb&iacute;tero um generoso relan&ccedil;amento daqueles ideais de total doa&ccedil;&atilde;o a Cristo e &agrave; Igreja que inspiraram o pensamento e a ac&ccedil;&atilde;o do Santo Cura d&#39;Ars. Com a sua fervorosa vida de ora&ccedil;&atilde;o e o seu amor apaixonado a Jesus crucificado, Jo&atilde;o Maria Vianney alimentou a sua quotidiana doa&ccedil;&atilde;o sem reservas a Deus e &agrave; Igreja.<\/p>\n<p>Possa o seu exemplo suscitar nos sacerdotes aquele testemunho de unidade com o Bispo, entre eles pr&oacute;prios e com os leigos que &eacute; t&atilde;o necess&aacute;rio hoje, como o foi sempre. N&atilde;o obstante o mal que existe no mundo, ressoa sempre actual a palavra de Cristo aos seus ap&oacute;stolos, no Cen&aacute;culo: &laquo;No mundo sofrereis tribula&ccedil;&otilde;es. Mas tende confian&ccedil;a: Eu venci o mundo&raquo; (Jo 16, 33). A f&eacute; no divino Mestre d&aacute;-nos a for&ccedil;a para olhar confiadamente o futuro. Amados sacerdotes, Cristo conta convosco. A exemplo do Santo Cura d&#39;Ars, deixai-vos conquistar por Ele e sereis tamb&eacute;m v&oacute;s, no mundo actual, mensageiros de esperan&ccedil;a, de reconcilia&ccedil;&atilde;o, de paz.<\/p>\n<p>Com a minha b&ecirc;n&ccedil;&atilde;o.<br \/>Vaticano, 16 de Junho de 2009.<br \/>BENEDICTUS PP. XVI<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;<br \/>[1] Assim o proclamou o Sumo Pont&iacute;fice Pio XI, em 1929.<br \/>[2] &laquo;Le Sacerdoce, c&#39;est l&#39;amour du c&oelig;r de J&eacute;sus&raquo;, in Le Cur&eacute; d&#39;Ars. Sa pens&eacute;e &#8211; son c&oelig;ur, obra cuidada por Abb&eacute; Bernard Nodet (ed. Xavier Mappus, Foi Vivante, 1966), p&aacute;g. 98. Em seguida, ser&aacute; citada: Nodet. A mesma frase aparece no Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica, n. 1589.<br \/>[3] Nodet, 101.<br \/>[4] Ibid., 97.<br \/>[5] Ibid., 98-99.<br \/>[6] Ibid., 98-100.<br \/>[7] Ibid., 183.<br \/>[8] MONNIN A., Il Curato d&#39;Ars. Vita di Gian-Battista-Maria Vianney, vol. I (ed. Marietti, Turim 1870), p&aacute;g. 122.<br \/>[9] Cf. Lumen gentium, 10.<br \/>[10] Presbyterorum ordinis, 9.<br \/>[11] Ibid., 9.<br \/>[12] &laquo;A contempla&ccedil;&atilde;o &eacute; o olhar de f&eacute;, fixado em Jesus. &quot;Eu olho para Ele e Ele olha para mim&quot; &#8211; dizia, no tempo do seu santo Cura, um campon&ecirc;s d&#39;Ars em ora&ccedil;&atilde;o diante do sacr&aacute;rio&raquo; (Catecismo da Igreja Cat&oacute;lica, n. 2715).<br \/>[13] Nodet, 85.<br \/>[14] Ibid., 114.<br \/>[15] Ibid., 119.<br \/>[16] MONNIN A., o.c., II, p&aacute;g. 430ss.<br \/>[17] Nodet, 105.<br \/>[18] Ibid., 105.<br \/>[19] Ibid., 104.<br \/>[20] MONNIN A., o.c., II, p&aacute;g. 293.<br \/>[21] Ibid., II, p&aacute;g. 10.<br \/>[22] Nodet, 128.<br \/>[23] Ibid., 50.<br \/>[24] Ibid., 131.<br \/>[25] Ibid., 130.<br \/>[26] Ibid., 27.<br \/>[27] Ibid., 139.<br \/>[28] Ibid., 28.<br \/>[29] Ibid., 77.<br \/>[30] Ibid., 102.<br \/>[31] Ibid., 189.<br \/>[32] Evangelii nuntiandi, 41.<br \/>[33] BENTO XVI, Homilia na Missa Crismal (9 de Abril de 2009).<br \/>[34] Cf. BENTO XVI, Discurso &agrave; Assembleia plen&aacute;ria da Congrega&ccedil;&atilde;o do Clero (16 de Mar&ccedil;o de 2009).<br \/>[35] Parte I.<br \/>[36] Este foi o nome que deu &agrave; casa onde fez alojar e educar mais de 60 meninas abandonadas. Para mant&ecirc;-la, a nada se poupava: &laquo;J&#39;ai fait tous les commerces imaginables&raquo; &#8211; dizia ele sorrindo (Nodet, 214).<br \/>[37] Nodet, 216.<br \/>[38] Ibid., 215.<br \/>[39] Ibid., 216.<br \/>[40] Ibid., 214.<br \/>[41] Cf. ibid., 112.<br \/>[42] Cf. ibid., 82-84.102-103.<br \/>[43] Ibid., 75.<br \/>[44] Ibid., 76.<br \/>[45] BENTO XVI, Homilia na Vig&iacute;lia de Pentecostes (3 de Junho de 2006).<br \/>[46] N. 9.<br \/>[47] BENTO XVI, Discurso aos Bispos amigos do Movimento dos Focolares e da Comunidade de Santo Eg&iacute;dio (8 de Fevereiro de 2007).<br \/>[48] Cf. n. 17.<br \/>[49] Cf. JO&Atilde;O PAULO II, Exort. ap. Pastores dabo vobis , 74.<br \/>[50] Carta enc. Sacerdotii nostri primordia, parte III.<br \/>[51] Nodet, 244.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por ocasi\u00e3o do 150\u00ba Anivers\u00e1rio do \u00abDies Natalis\u00bb do Santo Cura D\u00b4Ars<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[113,114,120,168,199,212,267,294],"class_list":["post-39506","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-ano-paulino","tag-ano-sacerdotal","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-espiritualidade","tag-focolares","tag-natal","tag-sacramentos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39506","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39506"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39506\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}