{"id":391105,"date":"2025-09-14T09:31:21","date_gmt":"2025-09-14T08:31:21","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=391105"},"modified":"2025-09-11T12:55:49","modified_gmt":"2025-09-11T11:55:49","slug":"igreja-continua-a-haver-martires-e-sao-muitos-catarina-martins-de-bettencourt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/igreja-continua-a-haver-martires-e-sao-muitos-catarina-martins-de-bettencourt\/","title":{"rendered":"Igreja: \u00abContinua a haver m\u00e1rtires, e s\u00e3o muitos\u00bb &#8211; Catarina Martins de Bettencourt"},"content":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 igreja que Sofre (AIS) assinala 30 anos em Portugal, a dar voz aos crist\u00e3os perseguidos e ao apoio \u00e0queles que mais precisam. A diretora nacional da AIS \u00e9 convidada da Renascen\u00e7a e da Ag\u00eancia Ecclesia<!--more--><\/p>\n<figure id=\"attachment_391109\" aria-describedby=\"caption-attachment-391109\" style=\"width: 1920px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-391109 size-full\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1281\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709.jpg 1920w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709-400x267.jpg 400w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/IMG_20250910_112510_edit_82895888622709-1536x1025.jpg 1536w\" sizes=\"(max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-391109\" class=\"wp-caption-text\">Foto: Ag\u00eancia ECCLESIA\/OC<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>Entrevista conduzida por Henrique Cunha (Renascen\u00e7a) e Oct\u00e1vio Carmo (Ag\u00eancia ECCLESIA)<\/em><\/p>\n<p><em>Falamos num dia em que o Papa est\u00e1 a assinalar uma celebra\u00e7\u00e3o in\u00e9dita, uma celebra\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ecum\u00e9nica, que evoca 1600 novos m\u00e1rtires de v\u00e1rias confiss\u00f5es crist\u00e3s no \u00e2mbito do Jubileu. S\u00e3o n\u00fameros que impressionam. Pode ser um momento importante para recordar a realidade da persegui\u00e7\u00e3o religiosa em pleno s\u00e9culo XXI?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que sim, acho que este encontro, este Jubileu dos M\u00e1rtires que est\u00e1 a decorrer em Roma \u00e9 exatamente com esse objetivo, porque muitas vezes n\u00f3s temos esta ideia de que o mart\u00edrio, foi h\u00e1 muitos s\u00e9culos, que hoje n\u00e3o h\u00e1 mart\u00edrio, e a verdade n\u00e3o \u00e9 essa. E, portanto, estes n\u00fameros mostram isso. O Papa Francisco, quando organizou o Jubileu da Esperan\u00e7a e marcou este Jubileu dos M\u00e1rtires, foi exatamente com esse objetivo de mostrar ao mundo que hoje continua a haver m\u00e1rtires, e s\u00e3o muitos os m\u00e1rtires de hoje, infelizmente. Este evento que est\u00e1 a acontecer hoje em Roma \u00e9 muito importante tamb\u00e9m para o mostrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa \u00e9 uma realidade que est\u00e1 muito pr\u00f3xima do dia a dia da Funda\u00e7\u00e3o AIS, mas pergunto se se sente que existe sensibilidade da opini\u00e3o p\u00fablica para este tema?<\/em><\/p>\n<p>Eu penso que cada vez mais h\u00e1 pessoas que olham e que se preocupam e que tentam saber. E muitas vezes quando vamos a eventos espalhados por Portugal, h\u00e1 muitas pessoas que ficam surpreendidas, como \u00e9 que hoje h\u00e1 este mart\u00edrio, como \u00e9 que h\u00e1 esta persegui\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel, como \u00e9 que em pleno s\u00e9culo XXI possa haver esta persegui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>E por outro lado, h\u00e1 cada vez mais pessoas mais preocupadas, mais interessadas, mais envolvidas, e eu penso que isto, tem sido sublinhado nos \u00faltimos pontificados, em que se tem falado muito sobre esta quest\u00e3o do mart\u00edrio, dos m\u00e1rtires