{"id":392503,"date":"2025-09-23T10:01:09","date_gmt":"2025-09-23T09:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=392503"},"modified":"2025-09-23T10:01:09","modified_gmt":"2025-09-23T09:01:09","slug":"ninguem-ve-o-que-se-passa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ninguem-ve-o-que-se-passa\/","title":{"rendered":"\u201cNingu\u00e9m v\u00ea o que se passa\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Mais de 3 anos de guerra na Ucr\u00e2nia pelo olhar do Bispo de Donetsk<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_392507\" aria-describedby=\"caption-attachment-392507\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-392507 size-large\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania-1024x679.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"679\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania-1024x679.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania-400x265.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania-768x509.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/D-Maksym-Ryabukha-ucrania.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-392507\" class=\"wp-caption-text\">Foto: ACN<\/figcaption><\/figure>\n<p><em>\u00c9 um dos mais jovens bispos do mundo. Aos 45 anos, D. Maksym Ryabukha est\u00e1 \u00e0 frente de um vasto territ\u00f3rio que abrange as regi\u00f5es de Donetsk, Luhansk, Danipr e Zaporizhzhia. Praticamente, tudo nomes bem conhecidos, pois indicam lugares que t\u00eam estado no centro da guerra na Ucr\u00e2nia. De facto, metade da diocese deste bispo est\u00e1 ocupada por for\u00e7as russas e por isso inacess\u00edvel para ele.\u00a0 At\u00e9 a catedral est\u00e1 fechada. O Bispo denuncia, \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o AIS, o terror dos bombardeamentos, dos ataques com os drones, e apela \u00e0 solidariedade de todos. <\/em><\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia e muito particularmente nos territ\u00f3rios que comp\u00f5em a diocese do Bispo Maksym Rayabukha est\u00e1 \u201ccada vez pior\u201d. Em visita \u00e0 sede internacional da Funda\u00e7\u00e3o AIS, o prelado tra\u00e7a um retrato duro da realidade no seu pa\u00eds que est\u00e1 em guerra desde que come\u00e7ou a invas\u00e3o das tropas russas em Fevereiro de 2022. As consequ\u00eancias da guerra t\u00eam sido terr\u00edveis para todos os ucranianos, mas t\u00eam sido particularmente dram\u00e1ticas para muitos dos que vivem na sua diocese e que abrange as regi\u00f5es de Donetsk, Luhansk, Danipr e Zaporizhzhia. Cerca de metade do seu exarcado \u2013 o equivalente oriental a diocese \u2013 est\u00e1 ocupado por for\u00e7as russas e por isso inacess\u00edvel. At\u00e9 a catedral est\u00e1 fechada. Para D. Maksym \u2013 que se define a si pr\u00f3prio como \u2018bispo sobre rodas\u2019 \u2013 os dias s\u00e3o passados em viagem, para estar o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel das pessoas, do seu rebanho. E todos os dias escuta relatos de viol\u00eancia, medo e terror. \u201cA situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 cada vez pior. Os drones tornam qualquer lugar inseguro, inclusive para civis. Ao longo da linha da frente, a cerca de 30 km do meu territ\u00f3rio, as pessoas abandonam as casas \u00e0 noite, com medo de morrer esmagadas, e v\u00e3o dormir no campo, junto aos lagos. Um rapaz contou-me que dormia com toda a fam\u00edlia quando ouviu uma bomba aproximar-se e percebeu que ela podia cair sobre a casa. Em segundos, saltaram da cama e sa\u00edram; pouco depois, todo o edif\u00edcio era uma cratera. Uma experi\u00eancia destas pode arrasar uma pessoa. \u00c9 algo muito destrutivo\u201d, relata o prelado.<\/p>\n<p>\u201cO pior nem s\u00e3o as bombas\u2026\u201d<\/p>\n<p>A guerra veio alterar a vida de todos. E isso \u00e9 tamb\u00e9m particularmente vis\u00edvel na sua diocese. \u201cAntes da guerra t\u00ednhamos mais de 80 par\u00f3quias; agora temos apenas 37 activas. As restantes fecharam, foram ocupadas ou destru\u00eddas\u201d, explica. O facto de grande parte do territ\u00f3rio da diocese estar ocupado pelas for\u00e7as russas significa muito. A come\u00e7ar pela proibi\u00e7\u00e3o de \u201cqualquer filia\u00e7\u00e3o com a Igreja Cat\u00f3lica, seja greco-cat\u00f3lica, ou de rito latino\u201d. Na pr\u00e1tica, explica o bispo, isto significa que \u201c\u00e9 muito dif\u00edcil prestar qualquer tipo de assist\u00eancia religiosa. J\u00e1 n\u00e3o temos sacerdotes nesses territ\u00f3rios; todas as nossas igrejas foram destru\u00eddas ou est\u00e3o fechadas, e as pessoas n\u00e3o podem frequent\u00e1-las\u201d. Mas os que vivem em zonas ocupadas t\u00eam mostrado enorme capacidade de resili\u00eancia. \u201cRecebo not\u00edcias dos territ\u00f3rios ocupados sobre os la\u00e7os entre os fi\u00e9is. Apesar de viverem em perigo, sentem-se parte de uma mesma Igreja: apoiam-se mutuamente, encontram-se, partilham sonhos e esperan\u00e7as, rezam juntos, mesmo com o risco de vida e sem poder faz\u00ea-lo em p\u00fablico. \u00c9 isso que lhes d\u00e1 for\u00e7a para continuar\u201d, diz. Uma for\u00e7a que \u00e9 fundamental num tempo em que, por causa da guerra, as pessoas sentem que as suas vidas est\u00e3o a desmoronar. E o bispo diz que \u201co pior de tudo nem s\u00e3o as bombas, mas sim a sensa\u00e7\u00e3o de abandono, de se estar sozinho ou de n\u00e3o ter valor para ningu\u00e9m\u201d.