{"id":39027,"date":"2009-05-21T14:54:47","date_gmt":"2009-05-21T14:54:47","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/21\/mensagem-do-bispo-de-vila-real-sobre-o-cinquentenario-do-cristo-rei\/"},"modified":"2009-05-21T14:54:47","modified_gmt":"2009-05-21T14:54:47","slug":"mensagem-do-bispo-de-vila-real-sobre-o-cinquentenario-do-cristo-rei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/mensagem-do-bispo-de-vila-real-sobre-o-cinquentenario-do-cristo-rei\/","title":{"rendered":"Mensagem do Bispo de Vila Real sobre o cinquenten\u00e1rio do Cristo Rei"},"content":{"rendered":"<p>\u00abNo Cinquenten\u00e1rio do Cristo Rei: a soberania de Cristo\u00bb  <!--more--> <\/p>\n<p>1 \u2013 Estive no Domingo passado em Almada a participar no cinquenten\u00e1rio da inaugura\u00e7\u00e3o do Monumento Nacional a Cristo Rei. Pude observar o enorme espa\u00e7o envolvente, subir o elevador at\u00e9 \u00e0 varanda que se abre no sop\u00e9 da est\u00e1tua propriamente dita, e contemplar o panorama que dali se divisa sobre Lisboa, sobre o Tejo e a sua famosa ponte. <br \/>Penso que foi a primeira vez que ali estive fisicamente, mas o que vi corresponde ao que trazia na mem\u00f3ria de tantas vezes ouvir falar dele e ver a sua imagem. H\u00e1 cinquenta anos ainda n\u00e3o era padre, mas lembro-me da campanha feita durante os anos da instru\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e da juventude para angariar donativos para a sua constru\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Como \u00e9 sabido, a primeira ideia do monumento nasceu em 1934 como um sonho do cardeal Cerejeira que, em visita ao Brasil e perante o deslumbramento do Cristo do Corcovado, desejou ter algo semelhante em Portugal e na sua diocese. Mais tarde, em 1940, esse desejo foi assumido por todos os Bispos de Portugal reunidos em F\u00e1tima que, perante a amea\u00e7a da II\u00aa Grande Guerra, formularam o voto de erigir um monumento a Cristo Rei se Portugal fosse poupado da guerra. Deste modo, o monumento a Cristo Rei \u00e9 mais que um monumento piedoso de car\u00e1cter afectivo e regional, \u00e9 a express\u00e3o de um voto solene da Igreja em Portugal em honra de Jesus Cristo, Rei e Senhor da Hist\u00f3ria. \u00abEste ser\u00e1 sempre um sinal de gratid\u00e3o nacional pelo dom da Paz\u00bb, disse na inaugura\u00e7\u00e3o o cardeal Cerejeira.<br \/>O monte onde se levanta o monumento \u00e9 um vasto espa\u00e7o que se encontra a 113 metros acima do n\u00edvel das \u00e1guas do Tejo. O monumento tem 110 metros de altura, sendo 82 do pedestal e 28 da imagem de Cristo Rei. A cabe\u00e7a da imagem mede 4,05 metros, o cora\u00e7\u00e3o esculpido no peito 1,89 m, cada bra\u00e7o 10 metros e, da extremidade do dedo da m\u00e3o \u00e0 da outra m\u00e3o, 28 metros. O peso total da constru\u00e7\u00e3o \u00e9 de 40 mil toneladas e a sapata de suporte tem 14 metros de profundidade. O projecto \u00e9 da autoria do arquitecto Ant\u00f3nio Lino, do engenheiro Francisco de Melo e Castro, e dos mestres escultores Francisco Franco e Leopoldo de Almeida.