{"id":392822,"date":"2025-09-28T09:31:37","date_gmt":"2025-09-28T08:31:37","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=392822"},"modified":"2025-09-26T10:19:53","modified_gmt":"2025-09-26T09:19:53","slug":"igreja-protecao-de-menores-neste-momento-ja-nao-se-faz-marcha-atras-rute-agulhas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-protecao-de-menores-neste-momento-ja-nao-se-faz-marcha-atras-rute-agulhas\/","title":{"rendered":"Igreja\/Prote\u00e7\u00e3o de Menores: \u00abNeste momento j\u00e1 n\u00e3o se faz marcha atr\u00e1s\u00bb &#8211; Rute Agulhas"},"content":{"rendered":"<p><em>No fim de semana em que decorre em Roma o Jubileu dos Catequistas, e em v\u00e9spera da apresenta\u00e7\u00e3o de dois programas de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA a coordenadora do Grupo Vita<\/em><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_357700\" aria-describedby=\"caption-attachment-357700\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-357700 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1280\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/01\/DOC.20250121.44265761.ACOTRIM-21-01-2025_17-1536x1024.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-357700\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Lusa<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ecclesia)<\/em><\/p>\n<p><em>Vamos come\u00e7ar por falar destes programas, o programa Girassol e o Lighthouse Game, que s\u00e3o concebidos pelo Grupo Vita. S\u00e3o um instrumento de preven\u00e7\u00e3o, imagino, em primeiro lugar. Em que \u00e9 que eles consistem?<\/em><\/p>\n<p>Sim, o programa Girassol \u00e9 destinado a crian\u00e7as entre os 7 e os 9 anos e o Lighthouse Game um jogo digital para crian\u00e7as entre os 10 e os 12, porque sabemos que nestas idades tudo o que \u00e9 digital \u00e9 tamb\u00e9m mais apelativo. \u00c9 importante salientar que a preven\u00e7\u00e3o cabe aos adultos e, por esse motivo, o Grupo Vita tem nos \u00faltimos dois anos trabalhado com as mais diversas estruturas da Igreja, no sentido de as capacitar, de as formar, tentando criar aqui uma Igreja mais segura e mais acolhedora.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Estes programas sendo direcionados para crian\u00e7as at\u00e9 os 12 anos, o objetivo \u00e9 que envolvam toda a comunidade?<\/em><\/p>\n<p>Exatamente. S\u00f3 queria salientar que \u00e0s vezes h\u00e1 uma ideia errada de que o envolvimento das crian\u00e7as seria p\u00f4r o \u00f3nus da responsabilidade nelas, que eram elas que tinham a responsabilidade de se manter em seguran\u00e7a. Claro que n\u00e3o, a responsabilidade \u00e9 dos adultos, e a responsabilidade de as manter em seguran\u00e7a \u00e9 dos adultos e \u00e9 por isso que temos trabalhado com a Igreja nesse sentido.<\/p>\n<p>No entanto, sabemos, depois de v\u00e1rias d\u00e9cadas de investiga\u00e7\u00e3o que tem sido feita nesta \u00e1rea, noutros pa\u00edses, que envolver as crian\u00e7as de forma ativa \u00e9 especialmente importante, porque elas precisam de ter alguns conhecimentos e algumas compet\u00eancias, n\u00e3o s\u00f3 para saber reconhecer eventuais situa\u00e7\u00f5es abusivas, mas tamb\u00e9m para saber reagir e saber como e a quem revelar. N\u00f3s tamb\u00e9m fazemos preven\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria com as crian\u00e7as, n\u00f3s tamb\u00e9m as ensinamos a saber o que fazer se houver um sismo, e \u00e9 exatamente na mesma l\u00f3gica de lhes dar algumas ferramentas e por isso \u00e9 importante