{"id":393631,"date":"2025-10-05T09:31:17","date_gmt":"2025-10-05T08:31:17","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=393631"},"modified":"2025-10-07T10:29:42","modified_gmt":"2025-10-07T09:29:42","slug":"migracoes-portugal-e-o-meu-pais-nao-tenho-outro-para-onde-voltar-daniah-alkaram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/migracoes-portugal-e-o-meu-pais-nao-tenho-outro-para-onde-voltar-daniah-alkaram\/","title":{"rendered":"Migra\u00e7\u00f5es: \u00abPortugal \u00e9 o meu pa\u00eds. N\u00e3o tenho outro para onde voltar\u00bb &#8211; Daniah Alkaram"},"content":{"rendered":"<p><em>Jovem s\u00edria \u00e9 a convidada da entrevista semanal Ecclesia\/Renascen\u00e7a no dia em que a Igreja Cat\u00f3lica celebra o Jubileu dedicado aos migrantes e refugiados de todo o mundo<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por \u00c2ngela Roque (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Vieste para Portugal em 2019, atrav\u00e9s da plataforma de estudantes s\u00edrios, j\u00e1 com um filho, que hoje tem oito anos e que nasceu na Turquia.<\/em> <em>Em 2022, entraste na Universidade Cat\u00f3lica, ao abrigo da iniciativa de apoio aos refugiados. Falta apenas uma disciplina para te formares como assistente social. Que balan\u00e7o fazes destes seis anos, em termos de integra\u00e7\u00e3o aqui em Portugal? Foi dif\u00edcil?<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro, foi dif\u00edcil. Eu vou explicar o motivo: quando n\u00f3s chegamos aqui a Portugal, h\u00e1 uma organiza\u00e7\u00e3o que nos acolheu. Ent\u00e3o, nos primeiros 18 meses, ajudam-nos nas necessidades b\u00e1sicas, com apoio financeiro, legal, psic\u00f3logo, comunit\u00e1rio. Mas, estes 18 meses n\u00e3o s\u00e3o suficientes para tudo, porque n\u00e3o conseguimos falar portugu\u00eas\u2026.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A l\u00edngua \u00e9 uma barreira, \u00e9 uma dificuldade?<\/em><\/p>\n<p>Sim, muita dificuldade. Foi uma barreira maior porque, quando cheguei aqui, eu n\u00e3o falava nenhuma outra l\u00edngua, s\u00f3 a minha l\u00edngua materna, \u00e1rabe. Ent\u00e3o, n\u00e3o falava ingl\u00eas, n\u00e3o falava portugu\u00eas, n\u00e3o havia forma de comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade. N\u00e3o entendia, nessa altura, o que se passava no hospital, nas consultas do meu filho. N\u00e3o havia nenhuma comunica\u00e7\u00e3o. Isso influencia tamb\u00e9m muito a nossa vida, porque n\u00e3o se sente seguran\u00e7a, se acontecesse qualquer coisa a mim ou ao meu filho. N\u00e3o consigo explicar o que se passa\u2026 n\u00e3o consigo defender-me, n\u00e3o consigo defender o meu filho, n\u00e3o consigo fazer nada.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, sim, a l\u00edngua \u00e9 a maior barreira que tenho, at\u00e9 hoje. Porque quando algu\u00e9m n\u00e3o fala a l\u00edngua do pa\u00eds, isso vai provocar falta de tudo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falta de direitos. E \u00e9 a base para tudo.