{"id":39382,"date":"2009-06-12T09:52:56","date_gmt":"2009-06-12T09:52:56","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/12\/homilia-do-corpo-de-deus-do-bispo-do-funchal\/"},"modified":"2009-06-12T09:52:56","modified_gmt":"2009-06-12T09:52:56","slug":"homilia-do-corpo-de-deus-do-bispo-do-funchal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-corpo-de-deus-do-bispo-do-funchal\/","title":{"rendered":"Homilia do Corpo de Deus do Bispo do Funchal"},"content":{"rendered":"<p>&quot;Sendo muitos, formamos um s&oacute; Corpo&#8230;&quot; (Rom12,5) <\/p>\n<p>Funchal, 11 de Junho de 2009<\/p>\n<p>Aqui nos encontramos, ao cair da tarde deste dia, para celebrarmos em uni&atilde;o festiva com toda a Igreja, a Solenidade do Sant&iacute;ssimo Corpo e Sangue de Cristo, tradicionalmente conhecida, entre n&oacute;s, por Solenidade do Corpo de Deus.<\/p>\n<p>&Eacute; a Festa da Eucaristia! Para os crentes, a Eucaristia &eacute; o dom por excel&ecirc;ncia de Cristo &agrave; Sua Igreja, memorial da Sua Morte e Ressurrei&ccedil;&atilde;o, revela&ccedil;&atilde;o do imenso Amor de Deus pela Humanidade, fonte de comunh&atilde;o e unidade. A Eucaristia &eacute; presen&ccedil;a real e viva de Jesus Cristo no meio do Seu povo, P&atilde;o da Vida, alimento da nossa caminhada de Peregrinos neste mundo. Como j&aacute; tenho dito, muitas vezes, a Eucaristia &eacute; o maior tesouro espiritual da Igreja.<\/p>\n<p>Na intimidade silenciosa do Cen&aacute;culo, na Quinta-Feira Santa, a Igreja contempla e participa, cheia de assombro e de gratid&atilde;o, no misterioso e inesperado gesto de Jesus na Ceia da despedida: a consagra&ccedil;&atilde;o do p&atilde;o e do vinho da ceia pascal hebraica, transformando-os no Seu Corpo e Sangue (cf. Mc 14,24), entregues pela salva&ccedil;&atilde;o do mundo. Na solenidade do &quot;Corpo de Deus&quot;, a Igreja, o povo da nova Alian&ccedil;a, nascido na P&aacute;scoa, manifesta publicamente o seu incontido j&uacute;bilo, em c&acirc;nticos de Louvor, Adora&ccedil;&atilde;o e Gratid&atilde;o, por t&atilde;o admir&aacute;vel e Sant&iacute;ssimo Sacramento: <em>&quot;Grandes e admir&aacute;veis s&atilde;o as vossas obras, Senhor Deus Omnipotente&quot;!<\/em><\/p>\n<p><strong>Caminho novo para Deus<\/strong><\/p>\n<p>O texto do livro do &Ecirc;xodo, de grande profundidade e densidade teol&oacute;gica, proclamado na primeira leitura, relata-nos o gesto ritual realizado por Mois&eacute;s, quando aspergiu com sangue de animais o altar do sacrif&iacute;cio e o povo de Deus, congregado no Monte Sinai. Simbolicamente, tal gesto significava a expia&ccedil;&atilde;o dos pecados e uma alian&ccedil;a de singular intimidade e comunh&atilde;o de Vida com o Senhor. <\/p>\n<p>Com o sacrif&iacute;cio de Jesus, a antiga alian&ccedil;a foi definitivamente abolida pela nova e eterna Alian&ccedil;a no Sangue de Cristo, oferecido ao Eterno Pai, no altar da Cruz, pela vida do mundo. O caminho novo para o encontro com Deus &eacute; o Sangue de Cristo, Sacerdote e V&iacute;tima, que assumiu o mist&eacute;rio de iniquidade do homem e purificou-o com o Seu Sangue (cf. Heb 9,14). &Eacute; o caminho da Eucaristia, que actualiza a gra&ccedil;a do Mist&eacute;rio Pascal do Senhor, como sacramento da salva&ccedil;&atilde;o de cada homem e cada mulher, em todos os tempos e lugares.