de hoje. O Papa Francisco de facto, chamou regularmente \u00e0 aten\u00e7\u00e3o para esta quest\u00e3o, e o Papa Le\u00e3o tamb\u00e9m o tem feito. Por isso eu creio que \u00e9 um tema que cada vez mais as pessoas v\u00e3o ficar envolvidas e este acontecimento de hoje vai certamente chamar uma vez mais a aten\u00e7\u00e3o para isto e para nos alertar que existe esta persegui\u00e7\u00e3o e que \u00e9 preciso n\u00e3o ficar indiferentes a este sofrimento e lutarmos com as nossas armas, que no nosso caso \u00e9 simplesmente fazer divulga\u00e7\u00e3o, informar, dar a conhecer, para que isto n\u00e3o fique no esquecimento, n\u00e3o fique no anonimato de todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Como assinalamos no in\u00edcio, hoje \u00e9 um dia especial para a Funda\u00e7\u00e3o, que re\u00fane em F\u00e1tima amigos, benfeitores, celebrando 30 anos de presen\u00e7a em Portugal. \u00c9 uma presen\u00e7a j\u00e1 consolidada, sente de alguma forma que as pessoas conhecem o trabalho da Funda\u00e7\u00e3o AIS?<\/em><\/p>\n<p>Sim, sem d\u00favida, hoje de facto \u00e9 um dia muito especial para n\u00f3s. N\u00f3s anualmente encontramo-nos em F\u00e1tima por volta do dia 14, porque foi o dia em que o nosso fundador consagrou o nosso trabalho, a Nossa Senhora de F\u00e1tima, e, portanto, anualmente vamos a F\u00e1tima neste dia para renovar esta consagra\u00e7\u00e3o do nosso trabalho \u00e0 Nossa Senhora de F\u00e1tima. Este ano tem uma particularidade que assinalamos de facto os 30 anos de presen\u00e7a em Portugal e tem sido de facto 30 anos em que primeiro com muitas d\u00favidas, com muitas incertezas, mas hoje temos um grupo de pessoas, de amigos, de benfeitores, que reconhecem o trabalho, que conhecem o trabalho da AIS e que querem continuar e estar connosco tamb\u00e9m neste dia para celebrar. E isso tem-se notado tamb\u00e9m na generosidade dos pr\u00f3prios benfeitores, dos pr\u00f3prios amigos, que tem crescido ao longo dos anos e, portanto, esse reconhecimento do nosso trabalho, desta nossa miss\u00e3o em favor dos crist\u00e3os perseguidos, tem sido reconhecido ao longo dos anos e por isso \u00e9 muito bom hoje estar com todos os amigos e benfeitores da AIS em F\u00e1tima.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E, portanto, tem havido solidariedade com os crist\u00e3os perseguidos?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida. Aqui em Portugal de ano para ano tem aumentado esta solidariedade, claro que com muitas dificuldades mas ouvimos muito frequentemente benfeitores dizerem que passam por muitas dificuldades no dia-a-dia mas nada comparado com as situa\u00e7\u00f5es que n\u00f3s falamos e por isso despendem do pouco que t\u00eam, d\u00e3o para ajudar estes crist\u00e3os a sobreviver para que a igreja possa permanecer nos seus pa\u00edses e isso tem sido muito bom ver. Que de facto h\u00e1 este reconhecimento, esta credibilidade tamb\u00e9m. Saber que efetivamente os nossos apoios chegam \u00e0 Igreja, chegam a estas pessoas que nos pedem ajuda, isso tem sido muito positivo e faz com que cada vez mais pessoas ajudem e que queiram ajudar ent\u00e3o os nossos projetos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>A AIS come\u00e7a num contexto espec\u00edfico de persegui\u00e7\u00e3o religiosa no leste da Europa e n\u00f3s hoje lamentavelmente olhamos para essa regi\u00e3o e vemos uma guerra. A situa\u00e7\u00e3o na Ucr\u00e2nia tem mobilizado muitos meios, tem criado desafios novos. Quais s\u00e3o as prioridades para quem acompanha a situa\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Bom, a Ucr\u00e2nia tem sido desde 2022 o pa\u00eds que tem recebido mais apoio da AIS e em 2024 voltou a acontecer e creio que este ano continua. Entre as nossas prioridades para a Ucr\u00e2nia, todos sabemos a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica