{"id":39280,"date":"2009-06-04T15:38:54","date_gmt":"2009-06-04T15:38:54","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/04\/as-eleicoes-europeias-pedem-muita-atencao-aos-catolicos\/"},"modified":"2009-06-04T15:38:54","modified_gmt":"2009-06-04T15:38:54","slug":"as-eleicoes-europeias-pedem-muita-atencao-aos-catolicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/as-eleicoes-europeias-pedem-muita-atencao-aos-catolicos\/","title":{"rendered":"As elei\u00e7\u00f5es Europeias pedem muita aten\u00e7\u00e3o aos Cat\u00f3licos"},"content":{"rendered":"<p>A prop&oacute;sito da Europa, temos visto que nem toda a gente percebe algumas diferen&ccedil;as que se devem ter presentes quando somos chamados a tomar posi&ccedil;&atilde;o em elei&ccedil;&otilde;es Europeias. Antes de mais, a grande diferen&ccedil;a entre o Continente e a Uni&atilde;o Europeia. N&atilde;o s&oacute; o facto de nem todos os pa&iacute;ses do Continente europeu serem membros da Uni&atilde;o, mas tamb&eacute;m o facto de serem rela&ccedil;&otilde;es muito diferentes as que um pa&iacute;s tem com outro porque &eacute; vizinho ou quando se trata de dois Estados membros de uma mesma realidade pol&iacute;tica. Existe em Estrasburgo uma coisa que se chama <strong>Conselho da Europa<\/strong> (e n&atilde;o Conselho Europeu) e que re&uacute;ne 47 pa&iacute;ses do continente Europeu (mesmo os que n&atilde;o pertencem &agrave; Uni&atilde;o Europeia como a R&uacute;ssia, a Ge&oacute;rgia, a Turquia, a Cro&aacute;cia, a Su&iacute;&ccedil;a, etc.). A miss&atilde;o do Conselho da Europa deve ser apenas a de vigiar pelo respeito dos Direitos Humanos, daquilo a que chamam os valores fundamentais comuns (alguns v&ecirc;em aqui, por exemplo, o direito ao aborto!) da defesa do Estado de Direito e da democracia. Funciona atrav&eacute;s dum Comit&eacute; de Ministros de Neg&oacute;cios Estrangeiros dos 47 Estados ou embaixadores seus delegados e sedeados em Estrasburgo e atrav&eacute;s duma assembleia Parlamentar com 318 membros (mais 318 suplentes), n&atilde;o eleitos mas escolhidos pelos governos nacionais. &Eacute; interessante verificar que o Conselho da Europa, embora deva cuidar da democracia (o poder do povo), &eacute; um conselho aristocr&aacute;tico (poder dos mais capazes) visto que os membros s&oacute; muito indirectamente s&atilde;o escolhidos pelo povo. As suas conven&ccedil;&otilde;es ou tratados (que j&aacute; s&atilde;o cerca de 200) t&ecirc;m for&ccedil;a de lei e os Estados membros s&atilde;o &quot;convidados&quot; a adequarem as legisla&ccedil;&otilde;es nacionais a estes Tratados ou conven&ccedil;&otilde;es.&nbsp; Isto, para al&eacute;m das recomenda&ccedil;&otilde;es aos governos em que se pretende definir princ&iacute;pios directores em mat&eacute;ria de direito, de sa&uacute;de, de comunica&ccedil;&atilde;o social, de educa&ccedil;&atilde;o ou de desporto. Por fim, pode ser &uacute;til informar que o Conselho da Europa tem uma Secretaria Geral, dirigida por um socialista ingl&ecirc;s desde 2004, e que tem 1800 empregados e um or&ccedil;amento de 200 milh&otilde;es de euros!<\/p>\n<p>O que agora vai ser votado, por&eacute;m, &eacute; outra coisa, &eacute; a escolha dos deputados do <strong>Parlamento Europeu<\/strong>. Cada pa&iacute;s tem direito a um determinado n&uacute;mero de assentos que ser&atilde;o distribu&iacute;dos pelos v&aacute;rios partidos nacionais em resultado das elei&ccedil;&otilde;es. Estes partidos est&atilde;o, por sua vez, ligados aos partidos ideologicamente pr&oacute;ximos dos outros pa&iacute;ses da UE e das Comunidades e formam as grandes fam&iacute;lias dos chamados Partidos europeus. De entre estes os maiores s&atilde;o dois, representando as duas grandes fam&iacute;lias actualmente presentes na vida pol&iacute;tica