{"id":39336,"date":"2009-06-08T12:46:39","date_gmt":"2009-06-08T12:46:39","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/08\/licoes-de-uma-eleicao-pouco-europeia\/"},"modified":"2009-06-08T12:46:39","modified_gmt":"2009-06-08T12:46:39","slug":"licoes-de-uma-eleicao-pouco-europeia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/licoes-de-uma-eleicao-pouco-europeia\/","title":{"rendered":"Li\u00e7\u00f5es de uma elei\u00e7\u00e3o pouco europeia"},"content":{"rendered":"<p>Uma vez mais, a absten&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es para o Parlamento Europeu superou a registada h&aacute; cinco anos. Desde 1979, quando os deputados europeus come&ccedil;aram a ser eleitos por sufr&aacute;gio directo e universal, as elei&ccedil;&otilde;es para o PE revelam sucessivas e crescentes taxas de absten&ccedil;&atilde;o. Isto, paradoxalmente, tendo os poderes do PE entretanto sido aumentando. <\/p>\n<p>&Eacute; tempo de encarar esta realidade, que n&atilde;o &eacute; conjuntural &#8211; &eacute; de fundo. Se os cidad&atilde;os se desinteressam pelo PE, apesar de todos os esfor&ccedil;os de divulga&ccedil;&atilde;o da import&acirc;ncia da institui&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o resta concluir n&atilde;o ser esta a melhor via para promover a democraticidade das institui&ccedil;&otilde;es comunit&aacute;rias.<\/p>\n<p>Uma outra solu&ccedil;&atilde;o para aproximar os cidad&atilde;os dessas institui&ccedil;&otilde;es ser&aacute; envolver mais os parlamentos nacionais no processo comunit&aacute;rio de decis&atilde;o. Quando presidente da Assembleia da Rep&uacute;blica, o Dr. Mota Amaral bateu-se por uma mais forte participa&ccedil;&atilde;o dos parlamentos nacionais na vida da Uni&atilde;o Europeia. O Tratado de Lisboa d&aacute; um passo nesse sentido, ainda t&iacute;mido (e resta saber se este Tratado algum ir&aacute; entrar em vigor).<\/p>\n<p>Seja como for, parece absurdo insistir numa solu&ccedil;&atilde;o que ao longo de trinta anos se revelou n&atilde;o atrair os cidad&atilde;os europeus. A Europa n&atilde;o se pode construir &agrave; revelia das pessoas. Quando se ignora essa evid&ecirc;ncia, apanham-se surpresas desagrad&aacute;veis &#8211; como as trazidas por referendos em Fran&ccedil;a, na Holanda, na Irlanda&#8230;<\/p>\n<p>Como o PE interessa pouco &agrave;s pessoas, nas elei&ccedil;&otilde;es europeias &#8211; por c&aacute; como nos outros pa&iacute;ses da Uni&atilde;o &#8211; debatem-se sobretudo temas de pol&iacute;tica nacional. Pela primeira vez o PS cedeu face ao descontentamento. Que este era grande, sabia-se h&aacute; anos. Mas o PS aparecia sempre &agrave; frente do PSD nas sondagens. Agora, abre-se a possibilidade de o PSD vir a disputar o primeiro lugar nas legislativas, em Setembro\/Outubro. Manuela Ferreira Leite refor&ccedil;ou a sua posi&ccedil;&atilde;o como l&iacute;der do partido e este ganhou um excelente pol&iacute;tico: Paulo Rangel. Em contrapartida, &agrave; esquerda o Bloco e o PC somados ultrapassam os 21%, mostrando que o PS perdeu votos para a direita e para a esquerda. N&atilde;o &eacute; corrente na Europa um tal peso da extrema-esquerda. Note-se, ainda, que os votos brancos e nulos representaram nesta elei&ccedil;&atilde;o quase 7% &#8211; um eloquente voto de protesto contra o PS.<\/p>\n<p>Entre os pequenos partidos, destaque para o resultado obtido por um estreante, o Movimento Esperan&ccedil;a Portugal: perto de 53 mil votos, 1,5% do total. Sabendo-se como &eacute; dif&iacute;cil criar partidos novos, esta vota&ccedil;&atilde;o no MEP mostra que, apesar de tudo, o sistema partid&aacute;rio portugu&ecirc;s n&atilde;o est&aacute; completamente fechado. <\/p>\n<p>Uma palavra sobre as sondagens: falharam em toda a linha. Raras foram as que previram que o PSD ficasse &agrave; frente nas europeias. Tamb&eacute;m a&iacute; h&aacute; um d&eacute;fice de credibilidade que seria saud&aacute;vel eliminar.<\/p>\n<p>A n&iacute;vel europeu os partidos de centro-direita refor&ccedil;aram as suas posi&ccedil;&otilde;es, enquanto os socialistas perderam votos. Assim, Dur&atilde;o Barroso tem a via desimpedida para um novo mandato &agrave; frente da Comiss&atilde;o Europeia. Mas &eacute; curioso que o centro-esquerda des&ccedil;a em plena crise do chamado neo-liberalismo, quando toda a gente est&aacute; contra a sacraliza&ccedil;&atilde;o do mercado e se reclama a interven&ccedil;&atilde;o do Estado para salvar empresas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Francisco Sarsfield Cabral<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma vez mais, a absten&ccedil;&atilde;o nas elei&ccedil;&otilde;es para o Parlamento Europeu superou a registada h&aacute; cinco anos. Desde 1979, quando os deputados europeus come&ccedil;aram a ser eleitos por sufr&aacute;gio directo e universal, as elei&ccedil;&otilde;es para o PE revelam sucessivas e crescentes taxas de absten&ccedil;&atilde;o. 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