{"id":391836,"date":"2025-09-16T15:16:08","date_gmt":"2025-09-16T14:16:08","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=391836"},"modified":"2025-09-16T15:17:15","modified_gmt":"2025-09-16T14:17:15","slug":"ha-coisas-levadas-da-breca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/ha-coisas-levadas-da-breca\/","title":{"rendered":"H\u00e1 coisas levadas da breca!"},"content":{"rendered":"<p><em>D. Antonino Dias,\u00a0<\/em><em>Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_184289\" aria-describedby=\"caption-attachment-184289\" style=\"width: 390px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-184289\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-1280x853.jpg 1280w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/antonino-dias1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-184289\" class=\"wp-caption-text\">Fotos: Ag\u00eancia ECCLESIA<\/figcaption><\/figure>\n<p>Sim, h\u00e1 mesmo coisas levadas da breca! N\u00e3o naquele sentido de breca significar furor, ira, diabruras, mas no de exprimir coisas espantosas, incr\u00edveis, extraordin\u00e1rias. E espantoso \u00e9, por exemplo, haver dias internacionais para muita coisa, fazendo com que muita coisa tenha, em cada dia, todos os dias, o seu dia internacional. J\u00e1 s\u00e3o 218 esses dias, al\u00e9m dos anos tem\u00e1ticos, das d\u00e9cadas especiais, dos dias europeus e alguns dias mundiais da Igreja. Entendemos tais preocupa\u00e7\u00f5es e a necessidade de agir, mas tamb\u00e9m sabemos que, se o h\u00e1bito de os proclamar pode viciar os seus autores, a tanta abund\u00e2ncia tamb\u00e9m pode desmotivar aqueles que se pretendem sensibilizar. Esta afirma\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, pode parecer uma tontaria, mas o leitor far\u00e1 o favor de a rejeitar ou contestar. O Dia Internacional da Democracia, deste ano, j\u00e1 bate \u00e0 porta, e, como sabemos, a democracia preza a liberdade de express\u00e3o. Quando, porventura, essa liberdade de express\u00e3o leva a dizer o que se pensa sem pensar o que se diz, tanto pode sair um disparate mais que asinino, como uma ideia fulgurante ao jeito de talento parlamentar, como um improp\u00e9rio de fazer ferver a indigna\u00e7\u00e3o ao ponto de a tampa saltar para sovar tal vileza: ihihihihih&#8230;<\/p>\n<p>Desde 2007, e por solene autoriza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, lavrada e emitida em Resolu\u00e7\u00e3o, a Democracia, mesmo que tenha pressa e fa\u00e7a bater a aldraba na porta, s\u00f3 poder\u00e1 entrar a 15 de setembro, o seu dia. N\u00e3o sei se \u00e9 por isso, mas acho que essa esbelta senhora, a Democracia, anda um pouco desorientada e abatida, cabisbaixa, talvez doente. Como se n\u00e3o bastasse, os especialistas em tais maleitas manifestam dificuldade em acertar na moche, n\u00e3o apreciam os sintomas em evid\u00eancia, mostram cansa\u00e7o e alheamento. Possivelmente, alguns deles tamb\u00e9m estar\u00e3o adoentados, coitados, talvez com s\u00edndrome de grave doen\u00e7a antidemocr\u00e1tica, tendo dificuldade em encontrar algu\u00e9m que tenha a coragem de lhes fazer um rigoroso diagn\u00f3stico e de lho revelar&#8230; Assim, a t\u00e3o desejada Democracia, nas suas mol\u00e9stias, ter-se-\u00e1 de contentar com umas mezinhas caseiras bem mal amanhadas, possivelmente ao gosto de curiosos amadores ou de tarefeiros com pressa, incapazes de lhe garantirem esperan\u00e7a no resultado. Paci\u00eancia, s\u00e3o sortes!<\/p>\n<p>Como o leitor constata, ainda sobra uma m\u00e3o cheia de dias para, se a imagina\u00e7\u00e3o funcionar, a ONU conseguir proclamar mais uns tantos dias de \u00e2mbito internacional. S\u00f3 n\u00e3o sei \u00e9 se haver\u00e1 coisa assim t\u00e3o m\u00edsera que s\u00f3 mere\u00e7a um dia em cada ano! J\u00e1 no long\u00ednquo s\u00e9culo terceiro antes de Cristo, mesmo insinuando ser um gazeteiro, pois afirmou que \u2018o muito estudo cansa o corpo\u2019 (Ecl 12,12), o s\u00e1bio Coelet do Eclesiastes, ou atualizou o que j\u00e1 corria de boca em boca, ou arrancou mesmo do seu touti\u00e7o uma conclus\u00e3o que, face \u00e0s perguntas deste nosso tempo, n\u00e3o est\u00e1 assim t\u00e3o fora de prazo como os iogurtes envelhecidos. Ele sabia que no tempo h\u00e1 tempo para tudo. Mas, olhando \u00e0 sua volta, escutando e mirando o que se passava, entendia que o tido como certo e mais que comprovado era posto em causa, e o que fazia mover as pessoas e a sociedade em geral era uma fantasia, uma corrida desenfreada atr\u00e1s do vento, uma maluqueira maluca a fazer perder o sentido da vida e a constatar que, apesar de tanto canseira, \u201cgera\u00e7\u00e3o vai, gera\u00e7\u00e3o vem, e a terra permanece sempre igual\u2019 (Id.1,4). Entre n\u00f3s, hoje, tamb\u00e9m n\u00e3o falta quem rabuje pelo facto de, na sua perce\u00e7\u00e3o (como agora se diz), aquilo que se tinha como certo &#8211; e bom! -, ser abandonado sem nada que o substitua ou supere. Ao mesmo tempo, dentro da sua mesma perce\u00e7\u00e3o, ora baloi\u00e7am entre o usufruir \u00e0 farta do antigo e o dizer mal de quem o construiu, ora gozam \u00e0 brava o presente mas maldizem-no e esconjuram quem o suporta e conduz, ora anunciam um futuro de maravilhas t\u00e3o excelentes que at\u00e9 o maravilhoso mundo da Alice ficar\u00e1 a anos-luz de dist\u00e2ncia. A sua conclus\u00e3o \u00e9 excelente e radical, assim o presumo eu j\u00e1 que eles a guardam como um grande segredo: \u201cN\u00f3s \u00e9 que somos e sabemos! Se n\u00e3o formos n\u00f3s a segurar musculadamente nas r\u00e9deas e a presidir aos destinos p\u00e1trios, s\u00f3 haver\u00e1 mais do mesmo: \u2018gera\u00e7\u00e3o vai, gera\u00e7\u00e3o vem\u2019 e nada de novo acontecer\u00e1 debaixo do sol, n\u00e3o haver\u00e1 novidade que se preze, s\u00f3 a derrocada total, at\u00e9 dos escombros!