{"id":39074,"date":"2009-05-25T09:58:59","date_gmt":"2009-05-25T09:58:59","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/25\/homilia-do-bispo-de-leiria-no-dia-da-cidade-de-leiria-2009\/"},"modified":"2009-05-25T09:58:59","modified_gmt":"2009-05-25T09:58:59","slug":"homilia-do-bispo-de-leiria-no-dia-da-cidade-de-leiria-2009","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/homilia-do-bispo-de-leiria-no-dia-da-cidade-de-leiria-2009\/","title":{"rendered":"Homilia do Bispo de Leiria no Dia da Cidade de Leiria 2009"},"content":{"rendered":"<p>\u00abA amizade pela cidade e na cidade\u00bb <!--more--> <\/p>\n<p>\u00c9 com muita alegria que me associo ao Dia da Cidade, que coincide com o do anivers\u00e1rio da funda\u00e7\u00e3o da Diocese.\u00a0 Com esta alegria sa\u00fado, afectuosamente, todos os presentes. Sa\u00fado, com cordial defer\u00eancia, a Ex.ma Sra Presidente da C\u00e2mara, o conselho municipal e os demais autarcas.\u00a0<\/p>\n<p>Nesta ocasi\u00e3o permitam-me oferecer-lhes uma medita\u00e7\u00e3o intitulada: &#8220;A amizade pela cidade e na cidade&#8221;, deixando-nos inspirar pela Palavra de Deus que foi proclamada.<\/p>\n<p><b>1. Um novo olhar sobre a cidade<\/b><br \/>\u00a0<br \/>As leituras que ouvimos s\u00e3o uma verdadeira Cantata ao Amor, \u00e0 beleza do Amor que Jesus Cristo introduz no cora\u00e7\u00e3o dos homens e do mundo.<br \/>Na ceia da despedida, Jesus deixa-nos o testemunho e o testamento definitivos do seu amor: &#8220;\u00c9 este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei. Ningu\u00e9m tem maior amor do que aquele que d\u00e1 a vida pelos seus amigos&#8221;! S\u00e3o palavras de fogo! Sem este amor, o cora\u00e7\u00e3o humano e a cidade dos homens tornam-se um deserto espiritual. Al\u00e9m disso, abre-se diante de n\u00f3s um programa de vida e de empenho praticamente ilimitado, total e universal.<\/p>\n<p>Por sua vez, S. Paulo enumera uma s\u00e9rie de atitudes concretas em que se traduz este amor para viver em comunidade: a caridade, o acolhimento e a hospitalidade, a estima rec\u00edproca, a solidariedade com os que riem e com os que choram, a dilig\u00eancia no trabalho, o servi\u00e7o humilde, a esperan\u00e7a alegre&#8230; <br \/>\u00a0A atitude do amor de benevol\u00eancia, de querer bem ao outro como tal, tem profundas implica\u00e7\u00f5es c\u00edvicas e sociais: \u00e9 uma atitude necess\u00e1ria para construir uma cidade e uma sociedade convivial, de que \u00e9 express\u00e3o bela &#8220;o banquete&#8221; eucar\u00edstico em cada domingo. Jesus introduz um novo ambiente convivial entre as pessoas. Convida-nos, pois, a um novo olhar sobre a cidade, a redescobri-la como espa\u00e7o e express\u00e3o de amizade, de fraternidade, de reconcilia\u00e7\u00e3o, que deita por terra os muros da divis\u00e3o e introduz a paz nas rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas que habitam e formam a cidade. Temos aqui ent\u00e3o o tema da amizade.<\/p>\n<p><b>2. A amizade como o &#8220;cimento da cidade&#8221;<\/b><br \/>A amizade \u00e9-nos apresentada j\u00e1 no mundo cl\u00e1ssico, pelos pensadores antigos, Plat\u00e3o e Arist\u00f3teles, depois retomados por S. Tom\u00e1s de Aquino,\u00a0 como o &#8220;cimento da cidade&#8221;. Para o bem estar de uma cidade, diziam, requer-se, sem d\u00favida, a boa vontade dos cidad\u00e3os e um bom governo. Mas h\u00e1 algo mais substancial, que d\u00e1 suporte de fundo \u00e0 vida dos homens na cidade, que \u00e9 a amizade. A amizade que leva \u00e0 conc\u00f3rdia, que permite fazer comunidade, estabelecer rela\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias, a amizade que faz prosperar a cidade.