<\/em><\/p>\n<p>Sim, de direitos, de comunica\u00e7\u00e3o, da integra\u00e7\u00e3o, falta de tudo, porque n\u00e3o se fala a l\u00ednguas. O problema \u00e9 que o Estado n\u00e3o nos d\u00e1 nenhum curso de portugu\u00eas, n\u00e3o \u00e9 obrigat\u00f3rio e n\u00e3o \u00e9 gr\u00e1tis tamb\u00e9m. Eu estou a procurar cursos de l\u00edngua portuguesa, h\u00e1 dois anos, e ainda n\u00e3o encontrei nada. \u00c9 muito dif\u00edcil. Al\u00e9m da barreira da l\u00edngua, outra dificuldade \u00e9 o processo, o processo para todos. O processo \u00e9 muito lento. O pedido da resid\u00eancia e tamb\u00e9m da nacionalidade, a renova\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia, \u00e9 tudo muito lento, talvez dois anos, tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Isto tem influ\u00eancia na nossa vida, porque se n\u00e3o tenho nenhuma resid\u00eancia v\u00e1lida, n\u00e3o consigo fazer pedidos de apoio social, nada. N\u00e3o consigo fazer nada. Sem documentos, n\u00e3o consigo inscrever o meu filho na escola\u2026.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 falaste, como qualquer m\u00e3e, muito do teu filho. Ter vindo com um filho pequeno foi um desafio para a integra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Pergunto-te, independentemente de coisas t\u00e3o portuguesas, como tu j\u00e1 falaste, das demoras nos processos legais: sentiram-se sempre bem acolhidos pela sociedade?<\/em><\/p>\n<p>Na verdade, n\u00e3o muito\u2026 o meu filho sabe que este \u00e9 o pa\u00eds dele, porque ele quando chegamos aqui s\u00f3 tinha 2 anos, ent\u00e3o ele cresceu aqui. A primeira l\u00edngua dele \u00e9 o portugu\u00eas, ele s\u00f3 saber ler e escrever em portugu\u00eas. Na escola anterior, n\u00e3o conseguiram integrar o meu filho, n\u00e3o respeitaram o meu filho, porque ele tem algumas dificuldades, infelizmente, e era o \u00fanico aluno \u00e1rabe na escola. Um dia, a diretora da escola fez reuni\u00e3o comigo para contar-me que n\u00e3o conseguia aplicar o apoio que a m\u00e9dica pediu o meu filho. Outro rapaz disse ao meu filho: \u201cvai para a tua terra\u201d. Qual \u00e9 a terra do meu filho? Qual \u00e9 a nossa terra? Qual \u00e9 o nosso pa\u00eds? Onde est\u00e1? Ele n\u00e3o sabe escrever \u00e1rabe, o pa\u00eds dele \u00e9 aqui. Infelizmente, isto d\u00e1-me mais medo e tamb\u00e9m eu n\u00e3o consegui a integra\u00e7\u00e3o nesta sociedade, mas quando encontrei algu\u00e9m para ajudar-nos, isso facilita muito, claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entraste na universidade. Mesmo com estas dificuldades todas, est\u00e1s a fazer o curso de Servi\u00e7o Social. Foi ao n\u00edvel da Universidade Cat\u00f3lica, que est\u00e1s a frequentar, que depois tiveste mais apoio?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Eu consegui entender, saber que este apoio dava para mim, que este n\u00e3o dava, que este devo perguntar ou fazer pedido sobre este apoio, outro n\u00e3o. Porque quando n\u00f3s chegamos, nos primeiros 18 meses, d\u00e3o-nos s\u00f3 coisas b\u00e1sicas, n\u00e3o nos d\u00e3o o sentimento humano. Mas quando entrei na faculdade, tinha ambiente com professoras e com a faculdade, deram-me apoio emocional, mais apoio humano. Quando passei a ter algu\u00e9m, fiquei mais calma, \u2018ok, Dania, calma, tudo bem, tudo no caminho certo, tudo se vai resolver\u2019. Mas antes eu sempre pensei, \u201cn\u00e3o, tenho de fugir daqui porque n\u00e3o tenho nenhuma solu\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m a ajudar\u201d. Mas a faculdade deixou-me, depois de tr\u00eas anos aqui, pintar a primeira linha da minha hist\u00f3ria, nesta vida. Ent\u00e3o, a faculdade, sim, \u00e9 um espa\u00e7o muito importante na minha vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>J\u00e1 sonhavas ser assistente