europeia: o Partido Popular Europeu (de que o PSD &eacute; membro) e o Partido Socialista Europeu (de que o PS &eacute; membro). Existe ainda a Alian&ccedil;a dos Democratas e Liberais pela Europa, que &eacute; actualmente o terceiro grupo pol&iacute;tico, o Grupo Confederal da Esquerda Unit&aacute;ria Europeia (composto por partidos de extrema esquerda e ex partidos comunistas &#8211; Bloco de Esquerda e PCP), mas h&aacute; ainda lugar para outros pequenos grupos e at&eacute; para certos partidos nacionais que n&atilde;o est&atilde;o filiados em grupos europeus. H&aacute;, evidentemente, espa&ccedil;o para que surja outra for&ccedil;a europeia que deixe de estar marcada pela agenda dos grandes e possa representar, quer quando aprova, quer quando prop&otilde;e, a vis&atilde;o mais humanista e crist&atilde;. O Partido Popular Europeu tem, geralmente, posi&ccedil;&otilde;es mais pr&oacute;ximas da Igreja, mas nem sempre e nem todos os deputados.<\/p>\n<p>Outra coisa ainda &eacute; a <strong>Comiss&atilde;o Europeia<\/strong>, com comiss&aacute;rios dos v&aacute;rios pa&iacute;ses, escolhidos pelo presidente indigitado em conjunto com o Conselho e que, depois de haver a aprova&ccedil;&atilde;o do Parlamento Europeu, s&atilde;o nomeados pelo <strong>Conselho<\/strong>, tamb&eacute;m chamado <strong>Conselho da Uni&atilde;o Europeia<\/strong>. O Tratado de Lisboa prev&ecirc; grandes mudan&ccedil;as neste &oacute;rg&atilde;o. <\/p>\n<p>Outro &oacute;rg&atilde;o fundamental &eacute; o <strong>Conselho Europeu<\/strong>. Este Conselho (diferente do j&aacute; referido <strong>Conselho da Europa<\/strong> e do <strong>Conselho da Uni&atilde;o Europeia<\/strong>) re&uacute;ne os chefes de Estado ou de governo dos pa&iacute;ses membros da Uni&atilde;o, al&eacute;m do Presidente da Comiss&atilde;o, e tem uma Presid&ecirc;ncia rotativa, em cada semestre, alternando entre os pa&iacute;ses membros, at&eacute; &agrave; entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Este <strong>Conselho Europeu<\/strong> &eacute; a inst&acirc;ncia suprema a quem competem as grandes decis&otilde;es pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gicas para a UE (criada atrav&eacute;s do chamado Tratado de Maastricht, de 7 de Fevereiro de 1992) e para as Comunidades (criadas pelos Tratados de Roma, de 25 de Mar&ccedil;o de 1957). O <strong>Conselho<\/strong>, ao inv&eacute;s, re&uacute;ne os ministros dos v&aacute;rios pa&iacute;ses por temas, atrav&eacute;s dos ministros da especialidade, presidindo a cada reuni&atilde;o o ministro respectivo do Estado membro que det&eacute;m no momento a presid&ecirc;ncia. N&atilde;o deixa de ser importante referir a figura do Secret&aacute;rio Geral deste Conselho, que n&atilde;o &eacute; eleito, mas escolhido e que desde 1999 &eacute; Javier Solana, um socialista espanhol que antes havia sido secret&aacute;rio-geral na NATO.<\/p>\n<p>Por fim, h&aacute; ainda uma s&eacute;rie de inst&acirc;ncias supranacionais e com estatuto de independ&ecirc;ncia, como por exemplo, o Tribunal de Justi&ccedil;a das Comunidades Europeias e o Banco Central Europeu (o Banco Central da &quot;zona euro&quot;).<\/p>\n<p>Diante desta grande pan&oacute;plia de inst&acirc;ncias vale a pena tentar perceber o que se vota numas elei&ccedil;&otilde;es europeias. Escolhem-se os deputados e com isso formam-se os grupos pol&iacute;ticos no Parlamento Europeu. Tendo isto sido feito, prepara-se a escolha do presidente deste Parlamento. Mas tamb&eacute;m se d&aacute; uma indica&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica para o Conselho escolher o pr&oacute;ximo presidente da Comiss&atilde;o, que ali&aacute;s n&atilde;o pode ser nomeado sem aprova&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via do Parlamento. Aqui salta &agrave; vista que desde as elei&ccedil;&otilde;es Europeias at&eacute; &agrave; escolha dos &quot;dirigentes&quot; vai ainda uma grande dist&acirc;ncia. Contudo, h&aacute; uma rela&ccedil;&atilde;o e &eacute; tamb&eacute;m esta que deve ser tida em conta quando se vai votar. Apesar de tudo quanto possamos fazer, &eacute; f&aacute;cil que a Uni&atilde;o Europeia acabe por ser dirigida por aqueles que se chamam hoje os eurocratas e que podem ser facilmente colocados dentro da m&aacute;quina da UE por grupos de press&atilde;o, ideol&oacute;gicos ou econ&oacute;micos. Estes funcion&aacute;rios da UE mant&ecirc;m-se l&aacute; mesmo depois das elei&ccedil;&otilde;es porque est&atilde;o a contrato de trabalho e n&atilde;o s&atilde;o especificamente pol&iacute;ticos. <\/p>\n<p>Um outro aspecto fundamental a perceber &eacute; que o Parlamento Europeu &eacute; hoje &#8211; e s&ecirc;-lo-&aacute; ainda mais se o Tratado de Lisboa entrar em vigor &#8211; um legislador de pleno direito no quadro europeu. E que a legisla&ccedil;&atilde;o europeia j&aacute; representa, directa ou indirectamente, mais de metade de toda a legisla&ccedil;&atilde;o nacional!!<\/p>\n<p>Salta por isso &agrave; vista a import&acirc;ncia crescente deste &oacute;rg&atilde;o, mas tamb&eacute;m dos grupos, ONGs (Organiza&ccedil;&otilde;es N&atilde;o Governamentais) e <em>lobbies<\/em> que v&atilde;o fazendo press&atilde;o junto dos &oacute;rg&atilde;os europeus para conseguirem influenciar a orienta&ccedil;&atilde;o das decis&otilde;es que, mais cedo ou mais tarde, acabam por ter de ser aceites nas legisla&ccedil;&otilde;es nacionais e, por isso, por determinar o rumo da sociedade e da cultura. Estes grupos aproveitam-se de duas coisas: da discri&ccedil;&atilde;o do seu trabalho, porque os eleitores est&atilde;o nos seus pa&iacute;ses e n&atilde;o se d&atilde;o conta do que se passa em Bruxelas; e do facto de que, apesar do princ&iacute;pio da subsidiariedade, aquilo que se decide nesses corredores &eacute; cada vez mais determinante para a ac&ccedil;&atilde;o dos governos e dos parlamentos nacionais. Este princ&iacute;pio da subsidiariedade, que &eacute; um princ&iacute;pio b&aacute;sico da Doutrina Social da Igreja Cat&oacute;lica mas que &eacute; aceite por todos e que at&eacute; tem estado presente nos tratados que v&atilde;o surgindo no &acirc;mbito da Uni&atilde;o Europeia (incluindo as Comunidades), quer dizer que, ao n&iacute;vel das rela&ccedil;&otilde;es entre os Estados e a Uni&atilde;o,&nbsp; a UE, de acordo com este princ&iacute;pio, s&oacute; pode decidir legislar sobre determinada mat&eacute;ria se os Estados membros n&atilde;o conseguirem, por si s&oacute;s, adoptar as medidas necess&aacute;rias para realizar o bem pr&oacute;prio ou se for necess&aacute;ria uma interven&ccedil;&atilde;o da Comunidade para o objectivo ser melhor realizado. &Eacute;, por isso, muito s&eacute;rio e muito preocupante que estejamos a assistir na pr&aacute;tica a uma invers&atilde;o completa deste princ&iacute;pio e que, hoje em dia, mais de metade da legisla&ccedil;&atilde;o produzida num pa&iacute;s tenha a sua origem nas inst&acirc;ncias europeias longe dos cidad&atilde;os e muitas vezes em mat&eacute;rias que s&atilde;o compet&ecirc;ncia dos Estados.