{"id":3916,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/a-luz-que-passa-ao-lado\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"a-luz-que-passa-ao-lado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-luz-que-passa-ao-lado\/","title":{"rendered":"&#8220;A Luz que passa ao lado&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca de Lisboa na Solenidade do Natal do Senhor <!--more--> \u201cA Luz que passa ao lado\u201d  Homilia na Solenidade do Natal do Senhor S\u00e9 Patriarcal, 25 de Dezembro de 2003   \tNesta solene celebra\u00e7\u00e3o lit\u00fargica do Natal do Senhor, a Palavra de Deus que agora foi proclamada abre-nos para o mist\u00e9rio de Jesus Cristo como solu\u00e7\u00e3o humana, Aquele a cuja luz se descobre a dignidade do homem e a grandeza da sua pr\u00f3pria voca\u00e7\u00e3o. Mas faz-nos tamb\u00e9m pensar no acolhimento que os homens do nosso tempo fazem a esse Mensageiro de Deus, que \u00e9 Jesus Cristo. Ressalta, antes de mais, a beleza da f\u00e9. Jesus Cristo \u00e9 acolhido, reconhecido e amado por milh\u00f5es de homens e mulheres, nossos contempor\u00e2neos, que encontraram n\u2019Ele o sentido das suas vidas e a fonte da sua felicidade. Como diz S\u00e3o Jo\u00e3o, \u201c\u00e0queles que O receberam e acreditaram no Seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus\u201d. S\u00e3o esses que reconhecem a Senhoria de Jesus Cristo, a grandeza que lhe compete como Palavra definitiva de Deus, nosso Redentor, que foi revestido, na Sua ressurrei\u00e7\u00e3o, da gl\u00f3ria e do poder de Deus. Esses s\u00e3o os novos filhos de Deus, aqueles \u201cque n\u00e3o nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. Eles mostram a Deus, na sua f\u00e9 e no seu louvor, que n\u00e3o foi em v\u00e3o a loucura de Deus se fazer homem, que valeu a pena essa humilha\u00e7\u00e3o do Filho de Deus. Eles s\u00e3o o fruto da fecundidade desse amor divino, eles foram conquistados pelo sangue do Seu Filho, eles foram comprados por um alto pre\u00e7o, eles s\u00e3o o povo que o Senhor adquiriu, eles s\u00e3o o Povo do Senhor. \tA Igreja, Povo do Senhor, apesar das suas imperfei\u00e7\u00f5es, justifica a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus; ela \u00e9, para toda a humanidade, sinal de esperan\u00e7a e manifesta\u00e7\u00e3o do optimismo de Deus. Dela continua a irradiar essa luz, que no princ\u00edpio estava em Deus e que, no Verbo encarnado, iluminou todos os homens. Povo do Senhor, a Igreja continua a ser a luz dos Povos, sobretudo pela sua capacidade de an\u00fancio e de testemunho. Dela se pode continuar a dizer, com o Ap\u00f3stolo Paulo: \u201cComo s\u00e3o belos, sobre os montes, os p\u00e9s do Mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salva\u00e7\u00e3o!\u201d. \u00c9 bom proclamarmos, neste dia, o nosso optimismo crist\u00e3o: valeu a pena a encarna\u00e7\u00e3o do Verbo de Deus. \tMas ao olharmos, com esperan\u00e7a, a nossa sociedade contempor\u00e2nea, continua real a queixa do Ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cO Verbo era a luz verdadeira\u2026 Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, n\u00e3o O conheceu. Veio para o que era seu e os seus n\u00e3o O receberam\u201d. Para n\u00f3s que acreditamos em Jesus Cristo, que sabemos, na nossa experi\u00eancia, o que isso significa como for\u00e7a de autenticidade, de verdade e de liberdade, sofremos com isso, com a rejei\u00e7\u00e3o de uns e a indiferen\u00e7a de tantos. Sofremos com isso, porque o Senhor merecia melhor, merecia ser reconhecido e amado; sofremos com isso, porque sentimos que essa rejei\u00e7\u00e3o e indiferen\u00e7a afastam os homens de uma verdadeira