{"id":394811,"date":"2025-10-10T16:39:56","date_gmt":"2025-10-10T15:39:56","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=394811"},"modified":"2025-10-10T16:39:56","modified_gmt":"2025-10-10T15:39:56","slug":"dar-o-peito-as-balas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/dar-o-peito-as-balas\/","title":{"rendered":"Dar o peito \u00e0s balas"},"content":{"rendered":"<p><em>No M\u00e9xico, um bispo assume contra tudo e todos a sua miss\u00e3o pastoral<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ACN-20190412-86692.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-394816 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ACN-20190412-86692.jpg\" alt=\"\" width=\"960\" height=\"540\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ACN-20190412-86692.jpg 960w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ACN-20190412-86692-400x225.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/ACN-20190412-86692-768x432.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 960px) 100vw, 960px\" \/><\/a><\/p>\n<p><em>Em Guerrero, um dos estados mais violentos do M\u00e9xico, a f\u00e9 continua a ser o \u00faltimo ref\u00fagio para um povo silenciado pelo crime organizado. Na Diocese de Chilpancingo-Chilapa, o Bispo D. Jos\u00e9 de Jes\u00fas Gonz\u00e1lez vive a sua miss\u00e3o pastoral com uma dedica\u00e7\u00e3o que o levou, literalmente, a colocar-se na linha de fogo. Ainda em Setembro, milhares de portugueses foram convidados a exprimir a sua solidariedade para com a Igreja Mexicana que enfrenta a viol\u00eancia para estar ao lado dos mais pobres e fr\u00e1geis da sociedade.<\/em><\/p>\n<p>O Bispo Gonz\u00e1lez chegou \u00e0 diocese h\u00e1 tr\u00eas anos, ap\u00f3s 12 anos na prelazia de Nayar, onde o seu trabalho entre comunidades ind\u00edgenas j\u00e1 o havia exposto a graves perigos. Apenas 11 meses ap\u00f3s a sua ordena\u00e7\u00e3o episcopal, sofreu um ataque armado. \u201c\u00c9ramos tr\u00eas numa carrinha e fomos alvejados\u201d, recorda. \u201cEles atiravam \u00e0 cabe\u00e7a, n\u00e3o aos pneus. Quando viram que \u00e9ramos padres, pediram desculpa. Ofereceram-se para pagar os vidros partidos, mas o mais importante \u00e9 que n\u00e3o nos mandaram para cantar no coro celestial\u201d, recorda, com humor, durante a sua visita recente \u00e0 sede internacional da Funda\u00e7\u00e3o AIS na Alemanha. Um sentido de humor que n\u00e3o esconde, por\u00e9m, a gravidade do epis\u00f3dio. Os criminosos, ao saberem que ele era o bispo, pediram-lhe at\u00e9 a b\u00ean\u00e7\u00e3o. Esse incidente marcou o seu minist\u00e9rio e permitiu-lhe compreender que a sua miss\u00e3o inclui n\u00e3o s\u00f3 proteger os seus paroquianos, mas tamb\u00e9m olhar com compaix\u00e3o para aqueles que vivem na viol\u00eancia. \u201cEsses tamb\u00e9m s\u00e3o meus filhos, mesmo que estejam desorientados\u201d, afirma.\u00a0 Foi um epis\u00f3dio dif\u00edcil, diz o bispo \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, mas fundamental para compreender o que Jesus espera de si como pastor num dos pa\u00edses mais perigosos do mundo para o sacerd\u00f3cio. \u201cSe Ele morreu por amor a mim, eu devo morrer por amor aos outros. E esses \u2018outros\u2019 incluem todos, mesmo os algozes\u201d, diz.<\/p>\n<h4>Uma diocese num \u201cestado sequestrado\u201d<\/h4>\n<p>Em Guerrero, o Bispo Gonzalez enfrenta um panorama que descreve como sendo o de um \u201cestado sequestrado\u201d pelo crime organizado. Os grupos armados administram a sua pr\u00f3pria justi\u00e7a, cobram o seu pr\u00f3prio dinheiro e transformaram j\u00e1 vastas \u00e1reas em territ\u00f3rios sem lei. A viol\u00eancia tornou-se assim institucionalizada. H\u00e1 estradas controladas, extors\u00f5es, e os desaparecimentos e assassinatos fazem parte da vida quotidiana. A Igreja, diz o bispo de Chilpancingo-Chilapa \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, \u00e9 vista como \u201ca \u00fanica voz que pode falar pelo povo\u201d. Essa voz, no entanto, tem um pre\u00e7o: padres e l\u00edderes comunit\u00e1rios foram j\u00e1 assassinados por defenderem a justi\u00e7a