{"id":39458,"date":"2009-06-16T12:43:50","date_gmt":"2009-06-16T12:43:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/16\/paulo-nas-telas-de-ilda-david\/"},"modified":"2009-06-16T12:43:50","modified_gmt":"2009-06-16T12:43:50","slug":"paulo-nas-telas-de-ilda-david","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/paulo-nas-telas-de-ilda-david\/","title":{"rendered":"Paulo nas telas de Ilda David"},"content":{"rendered":"<p>O Esplendor de Deus num resplendor humano extraordin\u00e1rio <!--more--> <\/p>\n<p>A evangeliza&ccedil;&atilde;o, an&uacute;ncio de Cristo vivo e ressuscitado aos Homens de hoje, assume na Igreja diversas formas para traduzir a Palavra, o Logos encarnado na vida da humanidade. Em cada tempo hist&oacute;rico, a arte assume um cariz cultural, procurando dizer por tons claros e escuros, por tra&ccedil;os cont&iacute;nuos e descont&iacute;nuos, a dimens&atilde;o desconcertante da Palavra de Deus. <\/p>\n<p>A exposi&ccedil;&atilde;o de pintura de Ilda David&#39;, que foi inaugurada no dia da convers&atilde;o de S. Paulo (25 de Janeiro) e finda no dia 29 Junho (festa de S. Pedro e S. Paulo), procura representar a voca&ccedil;&atilde;o de Paulo como o &quot;mais surpreendente dos milagres&quot; (Teixeira de Pascoaes). D&aacute;-nos um novo olhar, numa esp&eacute;cie de &laquo;frescura metaf&oacute;rica&raquo; (P. Ricoeur), acerca da miss&atilde;o do Ap&oacute;stolo. <\/p>\n<p>Uma gram&aacute;tica visual, umbral de beleza, patente na pintura de Ilda David&#39;, em cujos quadros as imagens s&atilde;o palavras vivas, que espelham com clareza a vida e a import&acirc;ncia do Ap&oacute;stolo dos gentios para a Igreja de todos os tempos e lugares. <\/p>\n<p>A vis&atilde;o de Deus, a irrup&ccedil;&atilde;o do esplendor divino na vida de Paulo, &eacute;-nos apresentada num &laquo;resplendor extraordin&aacute;rio&raquo; (Teixeira de Pascoaes), que acende em n&oacute;s a mem&oacute;ria crist&atilde;, no presente e para o futuro, de homens e mulheres comprometidos com uma Igreja peregrina, encarnada na hist&oacute;ria humana e na cultura de cada tempo. &laquo;Numa cultura da globaliza&ccedil;&atilde;o onde o fazer, o criar e o trabalhar ocupam um lugar fundamental, a Igreja &eacute; chamada a promover o &quot;essere&quot;, o &quot;laudare&quot; e o &quot;contemplare&quot; para desvelar a dimens&atilde;o do Belo&raquo; (Paul Poupard).<\/p>\n<p>Qual a pertin&ecirc;ncia desta exposi&ccedil;&atilde;o para Igreja e para a cultura de hoje? Vivemos actualmente uma pluralidade de diferen&ccedil;as, de conhecimentos, de saberes, de valores. A abertura de Paulo aos gentios, com todo o seu fulgor fulminante, conduzido e mediado pelo Esp&iacute;rito, poder&aacute; ser uma refer&ecirc;ncia para a Igreja contempor&acirc;nea. Eis o seu grande desafio: fazer do mundo, de cada pessoa concreta, tal como na rela&ccedil;&atilde;o &iacute;ntima entre Pai e Filho, a habita&ccedil;&atilde;o de Deus e da plenitude do seu Amor. Sem medo, a Igreja ter&aacute; de se abrir &agrave; novidade, &agrave; diferen&ccedil;a, a realidades desconhecidas e a linguagens novas, sem com isso perder a sua identidade evang&eacute;lica. Se as pessoas t&ecirc;m dificuldade em &laquo;descobrir a &quot;res significata&quot;, quer