solu\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 certo que n\u00f3s, os crist\u00e3os, tamb\u00e9m temos uma parte de responsabilidade nessa rejei\u00e7\u00e3o e nessa indiferen\u00e7a: porque n\u00e3o anunciamos, com a for\u00e7a do nosso testemunho, a boa nova do Evangelho. E o testemunho da Igreja \u00e9 essencial para que a luz de Cristo continue a iluminar os cora\u00e7\u00f5es dos homens. \tComo Pastor desta Igreja, interpela-me mais, em termos de miss\u00e3o, a indiferen\u00e7a, sintoma de desconhecimento, do que a pr\u00f3pria rejei\u00e7\u00e3o consciente. A rejei\u00e7\u00e3o consciente de Jesus Cristo \u00e9 sempre dram\u00e1tica, porque acarreta a rejei\u00e7\u00e3o de Deus; mas \u00e9 um direito da liberdade. Deus aceitou esse risco ao criar o homem livre e ao respeitar a sua liberdade. Quando a rejei\u00e7\u00e3o de Cristo inclui a rejei\u00e7\u00e3o do cristianismo e da pr\u00f3pria Igreja, torna-se exigente para n\u00f3s, convidando-nos a estar na sociedade com um grande respeito por todos, embora permanecendo fi\u00e9is \u00e0 luz que nos vem de Cristo e que ilumina todas as realidades da nossa vida. N\u00e3o queremos rejeitar quem nos rejeita, n\u00e3o devemos responder, atacando, se algu\u00e9m nos atacar. A fidelidade \u00e0 verdade n\u00e3o impede a toler\u00e2ncia e o di\u00e1logo, nem sempre f\u00e1cil quando esperam que a nossa atitude dialogante signifique a ced\u00eancia nas verdades perenes em que acreditamos, acerca de Deus, acerca do homem e da dignidade de toda a vida humana desde o seu primeiro desabrochar, acerca das exig\u00eancias da generosidade do amor, da constru\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a e da paz. Para n\u00f3s dialogar significa escutar, respeitar e testemunhar, pois estamos convencidos que a rejei\u00e7\u00e3o de muitos encontra a sua origem num fraco conhecimento de Cristo e do cristianismo. \tMas interpela-nos mais a indiferen\u00e7a de tantos dos nossos concidad\u00e3os perante esta presen\u00e7a definitiva de Deus, que \u00e9 Jesus Cristo. H\u00e1 alguns dias um jornal di\u00e1rio dava a not\u00edcia de uma sondagem feita na Holanda, que revelou que mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o sabia a origem do Natal. Isso revela, n\u00e3o apenas indiferen\u00e7a religiosa, mas tamb\u00e9m pobreza cultural. E no entanto trata-se de um pa\u00eds de grandes tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, quer cat\u00f3licas, quer reformadas, onde as Igrejas continuam a afirmar fisicamente, no horizonte das cidades e das aldeias, essa tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3. Pa\u00eds da Uni\u00e3o Europeia, como n\u00f3s, dessa Europa que j\u00e1 hesita em fazer uma refer\u00eancia \u00e0 matriz crist\u00e3 da sua cultura, na sua Carta Constitucional. \tEsta indiferen\u00e7a interpela, de modo particular, a Igreja. \u00c9 que eles n\u00e3o rejeitaram Jesus Cristo; pura e simplesmente n\u00e3o ouviram falar d\u2019Ele. Ao ler aquela not\u00edcia senti com uma urg\u00eancia renovada o apelo do Santo Padre a uma nova evangeliza\u00e7\u00e3o, sobretudo desta nossa Europa, que caldeou a sua hist\u00f3ria, definiu a sua vis\u00e3o do homem e aferiu os valores da sua conviv\u00eancia, de m\u00e3os dadas com o cristianismo. Reavivei a pergunta do Ap\u00f3stolo Paulo: como h\u00e3o-de acreditar, se ningu\u00e9m lhes anunciar. Este \u00e9 o desafio mais urgente e mais exigente que as nossas sociedades europeias p\u00f5em aos crentes e \u00e0s Igrejas: \u00e9 preciso evangelizar. \tAs Igrejas desta velha Europa t\u00eam pouca experi\u00eancia dessa evangeliza\u00e7\u00e3o primeira a multid\u00f5es que n\u00e3o conhecem Jesus