tamb\u00e9m desconstruir um pouco a ideia que \u00e0s vezes prevalece de que fazer preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual envolvente crian\u00e7as \u00e9 falar de sexo ou \u00e9 falar de sexualidade ou de ideologia de g\u00e9nero, e n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>Preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual \u00e9 falar de respeito, \u00e9 falar de seguran\u00e7a, \u00e9 falar de limites, \u00e9 falar de consentimento, \u00e9 falar de ajudar as crian\u00e7as a saberem distinguir, por exemplo, o que \u00e9 um toque adequado ou inadequado, o que \u00e9 um segredo seguro ou inseguro, saber o que fazer nessas situa\u00e7\u00f5es, saber revelar a quem revelar, o que fazer, se pessoa a quem revela, n\u00e3o acreditar na crian\u00e7a, achar que a crian\u00e7a est\u00e1 a inventar ou a mentir. Portanto, s\u00e3o todas estas compet\u00eancias que s\u00e3o trabalhadas nestes programas de uma forma l\u00fadica, porque as crian\u00e7as aprendem a brincar de uma forma ativa e envolvendo naturalmente os adultos significativos da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nesse sentido, pergunto tamb\u00e9m como \u00e9 que vai ser feito o acompanhamento destes programas? <\/em><\/p>\n<p>N\u00f3s agora em outubro vamos abrir j\u00e1 a\u00e7\u00f5es de forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis no nosso site a partir do dia 30 deste m\u00eas estas datas, e, portanto, todas as pessoas, no contexto da Igreja, sejam professores, catequistas, escuteiros, enfim, todo o universo, que desejem implementar estes programas v\u00e3o receber uma forma\u00e7\u00e3o online ou presencial, vamos ter as duas modalidades, cada programa tem uma forma\u00e7\u00e3o de cerca de tr\u00eas horas e s\u00f3 depois \u00e9 que n\u00f3s disponibilizamos esse programa.<\/p>\n<p>Depois o que \u00e9 que n\u00f3s vamos fazer durante este ano letivo? N\u00f3s vamos acompanhar, vamos monitorizar a implementa\u00e7\u00e3o do programa, n\u00e3o s\u00f3 para perceber se est\u00e1 a ser bem implementado, que d\u00favidas \u00e9 que podem surgir e vamos tentar acima de tudo avaliar o impacto, ou seja, o que \u00e9 que muda nestas crian\u00e7as, porque n\u00f3s estamos a falar de um programa e um programa n\u00e3o \u00e9 uma a\u00e7\u00e3o pontual, \u00e9 algo que \u00e9 continuado, \u00e9 um processo. As crian\u00e7as precisam de tempo para amadurecer as ideias, para consolidar as suas aprendizagens e, portanto, estes programas est\u00e3o desenhados para serem sequenciais e para serem aplicados, diria que em m\u00e9dia, o ideal ser\u00e1 uma atividade por semana. S\u00e3o atividades de meia hora, quarenta minutos, que depois est\u00e3o organizadas naturalmente em fun\u00e7\u00e3o dos diversos temas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como dissemos no in\u00edcio, este \u00e9 o fim de semana dos Jubileus dos Catequistas, que tamb\u00e9m s\u00e3o uma parte importante ao n\u00edvel da preven\u00e7\u00e3o do flagelo. Como \u00e9 que t\u00eam corrido os contactos entre eles e o Grupo Vita?