\u201d<\/p>\n<p>Jesus, que revolucionou a hist\u00f3ria, n\u00e3o veio para destruir, veio para aperfei\u00e7oar. N\u00e3o desprezou o passado, n\u00e3o se manifestou senhor do presente, apontou para um futuro feliz constru\u00eddo por todos, sem exclus\u00f5es nem peneiras. Nessa perspetiva e nessa esperan\u00e7a, apreciamos a dial\u00e9tica democr\u00e1tica, esse processo de di\u00e1logo e debate, onde diferentes ideias, interesses e opini\u00f5es se confrontam em busca de algo novo, tanto quanto poss\u00edvel fruto das achegas de todos, para que, quem de direito e de dever, possa agir melhor em favor do bem comum, do bem estar coletivo, do progresso e do desenvolvimento sustent\u00e1vel. Muito ajuda neste processo a intera\u00e7\u00e3o sadia dos poderes legislativo, judicial, executivo e a fidelidade \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o, a qual, neste momento, persente que anda mouro na costa, pois, se assim n\u00e3o fosse, um grupo de Juristas de Coimbra n\u00e3o teria posto a correr uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica que pode ser subscrita por quem se associe \u00e0 sua defesa.<\/p>\n<p>Como v\u00ednhamos a falar, no processo democr\u00e1tico do bem fazer, ningu\u00e9m pode agir como se tivesse o monop\u00f3lio do presente, ningu\u00e9m pode romper com o passado s\u00f3 porque sim, ningu\u00e9m, nos seus del\u00edrios ideol\u00f3gicos ou subestimando a realidade em favor da ideia, deve prometer aquilo que n\u00e3o \u00e9 capaz de dar. Tal como Jesus fez, a democracia deve respeitar o passado e a tradi\u00e7\u00e3o, deve respeitar o trabalho daqueles que vieram antes, que se esfor\u00e7aram por nos oferecer o melhor que puderam e como o entenderam, deve assumir o dever de aperfei\u00e7oar essa heran\u00e7a, tanto quanto necess\u00e1rio e poss\u00edvel, pois nem tudo ser\u00e1 de manter, nem tudo tem o mesmo valor, nem tudo, hoje, ser\u00e1 conveniente \u00e0 pessoa e \u00e0 sociedade, mas tudo pode ser retificado, completado e aperfei\u00e7oado. Ter a pretens\u00e3o ensoberbada de descartar todos e tudo quanto vem do passado para come\u00e7ar do zero, do nada, como se isso fosse poss\u00edvel, como se antes nada e ningu\u00e9m tivesse existido, como se o hoje n\u00e3o dependesse do ontem e o amanh\u00e3 do hoje, como se agora \u00e9 que se inventou a p\u00f3lvora, n\u00e3o ser\u00e1 boa atitude democr\u00e1tica, n\u00e3o manifesta bom senso, reconhecimento, gratid\u00e3o, evolu\u00e7\u00e3o, crescimento. Ora, este Dia Internacional da Democracia tem o prop\u00f3sito de enaltecer, reafirmar, promover e proteger a dita cuja e os seus valores, com a colabora\u00e7\u00e3o individual e coletiva, o apoio da comunidade internacional, da sociedade civil e de todos quantos defendem os valores democr\u00e1ticos. Mesmo que muito se tenha trabalhado nessa \u00e1rea, h\u00e1, por esse mundo al\u00e9m, quem, embora sabendo que o tempo deve servir para nascer, plantar, construir, rir, bailar, incluir, abra\u00e7ar, amar e ter paz, preferem ofender, arrancar, destruir, dividir, descartar, odiar, fazer guerra, matar&#8230;<\/p>\n<p>Coisa levada da breca seria tamb\u00e9m se, agora que se aproximam as nossas elei\u00e7\u00f5es aut\u00e1rquicas e se apela \u00e0 participa\u00e7\u00e3o e ao voto como dever e valores democr\u00e1ticos, os pol\u00edticos se apresentassem com discursos tais que criassem na opini\u00e3o p\u00fablica a ideia de que s\u00f3 falam verdade quando dizem mal uns dos outros. O respeito de uns pelos outros edifica, educa, constr\u00f3i, atrai, gera confian\u00e7a. A gritaria, a baixeza na linguagem e nos argumentos degrada, deseduca, destr\u00f3i, afasta.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D. Antonino Dias,\u00a0Bispo de Portalegre-Castelo Branco<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":184289,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-391836","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/391836","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=391836"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/391836\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/184289"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=391836"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=391836"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=391836"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}