{"id":39412,"date":"2009-06-13T11:51:50","date_gmt":"2009-06-13T11:51:50","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/13\/homilia-da-celebracao-do-13-de-junho-no-santuario-de-fatima\/"},"modified":"2009-06-13T11:51:50","modified_gmt":"2009-06-13T11:51:50","slug":"homilia-da-celebracao-do-13-de-junho-no-santuario-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-celebracao-do-13-de-junho-no-santuario-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia da celebra\u00e7\u00e3o do 13 de Junho no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Caros Peregrinos<\/p>\n<p>Perante a perplexidade, a curiosidade e a universalidade que a pergunta dos Ap&oacute;stolos desperta acerca da restaura&ccedil;&atilde;o do reino de Israel, que de algum modo sintetiza as grandes quest&otilde;es universais acerca da orienta&ccedil;&atilde;o da humanidade para um bem comum, Jesus promete-lhes o envio do Esp&iacute;rito Santo. Os Ap&oacute;stolos, na nova forma de rela&ccedil;&atilde;o com Jesus Cristo que adv&eacute;m da Ascens&atilde;o, sentem a necessidade de voltar aos locais da intimidade com Jesus, nos quais o Mestre revelou a profundidade da sua rela&ccedil;&atilde;o com eles, a transcend&ecirc;ncia da sua miss&atilde;o e o audacioso envio que, pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, a Igreja, ao longo da hist&oacute;ria,&nbsp; experimentaria em todos os seus membros. Maria, a M&atilde;e de Jesus, est&aacute; presente. Ela &eacute; agora a M&atilde;e da Igreja nascente que acompanhar&aacute; os Ap&oacute;stolos com a mesma intensidade e afecto materno com que acompanhou o seu Filho.<\/p>\n<p>Hoje, somos n&oacute;s, tamb&eacute;m, a colocar-nos na experi&ecirc;ncia do mist&eacute;rio pascal de Cristo, atrav&eacute;s dos sinais que Ele mesmo deixou &agrave; sua Igreja, na participa&ccedil;&atilde;o da Ceia Pascal, no caminho da renova&ccedil;&atilde;o que a cruz provoca, na experi&ecirc;ncia do Esp&iacute;rito Santo derramado. Maria, a M&atilde;e de Jesus, est&aacute; connosco. &Eacute; precisamente neste contexto que a Igreja perscruta os sinais reveladores de Deus para que possa encontrar resposta &agrave;s grandes inquieta&ccedil;&otilde;es da humanidade.<\/p>\n<p>&Eacute; oportuno recordar as palavras do Santo Padre, Bento XVI, na P&aacute;scoa deste ano. Diz ele: &laquo;O n&uacute;ncio da ressurrei&ccedil;&atilde;o do Senhor ilumina as zonas escuras do mundo em que vivemos. Refiro-me de modo particular ao materialismo e ao niilismo, &agrave;quela vis&atilde;o do mundo que n&atilde;o sabe transcender o que &eacute; experimentalmente constat&aacute;vel e refugia-se desconsolada num sentimento de que o nada seria a meta definitiva da exist&ecirc;ncia humana&raquo;.<\/p>\n<p>Na linguagem de S. Lucas, na cena apresentada no Evangelho, Maria, a M&atilde;e de Jesus, juntamente com os familiares, irrompe do meio da multid&atilde;o para se vir encontrar com o Seu Filho. Sim, Maria de Nazar&eacute;, se por um lado, junto da Cruz, &eacute; entregue aos disc&iacute;pulos para com eles iniciar a nova aventura da miss&atilde;o de Jesus Cristo, atrav&eacute;s da Igreja, por outro, ela &eacute; a Mulher que sobressai do meio da multid&atilde;o dos homens e das mulheres de todos os tempos para se colocar perante o Salvador, n&atilde;o apenas ela, com o olhar contemplativo do Mist&eacute;rio da Gra&ccedil;a e da Vida de Deus, mas com o cora&ccedil;&atilde;o de M&atilde;e que quer trazer junto do seu Filho todas as inquieta&ccedil;&otilde;es e ang&uacute;stias, as d&uacute;vidas e as mis&eacute;rias da humanidade. &laquo;Se &eacute; verdade &#8211; diz Bento XVI &#8211; que a morte j&aacute; n&atilde;o tem poder sobre o homem e sobre o mundo, todavia restam ainda muitos, demasiados sinais do seu antigo dom&iacute;nio. Se, por meio da P&aacute;scoa, Cristo j&aacute; extirpou a raiz do mal, todavia precisa de homens e mulheres que, em todo o tempo e lugar, O ajudem a consolidar a sua vit&oacute;ria com as mesmas armas d&#39;Ele: as armas da justi&ccedil;a e da verdade, da miseric&oacute;rdia, do perd&atilde;o e do amor&raquo; .