dizer o pr&oacute;prio Cristo, &eacute; necess&aacute;rio repensar a &quot;res significans&quot;, quer dizer tudo o que conduz a Ele e aos mist&eacute;rios da f&eacute;, em fun&ccedil;&atilde;o da sua cultura, para uma evangeliza&ccedil;&atilde;o renovada&raquo; (Paul Poupard). <\/p>\n<p>Desafio cultural, &eacute; certo, mas tamb&eacute;m um desafio evangelizador, catequ&eacute;tico e vocacional. Afirmava S. Irineu que as imagens s&atilde;o quadros vivos para iletrados. N&atilde;o somente para as pessoas que n&atilde;o sabem ler, mas tamb&eacute;m para aqueles que vivem &agrave; margem da f&eacute;. A arte tem em si uma dimens&atilde;o universal, cosmopolita, que em breves tra&ccedil;os diz, por vezes, mais do que mil palavras. Por certo, diante do espect&aacute;culo da arte contempor&acirc;nea, necessitamos de novos c&oacute;digos de leitura, visto que as cenas b&iacute;blicas parecem ter-se evadido da nossa mem&oacute;ria, mesmo entre crist&atilde;os! Aquilo que faz da arte ser religiosa n&atilde;o &eacute; somente apresentar figuras ou cenas religiosas, retiradas de um determinado livro Sagrado, mas tamb&eacute;m do estilo, da intencionalidade e do impacto que ela provoca no int&eacute;rprete, numa esp&eacute;cie de &laquo;convers&atilde;o&raquo;, tal como aconteceu com Paul Claudel quando escutava a beleza da m&uacute;sica lit&uacute;rgica junto &agrave;s colunas da catedral Notre Dame. <\/p>\n<p>Jo&atilde;o B&eacute;nard da Costa, homem da e de cultura que fez da vida um encontro com a Beleza suprema, numa das suas profundas medita&ccedil;&otilde;es acerca do Belo interroga-se: &laquo;Por que &eacute; que, n&atilde;o s&oacute; na religi&atilde;o cat&oacute;lica mas em praticamente todas as religi&otilde;es, os templos, os lugares de ora&ccedil;&atilde;o, s&atilde;o &#8211; ou foram &#8211; privilegiadamente lugares de Beleza? Porqu&ecirc; a imediata associa&ccedil;&atilde;o da Beleza a um lugar onde se vai n&atilde;o para admirar uma coisa bela, mas para rezar, para entrar em di&aacute;logo com o transcendente&#8230;&raquo;. Ilda David&#39;, numa entrevista concedida ao jornal Di&aacute;rio do Minho aquando da inaugura&ccedil;&atilde;o da exposi&ccedil;&atilde;o, expressava o seguinte: &laquo;Invade-me uma responsabilidade acrescida, um temor. Embora tenha j&aacute; um painel de azulejos numa outra igreja, &eacute; sempre uma sensa&ccedil;&atilde;o tremenda. Porque &eacute; um lugar dedicado, onde se reza, onde se presta culto a Deus&raquo;. &Eacute; a epifania do esplendor de Deus, Luz que transforma, num resplendor extraordin&aacute;rio de criatividade humana.<\/p>\n<p>Esta exposi&ccedil;&atilde;o, feita a partir dos Actos dos Ap&oacute;stolos e das Cartas de Paulo, que re&uacute;ne 34 quadros, deveria provocar esse tremor, dada a intensidade com que atinge os nossos sentidos, tornando-a Evangelizadora. Ela inaugura uma nova experi&ecirc;ncia de ora&ccedil;&atilde;o, em vers&atilde;o de solil&oacute;quio e de encontro interior na Palavra feita Imagem e Semelhan&ccedil;a, capaz de transformar a nossa vis&atilde;o, projectando a mente no infinito, numa esp&eacute;cie de &laquo;sublevatio mentis&raquo; (subleva&ccedil;&atilde;o da mente) mas sem &laquo;alienatio