social? <\/em><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Ent\u00e3o, Portugal ajuda a concretizar um sonho\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, na S\u00edria n\u00e3o temos este curso, ent\u00e3o queria ser psiquiatra ou psic\u00f3loga, qualquer coisa assim. Mas quando eu cheguei aqui, percebi que era isto mesmo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E pensas exercer ou ser assistente social c\u00e1 em Portugal ou tamb\u00e9m \u00e9 uma hip\u00f3tese voltar \u00e0 S\u00edria? Como \u00e9 que est\u00e1 isso dentro da tua cabe\u00e7a e do teu cora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Eu tenho agora esta capacidade de voltar para ajudar, porque acho que as mulheres do meu pa\u00eds precisam mais &#8211; as mulheres portuguesas sabem os direitos delas e tamb\u00e9m h\u00e1 leis aqui que as protegem, mas no meu pa\u00eds n\u00e3o, n\u00e3o temos direitos das mulheres, n\u00e3o temos nada. Ent\u00e3o, \u00e9 preciso algu\u00e9m para lhes dizer que t\u00eam esses direitos, lutar por esses direitos de fazer o que se quiser, pensar, sonhar. Mas agora, depois do que aconteceu n\u00e3o, claro, n\u00e3o vou voltar, porque agora Portugal \u00e9 o meu pa\u00eds. N\u00e3o tenho outro pa\u00eds para onde voltar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu ia perguntar isso, j\u00e1 pediste a nacionalidade portuguesa\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, h\u00e1 um ano e meio\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que v\u00eas a demora nos processos?<\/em><\/p>\n<p>Com medo, muito medo, porque imagina sair alguma lei nova que diz: \u201cdesculpa, vais voltar para o teu pa\u00eds novamente\u201d. O que vai acontecer? Eu fiquei dez anos fora do meu pa\u00eds, fora da minha fam\u00edlia, o problema de que eu fugi ainda existe, ainda existe guerra, n\u00e3o h\u00e1 direitos humanos, ningu\u00e9m respeita as mulheres. Se voltar n\u00e3o consigo ficar com o meu filho, porque eu sou separada, ent\u00e3o, na lei da S\u00edria, tiram-me automaticamente o meu filho. Claro n\u00e3o quero voltar, eu n\u00e3o consigo voltar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E em Portugal, mesmo tendo o estatuto de refugiada, pensas que ser\u00e1 mais f\u00e1cil viveres com o teu filho?<\/em><\/p>\n<p>Claro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Teres uma profiss\u00e3o, seres m\u00e3e\u2026<\/em><\/p>\n<p>Sim, claro. Aqui tenho o direito de ficar com o meu filho, decidir a vida dele, tenho voz para dizer: \u201cdesculpa, eu sou m\u00e3e, eu vou decidir o que eu quero para o meu filho, o que \u00e9 melhor para ele\u201d. No meu pa\u00eds, tudo \u00e9 sobre a paternidade, \u00e9 tudo o pai que vai decidir, o pai dele\u2026 as mulheres n\u00e3o t\u00eam poder nem sobre os filhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Falavas-me ainda pouco dos motivos pelos quais sa\u00edste da S\u00edria, um pa\u00eds em guerra, h\u00e1 muitos, muitos anos. Ainda tens mem\u00f3rias dessa guerra?