{"id":3915,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/nasceu-o-emanuel-deus-esta-no-meio-de-nos\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"nasceu-o-emanuel-deus-esta-no-meio-de-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/nasceu-o-emanuel-deus-esta-no-meio-de-nos\/","title":{"rendered":"&#8220;Nasceu o Emanuel: Deus est\u00e1 no meio de n\u00f3s&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Homilia na Noite de Natal do Cardeal Patriarca de Lisboa <!--more--> \u201cNasceu o Emanuel: Deus est\u00e1 no meio de n\u00f3s\u201d  Homilia na Noite de Natal S\u00e9 Patriarcal, 24 de Dezembro de 2003    \tEscolhi tr\u00eas frases retiradas de cada uma das tr\u00eas leituras desta celebra\u00e7\u00e3o, que podem iluminar a nossa compreens\u00e3o do mist\u00e9rio e conduzir-nos \u00e0 adora\u00e7\u00e3o, atitude pr\u00f3pria para quem se aproxima do pres\u00e9pio:  \t&#8211; \u201cUm Menino nasceu para n\u00f3s, um filho nos foi dado. Tem o poder sobre os ombros e ser\u00e1 chamado Conselheiro Admir\u00e1vel, Deus forte, Pai eterno, Pr\u00edncipe da Paz\u201d (Is. 9,5).  \t&#8211; \u201cManifestou-se a gra\u00e7a de Deus, fonte de salva\u00e7\u00e3o para todos os homens\u201d (Tito, 2,11).  \t&#8211; \u201cImediatamente juntou-se ao Anjo uma multid\u00e3o do ex\u00e9rcito celeste, que louvava a Deus, dizendo: Gl\u00f3ria a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados\u201d (Lc. 2,14). \tUm Menino nos foi dado. Esse Menino nasceu em Bel\u00e9m, filho de uma M\u00e3e Virgem. Puseram-lhe o nome de Jesus e deram-lhe como apelido o Cristo, o ungido, significando a sua origem divina, como enviado por Deus, e a sua miss\u00e3o redentora. Tinha sido anunciado como o Emanuel, o Deus connosco. Esse nome expressava o mais profundo anseio dos crentes de Israel: poderem contemplar o rosto de Deus, sentirem Deus presente na ternura do Seu amor, como Pai bondoso e esposo sol\u00edcito de Israel. O pr\u00f3prio Deus fizera alian\u00e7a com o Seu povo; e essa alian\u00e7a sempre renovada criou nos crentes esse desejo \u00edntimo e inexplic\u00e1vel, de conviverem com Deus, de O sentirem pr\u00f3ximo, o \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o, a sublinhar a semente de divindade que germina no cora\u00e7\u00e3o de cada homem. Ele ali est\u00e1, tendo como ber\u00e7o as palhinhas de um est\u00e1bulo, envolto em panos, como qualquer rec\u00e9m-nascido pobre, mas cuidadosamente zelado pelo terno desvelo de Sua M\u00e3e. Aquele Menino \u00e9 o Filho de Deus, o Deus connosco. Foram cumpridas todas as promessas e podem ser realizados todos os desejos dos cora\u00e7\u00f5es crentes, de constru\u00edrem uma intimidade com o pr\u00f3prio Deus, na certeza de que esse amor os salvar\u00e1. Naquele Menino manifestou-se, abundantemente, a gra\u00e7a de Deus, caminho de salva\u00e7\u00e3o para quantos O reconhecerem e adorarem. \tParece tudo t\u00e3o simples a partir daquele momento. Deus est\u00e1 connosco, \u00e9 o Emanuel. Mais uma vez o amor de Deus nos surpreendeu na sua generosidade e ousadia. Deus ultrapassou uma fronteira inimagin\u00e1vel por aqueles que, na f\u00e9, O adoravam como Senhor alt\u00edssimo: fez-Se homem, nasceu de uma mulher, como todos n\u00f3s, para ser Deus connosco, Deus no meio de n\u00f3s. Mas nessa simplicidade, nesse encanto de um rec\u00e9m-nascido, Deus n\u00e3o nos dispensou de ultrapassarmos, tamb\u00e9m n\u00f3s, a mais exigente fronteira da nossa peregrina\u00e7\u00e3o: a fronteira da f\u00e9. Contemplamos aquele Menino, mas para vermos e acolhermos tudo o que Ele \u00e9, precisamos de acreditar. A beleza do que vemos atrai-nos para a beleza escondida do mist\u00e9rio. Acreditar \u00e9 passar para al\u00e9m do que vemos, atra\u00eddos por essa outra beleza que s\u00f3 brilhar\u00e1 iluminada pela luz da f\u00e9. \tComo podemos ver, naquele Menino, o Deus connosco, o Emanuel prometido? \u00c9 tudo t\u00e3o humano, tudo t\u00e3o normal. Ali s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 normal a pobreza do pres\u00e9pio, porque n\u00e3o houve lugar para eles na hospedaria. Mas essa anormalidade da circunst\u00e2ncia pode at\u00e9 