mentis&raquo; (aliena&ccedil;&atilde;o da mente). Simult&acirc;nea pedagogia e experi&ecirc;ncia de ora&ccedil;&atilde;o. Deus faz-se, assim, presente no aroma do incenso, que nos eleva a contemplar a Beleza, Deus, que transforma o mundo pelo Amor. <\/p>\n<p>&Eacute; Catequ&eacute;tica porque parte da Palavra, que chama e apela para a escuta, onde a pintura n&atilde;o &eacute; mera representa&ccedil;&atilde;o mas interpreta&ccedil;&atilde;o simples e di&aacute;fana da complexidade sem&acirc;ntica que, porventura, as palavras possam apresentar. <\/p>\n<p>Sim. Porque a arte tem dinamismos capazes de gerar mudan&ccedil;a. Em torno de Paulo, Ap&oacute;stolo seduzido e circundado da Luz de Cristo, esta exposi&ccedil;&atilde;o tem seguramente uma finalidade Vocacional, de modo a gerar uma nova consci&ecirc;ncia e mentalidade renovadas, que v&atilde;o ao encontro dos anseios de todos aqueles e aquelas que querem viver radicalmente a partir de Cristo, na Igreja e no mundo. <\/p>\n<p>Porque acreditamos que o Esp&iacute;rito resplandece em cada cora&ccedil;&atilde;o humano, ao longo de seis meses, aproximadamente cerca de 5 mil pessoas passaram pelo claustro e pelas galerias da Igreja de S. Paulo do Semin&aacute;rio Conciliar de Braga, onde a Palavra se fez Imagem e Semelhan&ccedil;a. Neste n&uacute;mero significativo, encontram-se grupos paroquiais, movimentos religiosos, Universidades, Grupos de Jovens, Departamentos eclesiais diocesanos e paroquiais, Col&eacute;gios, Bispos das dioceses de Portugal e Espanha (aquando da realiza&ccedil;&atilde;o do Jornadas Ib&eacute;ricas das Comunica&ccedil;&otilde;es Sociais, da Cultura e dos Bens Culturais da Igreja, das Confer&ecirc;ncias Episcopais de Portugal e Espanha), grupos de Catequese e muitas outras pessoas a t&iacute;tulo individual ou familiar. Uma multid&atilde;o imensa, em idade e condi&ccedil;&atilde;o social distintas, que, em torno desta figura &iacute;mpar do cristianismo, procurou aprofundar e viver a f&eacute; com outra gram&aacute;tica do olhar. <\/p>\n<p>Para que o conte&uacute;do se tornasse acess&iacute;vel, o Semin&aacute;rio procurou sempre acompanhar os grupos organizados para melhor entenderem a linguagem da arte contempor&acirc;nea, que seria facilmente interiorizada se a Palavra estivesse na mem&oacute;ria, &laquo;na boca e no cora&ccedil;&atilde;o&raquo; (S. Paulo). Segundo a pr&oacute;pria pintora, &laquo;as imagens demasiadamente expl&iacute;citas podem tornar o texto banal. Evocar o texto de uma forma n&atilde;o expl&iacute;cita pode aproximar-nos mais dele&raquo;. E porque nem tudo &eacute; traduz&iacute;vel ou compreens&iacute;vel humanamente, vale a pena deixar este testemunho, entre muitos outros, presente no livro de honra de visitas da exposi&ccedil;&atilde;o: &quot;Entre o ver e o compreender vai uma dist&acirc;ncia semelhante &agrave; que separa o Paulo judeu do Paulo disc&iacute;pulo de Cristo&quot; (P.e Jo&atilde;o Alberto Correia, p&aacute;roco de S. Miguel de Frossos &#8211; Braga).