<br \/>A primeira pedra da obra seria lan\u00e7ada no dia 18 de Dezembro de 1949 e, dez anos depois, em 17 de Maio de 1959, dia do Pentecostes desse ano, fez-se a inaugura\u00e7\u00e3o solene, com a presen\u00e7a de todos os bispos portugueses e dos cardeais do Rio de Janeiro e de Louren\u00e7o Marques (hoje Maputo), das mais altas autoridades de Portugal e de uma multid\u00e3o de 300.000 pessoas. O Papa de ent\u00e3o, Jo\u00e3o XXIII, enviou uma r\u00e1dio mensagem. Tanto na inaugura\u00e7\u00e3o em 1959 como agora no cinquenten\u00e1rio esteve presente a imagem peregrina de Nossa Senhora e F\u00e1tima, levada expressamente da capelinha das Apari\u00e7\u00f5es na Cova da Iria. <br \/>At\u00e9 Julho de 1999 Almada e todo o espa\u00e7o do monumento estavam integrados na diocese ou Patriarcado de Lisboa, passando nessa data para a diocese de Set\u00fabal. <br \/>Com a constru\u00e7\u00e3o da nova bas\u00edlica da Sant\u00edssima Trindade em F\u00e1tima, foi removida a \u00abcruz alta\u00bb que ali se levantava e oferecida ao Cristo Rei de Almada onde se encontra em frente ao santu\u00e1rio. <br \/>2 &#8211; Todas estas circunst\u00e2ncias ajudam a perceber a dimens\u00e3o deste monumento: o seu car\u00e1cter p\u00fablico, eclesial, um voto relativo \u00e0 Paz, intimamente ligado a F\u00e1tima e quase prolongamento da sua mensagem. Por isso, muitos falam da uni\u00e3o dos dois cora\u00e7\u00f5es, o \u00abSagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus\u00bb, cuja devo\u00e7\u00e3o j\u00e1 vinha do s\u00e9c XVII com as apari\u00e7\u00f5es a Santa Margarida Maria Alacoque em Paray-le-Monial em Fran\u00e7a, e o \u00abCora\u00e7\u00e3o Imaculado de Maria\u00bb, revelado em F\u00e1tima. Tanto num caso como no outro, revela-se a faceta maior do mist\u00e9rio de Deus e da sua M\u00e3e na sua rela\u00e7\u00e3o com mundo \u2013 o amor, a miseric\u00f3rdia, o apelo \u00e0 convers\u00e3o. <br \/>O v\u00ednculo mariano, indissoluvelmente ligado ao monumento, \u00e9 muito sentido entre o povo que tem mais dificuldade em compreender o mist\u00e9rio do \u00absenhorio\u00bb de Cristo. Quando se fala de Cristo \u00abRei\u00bb, esta palavra tem algo de anacronismo, soa a tempos passados, a milit\u00e2ncias de massas e a grandes manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Era o tempo de Pio XI, na d\u00e9cada de 1930, tempo da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica por ele criada. Na celebra\u00e7\u00e3o do Domingo passado, ainda encontrei homens e mulheres bem conhecidos na \u00e1rea p\u00fablica que ali estavam a lembrar o ano em que, jovens e adolescentes de dez, quinze e dezasseis anos mas j\u00e1 imbu\u00eddos do esp\u00edrito da Ac\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica, tomaram parte na inaugura\u00e7\u00e3o do monumento. <br \/>Hoje, em clima de democracia e de laicidade dos Estados (mas n\u00e3o da sociedade), a realeza de Cristo assume-se de modo diferente: mais que afirma\u00e7\u00e3o vis\u00edvel e maci\u00e7a nos espa\u00e7os p\u00fablicos, o senhorio de Jesus Cristo estabelece-se pela assimila\u00e7\u00e3o interior dos crit\u00e9rios do Evangelho na vida pessoal, familiar e social, nos servi\u00e7os de qualidade prestados nas estruturas sociais e na comunidade humana, seguindo os crit\u00e9rios de verdade, de justi\u00e7a, de vida, de santidade e de paz. Por essa raz\u00e3o, antes da Eucaristia do dia dezassete deste m\u00eas de Maio e da homenagem a Nossa Senhora no dia dezasseis, as celebra\u00e7\u00f5es jubilares inclu\u00edram um \u00abSimp\u00f3sio sobre a solidariedade\u00bb realizado na FIL em Lisboa na sexta-feira anterior, dia quinze.