{"id":39014,"date":"2009-05-21T09:48:53","date_gmt":"2009-05-21T09:48:53","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/21\/blogues-e-religiao\/"},"modified":"2009-05-21T09:48:53","modified_gmt":"2009-05-21T09:48:53","slug":"blogues-e-religiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/blogues-e-religiao\/","title":{"rendered":"Blogues e Religi\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Testemunho da f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o dispensa a Internet que ajuda a encurtar dist\u00e2ncias <!--more--> <\/p>\n<p>Quem poderia imaginar h\u00e1 dez anos um jornal de parede que pudesse ser lido em qualquer parte do mundo? Ou uma mesa de caf\u00e9 onde se pudessem juntar milhares de pessoas? O testemunho da f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o dispensa este meio que encurta dist\u00e2ncias.<\/p>\n<p><b>No princ\u00edpio era o blogspot<\/b><\/p>\n<p>Annus domini 2003: Portugal \u00e9 invadido pelos blogues. As primeiras entradas centram-se sobretudo no debate pol\u00edtico. Depressa entram online novos temas &#8211; ci\u00eancia, cultura e at\u00e9 quest\u00f5es mais banais e pessoais. Um blogue \u00e9 um terreno onde o autor cultiva o que bem entender.<\/p>\n<p>Na reflex\u00e3o religiosa, \u00e9 a comunidade evang\u00e9lica que primeiro se fez notar. O destaque vai para Tiago de Oliveira Cavaco, a \u00abVoz do Deserto\u00bb, que se mant\u00e9m uma refer\u00eancia na blogosfera portuguesa. Desta voz nasce um primeiro coro, o blogue colectivo \u00abOs Animais Evang\u00e9licos\u00bb, estrela de apenas alguns meses no cyberespa\u00e7o, nem por isso pouco brilhante, ao mostrar uma parte do debate interno dos crist\u00e3os reformados. Apagou-se, n\u00e3o sem antes provocar a reac\u00e7\u00e3o de cat\u00f3licos para uma plataforma semelhante, \u00abA Terra da Alegria\u00bb, espa\u00e7o que se abriu a diferentes sensibilidades religiosas e at\u00e9 a pessoas sem religi\u00e3o.<\/p>\n<p>Fora do \u00e2mbito crist\u00e3o, podemos encontrar blogues de relevo, como a \u00abRua da Judiaria\u00bb, de Nuno Guerreiro Josu\u00e9, judeu portugu\u00eas a viver nos EUA, ou o \u00abPovo de Bah\u00e1\u00bb, de Marco Oliveira, onde a hist\u00f3ria e as especificidades dessa f\u00e9 se cruzam com a reflex\u00e3o sobre as quest\u00f5es religiosas em geral, de um modo fundamentado e informado. <\/p>\n<p><b>O Evangelho segundo a Blogosfera<\/b><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel apontar um blogue cat\u00f3lico de refer\u00eancia, mas h\u00e1 na World Wide Web in\u00fameras sensibilidades e formas de ac\u00e7\u00e3o com origem por todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Manuel Pureza, apresenta-se no \u00abPalombella Rossa\u00bb como &#8220;cat\u00f3lico tresmalhado, com paix\u00e3o pelo risco da fronteira e pela novidade quotidiana da vida&#8221; e lan\u00e7a desafios \u00e0 Igreja e ao Mundo. Doutra perspectiva, em \u00abA Casa de Sarto\u00bb, J. Sarto e Rafael Castela Santos, d\u00e3o conta de raz\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es, num &#8220;blogue cat\u00f3lico tradicional, antimodernista e antiprogressista&#8221;.<\/p>\n<p>Muitos pequenos grupos eclesiais j\u00e1 perceberam que estar online pode ser um contributo para a dinamiza\u00e7\u00e3o de comunidades.<\/p>\n<p>No \u00abFASrondas\u00bb (Fam\u00edlias, Aldeias e Sem-abrigo), um grupo de jovens volunt\u00e1rios, ligado aos Jesu\u00edtas, divulga os trabalhos de ac\u00e7\u00e3o social junto dos mais carenciados do Grande Porto.<\/p>\n<p>Os antigos alunos do Semin\u00e1rio da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, da Figueira da Foz, criaram um ponto de encontro no espa\u00e7o virtual, \u00abSemintendes\u00bb.<\/p>\n<p>Alguns padres j\u00e1 aderiram \u00e0 blogosfera e utilizam-na como territ\u00f3rio de ac\u00e7\u00e3o pastoral. Talvez o caso mais curioso seja o \u00abConfession\u00e1rio dum padre\u00bb, onde o dever de segredo se prolonga para a identidade do autor, para dar testemunho do trabalho de p\u00e1roco e fomentar o debate. Tamb\u00e9m de interesse, \u00e9 a ideia do Pe. Carlos, do Arciprestado de Celorico da Beira, na diocese da Guarda, que criou um blogue para cada uma das sete par\u00f3quias que tem a cargo.<\/p>\n<p>Mais a Sul, o Pe. Nuno Miguel, director do Instituto Justi\u00e7a e Paz, em Coimbra, e respons\u00e1vel pelo pr\u00e9-semin\u00e1rio nesta Diocese, assume, entre as tarefas que lhe ocupam a agenda, uma presen\u00e7a ass\u00eddua na Internet, atrav\u00e9s de um blogue, \u00abPara al\u00e9m das evid\u00eancias\u00bb.