distrair-nos do essencial. Mas se cruzarmos o nosso olhar com o olhar sereno daquela M\u00e3e, sentiremos que dos seus olhos sai uma luz que nos conduzir\u00e1 \u00e0 f\u00e9. Ela sabe quem \u00e9 aquele Menino, ela acredita naquele Menino. Ela sabe como Ele foi gerado no seu seio, ela recorda que o mensageiro divino lhe revelara que Ele seria o Filho do Deus Alt\u00edssimo. Ela \u00e9 a \u00fanica que saboreia, desde o primeiro momento, essa intimidade do Deus connosco. Ela n\u00e3o fala, nenhum evangelista relatou qualquer palavra sua, nesse momento; mas contempla com a profundidade do seu olhar, que sorri. Naquela noite, naquele pres\u00e9pio, s\u00f3 o olhar iluminado de Maria nos poder\u00e1 levar a acreditar, nos poder\u00e1 conduzir \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio daquele Menino, e ajudar-nos a fazer da nossa ternura um acto de adora\u00e7\u00e3o e um hino de gl\u00f3ria. \tOs Reis Magos chegaram \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do Menino, conduzidos pela luz de uma estrela. H\u00e1-de ser sempre assim: s\u00f3 atrav\u00e9s de sinais mergulharemos no mist\u00e9rio daquele Menino. Ele pr\u00f3prio recorrer\u00e1 aos sinais quando, mais tarde, quer revelar a Sua divindade. Mas naquela noite, a luz que o olhar daquela M\u00e3e irradia, \u00e9 mais forte do que a luz de qualquer estrela; ela ser\u00e1 para a Igreja, at\u00e9 ao fim dos tempos, a \u201cestrela da manh\u00e3\u201d. \tAos pastores teve de ser um Anjo a abri-los para o mist\u00e9rio daquele Menino. Tamb\u00e9m isso \u00e9 normal, na ordem da gra\u00e7a. O an\u00fancio e a revela\u00e7\u00e3o de quem \u00e9 Jesus, s\u00f3 pode partir do cora\u00e7\u00e3o de Deus. Os Anjos s\u00e3o mensageiros excepcionais; a grande mensagem que nos vir\u00e1 do cora\u00e7\u00e3o de Deus \u00e9 a Sua Palavra, essa sim acess\u00edvel e dispon\u00edvel a todos, at\u00e9 ao fim. Tanto a Palavra como o olhar de Maria permanecer\u00e3o como fontes permanentes daquela luz que nos conduz ao mist\u00e9rio. Ela continua a guardar tudo, em sil\u00eancio, no seu cora\u00e7\u00e3o (cf. Lc. 2,51), mas o seu olhar maternal continua a irradiar essa luz que nos conduz ao mist\u00e9rio, e h\u00e1-de ser assim em todos os momentos da vida de Jesus como Deus connosco, Deus para n\u00f3s. Na Igreja, na sua caminhada de f\u00e9, para se encontrar com o amor de Deus em Jesus Cristo, h\u00e1 uma complementaridade entre a Palavra prof\u00e9tica da Igreja e o olhar de Maria. Ambos s\u00e3o o sinal, o testemunho de uma experi\u00eancia de intimidade com o Senhor. \tNesta Noite de Natal, somos convidados a contemplar aquele Menino. Mas como povo crente, somos chamados a celebrar a plenitude de Cristo, manifestada para n\u00f3s na P\u00e1scoa. Continuamos atra\u00eddos por Deus, e somos de novo desafiados para atravessarmos essa fronteira da f\u00e9, para al\u00e9m da qual nos encontraremos com a profundidade do mist\u00e9rio. J\u00e1 ouvimos a Palavra da Escritura; resta-nos cruzar o nosso olhar com o olhar de Maria, a M\u00e3e de Jesus; guiados por essa luz, brotar\u00e1 do nosso cora\u00e7\u00e3o crente, um hino de gl\u00f3ria. Poderemos exclamar, tamb\u00e9m n\u00f3s: \u201cGl\u00f3ria a Deus nas alturas\u201d. Essa experi\u00eancia do Deus connosco, inundar\u00e1 o nosso cora\u00e7\u00e3o de paz; e essa paz com que Deus inunda o nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 o nome do Natal.  \u2020 JOS\u00c9, Cardeal-Patriarca <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Homilia na Noite de Natal do Cardeal Patriarca de Lisboa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[168,267,275],"class_list":["post-3915","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-da-guarda","tag-natal","tag-pascoa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3915","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3915"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3915\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3915"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3915"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3915"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}