<br \/>Quando do alto do Cristo Rei contemplava o Tejo e a cidade de Lisboa, o meu pensamento voou at\u00e9 \u00e0 inf\u00e2ncia, aos anos em que centenas de crian\u00e7as e adultos enchiam a igreja paroquial nas primeiras sextas-feiras; lembrei-me das duas grandes estampas do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus e do Cora\u00e7\u00e3o de Maria expostas na sala maior da casa onde nascia; fixei os Jer\u00f3nimos e a Torre de Bel\u00e9m, recordei as li\u00e7\u00f5es da escola prim\u00e1ria e a sa\u00edda das caravelas do Tejo com a Cruz de Cristo, o nome primitivo de \u00abTerras de Vera Cruz\u00bb dado pelos navegadores ao Brasil, a designa\u00e7\u00e3o de Macau como \u00aba cidade do Santo Nome de Deus de Macau\u00bb; e recordei a reflex\u00e3o do Curso de Filosofia sobre a organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 sociedade e sobre a filosofia e a teologia da Hist\u00f3ria, a guerra colonial de \u00c1frica a partir de 1960, a independ\u00eancia desses povos e o seu percurso pol\u00edtico. Lembrei-me tamb\u00e9m da imagem do Cora\u00e7\u00e3o de Jesus na frontaria do nosso Semin\u00e1rio, do monumento p\u00fablico ao Cora\u00e7\u00e3o de Jesus em S.Tom\u00e9 do Castelo, dos santu\u00e1rios do Senhor do Monte em Boticas e do Senhor da Piedade em Montalegre. <br \/>Como estamos em clima de Ano Paulino, vale a pena ler com aten\u00e7\u00e3o os textos de Paulo e confrontar a o modo como ele fala de Jesus Cristo nas suas cartas. N\u00e3o tem um ar de \u00abpiedade formal\u00bb, n\u00e3o fala propriamente de \u00abcora\u00e7\u00f5es\u00bb com o risco de se ficar nos s\u00edmbolos e n\u00e3o entrar na rela\u00e7\u00e3o da pessoa do Filho de Deus. Paulo fala do seu encanto e gratid\u00e3o pela pessoa concreta de Jesus Ressuscitado, da sua presen\u00e7a viva na hist\u00f3ria de Israel e do mundo, e, para o caracterizar, utiliza uma linguagem viva e densa, mormente nas cartas aos Colossenses e aos Ef\u00e9sios: \u00abCristo \u00e9 a imagem de Deus invis\u00edvel, o Primog\u00e9nito de toda criatura, nEle foram criadas todas as coisas no c\u00e9u e na terra, vis\u00edveis e invis\u00edveis. Ele \u00e9 a cabe\u00e7a da Igreja que \u00e9 o seu corpo, \u00e9 o Primog\u00e9nito de entre os mortos\u00bb, Ele est\u00e1 antes de tudo e acima de tudo e nEle tudo subsiste\u00bb. \u00abCristo \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o do plano eterno de Deus acerca do mundo, plano escondido aos antigos e ultimamente revelado aos homens\u00bb. Da realiza\u00e7\u00e3o desse plano na hist\u00f3ria, algo vamos captando atrav\u00e9s dos sinais dos tempos mas a sua compreens\u00e3o total s\u00f3 se far\u00e1 na gl\u00f3ria, onde nos ser\u00e1 dado conhecer o comprimento, largura, altura e profundidade do amor de Cristo que ultrapassa todas as medidas\u00bb.\u00a0 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00abNo Cinquenten\u00e1rio do Cristo Rei: a soberania de Cristo\u00bb<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[95,101,113,122,154,181,183,207,238,303,314],"class_list":["post-39027","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-documentos","tag-accao-catolica","tag-africa","tag-ano-paulino","tag-brasil","tag-crianca","tag-diocese-de-setubal","tag-diocese-de-vila-real","tag-fatima","tag-joao-xxiii","tag-santuarios","tag-solidariedade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39027","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39027"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39027\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39027"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39027"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39027"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}