<\/p>\n<p>Aqui liga-se a outra quest&atilde;o que tem estado muito presente nestes &uacute;ltimos tempos e que &eacute;, precisamente, o &acirc;mbito das compet&ecirc;ncias da Uni&atilde;o Europeia, express&atilde;o que habitualmente &eacute; usada para designar o conjunto Uni&atilde;o-Comunidades, pelo menos at&eacute; o Tratado de Lisboa entrar em vigor (passar&aacute; ent&atilde;o a existir apenas a UE). Em princ&iacute;pio, a Comunidade Europeia tem no seu &acirc;mbito as quest&otilde;es econ&oacute;micas (e, por isso, tenta conseguir pol&iacute;ticas dos v&aacute;rios sectores da vida econ&oacute;mica que possam integrar o bem de todos) e a adop&ccedil;&atilde;o de regras que tenham em vista a melhoria da vida dos cidad&atilde;os e uma maior justi&ccedil;a social, com a promo&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas que facilitem a busca de emprego e a melhoria das condi&ccedil;&otilde;es de vida dos pa&iacute;ses mais pobres. Por seu turno, &agrave; UE competem sobretudo as quest&otilde;es de pol&iacute;tica externa que tenham interesse para todos e que visem preservar a paz e de coopera&ccedil;&atilde;o em mat&eacute;rias policiais e criminais. Tudo isso importa e muito disso tem sido tentado e at&eacute;, por vezes, realizado. &Eacute; um facto que a Uni&atilde;o Europeia pode, por isso, ser uma coisa muito boa e j&aacute; o tem demonstrado. Basta olhar para o desenvolvimento de Portugal e perceber o que se tem conseguido com o facto de sermos membros das Comunidades e, a partir de 1993, tamb&eacute;m da UE. N&atilde;o s&oacute; pelos subs&iacute;dios, mas tamb&eacute;m pelas rela&ccedil;&otilde;es que se conseguem gra&ccedil;as ao facto de sermos membros, e que nos ajudam a melhorar as nossas condi&ccedil;&otilde;es de vida. <\/p>\n<p>Contudo, atrav&eacute;s de uma s&eacute;rie de manig&acirc;ncias pol&iacute;ticas e de jogos de palavras, que se introduzem para fazer com que determinado assunto possa ser tratado pela Uni&atilde;o (ou melhor, muitas vezes pela Comunidade), t&ecirc;m sa&iacute;do directivas que parecem ultrapassar o &acirc;mbito das compet&ecirc;ncias que os pa&iacute;ses lhe atribu&iacute;ram e que apontam geralmente todas na mesma direc&ccedil;&atilde;o. Por exemplo, uma quest&atilde;o do direito da fam&iacute;lia, que &eacute; da compet&ecirc;ncia dos Estados, pode acabar por poder ser abordada nas inst&acirc;ncias europeias, quando se consegue que ela surja atrav&eacute;s do princ&iacute;pio da n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o que, por ser do &acirc;mbito dos Direitos Fundamentais, j&aacute; pode ser considerado pela Uni&atilde;o Europeia, apesar de nem a Comunidade nem a UE disporem de compet&ecirc;ncias em mat&eacute;ria de direitos fundamentais, como ali&aacute;s demonstra a dificuldade na imposi&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica da Carta dos Direitos Fundamentais. O casamento n&atilde;o pode ser discutido, mas ent&atilde;o, para se falar do casamento entre pessoas do mesmo sexo, usa-se o princ&iacute;pio da n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o. Este princ&iacute;pio tem vindo a ser mudado para chegar a dizer que n&atilde;o se devem descriminar as pessoas n&atilde;o s&oacute; por causa do sexo, da religi&atilde;o, da ra&ccedil;a, do pa&iacute;s de origem, etc., mas tamb&eacute;m por essa nova inven&ccedil;&atilde;o que &eacute; a orienta&ccedil;&atilde;o sexual (coisa que j&aacute; tem entrado, inclusive, nas constitui&ccedil;&otilde;es nacionais, por press&atilde;o de certos grupos), pela qual se diz que j&aacute; n&atilde;o h&aacute; dois sexos &#8211; masculino e feminino &#8211; mas 6 g&eacute;neros. Com este uso da chamada &quot;ideologia do g&eacute;nero&quot; h&aacute; j&aacute; quem ouse dizer que por causa da &quot;orienta&ccedil;&atilde;o sexual&quot;, a EU, se necess&aacute;rio impelido por decis&otilde;es do Tribunal Europeu, pode obrigar os Estados a legislar sobre o chamado casamento entre pessoas do mesmo sexo. N&oacute;s diremos sempre que o casamento &eacute; outra coisa e que s&oacute; &eacute; verdadeiro se for entre um homem e uma mulher, mas percebemos que, se nas leis aparece que uma uni&atilde;o de duas pessoas do mesmo sexo tamb&eacute;m se chama casamento, aos poucos vai entrando na mentalidade que &eacute; tudo a mesma coisa e que, portanto, o facto de uma pessoa ser de um ou de outro sexo n&atilde;o a define. Por detr&aacute;s desta mentalidade est&aacute; claramente uma atitude anti-crist&atilde;, uma atitude que pretende dizer que o corpo e aquilo que a pessoa decide ser n&atilde;o precisam de estar de acordo, e isso porque, n&atilde;o acreditando num Criador e n&atilde;o aceitando o que a natureza mostra no corpo, se pretende ser capaz de decidir at&eacute; contra Deus. Mas o facto &eacute; que esta mentalidade nasce em ambientes claramente ateus e seduz crentes distra&iacute;dos e que j&aacute; deixaram de aceitar a doutrina da Igreja em muitos outros pontos. <\/p>\n<p>Estas e outras quest&otilde;es, que deveriam ser da exclusiva compet&ecirc;ncia dos Estados, acabam por ser tratadas e objecto de &quot;leis&quot; a n&iacute;vel europeu, sem que se d&ecirc; por isso. Muitas vezes, quem elabora as propostas nem sequer &eacute; deputado eleito. Mas, mesmo quando o assunto &eacute; debatido no Parlamento Europeu, a coisa &eacute; de tal modo distante do quotidiano dos cidad&atilde;os e t&atilde;o manipul&aacute;vel pelos <em>lobbies<\/em> que, sem grande dificuldade, estes v&atilde;o conseguindo que sejam dados passos numa direc&ccedil;&atilde;o que, pelo que se tem visto, &eacute; oposta aos grandes princ&iacute;pios da Igreja. <\/p>\n<p>Vemos, de facto, um crescimento daquilo que se chama laicismo, ou seja, duma corrente de pensamento que pretende fechar tudo o que diz respeito &agrave; religi&atilde;o na vida privada. Este laicismo pretende que todos os princ&iacute;pios morais que a Igreja defende, simplesmente porque s&atilde;o defendidos pela Igreja, n&atilde;o podem ser tidos em conta, porque, segundo essa ideologia, s&oacute; assim se consegue ter uma esp&eacute;cie de moral n&atilde;o religiosa. O drama &eacute; que deste modo a moral e a &eacute;tica ficam completamente incapazes de dizer o que &eacute; bom e o que &eacute; mau, nascendo e consolidando-se um relativismo e at&eacute; um <em>niilismo<\/em> que nega que alguma coisa tenha consist&ecirc;ncia em si mesmo e que alguma verdade possa valer a pena de ser defendida. &Eacute; assim que se fala da liberdade de recorrer ao aborto, da equipara&ccedil;&atilde;o de uni&otilde;es homossexuais a casamentos, da possibilidade de se fazer experi&ecirc;ncias com embri&otilde;es humanos, da eutan&aacute;sia ou do &quot;testamento vital&quot;, da hiperboliza&ccedil;&atilde;o dos sentimentos e dos afectos, ou, ainda, da obrigatoriedade de uma educa&ccedil;&atilde;o sexual despida de valores e em que os pais n&atilde;o s&atilde;o considerados. Estes e outros pseudo-valores parecidos, que procuram despir de qualquer sinal crist&atilde;o a nossa sociedade, a par de toda a pol&iacute;tica econ&oacute;mica muito facilmente influenciada pelos grandes grupos econ&oacute;micos, que tamb&eacute;m eles conseguem agir junto das inst&acirc;ncias europeias, s&atilde;o hoje em dia objecto de grandes &quot;combates&quot;. <\/p>\n<p>A Igreja n&atilde;o tem estado fora de todo este processo. Ela n&atilde;o &eacute;, de modo algum, contra a Uni&atilde;o Europeia, ainda que possa ser muito cr&iacute;tica em rela&ccedil;&atilde;o ao caminho que esta est&aacute; a tomar actualmente. A Igreja tem uma Comiss&atilde;o (a ComECE &#8211; Comiss&atilde;o dos Episcopados da Comunidade Europeia) com um secretariado em Bruxelas, composto por juristas e outras pessoas muito preparadas nos v&aacute;rios temas, para acompanhar o que se vai fazendo na Uni&atilde;o europeia, na Comiss&atilde;o, no Conselho e no Parlamento Europeu. A Santa S&eacute; tem tamb&eacute;m um N&uacute;ncio apost&oacute;lico junto da Uni&atilde;o Europeia, que, tal como para os outros Estados, tem a fun&ccedil;&atilde;o de ser