<\/p>\n<p>N&oacute;s fazemos parte desta multid&atilde;o que &eacute; abra&ccedil;ada pelo cora&ccedil;&atilde;o de Maria, Nossa Senhora.<\/p>\n<p>&Eacute; significativo que Jesus, ao ser-lhe apresentado o desejo da sua fam&iacute;lia de O ver, ele mesmo, a transforme num horizonte universal. A verdadeira fam&iacute;lia de Jesus Cristo &eacute; formada por todos aqueles que escutam a Palavra de Deus e a colocam na pr&aacute;tica. Afinal, com a irrup&ccedil;&atilde;o do Mist&eacute;rio de Cristo no meio do mundo, a cria&ccedil;&atilde;o toma novo significado e as rela&ccedil;&otilde;es familiares, mesmo as mais nobres e &iacute;ntimas, tomam uma nova profundidade a partir de Deus que, em Jesus Cristo, se revela com a &uacute;nica paternidade que transmite o sentido novo a tudo o que existe.<\/p>\n<p>&Eacute; desta novidade que nos fala S. Paulo na Carta aos G&aacute;latas. Segundo ele, aqueles que fazem a experi&ecirc;ncia do Esp&iacute;rito, e portanto s&atilde;o de Cristo, &laquo;crucificaram a carne com as suas paix&otilde;es e apetites&raquo;. Deste modo, Paulo que &eacute; um incans&aacute;vel promotor da verdadeira liberdade humana, convida &agrave; experi&ecirc;ncia libertadora que em cada pessoa se realiza, sempre que se assume o mist&eacute;rio Pascal de Cristo. A finalidade &eacute; a nova cria&ccedil;&atilde;o, a humanidade nova, o homem e a mulheres renovados, mas tal n&atilde;o se alcan&ccedil;a sem a convers&atilde;o da mente e do cora&ccedil;&atilde;o. Mais ainda, aquele que alcan&ccedil;ou a liberdade na sua autenticidade, que lhe &eacute; oferecida pelo Espirito Santo, n&atilde;o deve deixar de caminhar nela. Isto significa, que &eacute; uma caminhada permanente, sob pena de se desviar e de a adulterar.<\/p>\n<p>O lema do Santu&aacute;rio, ao convidar a todos a viver o 9&ordm; Mandamento da Lei de Deus &laquo;os puros de cora&ccedil;&atilde;o ver&atilde;o a Deus&raquo; que traduz tamb&eacute;m uma das Bem-aventuran&ccedil;as, insere-se aqui, na docilidade ao Esp&iacute;rito Santo.<\/p>\n<p>A possibilidade de &laquo;ver&raquo; a Deus marcou a caminhada da humanidade de todos os tempos e marcou o drama do pensamento moderno e contempor&acirc;neo. Situados apenas nas possibilidades da raz&atilde;o como possibilidade de conhecimento, a pessoa humana, progressivamente, foi afastando a sua capacidade racional do confronto com o mist&eacute;rio divino que, atrav&eacute;s da revela&ccedil;&atilde;o, oferece &agrave; criatura a orienta&ccedil;&atilde;o e o desafio, muitas vezes &aacute;rduo, da busca da verdade, isto &eacute;, da busca de Deus.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s tempos de angustiosa busca da verdade, passou-se a uma situa&ccedil;&atilde;o generalizada de alheamento perante o que s&atilde;o valores absolutos e, consequentemente, j&aacute; n&atilde;o s&oacute; a tomar uma atitude de indiferen&ccedil;a perante Deus, mas desvalorizando de tal forma o homem que este &eacute; visto simplesmente na sua dimens&atilde;o horizontal &agrave; merc&ecirc; de todas as tend&ecirc;ncias de opini&atilde;o. Cedo se passa para um relativismo moral e para uma instrumentaliza&ccedil;&atilde;o da pessoa humana.<\/p>\n<p>O avassalador &laquo;nada&raquo; caracter&iacute;stico da nossa cultura est&aacute; a lan&ccedil;ar os seus tent&aacute;culos e a destruir progressivamente o homem.