<\/p>\n<p>&#8220;Para a gera\u00e7\u00e3o a que perten\u00e7o, este mundo quase que se imp\u00f5e. A comunica\u00e7\u00e3o acontece muito na Internet e eu sempre gostei de comunicar, pelo que foi natural tomar esta op\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>O Pe. Nuno Miguel admite que o blogue \u00e9 &#8220;provavelmente o espa\u00e7o onde sou mais eu&#8221; e onde escreve mais, &#8220;coisas existenciais, n\u00e3o apontamentos contextualizados&#8221;.<\/p>\n<p>O tempo tem limites, admite, mas defende a &#8220;import\u00e2ncia de estar a\u00ed&#8221;. E esse a\u00ed inclui a rede social Facebook. <\/p>\n<p>Mais abaixo, na Diocese de Leiria-F\u00e1tima, o Pe. Lu\u00eds Miranda \u00e9 director espiritual do ano proped\u00eautico no semin\u00e1rio. Pertence \u00e0 Diocese de Coimbra, mas acompanha ali alunos de v\u00e1rias dioceses. \u00abNo cora\u00e7\u00e3o de Deus\u00bb \u00e9 o t\u00edtulo que d\u00e1 nome \u00e0 sua presen\u00e7a neste grande espa\u00e7o.<\/p>\n<p>&#8220;A escrita \u00e9 um h\u00e1bito que me acompanha h\u00e1 muito tempo, sempre gostei de escrever, de escrever o que rezo&#8221;, confessa.<\/p>\n<p>A conversa com os amigos levou, ap\u00f3s perceber o mundo da blogosfera, a perceber que &#8220;poderia ser importante partilhar com gente an\u00f3nima muito daquilo que \u00e9 a minha experi\u00eancia pessoal de f\u00e9, o meu entendimento da vida&#8221;. O Pe. Lu\u00eds Miranda diz que &#8220;este meio aproxima muitos que podem estar distantes e provocar alguns que est\u00e3o pr\u00f3ximos&#8221;.<\/p>\n<p>Nenhum dos dois se oculta atr\u00e1s de &#8220;nicknames&#8221; ou identidades falsas, apresentando-se no mundo virtual como s\u00e3o na vida real: padres da Igreja Cat\u00f3lica, que ali continuam a sua actividade.<\/p>\n<p>O Pe. Nuno Miguel admite que &#8220;se tenho alguma mais-valia, \u00e9 ser o que sou, padre, amigo&#8221; e que se &#8220;sente confort\u00e1vel com a ideia de ser padre e poder chegar mais longe, assim&#8221;.<\/p>\n<p>Esta exposi\u00e7\u00e3o abre portas para cr\u00edticas e coment\u00e1rios dos mais variados quadrantes. O Pe. Lu\u00eds Miranda assinala que &#8220;j\u00e1 aconteceu algu\u00e9m escandalizar-se por tratar Deus por \u00abtu\u00bb e escreveu-me um mail a dizer que um padre n\u00e3o podia tratar Deus assim&#8221;.<\/p>\n<p>Nalguns casos, \u00e9 j\u00e1 reconhecido como o padre do blogue &#8220;No Cora\u00e7\u00e3o de Deus&#8221;, proporcionando &#8220;algumas conversas&#8221;.<\/p>\n<p>Os blogues tamb\u00e9m chegaram ao episcopado portugu\u00eas. D. Ant\u00f3nio Couto, bispo auxiliar de Braga, mantinha antes da ordena\u00e7\u00e3o episcopal uma presen\u00e7a ass\u00eddua no blogue da Sociedade da Boa Nova. Posteriormente assumiu, singularmente, um blogue, onde partilha com os cibernautas uma \u00abMesa de Palavras\u00bb.<\/p>\n<p><b>Outras margens<\/b><\/p>\n<p>O debate religioso na blogosfera vai para al\u00e9m das manifesta\u00e7\u00f5es confessionais. Joana Lopes, durante muitos anos cat\u00f3lica activa, agora afastada de qualquer convic\u00e7\u00e3o religiosa, manifesta, \u00abEntre as brumas da mem\u00f3ria\u00bb, um olhar atento tamb\u00e9m sobre os assuntos da f\u00e9. J\u00e1 no \u00abDi\u00e1rio Ate\u00edsta\u00bb, encontramos uma vis\u00e3o cr\u00edtica e muitas vezes corrosiva da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>As quest\u00f5es inerentes ao fen\u00f3meno religioso n\u00e3o escapam \u00e0 actualidade e \u00e9 normal terem lugar em blogues de tend\u00eancia pol\u00edtica: o \u00abAbrupto\u00bb de Pacheco Pereira, o \u00abArrast\u00e3o\u00bb de Daniel Oliveira ou os colectivos \u00ab31 da Armada\u00bb ou \u00abCinco Dias\u00bb. Surgem a prop\u00f3sito do M\u00e9dio Oriente, das caricaturas de Maom\u00e9, dos discursos de Bento XVI com refer\u00eancias ao Isl\u00e3o ou sobre as rela\u00e7\u00f5es entre o Estado e a Igreja. At\u00e9 o \u00abDe rerum natura\u00bb, da autoria de sete cientistas n\u00e3o escapa \u00e0s quest\u00f5es religiosas.<\/p>\n<p>Os blogues s\u00e3o mais uma porta, numa igreja que n\u00e3o se quer fechada.<\/p>\n<p><i>Redac\u00e7\u00e3o\/Rui Almeida<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Testemunho da f\u00e9 j\u00e1 n\u00e3o dispensa a Internet que ajuda a encurtar dist\u00e2ncias<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[120,168,172,174,177,187,206,207,231,236],"class_list":["post-39014","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-nacional","tag-bento-xvi","tag-diocese-da-guarda","tag-diocese-de-braga","tag-diocese-de-coimbra","tag-diocese-de-leiria-fatima","tag-diocese-do-porto","tag-familia","tag-fatima","tag-imaculada-conceicao","tag-jesuitas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39014"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39014\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}