{"id":39381,"date":"2009-06-11T23:42:18","date_gmt":"2009-06-11T23:42:18","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/11\/homilia-do-corpo-de-deus-do-patriarca-de-lisboa\/"},"modified":"2009-06-11T23:42:18","modified_gmt":"2009-06-11T23:42:18","slug":"homilia-do-corpo-de-deus-do-patriarca-de-lisboa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-corpo-de-deus-do-patriarca-de-lisboa\/","title":{"rendered":"Homilia do Corpo de Deus do Patriarca de Lisboa"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>&quot;O Sangue Eucar&iacute;stico de Cristo &eacute; um Sangue de Alian&ccedil;a&quot;<\/strong><\/p>\n<p align=\"center\"><em>Homilia na Solenidade do Sant&iacute;ssimo <\/em><em>Corpo e Sangue de Cristo<br \/><\/em><em>S&eacute; Patriarcal, 11 de Junho de 2009<\/em><\/p>\n<p>1. O encadear das celebra&ccedil;&otilde;es, na harmonia do Ano Lit&uacute;rgico, permite-nos penetrar progressivamente no mist&eacute;rio da Igreja e no mist&eacute;rio de que a Igreja vive: redimidos por Jesus Cristo e unidos &agrave; Sua P&aacute;scoa, recebemos o Esp&iacute;rito Santo, mergulhando, assim, no mist&eacute;rio da Sant&iacute;ssima Trindade como comunh&atilde;o de amor. Este &eacute; o &acirc;mago da novidade crist&atilde;: a humanidade foi reconduzida, por Cristo, &agrave; intimidade de Deus, participando na Sua comunh&atilde;o de amor. Compreende-se que a celebra&ccedil;&atilde;o deste itiner&aacute;rio de reden&ccedil;&atilde;o culmine na celebra&ccedil;&atilde;o da Eucaristia, mist&eacute;rio que se situa na realidade intr&iacute;nseca da Igreja, que a define e de que ela vive. At&eacute; ao Pentecostes celebr&aacute;mos as ac&ccedil;&otilde;es de Deus em favor da Igreja. Na Eucaristia celebramos uma ac&ccedil;&atilde;o da Igreja, express&atilde;o da sua identifica&ccedil;&atilde;o com Cristo, e da grandeza a que foi elevada nesse regresso da humanidade &agrave; intimidade de Deus. A Eucaristia seria imposs&iacute;vel sem os actos redentores de Jesus Cristo. Mas fazendo um com Ele, tornada Seu corpo, a Igreja pode celebrar a Eucaristia e Cristo celebra com ela, aceita a precariedade dos meios humanos, para exprimir, sempre de novo, a sua oferta redentora e transformadora. A Eucaristia &eacute; o ponto culminante de uma longa pedagogia salv&iacute;fica de Deus para reconduzir os homens &agrave; intimidade com Ele.<\/p>\n<p>2. A Eucaristia &eacute;, antes de mais, a ratifica&ccedil;&atilde;o continuada da Alian&ccedil;a entre Deus e o Seu Povo, alian&ccedil;a nova e definitiva, anunciou-nos o Senhor, nova porque selada, n&atilde;o apenas com a nossa capacidade humana, mas pelo pr&oacute;prio Filho de Deus que se fez igual a n&oacute;s para a poder celebrar em nosso nome. Definitiva, porque nela a humanidade, no seu regresso a Deus, toca j&aacute; o tempo definitivo da eternidade.<\/p>\n<p>Uma alian&ccedil;a &eacute; um compromisso m&uacute;tuo de intimidade partilhada, de amor rec&iacute;proco, de fidelidade ao que se jurou, &eacute; a decis&atilde;o m&uacute;tua de partilhar a vida, de caminhar em conjunto, de construir de m&atilde;os dadas a mesma hist&oacute;ria. Ser fiel &agrave; alian&ccedil;a ratificada &eacute; j&aacute; regressar &agrave; intimidade com Deus.<\/p>\n<p>Na antiguidade as alian&ccedil;as mais comprometedoras das partes contratantes eram assinadas com o pr&oacute;prio sangue. Da&iacute; a simbologia da celebra&ccedil;&atilde;o das alian&ccedil;as religiosas de Israel com Deus: eram seladas pelo sangue das v&iacute;timas oferecidas, com que era aspergido o pr&oacute;prio Povo. Esse sangue significava o compromisso do pr&oacute;prio Deus, porque as v&iacute;timas do sacrif&iacute;cio pertenciam-lhe, tinham-lhe sido oferecidas; mas representava tamb&eacute;m o Povo que as oferecia. Que longo caminho se percorreu, de an&uacute;ncio em an&uacute;ncio, at&eacute; ao momento da definitiva Alian&ccedil;a assinada com o sangue de Deus e do Povo, no sangue de Jesus Cristo, que &eacute; Deus e Homem. &quot;Este &eacute; o Meu sangue, o sangue da nova Alian&ccedil;a, derramado pela multid&atilde;o dos homens&quot; (Mc. 14,22-26).