<\/em><\/p>\n<p>Os catequistas t\u00eam mostrado uma disponibilidade muito grande nas v\u00e1rias dioceses do pa\u00eds, no sentido de colaborarem connosco a dois n\u00edveis, por um lado pedem forma\u00e7\u00e3o, pedem a\u00e7\u00f5es de capacita\u00e7\u00e3o, e de facto temos aqui um universo j\u00e1 de algumas centenas ou talvez milhares de catequistas que t\u00eam vindo a ser envolvidos nestas a\u00e7\u00f5es pelo pa\u00eds fora. Os catequistas, bem como os professores de Educa\u00e7\u00e3o Moral e Religiosa Cat\u00f3lica, foram tamb\u00e9m envolvidos na constru\u00e7\u00e3o destes programas, ou seja, tivemos aqui a preocupa\u00e7\u00e3o de ir construindo estes conte\u00fados e que fossem sendo revistos por estes, n\u00f3s chamamos-lhes embaixadores. Portanto, s\u00e3o pessoas da Igreja que est\u00e3o relacionadas com a Igreja Cat\u00f3lica e que t\u00eam naturalmente um conhecimento tamb\u00e9m muito mais aprofundado daquelas que s\u00e3o as d\u00favidas que surgem, que \u00e9 a linguagem que \u00e9 adequada, e, portanto, tivemos aqui esta preocupa\u00e7\u00e3o para que toda a Igreja se possa rever nestes programas, porque foram constru\u00eddos em parceria com a Igreja.<\/p>\n<p>Portanto, estes embaixadores t\u00eam aqui um papel importante. Salientar tamb\u00e9m que estes programas j\u00e1 foram pr\u00e9-testados com mais de 50 crian\u00e7as, e tivemos aqui a colabora\u00e7\u00e3o de algumas escolas cat\u00f3licas, a APEC (Associa\u00e7\u00e3o Portuguesa de Escolas Cat\u00f3licas), o SNEC (Secretariado Nacional de Educa\u00e7\u00e3o Crist\u00e3), que t\u00eam sido aqui parceiros muito importantes em todo este processo, e as crian\u00e7as trouxeram aqui um input tamb\u00e9m importante, naturalmente fizeram sugest\u00f5es, fizeram cr\u00edticas e os programas foram tamb\u00e9m ajustados e melhorados em fun\u00e7\u00e3o desta fase pr\u00e9via. Portanto, diria que estes programas s\u00e3o aqui um produto de todos, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 do grupo que o solicita&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E sem as resist\u00eancias habituais?<\/em><\/p>\n<p>Por parte das crian\u00e7as n\u00e3o h\u00e1 resist\u00eancias absolutamente nenhumas, ali\u00e1s, quando fizemos o pr\u00e9-teste do jogo digital,\u00a0os mi\u00fados sa\u00edram de l\u00e1 superanimados a dizer quando \u00e9 que sai o pr\u00f3ximo n\u00edvel do jogo, onde \u00e9 que est\u00e1 este jogo na App Store? Por parte dos adultos, eu diria que at\u00e9 terem alguma forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 algumas resist\u00eancias, h\u00e1 alguma hesita\u00e7\u00e3o, que tem exatamente a ver com o tema: ser\u00e1 que eu me sinto confort\u00e1vel para abordar o tema? Ser\u00e1 que eu sei responder \u00e0s perguntas dos mi\u00fados?<\/p>\n<p>A partir do momento em que trabalhamos numa a\u00e7\u00e3o formativa, estes temas, de uma forma descontra\u00edda, sem temas sexuais, porque eu acho que essa \u00e9 a grande dificuldade, muitas vezes, quando se confunde a preven\u00e7\u00e3o com a sexualidade e com o sexo, e de facto n\u00e3o \u00e9 disso que se trata. Estes programas trabalham o corpo, trabalham os limites, trabalham os diferentes tipos de toques, segredos, pedir ajuda, no fundo ajudamos as crian\u00e7as a estabelecer rela\u00e7\u00f5es saud\u00e1veis.<\/p>\n<p>O que eu queria tamb\u00e9m salientar \u00e9 que estes programas n\u00e3o v\u00eam de forma alguma, \u201cdiabolizar\u201d a Igreja. Ou seja, sabemos que a maior parte dos abusos sexuais n\u00e3o acontece na igreja, acontece em casa, acontece na escola, no fundo acontece no mundo digital, nos contextos onde as crian\u00e7as est\u00e3o. E, portanto, estes programas foram desenhados em fun\u00e7\u00e3o disso, e por isso, ao longo de todas as atividades, n\u00f3s encontramos situa\u00e7\u00f5es que acontecem em casa, na escola, no desporto, na net, mas tamb\u00e9m na igreja. Mas tamb\u00e9m \u00e9 na Igreja que muitas vezes as crian\u00e7as, as personagens dos nossos programas, muitas vezes encontram acolhimento.