<\/p>\n<p>N&atilde;o basta comer e beber o Corpo e o Sangue de Cristo, alimentar-se d&#39;Ele, quando participamos neste Sagrado Banquete da fam&iacute;lia reunida. &Eacute; imprescind&iacute;vel aprofundar a beleza e a infinita Ternura deste admir&aacute;vel mist&eacute;rio de Amor, na Adora&ccedil;&atilde;o contemplativa e, sobretudo, deixar-se contemplar e transfigurar por Jesus Eucaristia. Da&iacute; a rela&ccedil;&atilde;o existente entre a celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia e a Adora&ccedil;&atilde;o ao Sant&iacute;ssimo Sacramento. &Eacute; importante que os crist&atilde;os encontrem, nesta Fonte de Gra&ccedil;a e de Ternura de Deus, o segredo da Nova Evangeliza&ccedil;&atilde;o, pois somente quem est&aacute; apaixonado por Jesus, &agrave; semelhan&ccedil;a de S. Paulo, pode empenhar-se vivamente na tarefa evangelizadora e contagiar os outros com o seu testemunho prof&eacute;tico.&nbsp; <\/p>\n<p><strong>A oferta generosa da vida<\/strong><\/p>\n<p>Contemplar &eacute; Amar! A adora&ccedil;&atilde;o em esp&iacute;rito e verdade conduz-nos &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o com o Senhor: <em>&quot;j&aacute; n&atilde;o sou eu que vivo, &eacute; Cristo que vive em mim&quot; <\/em>(G&aacute;l 2,20). Uma comunidade eclesial aut&ecirc;ntica e din&acirc;mica, alimentada pelo P&atilde;o da Palavra e da Eucaristia, manifesta e reflecte, na pr&oacute;pria experi&ecirc;ncia existencial, a Beleza do Rosto do Amor. Como escreve o Papa Bento XVI,<em> &quot;a Eucaristia projecta uma Luz intensa sobre a hist&oacute;ria humana e todo o universo&quot;<\/em> (&quot;Sacramento da Caridade&quot;<em>,<\/em> 92).<\/p>\n<p>Mas n&atilde;o pode haver dicotomias na viv&ecirc;ncia eucar&iacute;stica: quem participa no Banquete Pascal e contempla o Rosto Eucar&iacute;stico de Jesus, entra no dinamismo da oferta generosa da vida. &Eacute; particularmente convocado e enviado para a miss&atilde;o na seara do Senhor, imensa e sem fronteiras, que &eacute; o mundo globalizado de hoje. A Igreja, porque vive da Eucaristia, &eacute; chamada a saciar as novas sedes e fomes da humanidade, oferecendo o p&atilde;o da amizade, da alegria, do perd&atilde;o, da ternura, do sorriso amigo, da esperan&ccedil;a e do servi&ccedil;o gratuito, enfim, a reinventar a solidariedade neste tempo de crise, num mundo em r&aacute;pida e profunda muta&ccedil;&atilde;o civilizacional. <\/p>\n<p>A comunidade eclesial, face &agrave; moderna depend&ecirc;ncia econ&oacute;mica, social, pol&iacute;tica e cultural, &eacute; convidada a promover e defender a dignidade humana, a despertar a humanidade para o Essencial e a reconhecer, em cada irm&atilde;o ou irm&atilde;, o pr&oacute;prio Corpo do Senhor. O cardeal Van Thuan, preso por causa da sua f&eacute;, escreve assim no livro &quot;Cinco p&atilde;es e dois peixes&quot;: <em>&quot;Quando comungo e distribuo a comunh&atilde;o, entrego-me juntamente ao Senhor para fazer de mim alimento para todos. Isso significa que estou totalmente ao servi&ccedil;o dos outros&quot;<\/em>. <\/p>\n<p><strong>O