{"id":39407,"date":"2009-06-13T10:36:27","date_gmt":"2009-06-13T10:36:27","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/13\/homilia-da-celebracao-do-dia-12-de-junho-no-santuario-de-fatima\/"},"modified":"2009-06-13T10:36:27","modified_gmt":"2009-06-13T10:36:27","slug":"homilia-da-celebracao-do-dia-12-de-junho-no-santuario-de-fatima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-da-celebracao-do-dia-12-de-junho-no-santuario-de-fatima\/","title":{"rendered":"Homilia da Celebra\u00e7\u00e3o do dia 12 de Junho no Santu\u00e1rio de F\u00e1tima"},"content":{"rendered":"<p>Caros Peregrinos<\/p>\n<p>&laquo;Se algu&eacute;m tem sede venha a Mim e beba&raquo;. Com este convite, Jesus Cristo identifica-se n&atilde;o s&oacute; com o Pai que, no deserto, atento &agrave; s&uacute;plica de Mois&eacute;s, fez jorrar a &aacute;gua que matou a sede ao Povo em demanda da terra prometida, mas Ele mesmo possui o dom capaz de saciar a sede de todo o ser humano, como Ele mesmo exprimiu &agrave; Samaritana: &laquo;Se conhecesses o dom de Deus(&#8230;)tu &eacute; que lhe terias pedido, e Ele dar-te-ia uma &aacute;gua viva&raquo; (Jo.4, 10). E, Jesus sublinha, ainda, que tipo de &aacute;gua &eacute; esta que ele oferece: &laquo;quem bebe desta &aacute;gua voltar&aacute; a ter sede; mas quem beber da &aacute;gua que Eu lhe der jamais ter&aacute; sede, porque a &aacute;gua que Eu lhe der tornar-se-&aacute; nele uma nascente de &aacute;gua a jorrar para a vida eterna&raquo; (Jo. 4, 13 -14).<\/p>\n<p>O ser humano &eacute; sedento de verdade, de bem, do belo, da justi&ccedil;a e do amor, o ser humano &eacute; sedento de Deus. N&atilde;o lhe basta fazer a experi&ecirc;ncia de matar a sede do seu ser atrav&eacute;s de um conjunto de actos exteriores, ele tem necessidade de uma comunh&atilde;o de vida com a fonte, ou nascente, onde jorra o manancial de &aacute;gua que sacia plenamente a sua sede.<\/p>\n<p>&Eacute; esta participa&ccedil;&atilde;o na comunh&atilde;o com Deus que Jesus oferece pelo dom permanente do Esp&iacute;rito Santo. Como afirma Jo&atilde;o Paulo II: &laquo;O homem n&atilde;o pode viver sem amor. Ele permanece para si pr&oacute;prio incompreens&iacute;vel e a sua vida &eacute; destitu&iacute;da de sentido, se n&atilde;o lhe for revelado o amor, se n&atilde;o se encontra com o amor, se n&atilde;o o experimenta e o n&atilde;o torna algo de si pr&oacute;prio, se nele n&atilde;o participa vivamente&raquo; (R H, 10). Por isso, Jesus Cristo na sua reden&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; revela o homem ao pr&oacute;prio homem, mas tamb&eacute;m o homem experimenta a sua grandeza, a dignidade e o valor pr&oacute;prio da sua humanidade. Deste modo, continua Jo&atilde;o Paulo II, &laquo;no mist&eacute;rio da reden&ccedil;&atilde;o o homem &eacute; novamente &quot;confirmado&quot; e, de algum modo, &eacute; novamente criado&raquo; (RH, 10). Para concluir, dizendo, se o homem quiser compreender-se a si mesmo profundamente, deve, com a sua inquietude, incerteza e tamb&eacute;m fraqueza e pecaminosidade, com a sua vida e com a sua morte, aproximar-se de Cristo. E, o saudoso Papa diz mesmo &laquo;deve, por assim dizer, entrar nEle com tudo o que &eacute; em si mesmo, deve &quot;apropriar-se&quot; e assimilar toda a realidade da Encarna&ccedil;&atilde;o e da Reden&ccedil;&atilde;o, para se encontrar a si mesmo&raquo; (RH, 10). Quando se verificar este processo profundo, ent&atilde;o o homem produz frutos n&atilde;o s&oacute; de adora&ccedil;&atilde;o a Deus, mas de profunda maravilha perante si mesmo.