{"id":3912,"date":"2006-04-03T14:44:19","date_gmt":"2006-04-03T14:44:19","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2006\/04\/03\/um-vulcao-que-nunca-se-extinguiu\/"},"modified":"2006-04-03T14:44:19","modified_gmt":"2006-04-03T14:44:19","slug":"um-vulcao-que-nunca-se-extinguiu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/um-vulcao-que-nunca-se-extinguiu\/","title":{"rendered":"Um vulc\u00e3o que nunca se extinguiu"},"content":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Pe. Ant\u00f3nio Rego, Director do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais  <!--more--> O Natal perde-se no dealbar dos tempos. Como \u00e9 sabido, existem literaturas m\u00edticas do Oriente que t\u00eam uma hist\u00f3ria da cria\u00e7\u00e3o do Mundo, com dados semelhantes aos que o livro das origens, o &#8216;G\u00e9nesis&#8217;, nos oferece. Mas \u00e9 tamb\u00e9m verdade que a B\u00edblia constitui um avan\u00e7o em todas as narrativas pag\u00e3s da cria\u00e7\u00e3o. A concep\u00e7\u00e3o de Deus e do homem ultrapassa todos os velhos mitos, segundo os quais, os deuses criaram os homens para terem escravos em abund\u00e2ncia de que pudessem dispor a seu bel-prazer.     O Natal \u00e9 a chegada desse Messias que nos alimenta a esperan\u00e7a que o mundo n\u00e3o corre ao acaso  Para al\u00e9m da maneira como os biblistas possam interpretar a narrativa da cria\u00e7\u00e3o do mundo e do homem, h\u00e1 dados fundamentais que ressaltam de toda a imag\u00e9tica do primeiro livro da B\u00edblia: A cria\u00e7\u00e3o do mundo \u00e9 Deus. Como \u00e9 dele o projecto de felicidade para o homem. Perante a \u00e1rvore da vida o homem, livremente, p\u00f4de escolher. Escolheu mal. Ficou salva a sua liberdade mas teve de assumir o pre\u00e7o do seu gesto. Expulso do para\u00edso, logo surgiu um sinal de uma vit\u00f3ria sobre a serpente que o havia enganado. Esse sinal \u00e9 o Messias desejado, que h\u00e1 dentro de cada um de n\u00f3s. A nostalgia do eterno, do perfeito, sem mancha nem dor, sem l\u00e1grimas na morte. Um vulc\u00e3o dentro de cada ser humano. Para os crist\u00e3os tudo isso tem um nome: Jesus. O Natal \u00e9 a festa da sua chegada.   O povo judeu d\u00e1 passos muito semelhantes aos crist\u00e3os e alimenta o mesmo sonho messi\u00e2nico. Reconhe-cendo a figura de Jesus, apenas lhe nega o car\u00e1cter de Messias enviado para remir os primeiros passos do homem. O Isl\u00e3o reconhece Jesus como profeta e Maria (muito venerada) como a sua m\u00e3e. Mas Maom\u00e9, segundo o islamismo, \u00e9 o Profeta que ultrapassou Jesus Cristo. Mas as tr\u00eas grandes religi\u00f5es monote\u00edstas t\u00eam muitos pontos em comum acerca da pessoa de Jesus. Obviamente que, para os crist\u00e3os, Jesus \u00e9 o Filho de Deus, consubstancial ao Pai e ao Esp\u00edrito Santo.  Tudo isto parece n\u00e3o passar de um complica\u00e7\u00e3o b\u00edblica ou teol\u00f3gica. Mas importa colocar as pe\u00e7as no devido lugar para n\u00e3o andarmos estonteados numa doce embriagu\u00eas de festa sem sabermos exactamente o que estamos a fazer.  Se a cultura faz as religi\u00f5es, as religi\u00f5es fazem cultura. E tanto no mundo hebraico, numericamente menos expressivo, como no isl\u00e2mico ou crist\u00e3o, notamos uma marca profunda no tempo, no rito, na arte, na literatura, na hist\u00f3ria. O religioso acabou por se atravessar no todo do seu povo e, segundo a sua capacidade de expans\u00e3o, no todo de muitos povos de muitos quadrantes do planeta. Poder\u00edamos visitar \u00e1reas de hin-du\u00edsmo, budismo, religi\u00f5es naturais da \u00c1frica ou Am\u00e9ricas, e estar\u00edamos perante uma grande profus\u00e3o de express\u00f5es interligadas a povos, lugares e sentimentos. Neste calei-dosc\u00f3pio surgiram concep\u00e7\u00f5es diferentes de Moral, \u00c9tica, Justi\u00e7a, Poder, Reparti\u00e7\u00e3o dos bens. Mas o que se torna cada vez mais verdade \u00e9 que a base de tudo isto \u00e9 o Homem, e a sua conduta n\u00e3o pode mudar substancialmente no Oriente ou no Ocidente, porque na sua natureza est\u00e3o inscritos valores universais, sem tempo nem espa\u00e7o. Por isso, elementos comuns como a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos do Homem, mesmo laica e por vezes de candeias \u00e0s avessas com as religi\u00f5es, \u00e9 uma forma da express\u00e3o do sagrado inscrito em toda a natureza humana.  Chegados aqui, com as cidades iluminadas, as pessoas em atropelo permanente, numa febre de comprar e vender, parece que adulteraram todo o Natal que existe, ainda que em express\u00f5es diferentes, dentro de cada pessoa. Eu n\u00e3o penso assim. Creio que esta \u00e9poca exprime anseios que est\u00e3o escondidos noutros rituais do ano (ano novo, Carnaval, f\u00e9rias, festivais, jogos, etc. )O Natal, mesmo correndo o risco de se tornar mel\u00edfluo e artificialmente enternecido, \u00e9 uma oportunidade de dizermos e expressarmos uns aos outros, o melhor de n\u00f3s pr\u00f3prios. O nosso tempo \u00e9 desconcertantemente bom.O Homem tem saudades de Deus e do melhor de si pr\u00f3prio. E por isso, mesmo que desajeitamente diz-se no Natal, para si ou para os outros, o que n\u00e3o se ousa dizer no resto do ano.  H\u00e1 muita gente assustada com a comercializa\u00e7\u00e3o do Natal. Tenho mais medo do culto do esbanjamento. Mas n\u00e3o esque\u00e7o os muitos gestos de solidariedade e partilha, o novo olhar sobre as crian\u00e7as e os idosos, uma esp\u00e9cie de remorso das distrac\u00e7\u00f5es repetidas no resto do ano.  O Natal \u00e9 a chegada desse Messias que nos alimenta a esperan\u00e7a que o mundo n\u00e3o corre ao acaso mas tem inscrita, no \u00edntimo do cora\u00e7\u00e3o, uma hist\u00f3ria sublime que \u00e9 o encontro e a reden\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Homem.   P. Ant\u00f3nio Rego In Correio da Manh\u00e3<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mensagem de Natal do Pe. Ant\u00f3nio Rego, Director do Secretariado Nacional das Comunica\u00e7\u00f5es Sociais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[101,104,140,154,201,211,267,314],"class_list":["post-3912","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-africa","tag-america","tag-comunicacoes-sociais","tag-crianca","tag-etica","tag-ferias","tag-natal","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3912"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3912\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}