amor-caridade, alma das Miseric&oacute;rdias<\/strong><\/p>\n<p>&Eacute; neste contexto de forte interpela&ccedil;&atilde;o para o servi&ccedil;o do amor-caridade, em formas novas de solidariedade e fraternidade crist&atilde;, que tenho o gosto de saudar o IX Congresso Nacional das Miseric&oacute;rdias Portuguesas, que hoje teve in&iacute;cio e decorre at&eacute; ao pr&oacute;ximo s&aacute;bado, dia 13 de Junho, nesta cidade do Funchal. S&atilde;o perto de quinhentos os seus participantes, a quem dou as boas vindas, com muita alegria, e agrade&ccedil;o, como Bispo da Diocese, o testemunho de comunh&atilde;o eclesial que, por iniciativa pr&oacute;pria, quiseram manifestar, participando com as respectivas ins&iacute;gnias, nesta Solene Eucaristia e, ap&oacute;s ela, na Prociss&atilde;o do Corpo de Deus.<\/p>\n<p><em>&quot;Sendo muitos, formamos um s&oacute; corpo&quot;<\/em> &#8211; escreveu S&atilde;o Paulo aos Romanos (12,5). &Eacute;, sem d&uacute;vida, motivo de profunda alegria, acolhermos aqui irm&atilde;os provenientes de tantas Miseric&oacute;rdias e Dioceses do nosso Pa&iacute;s, Continente e Ilhas, fazendo-nos sentir, de forma bem significativa, membros vivos e activos da mesma e &uacute;nica Igreja de Cristo.<\/p>\n<p>Em Dia do Corpo de Deus ressalta, como j&aacute; disse, o mist&eacute;rio do Amor de Deus na d&aacute;diva do Seu Filho ao Mundo e da entrega que Jesus fez de Si mesmo pela Humanidade. D&#39;Ele aprendemos n&oacute;s, tamb&eacute;m, a generosidade da nossa entrega, para sermos bons samaritanos de quem mais precisa de ajuda. Disse Jesus: <em>&quot;Nisto conhecer&atilde;o que sois Meus disc&iacute;pulos, se vos amardes uns aos outros como Eu vos amei&quot;<\/em> (Jo 13,35). <\/p>\n<p>&Eacute; neste amor-caridade que as Miseric&oacute;rdias encontram o seu princ&iacute;pio, a sua alma, a sua identidade pr&oacute;pria. Uma caridade atenta e activa, que procura, em cada tempo e lugar, promover e assegurar as respostas mais adequadas &agrave;s respectivas necessidades, formas inovadoras e actualizadas da pr&aacute;tica das tradicionais obras de miseric&oacute;rdia (cf. Mt 25), tendo em aten&ccedil;&atilde;o os princ&iacute;pios e valores da Doutrina Social da Igreja.<\/p>\n<p>Como recordou a Confer&ecirc;ncia Episcopal Portuguesa, em Nota Pastoral de 31 de Maio de 1998, as Miseric&oacute;rdias n&atilde;o s&atilde;o meras institui&ccedil;&otilde;es filantr&oacute;picas, por muito benem&eacute;ritas que se afigurem, nem simples institui&ccedil;&otilde;es particulares de solidariedade social. &quot;<em>Elas devem considerar-se<\/em> &#8211; escrevem os Bispos &#8211; <em>express&otilde;es organizadas do exerc&iacute;cio da Caridade do Povo de Deus em favor dos irm&atilde;os necessitados<\/em>&quot; (n&ordm; 5). Com eles se identifica Jesus: <em>&quot;Sempre que fizestes isto a um destes Meus irm&atilde;os mais pequeninos a Mim mesmo o fizestes&quot;<\/em> (Mt 25,40).<\/p>\n<p><strong>Em louvor e ac&ccedil;&atilde;o de gra&ccedil;as<\/strong><\/p>\n<p>Amanh&atilde;, celebraremos o anivers&aacute;rio da cria&ccedil;&atilde;o da nossa Diocese, pelo Papa Le&atilde;o X, a 12 de Junho de 1514. Elevamos, por isso, &agrave; Trindade Sant&iacute;ssima o nosso C&acirc;ntico de Louvor e Ac&ccedil;&atilde;o de Gra&ccedil;as por todas as b&ecirc;n&ccedil;&atilde;os e dons recebidos, nesta caminhada hist&oacute;rica e eclesial, desde h&aacute; quase 500 anos.