<\/p>\n<p>&laquo;A Igreja, tendo em conta Cristo e a raz&atilde;o do seu mist&eacute;rio que constitui a vida pr&oacute;pria da Igreja, n&atilde;o pode permanecer insens&iacute;vel a tudo o que serve ao verdadeiro bem do homem, como t&atilde;o pouco pode permanecer indiferente ao que o amea&ccedil;a&raquo; (RH, 13). Estas s&atilde;o palavras de Jo&atilde;o Paulo II, logo ao inicio do seu pontificado e bem demonstram o servi&ccedil;o da Igreja ao homem concreto, hist&oacute;rico, porque o ser humano &eacute; a &uacute;nica criatura sobre a terra a ser querida por Deus por si mesma. A Igreja, fiel a Cristo, n&atilde;o pode abandonar o homem, cuja elei&ccedil;&atilde;o, chamamento, nascimento e morte, salva&ccedil;&atilde;o ou perdi&ccedil;&atilde;o, est&atilde;o estreitamente unidos a Cristo. Trata-se da verdade do homem que s&oacute; perante o mist&eacute;rio do Verbo Encarnado se descobre.<\/p>\n<p>O homem &eacute; o caminho da Igreja. Por isso, ela est&aacute; atenta &agrave; situa&ccedil;&atilde;o do homem, aos seus &ecirc;xitos e aos seus fracassos, &agrave;s suas conquistas e &agrave;s suas amea&ccedil;as. Numa palavra, a Igreja deve estar bem consciente de tudo aquilo que &eacute; contr&aacute;rio ao processo de nobilita&ccedil;&atilde;o da vida humana (cfr. RH, 14).<\/p>\n<p>A Igreja reconhece que o progresso e o desenvolvimento da civiliza&ccedil;&atilde;o do nosso tempo, assinalado pelo predom&iacute;nio da t&eacute;cnica, exigem proporcional desenvolvimento da moral e da &eacute;tica. Neste contexto, uma pergunta sobressai: ser&aacute; que o progresso da intelig&ecirc;ncia tem tornado a vida humana, em todos os seus aspectos, mais humana? Ou seja, mais digna do homem? A resposta s&oacute; poder&aacute; ser uma e s&oacute; ser&aacute; afirmativa &laquo;se o homem enquanto homem, no ambiente do actual progresso, se torna verdadeiramente melhor, isto &eacute;, mais amadurecido espiritualmente, mais consciente da dignidade da sua humanidade, mais respons&aacute;vel, mais aberto para os outros, especialmente para os mais necessitados e mais fracos, e mais dispon&iacute;vel para proporcionar e prestar ajuda a todos&raquo; (RH, 15). Importa lembrar um principio important&iacute;ssimo que o Conc&iacute;lio ofereceu para a leitura do verdadeiro progresso, referindo-se ao dom&iacute;nio que o homem exerce sobre o mundo vis&iacute;vel, que lhe foi confiado pelo Criador, que s&oacute; se dar&aacute; na prioridade da &eacute;tica sobre a t&eacute;cnica, no primado da pessoa sobre as coisas, na superioridade do esp&iacute;rito sobre a mat&eacute;ria (cfr. RH, 16). Numa palavra, urge gritar ao homem de hoje, tratar-se, n&atilde;o tanto de ter mais, mas de ser mais.<\/p>\n<p>Mas o Evangelho refere que &laquo;do seio daquele que acredite em Mim, correr&atilde;o rios de &aacute;gua viva&raquo;. Com estas palavras, Jesus Cristo n&atilde;o s&oacute; promete que sacia a sede de toda a pessoa sequiosa, mas responsabiliza-nos a n&oacute;s, crist&atilde;os, em primeiro lugar, por sermos dispensadores da &laquo;verdadeira &aacute;gua&raquo; capaz de saciar a sede dos nossos contempor&acirc;neos. Quem pode saciar o ser humano? S&oacute; Cristo. Tal como Ele mesmo se revelou e como quis ficar presente na Igreja e no mundo. Eis o primeiro servi&ccedil;o ao homem de hoje: a fidelidade. Assim o sentiu S. Paulo ao reconhecer que, embora interpelado por diversos modos de vida e de pensamento, n&atilde;o poderia oferecer outra coisa que n&atilde;o fosse a Jesus Cristo e Cristo crucificado. Porque Ele &eacute; para os eleitos poder e sabedoria de Deus.