{"id":39106,"date":"2009-05-26T16:55:45","date_gmt":"2009-05-26T16:55:45","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/26\/acores-centrados-no-culto-ao-espirito-santo\/"},"modified":"2009-05-26T16:55:45","modified_gmt":"2009-05-26T16:55:45","slug":"acores-centrados-no-culto-ao-espirito-santo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/acores-centrados-no-culto-ao-espirito-santo\/","title":{"rendered":"A\u00e7ores centrados no culto ao Esp\u00edrito Santo"},"content":{"rendered":"<p>O culto ao Esp\u00edrito Santo tem grande visibilidade nos A\u00e7ores. A Caritas da Terceira est\u00e1 a dinamizar v\u00e1rias actividades com o intuito de divulgar o Esp\u00edrito Santo. No bairro social do Lameirinho existe um jardim-de-inf\u00e2ncia onde as educadoras, juntamente com as crian\u00e7as &#8220;fizeram um altar e envolveram todas as val\u00eancias da Caritas&#8221; &#8211; frisou \u00e0 Ag\u00eancia ECCLESIA Anabela Borba, Presidente da Caritas daquela ilha e tamb\u00e9m dos A\u00e7ores.<\/p>\n<p>Esta iniciativa prolonga-se at\u00e9 29 deste m\u00eas (teve in\u00edcio a 25 de Maio) e ter\u00e1 v\u00e1rias iniciativas. Ontem, &#8220;tivemos uma palestra e rez\u00e1mos o ter\u00e7o com a presen\u00e7a de p\u00fablico adulto que est\u00e1 em forma\u00e7\u00e3o connosco&#8221; &#8211; disse a respons\u00e1vel. Como \u00e9 tradi\u00e7\u00e3o nos A\u00e7ores, quando se reza o ter\u00e7o na casa onde est\u00e1 o Esp\u00edrito Santo &#8211; neste caso era a Caritas &#8211; &#8220;oferece-se um lanche&#8221; &#8211; afirmou Anabela Borba.<\/p>\n<p>Na pr\u00f3xima sexta-feira, 29 de Maio, &#8220;teremos a coroa\u00e7\u00e3o dos meninos do col\u00e9gio e de alguns jovens que recebem forma\u00e7\u00e3o na Caritas&#8221;. Ap\u00f3s a coroa\u00e7\u00e3o, haver\u00e1 o almo\u00e7o para as crian\u00e7as do jardim-de-inf\u00e2ncia. O culto do Esp\u00edrito Santo tem grandes ra\u00edzes nos A\u00e7ores, mas \u00e9 celebrado &#8220;de forma diferente de ilha para ilha&#8221; &#8211; sublinha Anabela Borba. E acentua: &#8220;\u00c9 a festa mais importante nos A\u00e7ores, a seguir ao Senhor Santo Cristo&#8221;.<\/p>\n<p><b>Culto ao Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p>A Igreja professa a sua f\u00e9 no Esp\u00edrito Santo como Aquele \u00abque \u00e9 o Senhor que d\u00e1 a vida\u00bb e proclama-o no S\u00edmbolo da F\u00e9, chamado Niceno-Constantinopolitano, do nome dos dois Conc\u00edlios &#8211; Niceia (em 325) e de Constantinopla (em 381). Este ano celebra-se o vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da Enc\u00edclica \u00abDominum et Vivificantem\u00bb do Papa Jo\u00e3o Paulo II. Apresentada a 18 de Maio de 1986, \u00abO Esp\u00edrito Santo na Vida da Igreja e do Mundo\u00bb relata que esta f\u00e9, professada ininterruptamente pela Igreja, &#8220;precisa de ser incessantemente reavivada e aprofundada na consci\u00eancia do Povo de Deus. Nos \u00faltimos dois s\u00e9culos assim aconteceu por mais de uma vez: desde Le\u00e3o XIII, que publicou a Enc\u00edclica \u00abDivinum illud munus\u00bb (ano de 1897), exclusivamente dedicada ao Esp\u00edrito Santo, a Pio XII, que na Enc\u00edclica \u00abMystici Corporis\u00bb (ano 1943) se referiu de novo ao Esp\u00edrito Santo como princ\u00edpio vital da Igreja, na qual opera conjuntamente com a Cabe\u00e7a do Corpo M\u00edstico, Cristo, at\u00e9 ao II Conc\u00edlio Vaticano que fez notar a necessidade de renovada aten\u00e7\u00e3o \u00e0 doutrina sobre o Esp\u00edrito Santo, como acentuava o Papa Paulo VI: &#8220;\u00e0 Cristologia e especialmente \u00e0 Eclesiologia do Conc\u00edlio deve seguir-se estudo renovado e culto renovado do Esp\u00edrito Santo, precisamente como complemento indispens\u00e1vel do ensino conciliar&#8221; (Audi\u00eancia geral de 6 de Junho de 1973).