que se vive, e o nosso apoio \u00e9 ajudar a igreja a apoiar a comunidade. E ajudamos nas coisas b\u00e1sicas. Estou-me, por exemplo, a lembrar que temos o apoio a geradores, \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de geradores, coisas muito simples para al\u00e9m da aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos, medicamentos, todas estas coisas b\u00e1sicas. Mas h\u00e1 uma situa\u00e7\u00e3o para a qual tem havido muitos pedidos e que n\u00f3s temos apoiado bastante, relacionada com a cura dos traumas; apoio para a ultrapassar os traumas. N\u00f3s percebermos facilmente que num cen\u00e1rio de guerra, com todas as imagens que n\u00f3s vamos vendo diariamente na televis\u00e3o; n\u00f3s percebemos a dimens\u00e3o dessa realidade. \u00a0Os padres e a Igreja s\u00e3o confrontados com pessoas que est\u00e3o traumatizadas, que precisam de ajuda a n\u00edvel psicol\u00f3gico. Os pr\u00f3prios padres precisam de ajuda e, portanto, tem sido uma das \u00e1reas que n\u00f3s temos apostado muito e em que estamos a investir no sentido de dar forma\u00e7\u00e3o aos sacerdotes, aos religiosos, para poderem ouvir estas pessoas, para poder tamb\u00e9m ajudar a ultrapassar as situa\u00e7\u00f5es, porque \u00e9 uma das situa\u00e7\u00f5es mais graves que temos atualmente na Ucr\u00e2nia. De facto, estes traumas que afetam crian\u00e7as, homens, mulheres, idosos, v\u00e3o alvo da nossa aten\u00e7\u00e3o e da nossa ajuda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>O grande fluxo migrat\u00f3rio na Ucr\u00e2nia aconteceu logo a seguir ao in\u00edcio da invas\u00e3o russa. Nesta altura tamb\u00e9m canalizam para a\u00ed algum apoio ou \u00e9 residual, nesta altura, a quest\u00e3o dos deslocados?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o, neste momento para a Ucr\u00e2nia n\u00e3o. Neste momento a grande maioria dos deslocados j\u00e1 est\u00e1 minimamente organizada e j\u00e1 tem o seu apoio. Pode haver uma ou outra par\u00f3quia onde est\u00e3o comunidades ucranianas que podem precisar de ajuda, mas a grande maioria j\u00e1 est\u00e1 minimamente organizada e j\u00e1 tem o seu apoio. Se me fala em termos globais, sim, \u00e9 um dos temas, um dos t\u00f3picos, uma das preocupa\u00e7\u00f5es das grandes preocupa\u00e7\u00f5es que temos atualmente devido ao n\u00famero t\u00e3o grande de refugiados e deslocados que temos atualmente no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E como \u00e9 que tem acompanhado a situa\u00e7\u00e3o em Gaza? A pequena comunidade cat\u00f3lica tem possibilidade de alguma forma de resistir?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o sei responder com exatid\u00e3o essa pergunta. Sei que ser\u00e1 muito dif\u00edcil, isso posso lhe dizer. Neste momento existem cerca de 500 crist\u00e3os na faixa de Gaza, todos eles est\u00e3o ali na par\u00f3quia da Sagrada Fam\u00edlia com o padre Romanelli e com duas irm\u00e3s da comunidade de Madre Teresa de Calcut\u00e1, e, portanto, s\u00e3o 500 pessoas. Se n\u00f3s olharmos para as not\u00edcias todas que vamos tendo, ser\u00e1 muito dif\u00edcil a comunidade resistir. \u00a0Neste momento est\u00e1 como que num enclave, digamos assim, mais ou menos protegido, apesar de a par\u00f3quia ter sido atingido agora durante este ver\u00e3o, mas \u00e9 mais ou menos um enclave em que o padre Romanelli e a comunidade que est\u00e1 com ele t\u00eam conseguido assegurar a sobreviv\u00eancia das pessoas que est\u00e3o ali. O padre Romanelli e a pequena comunidade t\u00eam feito um trabalho extraordin\u00e1rio no sentido de dar alguma normalidade \u00e0 vida, ter as crian\u00e7as ocupadas, ter as crian\u00e7as a continuar a fazer pequenos estudos, a parte da ora\u00e7\u00e3o, e, portanto, tudo isso tem sido feito por esta comunidade. Em termos de curto, m\u00e9dio prazo, eu penso que ser\u00e1 muito dif\u00edcil, se a situa\u00e7\u00e3o continuar como est\u00e1 hoje, ser\u00e1 muito dif\u00edcil resistirem a toda a press\u00e3o que est\u00e1 a existir na comunidade, mas por agora mant\u00e9m-se como um farol naquela zona, mas n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil a manuten\u00e7\u00e3o da comunidade crist\u00e3 nesta zona.