<\/p>\n<p>&laquo;Deus &eacute; que nos marcou com o Seu selo e deu aos nossos cora&ccedil;&otilde;es o penhor do Esp&iacute;rito&raquo;. Dizia S. Paulo na segunda leitura. Estamos marcados pelo esp&iacute;rito da verdade que nos leva a descobrir continuamente a verdade acerca do ser humano e a verdade de Deus, revelada em Jesus Cristo. O homem na sua intelig&ecirc;ncia e no seu cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fica realizado por mera troca de opini&atilde;o. Ele sente a necessidade de se lan&ccedil;ar na aventura da conquista que o torna o ser mais sublime de toda a cria&ccedil;&atilde;o, o incans&aacute;vel buscador da verdade que o leva a encontrar-se com Deus que, por Sua vez, vem ao seu encontro.<\/p>\n<p>&Eacute; precisamente neste processo que a palavra proclamada na primeira leitura e o lema do santu&aacute;rio para este ano nos iluminam.<\/p>\n<p>O profeta Ezequiel interpreta a vontade de Deus em reunir o seu povo, em purific&aacute;-lo, em dar-lhe um cora&ccedil;&atilde;o novo e infundir nele o Seu esp&iacute;rito. Segundo as suas palavras, &eacute; Deus que toma a iniciativa de procurar o ser humano e, pelo seu grande amor, projecta sobre ele um futuro de perfei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Estar&aacute; o homem aberto a esta ac&ccedil;&atilde;o de Deus? Esta foi a pergunta que percorreu a hist&oacute;ria da salva&ccedil;&atilde;o. Com esta interroga&ccedil;&atilde;o se deparou Jesus Cristo, confrontando a sua vida, Ele que &eacute; &laquo;o caminho a verdade e a vida&raquo;, com a obstina&ccedil;&atilde;o dos seus contempor&acirc;neos em se abrirem &agrave; ac&ccedil;&atilde;o de Deus, aceitando a sua identifica&ccedil;&atilde;o com o Pai. Este &eacute; o drama do nosso tempo, o afastamento do homem da verdade presente em pessoa divina, em Jesus Cristo, que interpela mas, ao mesmo tempo, oferece a reden&ccedil;&atilde;o e, pela ac&ccedil;&atilde;o do Esp&iacute;rito Santo, f&aacute;-lo experienciar a plenitude da verdade, na comunh&atilde;o com o Pai.<\/p>\n<p>O lema deste santu&aacute;rio, &laquo;os puros de cora&ccedil;&atilde;o ver&atilde;o a Deus&raquo;, coloca-nos perante a exig&ecirc;ncia que nos &eacute; feita pelo profeta &laquo;lavai-vos, purificai-vos, afastai de mim a mal&iacute;cia das vossas ac&ccedil;&otilde;es&raquo;&nbsp; (Is. 1,16), s&oacute; deste modo podemos percorrer os caminhos da verdade que na experi&ecirc;ncia crist&atilde; se interliga com a experi&ecirc;ncia do amor. Em S. Jo&atilde;o, n&atilde;o s&oacute; o reconhecimento de Deus, a verdade plena, se alcan&ccedil;ar&aacute; pela pr&aacute;tica do amor(cfr. 1Jo. 4, 7ss), como no significado da Ceia Pascal, Jesus Cristo despoja-se a si mesmo, e tomando a condi&ccedil;&atilde;o de servo, coloca-se em atitude de quem quer lavar os seus ap&oacute;stolos, convidando-os &agrave; humildade para reconhecerem que necessitam que Ele mesmo os purifique, e exorta-os a que fa&ccedil;am o mesmo aos seus irm&atilde;os (cfr.Jo.13, 4-15).<\/p>\n<p>Estamos a viver um contexto civilizacional, no qual, a f&eacute; crist&atilde; est&aacute; constantemente a ser confrontada, j&aacute; n&atilde;o tanto, com modelos racionais, mas sobretudo com modelos pag&atilde;os. &Eacute; perante a idolatria do ser humano, da sua sensualidade, do poder, da gan&acirc;ncia e dos bens materiais, que S. Paulo nos adverte, como fez &agrave; comunidade de Corinto, que ap&oacute;s sublinhar que todos os id&oacute;latras n&atilde;o possuir&atilde;o o reino de Deus, volta-se para os crist&atilde;os para os advertir, dizendo: &laquo;Mas v&oacute;s fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados pelo nome de Nosso Senhor Jesus Cristo e pelo Esp&iacute;rito do nosso Deus&raquo; (1Cor. 6, 11). Depois de gritar aos ouvidos dos seus contempor&acirc;neos: &laquo;Fugi da imoralidade&raquo; (1Cor. 6, 18), Paulo exorta os baptizados da comunidade de Corinto com as seguintes palavras: &laquo;N&atilde;o sabeis, porventura, que o vosso corpo &eacute; templo do Esp&iacute;rito Santo, que habita em v&oacute;s, que recebestes de Deus e que n&atilde;o vos pertenceis a v&oacute;s mesmos? &Eacute; que fostes comprados por um grande pre&ccedil;o. Glorificai a Deus no vosso corpo&raquo;(1Cor. 6, 19-20).