{"id":39242,"date":"2009-06-02T14:53:00","date_gmt":"2009-06-02T14:53:00","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/06\/02\/daniel-faria-o-principe-da-poesia\/"},"modified":"2009-06-02T14:53:00","modified_gmt":"2009-06-02T14:53:00","slug":"daniel-faria-o-principe-da-poesia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/daniel-faria-o-principe-da-poesia\/","title":{"rendered":"Daniel Faria: o pr\u00edncipe da poesia"},"content":{"rendered":"<p>10 anos ap\u00f3s a sua morte inesperada <!--more--> <\/p>\n<p>De linhas direitas, a arquitectura po&eacute;tica de Daniel Faria nasce da terra queimada, mas na sinfonia das suas palavras brota uma sementeira evang&eacute;lica. &Eacute; fecundante&#8230; Aponta para o horizonte. Este poeta, nascido a 10 de Abril de 1971, colocava o cora&ccedil;&atilde;o na sua pena. Ler Daniel Faria &eacute; um aut&ecirc;ntico manjar onde o sabor das suas palavras permanece, apesar da sua morte prematura.<\/p>\n<p>Nos meses que antecedem o Ver&atilde;o, os jacarand&aacute;s d&atilde;o um cromatismo &uacute;nico &agrave; cidade de Lisboa. Na coreografia lingu&iacute;stica do poeta de Baltar (Paredes), as magn&oacute;lias s&atilde;o um aut&ecirc;ntico quadro que tocam no crep&uacute;sculo de todos os dias do ano. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;A magn&oacute;lia estende contra a minha escrita a tua sombra<br \/><\/em><em>E eu toco na sombra da magn&oacute;lia como se pegasse na tua m&atilde;o&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Esculpida no granito, a po&eacute;tica de Daniel Faria &eacute; melodiosa. &Eacute; orvalho permanente que mant&eacute;m a magn&oacute;lia fresca e luminosa durante o dia. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Prometo-te a palma da minha m&atilde;o para a escrita.<br \/><\/em><em>Cerca-a de magn&oacute;lias, cerca-me.&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>De gota em gota, a escrita do poeta torna a magn&oacute;lia pensativa como o homem numa tarde de Outono ou numa manh&atilde; chuvosa de inverno.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;A magn&oacute;lia enxerta-me nos pensamentos&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Entrou no Semin&aacute;rio do Porto &#8211; esteve no Bom-Pastor (Ermesinde) &#8211; onde aprendeu a dialogar com a harmonia po&eacute;tica. A precocidade po&eacute;tica de Daniel Faria &eacute; not&oacute;ria. Na Escola Secund&aacute;ria Rodrigues de Freitas surpreendia a professora de Portugu&ecirc;s com a sua sensibilidade criativa neste campo. Prosseguiu nos Semin&aacute;rios de Vilar e da S&eacute;. <\/p>\n<p>O F&aacute; do Violoncelo melodia com o Si da Harpa. As suas palavras entoam no cora&ccedil;&atilde;o do homem\/mulher e adormecem suavemente&#8230;<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Apagando a luz do quarto cada noite<br \/><\/em><em>No escuro a respirar como um clar&atilde;o&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>&laquo;Explica&ccedil;&atilde;o das &Aacute;rvores e de outros animais&raquo; e &laquo;Homens que s&atilde;o lugares mal situados&raquo; foram as obras que solidificaram o peregrino do sil&ecirc;ncio. No entanto, deixou quase pronto, um outro livro &#8211; &laquo;Dos L&iacute;quidos&raquo; &#8211; publicado ap&oacute;s a sua morte. Daniel Faria criou enormes expectativas junto do c&iacute;rculo portuense que o conhecia ou com ele conviveu. A sua obra principal est&aacute; reunida no volume &laquo;Poesia&raquo;, publicado em Dezembro de 2003. Posteriormente, saiu &laquo;O livro de Joaquim&raquo;.<\/p>\n<p>Apesar da sua timidez natural, Daniel Faria alcan&ccedil;ou muito cedo a maioridade na poesia portuguesa. Tocar nos seus poemas &eacute; como amanhecer ao Sol do meio-dia&#8230;<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Sei que estou em viagem na palavra que se move&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Daniel Faria &eacute; um aut&ecirc;ntico ap&oacute;stolo da natureza que atrav&eacute;s da encena&ccedil;&atilde;o metaf&iacute;sica das palavras apresenta os valores da vida e aponta a morte como projecto de futuro. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;O interior do repouso<br \/><\/em><em>E ser fa&uacute;lha onde a morte vive<br \/><\/em><em>E a vida rompe&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>No ambiente campestre, o poeta de Baltar relata epis&oacute;dios marcantes da sua inf&acirc;ncia. Desenvolve imagens coloridas com elementos b&iacute;blicos. Nesse agasalho buc&oacute;lico, Daniel Faria mostra a epifania da semente vocacional. <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Neste lugar transit&oacute;rio mant&eacute;m-me mendigo&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A luminosidade po&eacute;tica est&aacute; bem patente em Daniel Faria. (&quot;Se acender uma luz \/ N&atilde;o morrerei sozinho&quot;). Os poemas surgem, mas depois &quot;temos de aprender a enxug&aacute;-los; a dar-lhe claridade. Trazer um poema &agrave; superf&iacute;cie &eacute; uma experi&ecirc;ncia &uacute;nica&quot; &#8211; disse numa entrevista a um di&aacute;rio.&nbsp; <\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Concerto a palavra com todos os sentidos em sil&ecirc;ncio<br \/><\/em><em>Restauro-a<br \/><\/em><em>Dou-lhe um som para que ela fale por dentro<br \/><\/em><em>Ilumino-a&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Ser padre diocesano ou monge de Singeverga? Uma d&uacute;vida que Daniel Faria tentou responder na sua caminhada vocacional. Em 1994, depois de terminar o Curso de Teologia decidiu sair do Semin&aacute;rio Maior do Porto. Come&ccedil;a a frequentar a Faculdade de Letras daquela cidade&#8230; e reside na Par&oacute;quia do Marqu&ecirc;s. Aos poucos, a op&ccedil;&atilde;o pela &laquo;Regra de S. Bento&raquo; ganha solidez. Conclu&iacute;do o Curso de Letras no ano lectivo de 1997\/98, aproveitou esse ano para o postulantado no Mosteiro de S. Bento da Vit&oacute;ria. Em Outubro de 1998 iniciou em Singeverga, o noviciado, interrompido tragicamente, na noite de 2 para 3 de Junho do ano seguinte. Depois de alguns dias em estado de coma no Hospital de S. Jo&atilde;o (Porto), veio a falecer a 9 de Junho de 1999.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;Arruma as tuas alegrias<br \/><\/em><em>E faz as malas como se fosses emigrante&quot;<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Apesar do inesperado desaparecimento, Daniel Faria abriu janelas e mostrou as ra&iacute;zes do sonho.<\/p>\n<blockquote>\n<p><em>&quot;N&atilde;o acredito que cada um tenha o seu lugar.<br \/><\/em><em>Acredito que cada um &eacute; um lugar para os outros&quot;<\/em><\/p>\n<p align=\"right\"><em>Luis Filipe Santos<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>10 anos ap\u00f3s a sua morte inesperada<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[187],"class_list":["post-39242","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-diocese-do-porto"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39242","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39242"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39242\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39242"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39242"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39242"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}