{"id":39464,"date":"2009-06-16T15:43:06","date_gmt":"2009-06-16T15:43:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/16\/presencas-sacramentais-de-cristo\/"},"modified":"2009-06-16T15:43:06","modified_gmt":"2009-06-16T15:43:06","slug":"presencas-sacramentais-de-cristo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/presencas-sacramentais-de-cristo\/","title":{"rendered":"Presen\u00e7as sacramentais de Cristo"},"content":{"rendered":"<p>A esposa daquele que se humilhou a si mesmo, assumindo a condi&ccedil;&atilde;o de servo at&eacute; &agrave; morte &quot;e morte de cruz&quot; (Filp 2,8), n&atilde;o poderia deixar, tamb&eacute;m ela, de ser pobre, radicalmente pobre. E a maior express&atilde;o da sua pobreza &eacute; a de, apesar de salva pelo Esposo, permanecer incapaz de se dar a vida a si mesma. No que s&atilde;o as verdadeiras realidades que a adornam (a gra&ccedil;a, a santidade, a vida eterna), ela depende, sem cessar, daquele que a amou e se entregou por ela. <\/p>\n<p>S&oacute; o Pai pode dar a vida. E f&aacute;-lo atrav&eacute;s de Jesus ressuscitado, o &uacute;nico mediador entre Deus e os homens, o &uacute;nico Sacerdote, como sublinha quase at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o a Carta aos Hebreus. Sem a constante refer&ecirc;ncia ao &uacute;nico sacerd&oacute;cio de Cristo, a Igreja seria uma associa&ccedil;&atilde;o de bem-fazer ou at&eacute; uma comunidade que escuta a Palavra, mas n&atilde;o seria a presen&ccedil;a efectiva (&quot;sacramental&quot; &#8211; diz a Lumen gentium 1) do Senhor ressuscitado no mundo. A Igreja n&atilde;o &eacute; capaz de se salvar a si mesma, e t&atilde;o-pouco &eacute; capaz de salvar os outros; n&atilde;o &eacute; ela a vida eterna, a verdade, e nem sequer &eacute; ela quem julga&#8230; <\/p>\n<p>Certamente: o Esposo nada quer fazer sem a Esposa e, por isso, a Igreja &eacute; imprescind&iacute;vel enquanto meio e presen&ccedil;a da gra&ccedil;a (de tal forma que, mesmo quando actua fora das fronteiras eclesiais, o Senhor n&atilde;o deixa de convidar e indicar o caminho em direc&ccedil;&atilde;o &agrave; sua Igreja). Mas isso n&atilde;o lhe retira a pobreza radical. N&atilde;o espanta, pois, que no seio da Igreja &#8211; &quot;dentro&quot; como baptizados, membros de um &quot;povo sacerdotal&quot; que constantemente louva o Senhor, mas simultaneamente &quot;perante ela&quot;, como ministros ordenados &#8211; o Senhor escolha aqueles que sacramentalmente participam e tornam presentes o &uacute;nico sacerd&oacute;cio do Novo Testamento. Eles mais n&atilde;o s&atilde;o que a presen&ccedil;a da gra&ccedil;a salvadora de Cristo, cabe&ccedil;a, esposo e pastor &#8211; daquela gra&ccedil;a que s&oacute; pode ser acolhida como dom, e nunca cria&ccedil;&atilde;o, descoberta humana. Chamamos-lhes &quot;sacerdotes&quot; por participarem do &uacute;nico sacerd&oacute;cio de Cristo; &quot;padres&quot; porque s&atilde;o a express&atilde;o da paternidade divina em cada comunidade que lhes &eacute; confiada; &quot;presb&iacute;teros&quot; ou &quot;bispos&quot; porque desempenham o lugar dos &quot;anci&atilde;os&quot; que os ap&oacute;stolos deixavam como sucessores em cada comunidade depois de partirem para uma outra miss&atilde;o fundadora de novas comunidades.<\/p>\n<p>Ao longo dos tempos, o minist&eacute;rio sacerdotal assumiu formas diversas (t&atilde;o diversas que alguns, de um modo vesgo, datam tardiamente o seu aparecimento, como se a sua presen&ccedil;a dependesse do querer dos homens ou das institui&ccedil;&otilde;es): os presb&iacute;teros ou &quot;episcopos&quot; da era apost&oacute;lica, compreensivelmente desempenhavam de uma forma diferente o minist&eacute;rio sacerdotal. Mas se as suas express&otilde;es se foram modificando ao longo dos s&eacute;culos, o conte&uacute;do, esse permanece o mesmo.<\/p>\n<p>&Eacute; importante que o &quot;Ano sacerdotal&quot;, que agora tem in&iacute;cio por convoca&ccedil;&atilde;o do Papa, n&atilde;o seja uma exalta&ccedil;&atilde;o da figura do Padre. At&eacute; porque qualquer sacerdote participa da pobreza radical da Igreja (e por isso tamb&eacute;m &eacute; importante que ele seja para todos um exemplo de efectiva pobreza): a vida que distribui n&atilde;o &eacute; a sua, mas a do Ressuscitado; o amor que torna presente n&atilde;o &eacute; seu, mas de Deus; a verdade que proclama n&atilde;o &eacute; a sua opini&atilde;o mas o pr&oacute;prio Jesus (Jo 14,6). <\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, no entanto, &eacute; importante que a Igreja perceba que n&atilde;o pode viver sem estes que s&atilde;o, sacramentalmente, a presen&ccedil;a paterna daquele que deu e quer dar a vida eterna a toda a humanidade &#8211; com efeito, eles n&atilde;o s&atilde;o apenas uns l&iacute;deres de comunidades, e muito menos uns s&aacute;bios que ensinam uma doutrina. <\/p>\n<p>Finalmente, &eacute; essencial que a Igreja reze pela fidelidade dos seus sacerdotes: fidelidade &agrave;quilo em que o Senhor Jesus, por ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, os constituiu; que reze tamb&eacute;m por aqueles que s&atilde;o menos fi&eacute;is (e todos, porque pecadores, o somos), para que se convertam cada vez mais, em cada dia que passa. <\/p>\n<p>E que reze, sem cessar, para que muitos oi&ccedil;am o apelo de Jesus e sejam capazes de lhe entregar toda a sua vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p align=\"right\"><em>C&oacute;n. Nuno Br&aacute;s da Silva Martins <\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Reitor do Semin&aacute;rio dos Olivais<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A esposa daquele que se humilhou a si mesmo, assumindo a condi&ccedil;&atilde;o de servo at&eacute; &agrave; morte &quot;e morte de cruz&quot; (Filp 2,8), n&atilde;o poderia deixar, tamb&eacute;m ela, de ser pobre, radicalmente pobre. 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