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Tamb\u00e9m para quem est\u00e1 a ouvir perceber, mas tem havido possibilidade de manter algum tipo de contato com essa comunidade cat\u00f3lica em Gaza?<\/em><\/p>\n<p>Sim. Nem sempre, mas vamos conseguindo manter a informa\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de mensagens do WhatsApp, e continuamos a fazer esse tipo de comunica\u00e7\u00e3o, de falarmos regularmente com o padre Romanelli. Sabemos que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil. Da \u00faltima vez que n\u00f3s fal\u00e1mos com ele, ele dizia que estava a fazer o racionamento dos bens, porque efetivamente n\u00e3o estavam a conseguir chegar os bens, e, portanto, era preciso fazer o racionamento para que eles pudessem durar o m\u00e1ximo tempo para aquele n\u00famero de pessoas que est\u00e1 ali, mas \u00e9 muito dif\u00edcil o dia-a-dia nesta comunidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>E nesses contactos, embora breves, ainda se notam sinais de esperan\u00e7a ou j\u00e1 ningu\u00e9m acredita muito nesta capacidade de negocia\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>No fim todos t\u00eam a esperan\u00e7a de que as negocia\u00e7\u00f5es resultem e que seja poss\u00edvel chegar a um acordo entre as partes, mas n\u00f3s vamos olhando e de facto \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil e cada vez parece mais quase que imposs\u00edvel chegar a um acordo. E se n\u00e3o se chegar a um acordo ser\u00e1 muito dif\u00edcil esta comunidade permanecer nesta regi\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Os olhares do mundo tornam a virar-se para o Darfur depois de alguns anos de aus\u00eancia, consegue explicar a aparente indiferen\u00e7a de tantos perante a crise humanit\u00e1ria que se vive no Sud\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p>Isto \u00e9 um pouco como quando fal\u00e1mos no princ\u00edpio, \u00e0s vezes h\u00e1 muita indiferen\u00e7a no mundo relativamente a muitas quest\u00f5es, os crist\u00e3os perseguidos \u00e9 uma das indiferen\u00e7as. Os v\u00e1rios conflitos que est\u00e3o a acontecer em \u00c1frica passam-nos praticamente despercebidos aos nossos olhos, n\u00e3o s\u00e3o tema de not\u00edcias nos nossos notici\u00e1rios, nas nossas grandes ag\u00eancias e o Sud\u00e3o \u00e9 uma vez mais um pa\u00eds que \u00e9 praticamente ignorado, portanto a guerra j\u00e1 est\u00e1 instalada h\u00e1 mais de um ano, a verdade \u00e9 que continua a ser muito ignorado pelo mundo, calcula-se que neste momento j\u00e1 mais de 40 mil pessoas tenham morrido, h\u00e1 mais de 12 milh\u00f5es de pessoas deslocadas e refugiadas. N\u00f3s olhamos para este conflito e n\u00e3o conseguimos perceber como \u00e9 que ningu\u00e9m olha, como \u00e9 que ningu\u00e9m faz algo para chamar a aten\u00e7\u00e3o para este conflito, mas a verdade \u00e9 que est\u00e1 o conflito e vamos ver o que \u00e9 que vai acontecer nos pr\u00f3ximos tempos, porque algumas irm\u00e3s com quem temos falado est\u00e3o com muito receito que possa ainda aumentar mais este conflito nesta regi\u00e3o do globo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Essa falta de aten\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m se nota em Mo\u00e7ambique, at\u00e9 porque no \u00faltimo m\u00eas voltaram a ser not\u00edcias os ataques terroristas em Cabo Delgado. Este \u00e9 mais um exemplo da incapacidade da pr\u00f3pria comunidade internacional em ser esse fator pacificador?