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu tenho mem\u00f3rias da guerra, sim. Ainda agora ouvi um avi\u00e3o a passar, muito perto, e \u00e9 como um choque para mim, porque me assusta. Imagino que atire uma bomba ou que fa\u00e7a algo sobre a nossa cabe\u00e7a, \u201coh meu Deus, vai fazer estragos na minha casa, vai cair em cima de n\u00f3s\u201d, algo assim. Ent\u00e3o, infelizmente, sim. E quando passa um avi\u00e3o perto e tenho o meu filho comigo, estou sempre a fazer isto [gesto de tapar os ouvidos], para ele n\u00e3o ouvir. N\u00e3o sei, n\u00e3o sei, a minha cabe\u00e7a esquece-se totalmente que n\u00f3s aqui vivemos com seguran\u00e7a, nesse momento n\u00e3o funciona. S\u00f3 quero proteger o meu filho, que n\u00e3o haja nada, n\u00f3s estamos muito bem aqui, mas na minha cabe\u00e7a n\u00e3o, na minha cabe\u00e7a \u00e9 outro mundo totalmente diferente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Se puderes contar um bocadinho aos ouvintes, como \u00e9 que foi a decis\u00e3o de sair da S\u00edria? <\/em><\/p>\n<p>Acho que \u00e9 importante dizer que eu n\u00e3o s\u00f3 fugi da guerra, fugi com outra motiva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Eu fugi porque o meu pai \u00e9 muito, muito, muito homem do mundo \u00e1rabe, queria controlar a minha vida toda. Se ele quiser tirar a minha vida, ele tem este direito, tudo bem, ningu\u00e9m vai perguntar \u201cporque \u00e9 que tiraste a vida da tua filha?\u201d. Ent\u00e3o, para me proteger, foi melhor fugir. Quando eu tinha 18 anos, decidi fugir da minha casa e da minha fam\u00edlia. Fui para a Turquia, eu fiquei l\u00e1 e casei l\u00e1; depois n\u00f3s decidimos ir para um s\u00edtio que nos respeitasse como pessoas, como humanos, porque na Turquia n\u00f3s somos s\u00f3 n\u00fameros, ningu\u00e9m nos respeita, ningu\u00e9m nos quer a viver na Turquia, basicamente. Ent\u00e3o, para n\u00f3s era melhor procurar um pa\u00eds que nos respeitasse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Entretanto separaram-se. Mas Portugal j\u00e1 estava nos planos?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Surgiu nesse entretanto.<\/em><\/p>\n<p>Sim, mais ou menos assim, sim. Porque, na verdade, ningu\u00e9m sabe coisas, muitas coisas sobre Portugal. Eu s\u00f3 conhecia o Cristiano Ronaldo e acabou. S\u00f3 esta informa\u00e7\u00e3o, pe\u00e7o desculpa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Percebemos\u2026<\/em><\/p>\n<p>Para mim, Portugal escolheu-me, n\u00e3o fui eu que o escolhi. Com sorte, porque nunca pensei que este pa\u00eds decidisse escolher esta menina, esta fam\u00edlia. Eu estou aqui num caminho, certo? Eu tenho coisas b\u00e1sicas, mas tudo bem, consigo sonhar um futuro, construir minha vida. Eu consigo fazer isso aqui, mas no meu pa\u00eds n\u00e3o.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m quero dizer, sobre como se olham os refugiados\u2026 quando eu viajei (recentemente) \u00e0 Alemanha e a Espanha, eu n\u00e3o falei ingl\u00eas, s\u00f3 falei portugu\u00eas. Quando algu\u00e9m perguntava \u201cde onde \u00e9s?\u201d, eu disse sempre \u201csou portuguesa\u201d. \u00a0Tudo mudou. Eles sorriam, queriam ajudar, diziam \u201cPortugal \u00e9 muito bonito, n\u00f3s vamos l\u00e1 visitar\u201d.<\/p>\n<p>Antes eu dizia que era da S\u00edria, e era tudo diferente. Se \u00e9 da S\u00edria \u00e9 refugiada, se \u00e9 refugiada \u00e9 algu\u00e9m que vale menos, ningu\u00e9m quer ajudar. Este \u00e9 o problema, sempre. Agora tenho sempre orgulho em dizer que sou portuguesa. Ainda n\u00e3o sou, mas digo sempre que sou portuguesa, n\u00e3o sou da S\u00edria. Eu sei, ainda n\u00e3o falo portugu\u00eas muito bem, mas sou de Portugal!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E em rela\u00e7\u00e3o ao teu filho, como \u00e9 que est\u00e3o as coisas hoje? J\u00e1 est\u00e1 mais integrado na escola onde anda? As coisas j\u00e1 melhoraram?