<\/p>\n<p><b>Inspiradas pelos modelos mendicantes<\/b><\/p>\n<p>Em Portugal, as Confrarias, Irmandades ou Fraternidades &#8211; t\u00edpicas do Corporativismo s\u00f3cio-religioso medieval &#8211; \u00abbeberam\u00bb sempre da Terceira Pessoa da Sant\u00edssima Trindade. Inspiradas pelos modelos mendicantes, estas formulavam um compromisso de vida e definiam prop\u00f3sitos &#8211; culto ao Salvador, Nossa Senhora ou algum santo &#8211; apoiados numa obra de miseric\u00f3rdia: &#8220;dar de comer aos famintos, vestir os andrajosos ou sufragar os irm\u00e3os falecidos&#8221; (Gomes, Pinharanda; In: \u00abA cidade Nova\u00bb). E acrescenta: &#8220;s\u00e3o sufrag\u00e2neas da caridade, servas do amor, que \u00e9 este o verdadeiro nome do Senhor Esp\u00edrito Santo&#8221;. As confrarias do Esp\u00edrito Santo, promotoras do culto, dos dons e dos frutos, surgiram em quase todos os tempos da medievalidade e da modernidade, um pouco por todo o pa\u00eds. Entre os rios Douro e Tejo e, neste espa\u00e7o, com maior intensidade nas dioceses de Lamego, Viseu, Coimbra, Leiria, Santar\u00e9m e no extinto bispado da Egit\u00e2nia (hoje divido pela diocese da Guarda e Portalegre) &#8220;os &#8220;invent\u00e1rios&#8221; (Gomes, Pinharanda) demonstram que existia nestas terras um arreigado culto ao Esp\u00edrito Santo. Portugal continental tinha mesmo o ep\u00edteto de \u00abImp\u00e9rio do Esp\u00edrito\u00bb. Para al\u00e9m das localidades citadas t\u00ednhamos tamb\u00e9m na Costa Alentejana e no litoral Algarvio enclaves onde os crist\u00e3os viviam intensamente o culto ao Esp\u00edrito Santo. <\/p>\n<p>Os pescadores associavam-se em Confrarias de Miseric\u00f3rdia &#8211; de invoca\u00e7\u00e3o ao Divino Esp\u00edrito Santo &#8211; e dispunham mesmo de hospitais pr\u00f3prios como foram os casos de Alfama, Lagos e Tavira. Quando se olha para o mapa dos conventos franciscanos fundados na medievalidade e as zonas de influ\u00eancia da Ordem de Cristo (de Tomar \u00e0s fortes posses no interior da Beira Egitaniense) percebe-se o porqu\u00ea do culto ao Esp\u00edrito Santo e \u00e0s institui\u00e7\u00f5es que est\u00e3o na rectaguarda deste mesmo culto. A teoria deste \u00abnascimento\u00bb n\u00e3o \u00e9 consensual para todos os historiadores. H\u00e1 quem defenda que a \u00abm\u00e3e\u00bb destas festividades &#8211; de acordo com um conjunto de narrativas eclesi\u00e1sticas seiscentistas &#8211; \u00e9 a rainha Santa Isabel. <\/p>\n<p>Imp\u00e9rio significa, no contexto do culto, as festas dedicadas ao Divino Esp\u00edrito Santo, &#8220;por antonom\u00e1sia, j\u00e1 que Imp\u00e9rio \u00e9 o nome confer\u00edvel \u00e0s Irmandades e \u00e0s Mordomias que promovem as festividades. (Gomes, Pinharanda). Tamb\u00e9m por antonom\u00e1sia, nas ilhas a\u00e7orianas o nome de Imp\u00e9rio \u00e9 dado a uma esp\u00e9cie de capelas &#8211; em alvenaria ou madeira &#8211; onde se realiza uma parte das fun\u00e7\u00f5es ou cerim\u00f3nias das festas e onde se exp\u00f5em as ins\u00edgnias do Divino. Existem Imp\u00e9rios de homens, de jovens (nas Beiras, as festas s\u00e3o muitas vezes promovidas pelas \u00abconfrarias da mocidade\u00bb &#8211; n\u00e3o t\u00eam estrutura permanente &#8211; visto que s\u00e3o constitu\u00eddas por rapazes que nesse ano atingem a maioridade), e casais, de mulheres (caso dos A\u00e7ores, na regi\u00e3o de Viseu e do Alto Alentejo) e de meninos (A\u00e7ores e Lisboa). Segundo informa\u00e7\u00e3o de Mons. Manuel Ferreira da Silva a Pinharanda Gomes, em 1787, na Igreja de Santa Isabel (Lisboa) foi institu\u00edda a Real Irmandade do Divino Esp\u00edrito Santo Imp\u00e9rio dos meninos. Existem igualmente relatos que referem que em determinados conventos de Lisboa e dos A\u00e7ores se faziam Imp\u00e9rios de Freiras.