<\/p>\n<p>Lugar de Beleza e de medita&ccedil;&atilde;o da Palavra, a visita &agrave; exposi&ccedil;&atilde;o tornou-se tamb&eacute;m um motivo de dinamiza&ccedil;&atilde;o vocacional com espa&ccedil;o para diversas express&otilde;es art&iacute;sticas para apresentar Paulo ao mundo de hoje (Pintura, Cinema, Orat&oacute;ria e Teatro). Porque a arte &eacute; din&acirc;mica e impulsionadora de imagina&ccedil;&atilde;o e criatividade, a partir desta exposi&ccedil;&atilde;o muitos outros eventos foram ocorrendo. Elucidados pelo esplendor dos quadros, e num &acirc;mbito vocacional intenso, os diversos grupos foram introduzidos na vida do Ap&oacute;stolo pela Ora&ccedil;&atilde;o, mediante os textos paulinos. <\/p>\n<p>Em parceria com a Sociedade B&iacute;blica, apresentou-se o filme Hino da Caridade de S. Paulo, interpretado por Eunice Mu&ntilde;oz, bem como o filme sobre a Vida de Paulo, realizado pelo Semin&aacute;rio aquando da abertura do Ano Paulino. Impulsionados pelo impacto da exposi&ccedil;&atilde;o, v&aacute;rios actores e actrizes profissionais leram, no Audit&oacute;rio Vita, as sete cartas de reconhecida autenticidade paulina. Sob o efeito deste impulso, o Grupo de Teatro S. Jo&atilde;o Bosco do Semin&aacute;rio de Braga, com arte e encanto, interpretou o musical &laquo;Paulo de Tarso&raquo;, visto por cerca de 2 mil pessoas.<\/p>\n<p>Com todas estas iniciativas, a diocese de Braga beneficiou do privil&eacute;gio de estudar a teologia paulina com D. Ant&oacute;nio Couto (cerca de 3 mil pessoas em Braga, Famalic&atilde;o, Guimar&atilde;es e P&oacute;voa de Varzim, de nove encontros com regularidade mensa), de contemplar a vida de S. Paulo com Ilda David&#39;, de escutar as Cartas paulinas com os actores profissionais Lu&iacute;s Miguel Cintra, Ant&oacute;nio Fonseca e Ant&oacute;nio Dur&atilde;es e a actriz M&aacute;rcia Breia, e de aceder &agrave; trama da vida do Ap&oacute;stolo com uma impressionante representa&ccedil;&atilde;o teatral.<\/p>\n<p>Numa verdadeira conflu&ecirc;ncia de vontades, de iniciativa divina e humana, este acontecimento tornou-se uma d&aacute;diva, um testemunho de evangeliza&ccedil;&atilde;o, que proporcionou o acesso &agrave; beleza da Verdade (Cristo), mediante o sil&ecirc;ncio eloquente das telas, enformadas pelo &laquo;Dabar&raquo; de Deus, numa genu&iacute;na &laquo;experi&ecirc;ncia do Esp&iacute;rito&raquo; (H. Matisse), actuante no hoje da hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n<p>Por desafio e cheios de esperan&ccedil;a, como afirmava D. Jorge Ortiga, na alocu&ccedil;&atilde;o inaugural da exposi&ccedil;&atilde;o, &laquo;acreditamos que, do ponto de vista da pastoral vocacional, da cultura e da evangeliza&ccedil;&atilde;o, os frutos ser&atilde;o imensos, de modo a intuirmos a vis&atilde;o da gl&oacute;ria de Deus para a humanidade nas Cartas de Paulo e a assumirmos a nossa voca&ccedil;&atilde;o ao servi&ccedil;o do amor&raquo;.<\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p align=\"right\"><em>Semin&aacute;rio Conciliar de Braga<\/em><\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p align=\"center\"><u>Slideshow: <a href=\"http:\/\/www.portal.ecclesia.pt\/ecclesiaout\/snpcultura\/tvb_cartas_sao_paulo_ilda_david_imagens.html\">www.portal.ecclesia.pt\/ecclesiaout\/snpcultura\/tvb_cartas_sao_paulo_ilda_david_imagens.html<\/a><\/u><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Esplendor de Deus num resplendor humano 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