<\/p>\n<p>\u00c9 muitas vezes ao professor ou ao catequista que pedem ajuda, que revelam. Portanto, \u00e9 tamb\u00e9m importante salientar que estes programas naturalmente foram desenhados pensando no contexto da Igreja, e s\u00e3o os primeiros programas a n\u00edvel mundial que s\u00e3o especialmente desenhados para o contexto da Igreja, \u00e9 importante salientar isso. Naturalmente h\u00e1 aqui todo um enquadramento da religi\u00e3o, mas depois os temas e a forma como eles s\u00e3o abordados, no fundo seguimos as orienta\u00e7\u00f5es da literatura que j\u00e1 s\u00e3o de algumas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s vamos olhar agora um bocadinho para o resto do trabalho do Grupo Vita.H\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o que protesta, alegadamente, a demora na atribui\u00e7\u00e3o da compensa\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas dos abusos sexuais na Igreja, entre outras quest\u00f5es. Eu pergunto se encontra raz\u00f5es para este protesto?<\/em><\/p>\n<p>Parcialmente encontro. Encontro parcialmente porque, se pensarmos em todo o processo de atribui\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es, de facto tem sido um processo moroso, e essa morosidade eu diria que se justifica, por um lado, porque estamos a entrevistar as pessoas que pediram esta compensa\u00e7\u00e3o, uma a uma. Neste momento j\u00e1 entrevistamos 70 pessoas, de um grupo de 84, sendo que destes 84 houve pessoas que desistiram, houve pessoas que deixaram de contactar, houve pessoas que n\u00e3o se enquadravam no objetivo destas compensa\u00e7\u00f5es, porque traziam-nos situa\u00e7\u00f5es de abuso fora da Igreja, portanto n\u00e3o eram aqui enquadr\u00e1veis, e temos algumas pessoas que pediram a compensa\u00e7\u00e3o mais recentemente agora no ver\u00e3o, e que est\u00e3o a ser agendadas agora, setembro, outubro, porque temos pessoas a residir no estrangeiro, e portanto temos que fazer aqui uma concilia\u00e7\u00e3o de agendas tamb\u00e9m com as pessoas, naturalmente, porque v\u00eam a Portugal. Isto implica um conjunto de desloca\u00e7\u00f5es, porque estamos a falar do norte a sul do pa\u00eds, A\u00e7ores e Madeira, porque eram estas e foram, e s\u00e3o, estas comiss\u00f5es de instru\u00e7\u00e3o que v\u00e3o ter com as pessoas ao seu local de resid\u00eancia, e, portanto, estas 70 entrevistas, obrigam a muitas horas da desloca\u00e7\u00e3o, estamos a falar tamb\u00e9m de algumas pessoas que faltaram \u00e0 entrevista, umas com justifica\u00e7\u00e3o, outras nem tanto, e as entrevistas tiveram de ser remarcadas. Portanto, esta primeira fase, de facto, foi morosa, porque envolve toda esta log\u00edstica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E isso fez derrapar os prazos, de alguma maneira? <\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, n\u00e3o fez, porque se bem nos recordamos, o Grupo Vita, tendo em conta o universo de pedidos que havia, e sabendo as desloca\u00e7\u00f5es que havia para fazer, desde o in\u00edcio o nosso compromisso foi, at\u00e9 o final do m\u00eas de agosto, 31 de agosto de 2025, que ter\u00edamos os parceiros preparados para entregar ao segundo grupo. E n\u00e3o foi por acaso que fizemos um comunicado no dia 1 de setembro, isso foi exatamente para dar conta do cumprimento deste prazo, efetivamente \u00e0 data de 1 de setembro, e hoje, \u00e0 data de hoje, temos cerca de 94, 95% dos pareceres prontos para entregar ao grupo de