<\/p>\n<p>\u201cJovens extraordin\u00e1rios\u201d<\/p>\n<p>Neste momento, na diocese existem dois bispos \u2013 al\u00e9m de D. Maksym Ryabukha h\u00e1 um prelado em\u00e9rito \u2013, 53 sacerdotes e oito religiosos. Nas quatro regi\u00f5es que fazem parte da diocese h\u00e1 par\u00f3quias que t\u00eam centros de apoio \u00e0s fam\u00edlias, casas religiosas e grupos paroquiais, al\u00e9m ainda de sete centros da C\u00e1ritas. Mas o mais importante, real\u00e7a o bispo, s\u00e3o os 19 seminaristas. No contexto da guerra, eles s\u00e3o sinal de esperan\u00e7a para o futuro. \u201cTemos 19 seminaristas. \u00c9 um n\u00famero elevado para n\u00f3s, pois n\u00e3o somos uma grande eparquia. Estes jovens s\u00e3o extraordin\u00e1rios. Cresceram em grupos juvenis paroquiais e t\u00eam uma profunda experi\u00eancia de vida crist\u00e3. Fazem perguntas s\u00e9rias e profundas. Tanto rapazes como raparigas procuram sentido para a vida, s\u00e3o corajosos e amadureceram muito como pessoas. Antes, muitos sentiam-se perdidos e n\u00e3o sabiam o que fazer, porque a vida era complicada. Agora h\u00e1 clareza\u201d, afirma. O exemplo destes 19 rapazes que sonham com o sacerd\u00f3cio \u00e9 significativo e \u00e9 tamb\u00e9m um exemplo da import\u00e2ncia do apoio que a Funda\u00e7\u00e3o AIS tem dado, atrav\u00e9s da generosidade dos seus benfeitores e amigos, \u00e0 Igreja ucraniana.<\/p>\n<p>Agradecimento sentido aos benfeitores da AIS<\/p>\n<p>A ajuda \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de seminaristas \u00e9 apenas um exemplo, mas o bispo destaca muitas mais \u00e1reas que t\u00eam beneficiado com a solidariedade da AIS. A quest\u00e3o do apoio a crian\u00e7as e jovens traumatizados \u00e9 exemplar. \u201cO trauma psicol\u00f3gico da guerra leva muitas crian\u00e7as a perder a capacidade de ler, escrever ou falar. Precisamos de especialistas para trabalhar a sa\u00fade mental destes jovens e aprender a ajud\u00e1-los. Por isso, estamos a organizar forma\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica para sacerdotes e agentes paroquiais. Tamb\u00e9m apoiamos m\u00e3es e esposas com filhos que perderam o marido na guerra. Muitos t\u00eam dificuldade em regressar \u00e0 normalidade, presos \u00e0 ideia de que a pessoa podia estar viva, mas perdeu a vida por causa da estupidez de algu\u00e9m\u201d, relata o prelado. \u201cAs pessoas que vivem junto \u00e0 linha da frente n\u00e3o t\u00eam acesso a alimentos nem a produtos de higiene. Todos os dias recebo pedidos:\u00a0 \u00c9 a\u00ed que entra o apoio social e humanit\u00e1rio. Outro grande desafio \u00e9 o Inverno, quando as centrais de energia s\u00e3o bombardeadas e a electricidade falha. Sem luz, n\u00e3o h\u00e1 aquecimento e torna-se imposs\u00edvel encontrar um lugar quente e seguro. As par\u00f3quias fazem o que podem para oferecer espa\u00e7os onde as pessoas possam recuperar, com cozinhas e servi\u00e7os essenciais\u201d, acrescenta. Por tudo isto, D. Maksym Ryabukha fez quest\u00e3o de deixar uma mensagem a todos os que colaboram com a funda\u00e7\u00e3o pontif\u00edcia, sublinhando a import\u00e2ncia de todos os gestos de solidariedade. \u201cN\u00e3o imaginam o bem que fazem. N\u00e3o \u00e9 apenas a ajuda material, \u00e9 o afecto que o benefici\u00e1rio sente. Nenhum dos que recebe ajuda sabe de onde vem, mas sente que algu\u00e9m pensa nele, que \u00e9 amado.\u201d<\/p>\n<p><em>Paulo Aido<\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de 3 anos de guerra na Ucr\u00e2nia pelo olhar do Bispo de Donetsk<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":187728,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[75],"tags":[],"class_list":["post-392503","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao-rubricas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392503","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=392503"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/392503\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/187728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=392503"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=392503"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=392503"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}