<\/p>\n<p><b>A mais antiga Confraria do Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p>A mais antiga Confraria do Esp\u00edrito Santo de que h\u00e1 noticia \u00e9 a de Benavente, anterior \u00e0s festas de Alenquer, e que cuidava de duas obras de miseric\u00f3rdia: dar de comer aos famintos e enterrar os mortos. &#8220;Os confrades participavam nos funerais com uma dan\u00e7a de car\u00e1cter sagrado, a celebra\u00e7\u00e3o jubilosa da morte&#8221; (Azevedo, Ruy Pinto; &#8220;O compromisso da Confraria do Esp\u00edrito Santo de Benavente&#8221;; in: Lusit\u00e2nia Sacra, 6, 1962). Apesar de Benavente ver nascer a sua confraria primeiro, a localidade de Alenquer &#8211; por iniciativa da rainha Santa Isabel &#8211; viu &#8220;as primeiras e mais importantes festas&#8221; (Gomes, Pinharanda) dedicadas ao culto do Esp\u00edrito Santo.<\/p>\n<p>A partir do continente, as Festas do Esp\u00edrito Santo irradiaram para um conjunto de territ\u00f3rios povoados e colonizados pelos portugueses. A sua exist\u00eancia \u00e9 conhecida na Madeira e no Brasil mas foi, sobretudo no arquip\u00e9lago dos A\u00e7ores &#8211; onde a sua origem &#8220;parece remontar aos tempos iniciais do povoamento&#8221; (Frutuoso, Gaspar; in: &#8220;Saudades da Terra&#8221;) &#8211; que elas conheceram uma difus\u00e3o mais importante. Atestada pela sua presen\u00e7a em todas as freguesias do arquip\u00e9lago a\u00e7oriano, esta vitalidade das Festas do Esp\u00edrito Santo &#8220;expressa-se tamb\u00e9m na constante capacidade de di\u00e1logo entre tradi\u00e7\u00e3o e modernidade que elas evidenciam&#8221;. (Leal, Jo\u00e3o; &#8220;As Festas do Esp\u00edrito Santo nos A\u00e7ores&#8221;; in: Communio, 2, 1998). Esta vitalidade expressa-se tamb\u00e9m no modo como, a partir destas ilhas atl\u00e2nticas, as Festas se difundiram nos principais contextos de acolhimento da emigra\u00e7\u00e3o a\u00e7oriana: primeiro o Brasil e depois nos Estados Unidos da Am\u00e9rica e no Canad\u00e1. <\/p>\n<p>As Festas do Esp\u00edrito Santo n\u00e3o se limitam somente ao Domingo de Pentecostes. Elas come\u00e7am \u00e0 meia-noite de S\u00e1bado de Aleluia e prolongam-se at\u00e9 \u00e0 Festa de Pentecostes, data em que a Igreja celebra a descida do Esp\u00edrito Santo sobre os Ap\u00f3stolos. Em determinadas localidades dos A\u00e7ores, elas estendem-se &#8220;pelo Ver\u00e3o adentro, incluindo as \u00abfestas joaninas\u00bb e, nalgumas ilhas, ainda se festejam em Outubro, pouco antes do in\u00edcio do Advento&#8221;. (Gomes, Pinharanda). Esta dilata\u00e7\u00e3o do tempo deve-se ao facto do bispo de Angra, D. Ant\u00f3nio Vieira Leit\u00e3o, ter determinado, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, &#8220;que n\u00e3o houvesse mais do que um Imp\u00e9rio ou festa com \u00abv\u00f4do\u00bb em cada freguesia e que n\u00e3o fossem celebrados no mesmo dia em todas as freguesias mas que estas o fizessem em cadeia ao longo dos Domingos a partir da P\u00e1scoa&#8221; (Gomes, Pinharanda). Uma forma dos pobres terem mais oportunidade de receber esmola, assist\u00eancia e alimento durante mais tempo.