embaixador atento aos assuntos ali tratados. O Vaticano, porque tamb&eacute;m ele &eacute; um Estado, tem, ainda, o lugar de Observador Permanente no Conselho da Europa. Deste modo, a Igreja Cat&oacute;lica pode ir dando contributos positivos e denunciar decis&otilde;es que sejam contra o Homem e contra a Verdade. Depois h&aacute; os v&aacute;rios grupos informais e &quot;Think tanks&quot; cat&oacute;licos que tentam, de acordo com as suas possibilidades, influenciar as decis&otilde;es, como um qualquer outro grupo. A grande diferen&ccedil;a &eacute; que os &quot;outros&quot; t&ecirc;m or&ccedil;amentos elevad&iacute;ssimos e os nossos vivem de pequenos donativos! Por fim, a outra importante possibilidade de estarmos, como Igreja, presentes na vida pol&iacute;tica europeia &eacute; a de, atrav&eacute;s do nosso voto, escolher deputados que nos possam defender, o que pressup&otilde;e que haja cat&oacute;licos dispon&iacute;veis para a vida pol&iacute;tica que aceitem ser candidatos e que sejam convidados pelos partidos.<\/p>\n<p>Como se v&ecirc;, hoje n&atilde;o podemos ficar distra&iacute;dos com o que se passa na Europa. &Eacute; demasiado s&eacute;rio. A escolha dos deputados, como tem vindo a ser dito pelos episcopados de toda a Europa, embora n&atilde;o seja capaz de resolver todos os problemas, &eacute; algo que pode ter uma enorme import&acirc;ncia e nos interessa a todos. Escolher quem promova a vida, a fam&iacute;lia, a subsidiariedade e a liberdade de iniciativa, e quem defenda a liberdade religiosa, e n&atilde;o votar em quem defende coisas completamente contr&aacute;rias ao bem comum ou &agrave; Verdade da mensagem de Cristo, como o aborto, a eutan&aacute;sia ou o relativismo moral, est&aacute; ao nosso alcance.<\/p>\n<p>&Eacute; preciso dar sinais de que estamos preocupados. E &eacute; preciso que mais cat&oacute;licos entrem na pol&iacute;tica. Sabemos que o jogo &eacute; complicado e que muitas vezes s&atilde;o afastados, ridicularizados e at&eacute; maltratados. Mas n&atilde;o se espere que defender a Verdade, como fez Jo&atilde;o Baptista, possa ser &quot;agrad&aacute;vel&quot;. Jesus nunca nos prometeu um para&iacute;so na terra, mas sempre nos convidou a segui-Lo, pegando na Cruz para amarmos os homens e as mulheres como Ele nos amou e podermos melhorar a vida de quantos nos rodeiam. Cada um pense o que fazer &agrave; luz do que a Igreja ensina e esteja descansado que nunca lhe faltar&aacute; a alegria pr&oacute;pria de quem recebe de forma consciente todos os dias a vida de Jesus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pe. Duarte da Cunha, <\/p>\n<p>Secret&aacute;rio-geral do Conselho das Confer&ecirc;ncias Episcopais da Europa (CCEE)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miguel Gorj&atilde;o-Henriques, <\/p>\n<p>Assistente Convidado da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Advogado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A prop&oacute;sito da Europa, temos visto que nem toda a gente percebe algumas diferen&ccedil;as que se devem ter presentes quando somos chamados a tomar posi&ccedil;&atilde;o em elei&ccedil;&otilde;es Europeias. Antes de mais, a grande diferen&ccedil;a entre o Continente e a Uni&atilde;o Europeia. N&atilde;o s&oacute; o facto de nem todos os pa&iacute;ses do Continente europeu serem membros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[8],"tags":[93,174,187,189,203],"class_list":["post-39280","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-dossier","tag-aborto","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-do-porto","tag-direitos-humanos","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39280"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39280\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}