<\/em><\/p>\n<p>Sem d\u00favida, sem d\u00favida. N\u00f3s temos, de facto, como disse, verificado que desde junho t\u00eam aumentado bastante, e t\u00eam-se intensificado os confrontos, com estes ataques destes grupos terroristas nesta zona de Cabo Delgado, na zona norte de Mo\u00e7ambique. A Igreja diz-nos que h\u00e1 mais cerca de 60 mil novos deslocados desde junho at\u00e9 agora, portanto h\u00e1 mais de um milh\u00e3o deslocados desde o in\u00edcio deste conflito em 2017 e, de facto, o mundo n\u00e3o tem conseguido encontrar solu\u00e7\u00f5es para este conflito, para estes ataques terroristas que est\u00e3o a acontecer e n\u00f3s olhamos e, de facto, tamb\u00e9m n\u00e3o temos visto not\u00edcias, n\u00e3o se v\u00ea not\u00edcias, e ainda por cima n\u00f3s que somos um pa\u00eds com rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas muito profundas com Mo\u00e7ambique e, de facto, n\u00e3o se v\u00ea.<\/p>\n<p>Queria aqui chamar a aten\u00e7\u00e3o, que o Papa falou de Mo\u00e7ambique agora durante o m\u00eas de agosto, exatamente a pedir ao mundo para n\u00e3o esquecer o sofrimento, para n\u00e3o ignorar este sofrimento, para n\u00e3o ficar indiferente a este sofrimento desta comunidade mo\u00e7ambicana. H\u00e1 chamadas de aten\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o t\u00eam sido suficientes, porque, de facto, n\u00f3s temos dois focos neste momento muito graves, o Medio Oriente e a Ucr\u00e2nia, que, de facto, t\u00eam nos levado a estar sempre virados com a nossa aten\u00e7\u00e3o para estes dois focos importantes de conflitos no mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>No in\u00edcio fal\u00e1vamos da import\u00e2ncia que o Papa Francisco teve nos alertas sobre as viola\u00e7\u00f5es ao direito \u00e0 liberdade religiosa, que \u00e9 disso que se trata, e, tivemos agora a oportunidade de ouvir que Le\u00e3o XIV continuou nessa senda. Neste dia do seu anivers\u00e1rio, pergunto-lhe se o Papa vai continuar a ser esta voz de chamada de aten\u00e7\u00e3o e de alerta constante para estas quest\u00f5es?<\/em><\/p>\n<p>Sim, eu creio que sim, eu creio que a Igreja est\u00e1 atenta e o Papa est\u00e1 atento a estas quest\u00f5es e vai continuar a ser um fator de alerta e de querer continuar a ser pacificador e de querer chamar a aten\u00e7\u00e3o. N\u00e3o nos podemos esquecer que o Papa Le\u00e3o XIV ofereceu o Vaticano para ser mediador das negocia\u00e7\u00f5es para o Medio Oriente, portanto, tudo isto faz-nos crer que o Papa Le\u00e3o ir\u00e1 continuar nesta linha de chamar a aten\u00e7\u00e3o, porque \u00e9 muito importante termos uma voz como o Papa Le\u00e3o num mundo que est\u00e1 muito polarizado, \u00e9 importante ter uma voz mais serena e este Papa \u00e9 um Papa sereno. \u00c9 importante por isso continuar a chamar a aten\u00e7\u00e3o e de n\u00e3o nos esquecermos, porque eu acho que o mais grave disto tudo \u00e9, de facto, a nossa indiferen\u00e7a perante este sofrimento de todas estas pessoas e o Papa tem esta voz poderosa, que \u00e9 ouvida e que \u00e9 acolhida e por isso \u00e9 uma voz que \u00e9 muito importante nos dias de hoje para trazer tamb\u00e9m alguma normalidade, se \u00e9 que posso dizer isto desta forma. Trazer alguma normalidade, alguma serenidade e tamb\u00e9m olharmos efetivamente para os problemas que est\u00e3o a acontecer com tantos milh\u00f5es de pessoas no mundo e que precisam da nossa ajuda para resolver estes conflitos que est\u00e3o a acontecer, \u00e9 absolutamente decisivo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Funda\u00e7\u00e3o Ajuda \u00e0 igreja que Sofre (AIS) assinala 30 anos em Portugal, a dar voz aos crist\u00e3os perseguidos e ao apoio \u00e0queles que mais precisam. 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