<\/p>\n<p>Pensando j&aacute; na prepara&ccedil;&atilde;o da efem&eacute;ride de 12 de Junho de 2014, teremos na nossa Diocese, desde 12 de Outubro deste ano de 2009 a 13 de Maio de 2010, a presen&ccedil;a da imagem peregrina de Nossa Senhora de F&aacute;tima. &quot;Na escola de Maria&quot; aprenderemos a escutar Jesus, a viver os valores evang&eacute;licos e humanos, procurando fazer tudo o que Ele nos disser, como recomendava a M&atilde;e de Jesus nas Bodas de Can&aacute; (cf. Jo 2 1,5).<\/p>\n<p>Recordo, com satisfa&ccedil;&atilde;o, que se chamou &agrave; Madeira e ao Porto Santo <em>&quot;Ilhas do Sant&iacute;ssimo Sacramento&quot;<\/em>. &Eacute; a mem&oacute;ria e a profecia de um povo que, atrav&eacute;s dos s&eacute;culos, participou com f&eacute; na Eucaristia, celebrando com grande entusiasmo e alegria as festas do &quot;Domingo do Senhor&quot;. A tradi&ccedil;&atilde;o madeirense de contemplar e adorar o Sant&iacute;ssimo Sacramento, solenemente exposto nas igrejas e capelas, mant&eacute;m-se bem viva e &eacute; uma fonte de gra&ccedil;as para a nossa terra.<\/p>\n<p><strong>Cristo vivo nas ruas da cidade<\/strong><\/p>\n<p>Ap&oacute;s esta celebra&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica teremos a tradicional prociss&atilde;o do &quot;Corpo de Deus&quot;, pelas ruas da nossa cidade, ornamentadas com belos tapetes de flores. &Eacute; Cristo vivo que vai passar! Esta bela tradi&ccedil;&atilde;o eucar&iacute;stica, vivida com f&eacute; e amor na presen&ccedil;a real de Jesus na Eucaristia, bem nos faz recordar as caminhadas de Jesus, quando, outrora, percorria as estradas da Palestina, acolhendo todos os que O procuravam, privilegiando as crian&ccedil;as, os pobres e os doentes, <em>&quot;porque sa&iacute;a d&#39;Ele uma for&ccedil;a que a todos curava&quot;<\/em> (Lc 6,19).<\/p>\n<p>Que Jesus, ao percorrer as nossas ruas e colocar o Seu olhar sobre aqueles que encontra nestes caminhos ou Lhe dirigem uma prece do sil&ecirc;ncio das suas casas ou do sofrimento dos seus cora&ccedil;&otilde;es, a todos conforte na coragem da f&eacute; e na alegria da esperan&ccedil;a!<\/p>\n<p>E que a Virgem Maria, Senhora do Sant&iacute;ssimo Sacramento, nos ensine a viver, em cada dia, as exig&ecirc;ncias de uma verdadeira cultura eucar&iacute;stica, que promove o di&aacute;logo, o respeito, a amizade sincera e a partilha do p&atilde;o da fraternidade. &Eacute; que, na verdade, <em>&quot;sendo muitos, formamos um s&oacute; Corpo&quot;<\/em> (Rom 12,5).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;Sendo muitos, formamos um s&oacute; Corpo&#8230;&quot; (Rom12,5) Funchal, 11 de Junho de 2009 Aqui nos encontramos, ao cair da tarde deste dia, para celebrarmos em uni&atilde;o festiva com toda a Igreja, a Solenidade do Sant&iacute;ssimo Corpo e Sangue de Cristo, tradicionalmente conhecida, entre n&oacute;s, por Solenidade do Corpo de Deus. &Eacute; a Festa da Eucaristia! 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