<\/p>\n<p>Repito, envolvidos num clima religioso neo-pag&atilde;o, a necessitar de escutar a palavra do Evangelho, como se fosse pela primeira vez, para re-introduzir o ser humano no verdadeiro sentido da sua vida, importa alertar os crist&atilde;os, tantas vezes seduzidos pelo ambiente que os rodeia, que, para serem autenticamente mission&aacute;rios nos meios onde vivem, devem come&ccedil;ar por apreciar em si mesmos o valor da reden&ccedil;&atilde;o operada por Jesus Cristo.<\/p>\n<p>Um dos graves problemas do nosso tempo, fruto da sedu&ccedil;&atilde;o neo-pag&atilde;, tem a ver com a utiliza&ccedil;&atilde;o dos s&iacute;mbolos crist&atilde;os mas sem a sua verdadeira densidade simb&oacute;lica, ou seja, sem passar pela verdadeira compreens&atilde;o do conte&uacute;do que os sinais cont&ecirc;m. Mas igualmente grave &eacute; o corte existencial entre a pr&aacute;tica dos ritos da f&eacute; crist&atilde; e a consequente vida moral. Tamb&eacute;m neste campo dos comportamentos morais e &eacute;ticos, devemos escutar a S. Paulo que sentiu a amea&ccedil;a deste mesmo perigo. Diz ele: &laquo;V&oacute;s irm&atilde;os, fostes chamados &agrave; liberdade, n&atilde;o tomeis por&eacute;m a liberdade, como pretexto para servir a carne. Pelo contr&aacute;rio, fazei-vos servos uns dos outros pela caridade(&#8230;) (Gal. 5,13-14). E, ap&oacute;s enumerar as obras vinda da escravid&atilde;o da carne, apresenta os frutos do esp&iacute;rito do seguinte modo: &laquo;caridade, alegria, paz, paci&ecirc;ncia, benignidade, bondade, fidelidade, mansid&atilde;o, temperan&ccedil;a&raquo; (Gal. 5, 22-23). Conclui afirmando que os que s&atilde;o de Cristo crucificaram a carne com as suas paix&otilde;es e apetites, porque se vivemos pelo Esp&iacute;rito, caminhemos tamb&eacute;m segundo o Esp&iacute;rito (cfr. Gal. 5, 24-25).<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Paulo II alerta para esta mesma realidade com a seguintes palavras: &laquo;A radical separa&ccedil;&atilde;o entre liberdade e verdade &eacute; consequ&ecirc;ncia, manifesta&ccedil;&atilde;o e realiza&ccedil;&atilde;o de uma outra dicotomia mais grave e perniciosa, a que separa a f&eacute; da moral. Esta separa&ccedil;&atilde;o constitui uma das mais s&eacute;rias preocupa&ccedil;&otilde;es pastorais da Igreja no actual processo de secularismo, onde tantos, demasiados homens pensam e vivem &quot;como se Deus n&atilde;o existisse&quot;&raquo; (VS, 88).&nbsp; Reconhece o Papa que nos encontramos diante de uma mentalidade que atinge, frequentemente de modo profundo, vasto e capilar, as atitudes e os comportamentos dos crist&atilde;os, cuja f&eacute; se debilita e perde a pr&oacute;pria originalidade de novo crit&eacute;rio interpretativo e operativo para a exist&ecirc;ncia pessoal, familiar e social. Insiste, dizendo que os crit&eacute;rios de ju&iacute;zo e de escolha, assumidos por muitos crentes, apresentam-se, frequente-mente, no contexto de uma cultura amplamente descristianizada, como alheios ou mesmo contrapostos aos do Evangelho (cfr. VS, 88). Duas urg&ecirc;ncias &agrave; pastoral da Igreja, neste dom&iacute;nio: que os crist&atilde;os redescubram a novidade da sua f&eacute; e a sua for&ccedil;a de discernimento; recuperem e voltem a propor o verdadeiro rosto da f&eacute; crist&atilde;, que n&atilde;o &eacute; simplesmente um conjunto de proposi&ccedil;&otilde;es a serem acolhidas e ratificadas com a mente. Trata-se, sim, de um conhecimento existencial de Cristo, mem&oacute;ria viva dos seus mandamentos, verdade a ser vivida (cfr. VS, 88).