fixa\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es, e, portanto, esta primeira parte, de facto, foi cumprida, n\u00e3o houve derrapagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E esta comiss\u00e3o de fixa\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00f5es j\u00e1 est\u00e1 a trabalhar, j\u00e1 h\u00e1 alguma defini\u00e7\u00e3o de valores, de alguma indemniza\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma pergunta que tem de ser feita \u00e0 CEP (Confer\u00eancia Episcopal Portuguesa), porque efetivamente eu sei quem s\u00e3o as pessoas que o Grupo Vita designou para esse segundo grupo, porque ao Grupo Vita foram pedidas duas pessoas, segundo o regulamento \u00e9 isso que est\u00e1 previsto. O Grupo Vita designava duas pessoas, a CIRP (Confer\u00eancia dos Institutos Religiosos de Portugal) designa uma, a Equipa de Coordena\u00e7\u00e3o Nacional designa duas e a CEP designa duas. Isto d\u00e1 um total de sete pessoas. Essas sete pessoas eu sei que est\u00e3o identificadas, agora, se j\u00e1 come\u00e7aram a trabalhar, efetivamente, ou quando \u00e9 que come\u00e7am a trabalhar, eu diria que \u00e9, de facto, \u00e0 CEP que isto tem de ser perguntado. Da nossa parte, e quando eu digo da nossa parte, n\u00e3o estou s\u00f3 a falar em nome do Grupo Vita, estou a falar em nome das comiss\u00f5es de instru\u00e7\u00e3o, os pareceres est\u00e3o prontos para entrega.<\/p>\n<p>Eu diria, portanto, que, voltando at\u00e9 um bocadinho atr\u00e1s, o compromisso da CEP, se bem nos recordamos, foi de que estes processos estivessem terminados at\u00e9 ao final de 2025, dezembro, e estamos em setembro. Portanto, aqui tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 derrapagem, diria eu. Eu compreendo que na perspetiva de algumas v\u00edtimas, de facto, isto \u00e9 muito tempo, \u00e9 verdade, h\u00e1 v\u00edtimas com quem eu falei h\u00e1 quase um ano, h\u00e1 quase um ano que eu entrevistei algumas pessoas, em outubro, novembro, e portanto, a\u00ed eu percebo, n\u00e3o \u00e9, mas de qualquer das maneiras, sempre foi dito a todas estas pessoas, os prazos que estavam previstos, tendo em conta o n\u00famero de pedidos que havia, portanto, esta \u00e9 a parte&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Haver\u00e1 raz\u00f5es para protesto, ent\u00e3o, para depois de dezembro, digamos assim?<\/em><\/p>\n<p>Sim, diria que sim, sim, diria que depois de dezembro h\u00e1 raz\u00f5es, penso eu, para que, de facto se venha aqui cobrar este prazo que a CEP apresentou.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a parte em que eu concordo com este protesto, com esta manifesta\u00e7\u00e3o. H\u00e1 outra parte de algumas cr\u00edticas que t\u00eam vindo, ao de cima&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Com acesso ao parecer, por exemplo, a possibilidade ou n\u00e3o de aceder ao parecer?<\/em><\/p>\n<p>Sim, com acesso ao parecer, ou a forma como as entrevistas s\u00e3o conduzidas. Algumas pessoas disseram inclusive que n\u00f3s obrig\u00e1mos a assinar um termo de confidencialidade, enfim, h\u00e1 aqui algumas distor\u00e7\u00f5es: aquilo que n\u00f3s pedimos \u00e0s pessoas, e parece-me que \u00e9 um bocadinho obvio \u00e9 que antes de fazer uma entrevista assinem um termo de consentimento informado. Consentimento informado significa que sabem o regulamento, que o conhecem, e quem n\u00e3o conhece n\u00f3s lemo-lo com a pessoa ali ao nosso lado, explicamos, que nos autoriza a recolher dados, porque temos aqui um regime de prote\u00e7\u00e3o de dados, e, portanto, eu tenho de ter autoriza\u00e7\u00e3o da pessoa para poder escrever, tirar notas daquilo que a pessoa est\u00e1 a dizer, e para poder passar esta informa\u00e7\u00e3o a um relat\u00f3rio para um segundo grupo.