<\/p>\n<p>As an&aacute;lises est&atilde;o feitas e as consequ&ecirc;ncias est&atilde;o bem patentes na crise de valores, que caracteriza a situa&ccedil;&atilde;o social actual, que infelizmente afecta tantos dos nossos contempor&acirc;neos. &laquo;Num tempo de global escassez de alimento, de desordem financeira, de antigas e novas pobrezas, de preocupantes altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, de viol&ecirc;ncias e mis&eacute;ria que constringem muitos a deixar a sua terra &agrave; procura duma sobreviv&ecirc;ncia menos incerta, de terrorismo sempre amea&ccedil;ador, de temores crescentes perante a incerteza do amanh&atilde;, &eacute; urgente descobrir perspectivas capazes de devolverem a esperan&ccedil;a&raquo; . Isto &eacute;, importa encontrar outro sentido para a nossa exist&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Bento XVI, no discurso para a Universidade de La Sapienza, afirma-o deste modo: &laquo;Verdade significa mais do que saber: o conhecimento da verdade tem como finalidade o conhecimento do bem (&#8230;)A verdade torna-nos bons, e a bondade &eacute; verdadeira: tal &eacute; o optimismo que vive a f&eacute; crist&atilde;, porque a esta foi concedida a vis&atilde;o do Logos, da Raz&atilde;o criadora que, na encarna&ccedil;&atilde;o de Deus, se revelou conjuntamente como o Bem, como a pr&oacute;pria Bondade&raquo;. Olhando para o desenvolvimento actual, afirma o Papa que com ele, &laquo;abriu-se &agrave; humanidade n&atilde;o apenas uma medida imensa de saber e de poder; mas aumentaram tamb&eacute;m o conhecimento e o reconhecimento dos direitos e da dignidade do homem (&#8230;) No entanto, o caminho do homem jamais pode dizer-se completo, e o perigo de cair na desumanidade nunca est&aacute; esconjurado de todo: como se v&ecirc; no panorama da hist&oacute;ria actual&raquo;. De entre os m&uacute;ltiplos perigos que experimenta o homem actual, o Papa real&ccedil;a que o maior de todos &eacute; que &laquo;o homem hoje, precisamente &agrave; vista da grandeza do seu saber e do seu poder, desista diante da quest&atilde;o da verdade; significando isto ao mesmo tempo que, no fim de contas, a raz&atilde;o cede face &agrave; press&atilde;o dos interesses e &aacute; atrac&ccedil;&atilde;o da utilidade, obrigada a reconhec&ecirc;-La como crit&eacute;rio derradeiro&raquo;. Por seu lado, como afirma o Conc&iacute;lio,&nbsp; &laquo;a Igreja afirma que o reconhecimento de Deus n&atilde;o se op&otilde;e de forma alguma &agrave; dignidade humana, porque esta dignidade encontra no pr&oacute;prio Deus o seu fundamento e a sua perfei&ccedil;&atilde;o&raquo;. E, continua, &laquo;com efeito, o homem foi constitu&iacute;do inteligente e livre, em sociedade, por Deus Criador; mas sobretudo como filho, &eacute; chamado &agrave; comunh&atilde;o com Deus e a participar da sua pr&oacute;pria felicidade&raquo;. Conclui, dizendo que &laquo;a Igreja ensina (&#8230;) que a esperan&ccedil;a escatol&oacute;gica n&atilde;o diminui a import&acirc;ncia das tarefas terrestres, antes salienta a import&acirc;ncia da sua realiza&ccedil;&atilde;o com novos motivos&raquo;. Adverte, ainda, o concilio que &laquo;quando falta o fundamento divino e a esperan&ccedil;a da vida eterna, a dignidade do homem &eacute; gravissimamente lesada, como se verifica frequentemente em nosso dias, e fica sem solu&ccedil;&atilde;o o enigma da vida e da morte, do pecado e do sofrimento, de tal modo que n&atilde;o raro, os homens caem no desespero&raquo; (GS, 21). Porque o homem &eacute; para si mesmo um problema sem solu&ccedil;&atilde;o, &laquo;s&oacute; Deus lhe pode responder plenamente e com toda a seguran&ccedil;a. Ele que chama o homem a uma reflex&atilde;o mais profunda e a uma procura mais humilde&raquo;(GS, 21).<\/p>\n<p>Na mensagem dirigida aos jovens, por ocasi&atilde;o da Jornada Mundial da Juventude, deste ano, Bento XVI adverte os jovens para a crise da esperan&ccedil;a. Diz ele: &laquo;penso em tantos coet&acirc;neos vossos, feridos pela vida, condicionados por uma imaturidade pessoal que muitas vezes &eacute; consequ&ecirc;ncia de um vazio familiar, de op&ccedil;&otilde;es educativas permissivas e libertin&aacute;rias e de experi&ecirc;ncias negativas e traum&aacute;ticas. Para alguns e infelizmente n&atilde;o s&atilde;o poucos a sa&iacute;da quase obrigat&oacute;ria &eacute; uma fuga alienante com comportamentos de risco e violentos, na depend&ecirc;ncia de drogas e &aacute;lcool, e em muitas outras formas de mal-estar juvenil&raquo;.