Cristo. Viveram, durante s\u00e9culos, em ambiente de cristandade, em que a f\u00e9 se comunicava espontaneamente de pais a filhos, onde a catequese fazia parte integrante da educa\u00e7\u00e3o, onde a refer\u00eancia a Jesus Cristo era comunicada pela pr\u00f3pria cultura, onde a comunidade rural, definida na sua identidade, circunscrita nos seus limites, onde todos se conheciam e o p\u00e1roco conhecia toda a gente, se transformou no modelo organizativo da par\u00f3quia, mesmo em meio urbano. As experi\u00eancias de evangeliza\u00e7\u00e3o de primeiro an\u00fancio, as Igrejas da Europa fizeram-na partindo para longes terras, a que chamaram terras de miss\u00e3o. Mas como ir em miss\u00e3o sem partir para longe? Ser\u00e1 poss\u00edvel reevangelizar a Europa com os mesmos m\u00e9todos com que seme\u00e1mos a f\u00e9 crist\u00e3 nas cinco partes do mundo? \tEste \u00e9 o objectivo do Congresso Internacional da Nova Evangeliza\u00e7\u00e3o, acompanhado de uma miss\u00e3o na cidade, em que a Diocese de Lisboa aceitou participar. \u00c9 preciso partir a evangelizar, sem ir para longe, pois o campo da miss\u00e3o \u00e9 a nossa cidade, o nosso bairro, o nosso pr\u00e9dio, a nossa escola. Precisamos de descobrir que a nossa f\u00e9 nos torna c\u00famplices de Jesus Cristo e que o testemunho da nossa vida deve irradiar a Sua luz. Temos de conciliar a ousadia com a confian\u00e7a e a humildade, a qualidade com a nossa pobreza de meios, fazendo de cada momento da miss\u00e3o um irradiar da luz e da beleza de Deus. \u00c9 objectivo desta miss\u00e3o diminuir o n\u00famero daqueles que n\u00e3o sabem quem \u00e9 Jesus Cristo e o que Ele significa para n\u00f3s. Alguns poder\u00e3o rejeit\u00e1-l\u2019O ou n\u00e3o terem coragem para O seguir, mas f\u00e1-lo-\u00e3o livremente e assumir\u00e3o a responsabilidade da sua op\u00e7\u00e3o. \tO Santo Padre, numa das suas visitas pastorais ao nosso pa\u00eds, disse-nos, evocando o nosso passado mission\u00e1rio: \u201cPortugal, convoco-te para a miss\u00e3o\u201d. Atrevo-me a repetir o seu apelo, agora particularmente dirigido \u00e0 nossa Diocese de Lisboa: Igreja de Lisboa, convoco-te para a miss\u00e3o. Aos sacerdotes e aos religiosos, aos movimentos laicais, \u00e0s fam\u00edlias crist\u00e3s, aos jovens universit\u00e1rios, a todos os crist\u00e3os presentes nas estruturas da nossa cidade, aos idosos e \u00e0s crian\u00e7as, a todos eu digo: convoco-vos para a miss\u00e3o, preparai-vos para ela, anunciai Jesus Cristo, mostrai-vos felizes por serdes crist\u00e3os, reagi aos problemas da nossa cidade com crit\u00e9rios evang\u00e9licos, revelai o rosto amoroso da Igreja. Ajudemos os nossos concidad\u00e3os a vencerem a indiferen\u00e7a, a tomarem uma decis\u00e3o livre e respons\u00e1vel perante Jesus Cristo. Fazei com que n\u00e3o haja habitantes de Lisboa que n\u00e3o saibam o que celebram no Natal.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia do Cardeal Patriarca de Lisboa na Solenidade do Natal do Senhor<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[127,154,193,203,206,267,268,316],"class_list":["post-3916","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-catequese","tag-crianca","tag-educacao","tag-europa","tag-familia","tag-natal","tag-nova-evangelizacao","tag-terco"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3916","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3916"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3916\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3916"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3916"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3916"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}