e a dignidade humana. \u201cMas se n\u00e3o formos corajosos, o povo chora&#8230; e Deus chora\u201d, enfatiza o prelado. O compromisso da Igreja n\u00e3o \u00e9 apenas espiritual. Juntamente com outros bispos e padres, D. Jos\u00e9 de Jesus Gonzalez promove, por exemplo, casas de acolhimento para m\u00e3es que procuram os seus filhos desaparecidos, oferecendo acompanhamento humano, apoio jur\u00eddico e, acima de tudo, um abra\u00e7o que as fa\u00e7a sentir que n\u00e3o est\u00e3o sozinhas. \u201cElas querem sentir-se parte da Igreja, protegidas. N\u00e3o podem ficar sozinhas diante do lobo que as devora\u201d, explica.<\/p>\n<h4>Seguir em frente: a f\u00e9 como escudo e motor<\/h4>\n<p>No meio de toda esta viol\u00eancia, D. Gonzalez n\u00e3o esconde o risco. Ele viu morrer padres que trabalhavam pela paz e sabe que est\u00e1 tamb\u00e9m na mira das armas. Apesar disso, continua a caminhar com as comunidades, celebrando Missas, visitando fam\u00edlias e, quando necess\u00e1rio, enfrentando o perigo. \u201cA ora\u00e7\u00e3o torna-nos corajosos para entrar na batalha\u201d, diz ele. E pede a todos, dentro e fora do M\u00e9xico, que rezem por ele e pela sua diocese. \u201cRezem por n\u00f3s. Deus n\u00e3o nos abandona, mas precisamos da vossa proximidade para seguir em frente.\u201d Nos \u00faltimos anos, a Funda\u00e7\u00e3o AIS apoiou a Diocese de Chilpancingo-Chilapa com uma s\u00e9rie de projectos, incluindo o fornecimento de estip\u00eandios de Missa para padres, repara\u00e7\u00f5es de um convento para religiosas e apoio \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do clero.<\/p>\n<h4>A solidariedade dos portugueses<\/h4>\n<p>Ainda recentemente, no in\u00edcio do m\u00eas de Setembro, os benfeitores portugueses da Funda\u00e7\u00e3o AIS foram convidados a ajudar o esfor\u00e7o da Igreja Mexicana que em Zamora de Hidalgo, no estado de Michoac\u00e1n, tamb\u00e9m extremamente violento, est\u00e1 ao lado das popula\u00e7\u00f5es mais fragilizadas e amea\u00e7adas pelo crime organizado. O trabalho desenvolvido pelas Irm\u00e3s Oper\u00e1rias da Sagrada Fam\u00edlia \u00e9 disso exemplo. Estas religiosas trabalham numa escola com cerca de 300 alunos onde al\u00e9m do ensino em si tentam reconstruir vidas.\u00a0 Numa carta enviada para casa de milhares de benfeitores portugueses, a Funda\u00e7\u00e3o AIS partilhou o testemunho da Irm\u00e3 Rosalina. \u201cNuma das aldeias, lembro-me do p\u00e2nico que se sentia nas fam\u00edlias. Uma das piores amea\u00e7as foi dizerem que iam fazer um ter\u00e7o com as cabe\u00e7as das crian\u00e7as e coloc\u00e1-las na rotunda da aldeia\u201d, explicou a religiosa. No entanto, tal como D. Jos\u00e9 de Jesus Gonzalez, tamb\u00e9m estas irm\u00e3s est\u00e3o empenhadas em mudarem este estado de coisas. E quando perguntam se as irm\u00e3s n\u00e3o t\u00eam medo, ou porque n\u00e3o se v\u00e3o embora, a resposta \u00e9 imediata: \u201cO que nos d\u00e1 for\u00e7a e coragem \u00e9 a ora\u00e7\u00e3o e o apoio entre n\u00f3s. Fugir n\u00e3o est\u00e1 nos nossos planos. Queremos estar ali, com as pessoas. Acompanhar quem sofre. N\u00f3s n\u00e3o nos vamos embora\u201d, diz. Na carta enviada pela AIS, a directora do secretariado nacional da funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia lan\u00e7ou um apelo \u00e0 generosidade de todos para com esta Igreja que est\u00e1 em miss\u00e3o num dos pa\u00edses mais violentos do mundo. \u201cPe\u00e7o-lhe, com todo o cora\u00e7\u00e3o, que se una a esta corrente de amor e partilha\u201d, escreve Catarina Martins de Bettencourt. \u201c\u00c0 semelhan\u00e7a das Irm\u00e3s Oper\u00e1rias da Sagrada Fam\u00edlia, o seu donativo ajudar\u00e1 centenas de religiosas e padres a levar f\u00e9, educa\u00e7\u00e3o e dignidade \u00e0s crian\u00e7as e jovens que dependem da nossa ajuda para a sua forma\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou.<\/p>\n<p><em>Paulo Aido e Maria Lozano<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No M\u00e9xico, um bispo assume contra tudo e todos a sua miss\u00e3o 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