<\/p>\n<p><b>Coroas do Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p>No centro dos festejos encontra-se uma ou mais Coroas do Esp\u00edrito Santo, forma consagrada de representa\u00e7\u00e3o da divindade. Estas coroas s\u00e3o de prata trabalhada &#8211; encimadas por uma pomba &#8211; e constituem a ins\u00edgnia central de um conjunto de que fazem ainda arte um ceptro e uma salva, ambos em prata. As formas de organiza\u00e7\u00e3o dos festejos, ao mesmo tempo que prev\u00eaem a participa\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00e3o do conjunto comunidade, caracterizam-se sobretudo &#8220;pelo relevo que concedem a formas de patroc\u00ednio individual dos festejos, resultantes em muitos casos de promessas feitas ao Esp\u00edrito Santo&#8221;. (Leal, Jo\u00e3o). Depois dos anos 60, devido \u00e0 influ\u00eancia da emigra\u00e7\u00e3o, tornaram-se frequentes os casos em que este patroc\u00ednio individual tende a ser assegurado por emigrantes, que se deslocam expressamente aos A\u00e7ores. <\/p>\n<p>O imperador \u00e9 secundado por um determinado n\u00famero de ajudantes que assumem determinadas fun\u00e7\u00f5es. Entre estes destaca-se a \u00abfolia\u00bb que assegura a direc\u00e7\u00e3o e o acompanhamento musical dos festejos. Em muitas ilhas, as folias t\u00eam vindo a ser gradualmente substitu\u00eddas por filarm\u00f3nicas. Em geral, a sequ\u00eancia dos festejos articula-se em torno de tr\u00eas referentes espaciais: a casa do imperador (onde a coroa \u00e9 instalada num altar); o Imp\u00e9rio e a Casa do Esp\u00edrito Santo (dois edif\u00edcios ligados exclusivamente ao culto do Esp\u00edrito Santo) e a Igreja paroquial. A cerim\u00f3nia religiosa &#8220;mais importante das Festas \u00e9 sem d\u00favida a coroa\u00e7\u00e3o, que consiste na imposi\u00e7\u00e3o solene da Coroa ao imperador ou mordomo, ou algu\u00e9m por ele escolhido, realizada pelo padre no termo da missa&#8221; (Leal, Jo\u00e3o). <\/p>\n<p><b>Sopas do Esp\u00edrito Santo<\/b><\/p>\n<p>A sequ\u00eancia ritual das Festas do Esp\u00edrito Santo concede tamb\u00e9m um lugar de relevo a um conjunto de refei\u00e7\u00f5es, d\u00e1divas e distribui\u00e7\u00f5es de alimentos cerimoniais. Nestas d\u00e1divas est\u00e3o inclu\u00eddas as \u00abc\u00e9lebres\u00bb sopas do Esp\u00edrito Santo &#8211; feitas \u00e0 base de carne de vaca cozida e de fatias de p\u00e3o de trigo &#8211; diversas variedades de p\u00e3es de massa sovada, biscoitos e doces. Apresentam uma importante dimens\u00e3o religiosa mas caracterizam-se tamb\u00e9m pelo relevo que concedem \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais: tanto dos residentes como daqueles que se deslocam propositadamente dos pa\u00edses onde est\u00e3o a laborar.<\/p>\n<p>Estes festejos contrariam as leis dominantes da mentalidade actual que vive baseada &#8220;no interesse e na efici\u00eancia&#8221; (Dias, Manuel Madureira; &#8220;Com o Esp\u00edrito Santo rumo ao ano 2000&#8221;). Por isso, &#8220;poucas coisas t\u00eam uma for\u00e7a t\u00e3o irresist\u00edvel como o gesto gratuito do dom, porque contradiz a l\u00f3gica fria do lucro&#8221;. Para que o Esp\u00edrito Santo alimente em n\u00f3s a esperan\u00e7a e a torne eficaz precisa de encontrar receptividade e coopera\u00e7\u00e3o. As festas dos Esp\u00edrito Santo s\u00e3o um exemplo dessa receptividade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O culto ao Esp\u00edrito Santo tem grande visibilidade nos A\u00e7ores. 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