<\/p>\n<p>Nunca o esque&ccedil;amos: o sangue eucar&iacute;stico de Cristo &eacute; um sangue de alian&ccedil;a. Porque estamos unidos a Ele, podemos ratificar, sempre de novo, essa alian&ccedil;a nova e definitiva, com o Seu pr&oacute;prio sangue. Renovamo-la continuamente porque a queremos viver, ser-lhe fi&eacute;is em cada minuto da nossa vida. &Eacute; pr&oacute;prio dos pactos de amor e de fidelidade renovarem-se ao ritmo da sua concretiza&ccedil;&atilde;o na vida presente.<\/p>\n<p>3. Celebra&ccedil;&atilde;o continuada e renovada da alian&ccedil;a da Igreja com Deus, no sangue de Jesus Cristo, a Eucaristia &eacute; momento de reden&ccedil;&atilde;o. A Igreja tem consci&ecirc;ncia da sua fragilidade e do seu pecado, n&atilde;o consegue viver essa nova alian&ccedil;a, sempre renovada, numa fidelidade sem mancha. A Eucaristia &eacute; momento decisivo da alian&ccedil;a, porque pela purifica&ccedil;&atilde;o dos pecados, torna a Igreja capaz e digna de viver a alian&ccedil;a, convivendo com Deus, por Jesus Cristo. A Eucaristia, por ser momento de reden&ccedil;&atilde;o, &eacute; sacramento de perd&atilde;o. Ouv&iacute;amos h&aacute; pouco um trecho da Carta aos Hebreus: &quot;Se o sangue de cabritos e de toiros e a cinza de vitela, aspergidos sobre os que est&atilde;o impuros, os santificam em ordem &agrave; pureza legal, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Esp&iacute;rito eterno se ofereceu a Deus como v&iacute;tima sem mancha, purificar&aacute; a nossa consci&ecirc;ncia das obras mortas, para servirmos ao Deus vivo. Por isso Ele &eacute; mediador de uma nova alian&ccedil;a&quot; (He. 9,13-14).<\/p>\n<p>O arrependimento e a convers&atilde;o s&atilde;o express&atilde;o permanente e necess&aacute;ria da nossa ades&atilde;o &agrave; alian&ccedil;a, s&atilde;o gra&ccedil;a cont&iacute;nua em cada Eucaristia celebrada na nossa caminhada de peregrinos. A Eucaristia &eacute; o momento mais exigente da convers&atilde;o do nosso cora&ccedil;&atilde;o a Deus. S&oacute; com humildade e confian&ccedil;a nos podemos unir a Cristo na oferta do sacrif&iacute;cio redentor, receb&ecirc;-l&#39;O em comunh&atilde;o de amor, ador&aacute;-l&#39;O como nosso Senhor e nosso Deus. Cada uma destas express&otilde;es eucar&iacute;sticas s&atilde;o concretiza&ccedil;&atilde;o do nosso desejo de ser fi&eacute;is &agrave; alian&ccedil;a. Porque toda a vida do crist&atilde;o converge para a Eucaristia, h&aacute; uma forte dimens&atilde;o eucar&iacute;stica em todos os sacramentos que nos permitem viver a P&aacute;scoa de Cristo, de modo muito particular no sacramento da reconcilia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>4. Na Eucarisia toda a for&ccedil;a redentora da alian&ccedil;a se exprime na simplicidade da f&eacute; e do amor. Cessaram os sacrif&iacute;cios aparatosos da liturgia do Antigo Testamento, com holocausto das v&iacute;timas e sangue f&iacute;sico aspergido sobre a multid&atilde;o; tudo ficou reduzido &agrave; simplicidade dos s&iacute;mbolos que encerram a austeridade da f&eacute; e a intensidade do amor. Quanto mais os sacrif&iacute;cios se aproximaram da verdade da alian&ccedil;a definitiva, mais simples se tornaram; na liturgia crist&atilde; s&oacute; a f&eacute; nos abre as portas do absoluto e nos introduz na intimidade de Deus. A Eucaristia &eacute;, verdadeiramente, o mist&eacute;rio da f&eacute;. S&oacute; a&iacute; se toca e se acolhe a densidade do que significa e nos comunica. Nela, a generosidade da f&eacute; abre-nos &agrave; densidade do amor: Deus ama-nos com a radicalidade expressa no dom da vida do Seu Filho e faz-nos tocar a experi&ecirc;ncia do amor comunh&atilde;o. &Eacute; insond&aacute;vel a capacidade que a Eucaristia tem de incendiar os nossos cora&ccedil;&otilde;es com o desejo do amor de Deus. A Eucaristia &eacute;, para os crist&atilde;os, a &uacute;nica e verdadeira pedagogia do amor.<\/p>\n<p>Celebremos com f&eacute;, adoremos com amor, digamos &agrave; nossa Cidade que a Eucaristia &eacute; o centro da nossa vida, mostremos ao mundo que somos um Povo que regressou &agrave; conviv&ecirc;ncia &iacute;ntima com Deus, porque somos o Povo da nova Alian&ccedil;a.<\/p>\n<p>&dagger; JOS&Eacute;, Cardeal-Patriarca<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&quot;O Sangue Eucar&iacute;stico de Cristo &eacute; um Sangue de Alian&ccedil;a&quot; Homilia na Solenidade do Sant&iacute;ssimo Corpo e Sangue de CristoS&eacute; Patriarcal, 11 de Junho de 2009 1. 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