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m com este compromisso, \u00e9 isso que esse consentimento informado diz, de que no final de tudo isto, at\u00e9 tr\u00eas meses no final do processo, toda esta informa\u00e7\u00e3o \u00e9 destru\u00edda exatamente para garantir a privacidade. Portanto, este \u00e9 o termo de consentimento que as pessoas assinam no in\u00edcio, sendo que algumas pessoas levaram c\u00f3pia, porque pediram, outras pessoas tiraram fotografia com o telem\u00f3vel, n\u00e3o h\u00e1 problema absolutamente nenhum, \u00e9 um termo de consentimento informado, sem o qual n\u00f3s n\u00e3o avan\u00e7amos. Depois, a forma como as entrevistas t\u00eam sido conduzidas, eu lamento, de facto, ler algumas inverdades, de uma forma muito expl\u00edcita, que algumas v\u00edtimas alegam. Nunca foi perguntado a ningu\u00e9m se doeu. Eu estava nessa entrevista e a pessoa que estava comigo na comiss\u00e3o de instru\u00e7\u00e3o perguntou o que \u00e9 que sentiu.<\/p>\n<p>Nunca foi pedida a nenhuma v\u00edtima, tamb\u00e9m estava nessa entrevista, que mostrasse como \u00e9 que foi o toque abusivo. Isso seria manifestamente desadequado, at\u00e9 porque n\u00f3s n\u00e3o vamos pedir a algu\u00e9m para mostrar uma situa\u00e7\u00e3o que foi abusiva, seria repeti-la. Aquilo que foi pedido foi que a pessoa clarificasse, porque a pessoa disse, ele tocou-me, e n\u00f3s perguntamos, tocou onde?<\/p>\n<p>H\u00e1 uma coisa muito importante que \u00e9 preciso clarificar. O segundo grupo de atribui\u00e7\u00e3o das compensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o vai ter oportunidade, n\u00e3o vai falar com as pessoas. Se restarem d\u00favidas ao segundo grupo de atribui\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00f5es, na d\u00favida pode haver uma n\u00e3o atribui\u00e7\u00e3o de compensa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Portanto, este material da entrevista \u00e9 fundamental para a decis\u00e3o do segundo grupo?<\/em><\/p>\n<p>Claro, \u00e9 fundamental que a informa\u00e7\u00e3o v\u00e1 com a clarifica\u00e7\u00e3o poss\u00edvel e as perguntas que n\u00f3s fazemos s\u00e3o de clarifica\u00e7\u00e3o, porque se algu\u00e9m disser, o padre tocou-me, se tiver tocado no ombro ou se tiver tocado na cabe\u00e7a, isso n\u00e3o configura crime de natureza sexual. Portanto, eu percebo que seja dif\u00edcil, e isso \u00e9 explicado \u00e0s pessoas, n\u00f3s percebemos que \u00e9 dif\u00edcil falar sobre isto, \u00e9 dif\u00edcil clarificar determinadas quest\u00f5es, mas sem esta clarifica\u00e7\u00e3o o meu receio \u00e9 de que o segundo grupo possa arquivar alguns processos dizendo que n\u00e3o h\u00e1 lugar a compensa\u00e7\u00e3o porque n\u00e3o se configura informa\u00e7\u00e3o suficiente para concluir pela exist\u00eancia de um crime sexual. O sr. Ant\u00f3nio Grosso, e digo o nome dele porque ele tamb\u00e9m, no fundo, refere-o de forma expl\u00edcita na comunica\u00e7\u00e3o social, tamb\u00e9m diz uma inverdade muito significativa quando diz que foi escalpelizada a situa\u00e7\u00e3o de abuso quando lhe pediram para falar da situa\u00e7\u00e3o de abuso. Tendo em conta os in\u00fameros relatos que esse senhor j\u00e1 fez na comunica\u00e7\u00e3o social e que s\u00e3o p\u00fablicos, n\u00e3o foi