<br \/>A amizade exprime-se antes de mais para com a cidade se consideramos a cidade quase como uma pessoa viva, uma pessoa com vida. <br \/>Um grande presidente da c\u00e2mara, fil\u00f3sofo, te\u00f3rico e poeta da cidade, G. La Pira, presidente da c\u00e2mara da cidade de Floren\u00e7a em It\u00e1lia, em 1954 escrevia este texto lindo sobre a cidade: &#8220;As cidades t\u00eam um rosto pr\u00f3prio t\u00eam por assim dizer uma alma e um destino pr\u00f3prios. N\u00e3o s\u00e3o meros armaz\u00e9ns de pedra; s\u00e3o misteriosas habita\u00e7\u00f5es dos homens e mais ainda, de certo modo, misteriosas habita\u00e7\u00f5es de Deus&#8221;. Sim, tamb\u00e9m Deus habita nas cidades dos homens! <br \/>La Pira, capta com lucidez a rela\u00e7\u00e3o entre a pessoa e a cidade, de modo a poder afirmar que a crise do nosso tempo pode ser definida como um desenraizamento do contexto org\u00e2nico da cidade, daquilo que d\u00e1 uma harmonia org\u00e2nica \u00e0 cidade. Leio-vos um pequeno texto muito interessante, que ele escreveu: &#8220;N\u00e3o \u00e9 verdade que a pessoa humana se realiza na cidade, se enra\u00edza na cidade como a \u00e1rvore se enra\u00edza no solo? Que a pessoa humana se enra\u00edza nos elementos que constituem a vida da cidade?&#8221; E exemplifica: &#8220;No templo, para a sua uni\u00e3o com Deus e a sua vida espiritual; na casa para a sua vida de fam\u00edlia; na oficina para a sua vida de trabalho; na escola para a sua vida intelectual; no hospital para a sua vida f\u00edsica saud\u00e1vel; nas pra\u00e7as para a sua vida de lazer e de conv\u00edvio&#8221;. <br \/>S\u00e3o os lugares simb\u00f3licos que exprimem a vida espiritual, a vida familiar, a vida econ\u00f3mica, a vida cultural, a vida convivial, social e l\u00fadica da cidade. \u00c9 isto que d\u00e1 alma \u00e0 cidade. Portanto, convida-nos a olhar para a cidade, n\u00e3o apenas como lugar onde dispomos de servi\u00e7os, de estruturas que tornam c\u00f3moda e oferecem bem estar \u00e0 nossa vida, mas sobretudo como lugar e espa\u00e7o onde se realiza a vida dos homens nas suas v\u00e1rias dimens\u00f5es e vertentes. Da\u00ed ent\u00e3o esta exig\u00eancia da amizade pela cidade e na cidade.<\/p>\n<p><b>3. Express\u00f5es da amizade pela cidade e na cidade<\/b><br \/>1. A primeira express\u00e3o fundamental desta amizade pela cidade \u00e9 n\u00e3o fugir da cidade: n\u00e3o no sentido f\u00edsico, de quem ao fim de semana vai a campo ou \u00e0 montanha, o que \u00e9 saud\u00e1vel; mas no sentido de n\u00e3o se alhear, n\u00e3o se desinteressar pela vida da cidade, pelos seus problemas, mas considerar a cidade como a nossa casa, uma casa comum, pela qual e na qual todos n\u00f3s somos respons\u00e1veis. Por isso, somos chamados a aprender a viver na cidade como numa casa comum: que cada um aprenda a viver nela com gosto, com corresponsabilidade, com empenho, de modo a torn\u00e1-la mais habit\u00e1vel, mais \u00e0 medida da pessoa humana, desde as pequeninas coisas at\u00e9 aos grandes problemas que se vivem na cidade, por exemplo desde a responsabilidade de cada um e de cada fam\u00edlia em manter a cidade limpa e bela, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o na sua vida social e cultural at\u00e9 ao contributo que cada um de n\u00f3s pode dar para ajudar a resolver os problemas da cidade, concretamente os problemas sociais. <br \/>2. Uma outra express\u00e3o da amizade pela cidade e na cidade, \u00e9 o empenho em iniciativas para cultivar as rela\u00e7\u00f5es entre pessoas e grupos para al\u00e9m das suas afinidades naturais, ou das afinidades pr\u00f3prias de cada um e de cada grupo. Por vezes, a cidade pode aparecer como um aglomerado de grupos ou de v\u00e1rios corpos separados, de v\u00e1rios extractos da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o comunicam entre si: categorias sociais, profiss\u00f5es, interesses de trabalho, interesses pol\u00edticos, imigrados que v\u00eam trabalhar para junto de