<\/em><\/p>\n<p>Sim, quando eu mudei de escola e ele passou a ter o apoio que a m\u00e9dica pediu, tudo mudou, gra\u00e7as a Deus: tem ambiente com uma boa pessoa, com um bom cora\u00e7\u00e3o, muito aberto. Agora estamos mesmo no caminho certo, conseguimos sonhar tamb\u00e9m \u2013 o meu filho quer ser pol\u00edcia no futuro, mas antes n\u00e3o havia nenhum sonho, queria s\u00f3 ficar em casa, dizia \u201ceu n\u00e3o quero ir \u00e0 escola, ningu\u00e9m gosta de mim, ningu\u00e9m quer apoiar-me\u201d. Mas agora, gra\u00e7as a Deus, tudo mudou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Daniah, falavas-me ainda pouco do medo, quando perguntei da nacionalidade. Imagino que tamb\u00e9m acompanhes a discuss\u00e3o que est\u00e1 a haver em Portugal sobre a nova lei dos estrangeiros. S\u00e3o mudan\u00e7as que te preocupam?<\/em><\/p>\n<p>Eu quero ser invis\u00edvel, para que ningu\u00e9m me diga \u201cvolta para o teu pa\u00eds, desculpa, vai demorar mais dois ou tr\u00eas anos\u201d. N\u00e3o, n\u00e3o, eu quero viver com paz e com calma. Gra\u00e7as a Deus, Portugal tem essas coisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Em 2023, foste uma das jovens que p\u00f4de cumprimentar o Papa durante a Jornada Mundial da Juventude, em Lisboa.<\/em><\/p>\n<p>Sim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como \u00e9 que foi viver esse momento?<\/em><\/p>\n<p>Naquele momento n\u00e3o conseguia acreditar no que estava a acontecer, de verdade. \u201cOh meu Deus, como assim?\u201d. Tamb\u00e9m vi o presidente Marcelo\u2026 no meu pa\u00eds, n\u00e3o temos o direito de ver estas pessoas, elas n\u00e3o est\u00e3o perto da popula\u00e7\u00e3o. Queria falar com ele, dizer-lhe alguma coisa, sim. Foi muito importante para mim, muito importante. Senti que tinha outro valor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A Igreja Cat\u00f3lica, as institui\u00e7\u00f5es da Igreja, t\u00eam lutado muito pelos imigrantes e pelos refugiados. Como \u00e9 que v\u00eas esse papel, tamb\u00e9m aqui em Portugal?<\/em><\/p>\n<p>Eu sou muito grata, porque na verdade os mu\u00e7ulmanos n\u00e3o querem fazer nada por algu\u00e9m de outra religi\u00e3o, n\u00e3o v\u00e3o fazer o que os crist\u00e3os fazem por n\u00f3s. Eu sou muito grata, por tudo, porque olharam s\u00f3 para a nossa alma, olharam para n\u00f3s como humanos, n\u00e3o como pessoas de uma religi\u00e3o, mu\u00e7ulmanos ou n\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovem s\u00edria \u00e9 a convidada da entrevista semanal Ecclesia\/Renascen\u00e7a no dia em que a Igreja Cat\u00f3lica celebra o Jubileu dedicado aos migrantes e refugiados de todo o mundo<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":393855,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[89],"tags":[291],"class_list":["post-393631","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-destaque2","tag-refugiados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/393631","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=393631"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/393631\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/393855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=393631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=393631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=393631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}