<\/p>\n<p>O ser humano, convidado a purificar o seu olhar, coloca-o no horizonte de viver em plenitude a liberdade na responsabilidade. Mas depara-se com um drama, que Jo&atilde;o Paulo II descreve do seguinte modo: &laquo;A reflex&atilde;o racional e a experi&ecirc;ncia quotidiana demonstram a debilidade que caracteriza a liberdade do homem. &Eacute; liberdade real mas finita (&#8230;) &Eacute; liberdade de uma criatura, ou seja, a liberdade dada, que deve ser acolhida com um g&eacute;rmen e fazer-se amadurecer com responsabilidade. &Eacute; parte constitutiva daquela imagem de criatura que fundamenta a dignidade da pessoa: nela ressoa a voca&ccedil;&atilde;o original com que o Criador chama o homem ao verdadeiro bem, e, mais ainda, com a revela&ccedil;&atilde;o de Cristo, chama-o a estabelecer amizade com Ele, participando na mesma vida divina. &Eacute; inalien&aacute;vel propriedade pessoal e, ao mesmo tempo, abertura universal a todo o vivente, com a sa&iacute;da de si rumo ao conhecimento e ao amor do outro. Portanto, a liberdade radica na verdade do homem e destina-se &agrave; comunh&atilde;o&raquo; (VS, 86). Considera ainda o saudoso Papa: &laquo;A raz&atilde;o e a experi&ecirc;ncia atestam, n&atilde;o s&oacute; a debilidade da liberdade humana, mas tamb&eacute;m o seu drama. O homem descobre que a sua liberdade est&aacute; misteriosamente inclinada a trair esta abertura &agrave; Verdade e ao Bem, e que, com bastante frequ&ecirc;ncia, de facto, ele prefere escolher bens finitos, limitados e ef&eacute;meros&raquo; (VS, 86). Para concluir que a liberdade necessita de ser libertada, porque detr&aacute;s dos erros e das op&ccedil;&otilde;es negativas, o homem detecta a origem de uma revolta radical, que o leva a rejeitar a Verdade e o Bem para se arvorar em princ&iacute;pio absoluto de si pr&oacute;prio. S&oacute; Cristo &eacute; libertador. Como refere S. Paulo, &laquo;Ele nos libertou, para que permane&ccedil;amos livres&raquo; (Gal. 5,1).<\/p>\n<p>S&oacute; a Verdade aut&ecirc;ntica, Jesus Cristo, caminho, verdade e vida, &eacute; condi&ccedil;&atilde;o para a aut&ecirc;ntica liberdade. Como sublinha S. Jo&atilde;o &laquo;Conhecereis a Verdade e a verdade vos libertar&aacute;&raquo; (Jo. 8,32).<\/p>\n<p>N&atilde;o apaguemos ou descuidemos a marca do Esp&iacute;rito Santo que nos assinalou para a Vida eterna.<\/p>\n<p>Imploro da Sant&iacute;ssima Virgem, Nossa Senhora de F&aacute;tima, dos Beatos Francisco e Jacinta, que nos alcancem de Jesus Cristo as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os para vivermos a alegria da vida segundo o Esp&iacute;rito. Amen<\/p>\n<p><em>+ Jo&atilde;o Lavrador, Bispo Auxiliar do Porto<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caros Peregrinos &laquo;Se algu&eacute;m tem sede venha a Mim e beba&raquo;. Com este convite, Jesus Cristo identifica-se n&atilde;o s&oacute; com o Pai que, no deserto, atento &agrave; s&uacute;plica de Mois&eacute;s, fez jorrar a &aacute;gua que matou a sede ao Povo em demanda da terra prometida, mas Ele mesmo possui o dom capaz de saciar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[187,207],"class_list":["post-39407","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-do-porto","tag-fatima"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39407","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39407"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39407\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39407"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39407"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39407"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}