{"id":38968,"date":"2009-05-19T10:17:06","date_gmt":"2009-05-19T10:17:06","guid":{"rendered":"http:\/\/localhost:81\/dados_wp\/2009\/05\/19\/de-olhos-fechados\/"},"modified":"2009-05-19T10:17:06","modified_gmt":"2009-05-19T10:17:06","slug":"de-olhos-fechados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/de-olhos-fechados\/","title":{"rendered":"De olhos fechados!"},"content":{"rendered":"<p>(..) sinto e entendo que os tempos que protagonizamos pedem menos palavras, sobretudo as ditas, e economia de intelig\u00eancia \u00e0s que ainda forem proferidas. <!--more--> <\/p>\n<p>H\u00e1 momentos na nossa vida em que vemos mais longe de olhos fechados! A dor funda da perda, a raiva das amarras, o sabor da vit\u00f3ria, o pudor da conquista, o turbilh\u00e3o da emo\u00e7\u00e3o, a quietude de uma paz por um segundo inabal\u00e1vel, a d\u00favida, alguma certeza, de novo a d\u00favida, mais alguma certeza&#8230;<br \/>\u00a0<br \/>H\u00e1 momentos na nossa vida em que vemos mais longe de olhos fechados! O calor de um abra\u00e7o, a alegria do encontro, o medo da solid\u00e3o, o anonimato da multid\u00e3o, a despedida, sobretudo aquela sem palavra definitiva e \u00faltima&#8230;<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos na nossa vida em que vemos mais longe de olhos fechados! <br \/>A mem\u00f3ria de um gesto, que nos faz sorrir, a lembran\u00e7a de outro gesto, que nos turva o semblante, a entrega insana pelos filhos, o filho que se perdeu, o irm\u00e3o que voltou, a sombra do dia em que nos renegamos a n\u00f3s mesmos, sem galo a anunciar a profecia, a aurora do outro dia em que nos voltamos a encontrar.<\/p>\n<p>H\u00e1 momentos na nossa vida em que vemos mais longe de olhos fechados! <br \/>Aqueles segundos de ac\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, aquelas l\u00e1grimas que nos limparam a alma, aquele toque que nos aqueceu o cora\u00e7\u00e3o. A verdade nua do que somos e do que aspiramos ser condensada numa prece, no esbo\u00e7o de um gesto.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem vislumbre nos dias que testemunhamos uma radical transforma\u00e7\u00e3o civilizacional. Talvez seja pedir muito a quem anda h\u00e1 demasiado tempo a lamber as feridas de uma gera\u00e7\u00e3o falhada. Pode ser tamb\u00e9m que haja a\u00ed motivo para alarido. Sinceramente n\u00e3o sei. Quem vier a seguir ver\u00e1 se assim foi, ou n\u00e3o. Pela minha parte, sinto e entendo que os tempos que protagonizamos pedem menos palavras, sobretudo as ditas, e economia de intelig\u00eancia \u00e0s que ainda forem proferidas. O hoje que vivemos pede sobretudo mais compaix\u00e3o e demorado sil\u00eancio. <\/p>\n<p>H\u00e1\u00a0dor \u2013 num tempo de tantas dores \u2013 que se\u00a0partilha com mais afinco na palma das m\u00e3os e de l\u00e1bios cerrados. Sem que haja a\u00ed novidade. A cada p\u00e1gina do Evangelho vemos apontado o caminho: acolher cada um na sua vida concreta, nas suas mis\u00e9rias e err\u00e2ncias, tamb\u00e9m na sua bondade e capacidade de sonho; confront\u00e1-lo com uma op\u00e7\u00e3o de amor; e, bem mais dif\u00edcil ainda, respeit\u00e1-lo na sua liberdade de escolha. N\u00e3o se trata de milit\u00e2ncia, como alguns pretendem, mas de convic\u00e7\u00e3o interior, suficientemente luminosa para dispensar as palavras e encarnada o bastante para irradiar v\u00ednculos de comunh\u00e3o. Afinal, os trilhos da eternidade desenham-se no barro que somos e de que fazemos a \u00fanica cruz de todos os dias, mesmo depois do derradeiro ocaso. <\/p>\n<p>H\u00e1 tanto para ver de olhos fechados. <\/p>\n<p><i>Jo\u00e3o Soalheiro<br \/>Director do Secretariado Nacional para os Bens Culturais da Igreja<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(..) sinto e entendo que os tempos que protagonizamos pedem menos palavras, sobretudo as ditas, e economia de intelig\u00eancia \u00e0s que ainda forem proferidas.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[7],"tags":[191],"class_list":["post-38968","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-editorial","tag-economia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38968\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}