n\u00f3s, etnias, como por exemplo os ciganos, etc. Tem-se a impress\u00e3o, por vezes, de que a cidade j\u00e1 \u00e9 um corpo demasiado grande para que haja um la\u00e7o de fundo que possa p\u00f4r em comunica\u00e7\u00e3o e em rela\u00e7\u00e3o todos estes grupos que formam a cidade, que haja um la\u00e7o de fundo que possa dar unidade e tornar a cidade unida. \u00c9, pois, importante atravessar estes grupos com amizades que ponham em rela\u00e7\u00e3o, que ponham em rede, em comunica\u00e7\u00e3o, costumes, interesses, linguagens e culturas diversas. \u00c9 um enriquecimento para a cidade.<br \/>\u00a03. Neste contexto, coloca-se, de modo particular, a miss\u00e3o da nossa Igreja, das nossas comunidades crist\u00e3s, de cada comunidade crist\u00e3 da cidade, de criar la\u00e7os de amizade, de comunh\u00e3o e solidariedade para al\u00e9m das afinidades naturais, para constituir aquele tecido de refer\u00eancia que d\u00e1 suporte de fundo ao sentido c\u00edvico e moral de uma cidade.<br \/>Daqui deriva tamb\u00e9m um compromisso, um empenho para todos, de criar canais de comunica\u00e7\u00e3o, por exemplo entre os lugares do trabalho e os do tempo livre, entre os lugares do sofrimento e os da solidariedade e do voluntariado, entre as pris\u00f5es e a chamada &#8220;sociedade de bem&#8221;, entre as institui\u00e7\u00f5es culturais e a gente comum, entre os marginalizados e os em abrigo e aqueles que s\u00e3o ricos de rela\u00e7\u00f5es e de abrigo.<br \/>Construir a cidade n\u00e3o quer dizer s\u00f3 construir o quadro exterior, isto \u00e9, os servi\u00e7os, as infra-estruturas ao servi\u00e7o do nosso viver quotidiano, que \u00e9 muito importante, naturalmente. A cidade faz corpo com as pessoas que a habitam e a pessoa humana vive de rela\u00e7\u00f5es e de amizades. Neste sentido, o homem \u00e9 a sua cidade. Cada um deve sentir a cidade como sua. O homem \u00e9 a sua cidade e a cidade \u00e9 chamada a ser lugar de boas rela\u00e7\u00f5es e de boas amizades, que requer de todo o cidad\u00e3o um cora\u00e7\u00e3o universal, de abertura universal a todos. Para esta tarefa quer contribuir tamb\u00e9m a Igreja de Jesus Cristo. Na express\u00e3o concreta das comunidades crist\u00e3s que vivem no meio da cidade, a Igreja quer mostrar-se amiga da cidade, trazendo para dentro dela apenas o evangelho de Cristo. <br \/>Caros irm\u00e3os e irm\u00e3s, a amizade pela cidade e na cidade \u00e9 uma express\u00e3o concreta do nosso amor a Deus, que nos confia a cidade e do amor ao pr\u00f3ximo, porque Deus nos confia uns aos outros. <br \/>O meu acto de amor concreto por esta nossa cidade &#8211; por esta minha cidade, de que sou habitante ainda h\u00e1 pouco tempo, mas j\u00e1 a considero minha &#8211; exprime-se, neste momento, com uma sincera invoca\u00e7\u00e3o da b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor para toda a cidade, para os seus cidad\u00e3os e, de um modo particular, para os seus governantes, para os seus autarcas e\u00a0 familiares: &#8220;O Senhor te aben\u00e7oe e te proteja, \u00f3 querida cidade de Leiria. O Senhor dirija para ti o seu olhar e te conceda a paz&#8221;. \u00c1men!<br \/>Leiria, 22 de Maio de 2009<br \/>\u00a0<\/p>\n<p><i>+ Ant\u00f3nio Marto, Bispo de Leiria-F\u00e1tima<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abA amizade pela cidade e na cidade\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[177,206,207,314,329],"class_list":["post-39074","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-diocese-de-leiria-fatima","tag-familia","tag-fatima","tag-solidariedade","tag-voluntariado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39074","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39074"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39074\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}