feita uma \u00fanica pergunta sobre o abuso sexual a esse senhor. Esse senhor quis, sim, dizer algumas coisas por sua espont\u00e2nea vontade. Receio \u00e9 que \u00e0s vezes a forma como estas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o trazidas ao de cima de facto suscitem muitas d\u00favidas em todas as outras pessoas que at\u00e9 podem estar a pensar em pedir uma compensa\u00e7\u00e3o, em pedir um processo de ajuda e possam ficar inibidas, porque efetivamente no universo de 70 entrevistas identificamos cerca de 4 pessoas que nos disseram de forma clara que n\u00e3o se sentiram bem, que n\u00e3o gostaram da entrevista, que teriam prescindido daquele momento e que n\u00e3o concordavam com a forma como o processo estava a ser conduzido. Quatro em 70.<\/p>\n<p>Tenho pena que as outras 66 n\u00e3o s\u00e3o entrevistadas porque n\u00e3o d\u00e3o a cara, porque preferem manter e bem o seu anonimato, a sua privacidade, mas gostaria que ficasse claro que aquilo que algumas v\u00edtimas dizem n\u00e3o \u00e9 representativo da forma como a maior parte se sente e sentiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O Grupo Vita continua a receber queixas de abuso. H\u00e1 casos recentes e j\u00e1 agora, se sim, est\u00e3o todos relacionados com a Igreja?<\/em><\/p>\n<p>Sim, n\u00f3s continuamos, a \u00faltima recebi ontem \u00e0 noite. N\u00f3s continuamos a receber processos de ajuda, pedidos de ajuda por parte de v\u00edtimas, nem todos relacionados com as compensa\u00e7\u00f5es financeiras. N\u00f3s temos 84 pedidos de compensa\u00e7\u00e3o at\u00e9 o momento e pediram-nos ajuda j\u00e1 h\u00e1 mais de 140 v\u00edtimas, portanto temos aqui um universo de v\u00edtimas que n\u00e3o pede esta compensa\u00e7\u00e3o, pede apoio psicol\u00f3gico, pede apoio psiqui\u00e1trico, pede apoio espiritual tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>Por vezes sim, tamb\u00e9m este ano em 2025 tamb\u00e9m tivemos cerca de 10, 12 situa\u00e7\u00f5es em que fomos contactados por situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o tinham absolutamente nada a ver com a Igreja, situa\u00e7\u00f5es de abuso intrafamiliar ou de abuso na escola ou at\u00e9 de ass\u00e9dio laboral, portanto viol\u00eancia dom\u00e9stica. Sim, continuamos a ser procurados e a\u00ed naturalmente o que fazemos \u00e9 depois encaminhar para as entidades competentes, porque n\u00e3o \u00e9 a miss\u00e3o do Grupo Vita esse tipo de situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>N\u00f3s vamos j\u00e1 caminhando para a reta final desta entrevista, muito brevemente, n\u00e3o sei se teve a oportunidade j\u00e1 de ver o livro\/entrevista do Papa Le\u00e3o XIV que saiu sobre v\u00e1rios temas. E ele fala especificamente da vontade de prosseguir o caminho deixado por Francisco no combate aos abusos sexuais, dando aten\u00e7\u00e3o \u00e0s v\u00edtimas. H\u00e1 tamb\u00e9m uma inten\u00e7\u00e3o que ele diz que segue de Francisco, de n\u00e3o fazer disto o foco central da vida da Igreja. Pergunto que entendimento tem da posi\u00e7\u00e3o do Papa? <\/em><\/p>\n<p>O meu entendimento, at\u00e9 o momento, daquilo que j\u00e1 ouvi ou li, \u00e9 de que h\u00e1 aqui o desejo e a disponibilidade para manter aqui uma continuidade e como disse algu\u00e9m outro dia, acho que neste momento j\u00e1 n\u00e3o se faz marcha atr\u00e1s, j\u00e1 n\u00e3o d\u00e1 para voltar atr\u00e1s. Este processo est\u00e1 em andamento, receio que possa n\u00e3o ter o mesmo f\u00f4lego que teve com o Papa Francisco, mas efetivamente as coisas tamb\u00e9m t\u00eam o seu tempo e tamb\u00e9m \u00e9 importante dar tempo ao tempo e perceber como \u00e9 que o nosso Papa, neste momento, pretende conduzir estes processos.