{"id":3927,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/combater-o-hedonismo-contemporaneo\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"combater-o-hedonismo-contemporaneo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/combater-o-hedonismo-contemporaneo\/","title":{"rendered":"Combater o hedonismo contempor\u00e2neo"},"content":{"rendered":"<p>Homilia de Natal do Bispo do Porto <!--more--> \u201cComo s\u00e3o belos sobre os montes os p\u00e9s do mensageiro que anuncia a paz\u201d (Is. 52, 7).  Com estas palavras de poesia e de esperan\u00e7a Deus contempla e ensina-nos a apreciar a mensagem do seu enviado, do seu Anjo cuja miss\u00e3o consiste em anunciar a paz, trazer a boa nova (o Evangelho) e proclamar a salva\u00e7\u00e3o.  Aparentemente pleon\u00e1sticas e redundantes, estas palavras referem a amplitude e riqueza dos conceitos necess\u00e1rios para entender, sem hesita\u00e7\u00f5es ou redu\u00e7\u00f5es, o significado e alcance da Encarna\u00e7\u00e3o do Filho de Deus, que evocamos e celebramos no Natal.  Parece que o insond\u00e1vel e inef\u00e1vel de Deus explode para a humanidade com express\u00f5es de estranheza que confundiu e impediu os homens de entender correctamente o sentido da Verdade: \u201co teu Deus \u00e9 Rei\u201d (Is. 52, 7); \u201cAdorem-nO todos os Anjos de Deus\u201d (Heb.1, 6).  De facto somos confrontados e atra\u00eddos para a contempla\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio mist\u00e9rio \u00edntimo de Deus, mist\u00e9rio t\u00e3o alto quanto \u00e9 a nossa pequenez e humildade: \u201c A qual dos Anjos disse Deus alguma vez: Tu \u00e9s meu Filho, Eu hoje Te gerei?\u201d (Heb. 1, 5). Deus, que muitas vezes e de muitos modos falou antigamente pelos Profetas, falou-nos agora \u201cnestes dias que s\u00e3o os \u00faltimos\u201d (nestes dias que s\u00e3o os nossos), por seu Filho (cf. Heb. 1, 2).  O Ap\u00f3stolo S. Jo\u00e3o  chama a este Filho de Deus \u201co Verbo\u201d, a Palavra, que \u00e9 Deus, \u201cfez-se carne e habitou entre n\u00f3s\u201d (Jo. 1, 14), como luz que brilha nas trevas, e como luz verdadeira que ilumina todo o homem.  S\u00f3 que, sendo a luz verdadeira que ilumina todo o homem, o Verbo de Deus, Cristo, estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, n\u00e3o O conheceu. \u201cVeio para o que era seu e os seus n\u00e3o O receberam\u201d (Jo. 1, 11).  Esta \u00e9 a hist\u00f3ria tr\u00e1gica da humanidade, n\u00e3o como abstrac\u00e7\u00e3o, mas como hist\u00f3ria dos homens que fomos e somos, por um processo colectivo de fraqueza, de cont\u00e1gio, de exemplaridade, de imita\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de ironia divina, como se depreende do Evangelho: Cristo veio para o que era seu , e embora n\u00e3o O tenham recebido, embora O n\u00e3o recebamos, embora O recusemos, embora seja objecto das mais diversas teorias de cr\u00edtica do conhecimento, n\u00f3s somos seus (\u201cos seus n\u00e3o O receberam\u201d).  Para vencer esta \u201cironia\u201d e tens\u00e3o, a sociedade, com maior ou menor consci\u00eancia, de forma mais ou menos intensa, vai-se entregando \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es de um hedonismo sempre em processo de renova\u00e7\u00e3o, acrescentando pr\u00e1ticas de nova explora\u00e7\u00e3o a pr\u00e1ticas mais antigas nunca abandonadas.  A economia e a sede do ter continuam no centro das preocupa\u00e7\u00f5es de quantos relativizam o ser pessoal e apaziguam a consci\u00eancia num relativismo moral que conduz ao horizontalismo e \u00e0 amoralidade. O ate\u00edsmo da nossa cultura deu origem a um agnosticismo mais moderno e intelectualmente mais c\u00f3modo, como base de um indiferentismo  que assume n\u00edveis de suposta superioridade.  Apagada a mem\u00f3ria hist\u00f3rica e n\u00e3o havendo sedes a saciar ou quest\u00f5es a exigir respostas, a educa\u00e7\u00e3o e a pedagogia limitam-se a um centrismo que desenvolve uma antropologia sem Deus e sem Cristo, aliada do nihilismo que torna amorfos os valores que dizem tradicionais. Surgem logicamente paix\u00f5es e milit\u00e2ncias por valores que se exaltam enquanto substitutos de Deus e contr\u00e1rios a outros valores que s\u00e3o marginalizados ou esquecidos em nome de uma modernidade que se identifica, pensam, com o progresso. H\u00e1 medos naturais e compreens\u00edveis que se contrariam pelo esfor\u00e7o de uma suspeita solidariedade e at\u00e9 coniv\u00eancia , que resulta em campanhas organizadas para a mudan\u00e7a a qualquer pre\u00e7o.  A pr\u00f3pria liberdade religiosa arrisca-se a entrar no \u00e2mbito dos lugares comuns, invocada e cultivada como dispensa de acreditar ou testemunhar a f\u00e9, ou como liberta\u00e7\u00e3o para entrar nos caminhos da fantasia ex\u00f3tica, da criatividade ileg\u00edtima e das fugas para experi\u00eancias de contempla\u00e7\u00f5es ou cultos importados do Oriente ou partilhados na sociedade cada vez mais cosmopolita e em perda de identidade.  E no entanto, quando damos testemunho da f\u00e9 que celebramos neste tempo de Natal, n\u00e3o devemos esquecer as palavras do Profeta: \u201c O Senhor descobre o seu santo bra\u00e7o \u00e0 vista de todas as na\u00e7\u00f5es e todos os confins da terra ver\u00e3o a salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus\u201d (Is. 52, 10).  Que o Natal do Salvador desperte em todos n\u00f3s a f\u00e9 que professamos. Que o Senhor nascido em Bel\u00e9m, feito homem e apresentado na imagem e figura terna de crian\u00e7a, nos atraia para a familiaridade que o acontecimento permite.  Que Ele seja \u201cDeus connosco\u201d, como boa nova e salva\u00e7\u00e3o, na abund\u00e2ncia das gra\u00e7as que imploro para todos v\u00f3s, para as vossas fam\u00edlias, para toda a Diocese, para toda humanidade para que veja e aceite a salva\u00e7\u00e3o do nosso Deus.  S\u00e9 Catedral do Porto, 25 de Dezembro de 2003  D. Armindo Lopes Coelho, Bispo do Porto    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia de Natal do Bispo do Porto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[154,160,187,191,193,206,267,314],"class_list":["post-3927","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-crianca","tag-d-armindo-lopes-coelho","tag-diocese-do-porto","tag-economia","tag-educacao","tag-familia","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}