<\/p>\n<p>Na certeza que tamb&eacute;m estes mergulhados na desorienta&ccedil;&atilde;o e na indignidade humana, buscam a felicidade, pergunta-se, como anunciar a esperan&ccedil;a a estes jovens? Por isso, continua o Papa, &laquo;n&oacute;s sabemos que s&oacute; em Deus o ser humano encontra a sua verdadeira realiza&ccedil;&atilde;o. O compromisso prim&aacute;rio que interpela todos &eacute;, portanto, o de uma nova evangeliza&ccedil;&atilde;o, que ajude as novas gera&ccedil;&otilde;es a redescobrir o rosto aut&ecirc;ntico de Deus, que &eacute; Amor&raquo; .<\/p>\n<p>&Eacute; esta certeza que leva a Igreja a afirmar que &laquo;a sua mensagem est&aacute; de acordo com os anseios mais profundos do cora&ccedil;&atilde;o humano, quando defende a dignidade da voca&ccedil;&atilde;o do homem, restituindo a esperan&ccedil;a &agrave;queles que j&aacute; desesperam do seu destino mais nobre. A sua mensagem, longe de diminuir o homem, difunde, para o seu progresso, luz, vida e liberdade, e fora dessa mensagem nada pode satisfazer o cora&ccedil;&atilde;o humano: &quot;fizeste-nos para Ti, Senhor, e o nosso cora&ccedil;&atilde;o est&aacute; inquieto enquanto n&atilde;o repousa em Ti&quot;&raquo; (GS 21).<\/p>\n<p>A Igreja, no cumprimento da sua miss&atilde;o, &laquo;tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e de os interpretar &agrave; luz do Evangelho, de tal sorte que possa responder, de um modo adequado a cada gera&ccedil;&atilde;o, &agrave;s perenes interroga&ccedil;&otilde;es dos homens sobre o sentido da vida presente e futura e sobre a sua rela&ccedil;&atilde;o rec&iacute;proca. Importa, por conseguinte, conhecer e compreender este mundo no qual vivemos, as suas esperan&ccedil;as, as suas aspira&ccedil;&otilde;es, a sua indole frequentemente dram&aacute;tica&raquo;(GS, 4). &Eacute; precisamente &agrave; luz do Verbo Encarnado, que revela o homem ao pr&oacute;prio homem, que a Igreja ausculta o que Deus Criador e Redentor quer oferecer para a liberta&ccedil;&atilde;o integral dos seus filhos.<\/p>\n<p>O Conc&iacute;lio conduz-nos no reconhecimento de que estamos hoje numa idade nova da hist&oacute;ria do g&eacute;nero humano, caracterizada por mudan&ccedil;as profundas e r&aacute;pidas que se estendem gradualmente ao mundo inteiro. S&atilde;o provocadas pela intelig&ecirc;ncia do homem e pela sua actividade criadora e t&ecirc;m reflexos profundos na vida e no ser do pr&oacute;prio homem, nos seus ju&iacute;zos,&nbsp; nos seus desejos individuais e colectivos, no seu modo de pensar e de agir. Estamos perante uma transforma&ccedil;&atilde;o cultural que bem se pode chamar de metamorfose social e&nbsp; cultural, com efeitos profundos na vida religiosa.&nbsp; Chama-lhe crise de crescimento e, como tal, acarreta consigo s&eacute;rias dificuldades. Deste modo, afirmam os Padres Conciliares: &laquo;enquanto o homem amplia extraordinariamente o seu poder, nem sempre consegue p&ocirc;-lo ao seu servi&ccedil;o. Esfor&ccedil;ando-se por penetrar sempre mais na sua intimidade espiritual, com frequ&ecirc;ncia se manifesta mais incerto de si mesmo. Descobre aos poucos, e sempre com maior clareza, as leis da vida social, mas hesita sobre as orienta&ccedil;&otilde;es que importa dar-lhe&raquo; (GS, 4). J&aacute; o Conc&iacute;lio descreveu as ambiguidades s&oacute;cio-culturais que vive o mundo contempor&acirc;neo. Por isso, diz: &laquo;Oprimidos por uma situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o complexa, muitos dos nosso contempor&acirc;neos est&atilde;o impedidos de descobrir verdadeiramente os valores perenes e, ao mesmo tempo, de os harmonizar com as descobertas recentes; por isso, vivem cheios de inquieta&ccedil;&atilde;o, agitados entre a esperan&ccedil;a e o temor, interrogando-se sobre a evolu&ccedil;&atilde;o do mundo contempor&acirc;neo&raquo; (GS, 4).