<\/p>\n<p>Aquilo que eu sinto aqui na Igreja em Portugal, sinto que ainda andamos a compassos muito diferentes. Nem todos os bispos, nem todas as congrega\u00e7\u00f5es, de facto, veem esta problem\u00e1tica da mesma forma, apesar de ver uma evolu\u00e7\u00e3o positiva nos \u00faltimos dois anos. Hoje a realidade \u00e9 muito diferente do que era em maio de 2023, quando o Grupo Vita come\u00e7ou. A Igreja \u00e9 uma engrenagem morosa, complexa e, portanto, os processos de mudan\u00e7a n\u00e3o acontecem do dia para a noite, \u00e9 preciso tempo.<\/p>\n<p>N\u00f3s estamos a falar de uma mudan\u00e7a de cultura na Igreja, uma mudan\u00e7a de paradigma, n\u00e3o \u00e9 apenas de identificar as v\u00edtimas que j\u00e1 foram identificadas, encaminhar e agora compensar financeiramente. H\u00e1 todo um processo de mudan\u00e7a muito mais estrutural que est\u00e1 em marcha e que naturalmente demora o seu tempo e, portanto, acredito que nos pr\u00f3ximos anos esse processo tem necessariamente de se manter.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Eu queria terminar com o congresso que o Grupo Vita vai organizar a 27 de novembro em F\u00e1tima, com o objetivo de refletir sobre o percurso realizado at\u00e9 aqui, no que concerne a este combate aos abusos sexuais na Igreja Cat\u00f3lica. Eu perguntava-lhe quais s\u00e3o os objetivos desta iniciativa?<\/em><\/p>\n<p>Os objetivos deste congresso, que \u00e9 internacional, portanto, temos alguns convidados estrangeiros e destaca apenas o padre Hans Zollner, do Vaticano, e destaco Marie Keenan, da Irlanda, e tamb\u00e9m algu\u00e9m da Porticus, a Irene Salgado, portanto, estamos a falar de parceiros que t\u00eam muitos mais anos de experi\u00eancia nesta problem\u00e1tica, noutros pa\u00edses. O grande objetivo \u00e9 tamb\u00e9m trazer aqui algum input de quem j\u00e1 tem um caminho mais longo do que o nosso, \u00e9 cruzar olhares, \u00e9 cruzar perspetivas, \u00e9 partilhar saberes e \u00e9 providenciar aqui ou potenciar uma reflex\u00e3o conjunta. E, por isso, n\u00f3s temos uma parte da manh\u00e3 com mesas, portanto, que se v\u00e3o sucedendo e depois \u00e0 tarde temos a oportunidade de ter workshops tem\u00e1ticos, em grupos mais pequenos para se poder aprofundar algumas tem\u00e1ticas e, no fundo, tamb\u00e9m rentabilizar ao m\u00e1ximo os nossos convidados que trazem aqui a sua experi\u00eancia e a sua sabedoria e que queremos tamb\u00e9m beber dela e aprender e trabalhar em conjunto. O Grupo Vita tem estabelecido parcerias, nos \u00faltimos meses, muito importantes com alguns pa\u00edses, com a Espanha, com o Brasil, com a B\u00e9lgica e, portanto, estamos aqui tamb\u00e9m a tentar criar aqui uma rede de trabalho, porque, efetivamente, pois naturalmente cada pa\u00eds tem a sua especificidade, mas h\u00e1 aqui vari\u00e1veis que s\u00e3o muito transversais e podemos aprender todos uns com os outros e crescer juntos nesta parceria, neste trabalho em rede.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No fim de semana em que decorre em Roma o Jubileu dos Catequistas, e em v\u00e9spera da apresenta\u00e7\u00e3o de dois programas de preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as, \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia ECCLESIA a coordenadora do Grupo 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