<\/p>\n<p>Esta realidade cultural, complexa, com tanta perplexidade e ambiguidade, onde incidem factores fracturantes sobre os valores e os crit&eacute;rios que harmonizam o homem e a sociedade, tem repercuss&otilde;es na vida religiosa. Assim o reconhece o Vaticano II, ao sublinhar: &laquo;Por um lado, o espirito cr&iacute;tico purifica a vida religiosa de uma concep&ccedil;&atilde;o m&aacute;gica do mundo e de supersti&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o sobrevivendo, e exige uma ades&atilde;o &agrave; f&eacute; cada vez mais pessoal e actuante, o que faz que n&atilde;o poucos atinjam um sentido mais vivo de Deus. Por outro lado, multid&otilde;es cada vez mais numerosas afastam-se, na pr&aacute;tica, da religi&atilde;o&raquo; (GS, 7). Reconhecem, os Padres conciliares, que &laquo;recusar Deus ou a religi&atilde;o, n&atilde;o se preocupar com isso, n&atilde;o &eacute;, ao contr&aacute;rio de outros tempos, um facto excepcional e individual: hoje, com efeito, tal atitude &eacute; frequentemente apresentada como uma exig&ecirc;ncia do progresso cient&iacute;fico ou de um qualquer humanismo&raquo; (GS, 7). E concluem que &laquo;em numerosas regi&otilde;es, tudo isto n&atilde;o se exprime s&oacute; ao n&iacute;vel filos&oacute;fico; afecta tamb&eacute;m, e em muita larga escala, a literatura e a arte, a concep&ccedil;&atilde;o das ci&ecirc;ncias do homem e da hist&oacute;ria e as pr&oacute;prias leis civis de tal modo que muitos se perturbam com isso&raquo; (GS, 7).<\/p>\n<p>A Igreja, em todos os seus membros, &eacute; convidada a testemunhar a verdade de Deus para servir a verdade do homem. Como afirma Jo&atilde;o Paulo II: &laquo;O homem &eacute; o caminho da Igreja&raquo;, mas o homem entendido na abrang&ecirc;ncia e na riqueza do seu ser, criado &agrave; imagem e semelhan&ccedil;a de Deus e a Ele continuamente relacionado.<\/p>\n<p>S&oacute; com a experi&ecirc;ncia de um cora&ccedil;&atilde;o purificado, l&iacute;mpido da cegueira do pecado, liberto da unilateralidade das ideologias, resgatado &agrave;s escravid&otilde;es do mundo, o homem poder&aacute; gozar da aut&ecirc;ntica liberdade para a qual Jesus Cristo o resgatou.<\/p>\n<p>Deixemo-nos conduzir at&eacute; aos lugares da intimidade com Jesus Cristo, onde se celebra permanentemente a Ceia Pascal de Cristo, para a&iacute;, pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, escutarmos a voz que convida a sermos testemunhas de Jesus Redentor at&eacute; aos confins da terra.<\/p>\n<p>Irmanados com toda a humanidade, com a qual fazemos parte desta multid&atilde;o, atrav&eacute;s da qual Nossa Senhora irrompe, levando consigo as nossas ang&uacute;stias e sofrimentos, perplexidades e anseios, e tornando-nos presentes a seu Filho, que nos transforma em sua fam&iacute;lia, pela escuta e pela pr&aacute;tica da Sua Palavra. Sejamos dignos da nossa condi&ccedil;&atilde;o de filhos de Deus.<\/p>\n<p>Imploremos de Nossa Senhora de F&aacute;tima, dos beatos Francisco e Jacinta, que nos alcancem de Jesus a ben&ccedil;&atilde;o para as nossas fam&iacute;lias, crian&ccedil;as, jovens, idosos e para todos os que sofrem. Amen<\/p>\n<p><em>+ Jo&atilde;o Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros Peregrinos Perante a perplexidade, a curiosidade e a universalidade que a pergunta dos Ap&oacute;stolos desperta acerca da restaura&ccedil;&atilde;o do reino de Israel, que de algum modo sintetiza as grandes quest&otilde;es universais acerca da orienta&ccedil;&atilde;o da humanidade para um bem comum, Jesus promete-lhes o envio do Esp&iacute;rito Santo. 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