{"id":389297,"date":"2025-09-06T09:03:02","date_gmt":"2025-09-06T08:03:02","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=389297"},"modified":"2025-09-08T16:29:56","modified_gmt":"2025-09-08T15:29:56","slug":"a-tecnologia-cria-dados-so-nos-criamos-memorias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-tecnologia-cria-dados-so-nos-criamos-memorias\/","title":{"rendered":"A tecnologia cria dados. S\u00f3 n\u00f3s criamos mem\u00f3rias!"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-228266 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-391x260.jpg 391w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-1080x720.jpg 1080w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-980x653.jpg 980w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2022\/02\/padre-manuel-ribeiro-braganca.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/>Guardamos <em>gigabytes<\/em>, <em>terabytes<\/em>, <em>petabytes<\/em> de dados. Mas onde guardamos as mem\u00f3rias? Mem\u00f3rias reais, feitas de encontros, de gestos, de olhares. Saber viver juntos e construir mem\u00f3rias \u00e9, hoje, o maior desafio da era digital.<\/p>\n<p>Aprender a programar tornou-se quase obrigat\u00f3rio. Fala-se de c\u00f3digo, algoritmos, intelig\u00eancia artificial. Mas h\u00e1 uma linguagem que estamos a esquecer e sem ela, o futuro ser\u00e1 invi\u00e1vel: a linguagem do encontro, do respeito, da conviv\u00eancia.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata de rejeitar o digital. A tecnologia faz parte da vida. Trabalhamos, estudamos, comunicamos num mundo cada vez mais\u00a0<em>onlife<\/em>, onde o f\u00edsico e o digital se misturam. A quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 se usamos tecnologia, mas se a usamos de forma \u00e9tica, consciente, ao servi\u00e7o da dignidade humana \u2014 ou se ela nos usa, formatando o pensamento, as rela\u00e7\u00f5es e at\u00e9 as nossas mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>O Papa Francisco alertou para esta armadilha: uma globaliza\u00e7\u00e3o sem rosto, onde o lucro e o algoritmo se sobrep\u00f5em \u00e0 pessoa. E a educa\u00e7\u00e3o, em vez de espa\u00e7o de forma\u00e7\u00e3o humana, arrisca-se a ser apenas uma f\u00e1brica de compet\u00eancias t\u00e9cnicas, esvaziada de \u00e9tica, pensamento cr\u00edtico e cultura do cuidado.<\/p>\n<p>Demasiadas vezes, as escolas e universidades transformam-se em centros de treino para o mercado, esquecendo que educar n\u00e3o \u00e9 apenas preparar para competir, mas para viver juntos, para criar la\u00e7os, para construir mem\u00f3rias. Porque sem di\u00e1logo, sem pensamento cr\u00edtico, sem responsabilidade social, seremos altamente qualificados \u2014 mas humanamente analfabetos.<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o ou \u00e9 humanizadora ou n\u00e3o \u00e9 educa\u00e7\u00e3o. E ser humanizadora, hoje, exige, mais do que nunca, formar para o pensamento cr\u00edtico, para o di\u00e1logo intercultural, para o uso \u00e9tico da tecnologia e para o cultivo de rela\u00e7\u00f5es e mem\u00f3rias que nos sustentem como comunidade.<\/p>\n<p>Sem pensamento cr\u00edtico, seremos manipulados. Sem di\u00e1logo, seremos ref\u00e9ns do medo. Sem \u00e9tica digital, seremos produtos do algoritmo e n\u00e3o cidad\u00e3os. Sem mem\u00f3rias partilhadas, seremos apenas perfis digitais, avatares solit\u00e1rios e n\u00e3o pessoas.<\/p>\n<p>Mesmo em territ\u00f3rios do interior portugu\u00eas, como Alf\u00e2ndega da F\u00e9, surgem sinais concretos de que outro caminho \u00e9 poss\u00edvel. Ali, cresce o sonho de transformar o concelho num modelo nacional de ecossistema educacional digital, com o apoio da Universidade Aberta, que abrir\u00e1 em breve um polo local. Quando escola, fam\u00edlia, comunidade e par\u00f3quia se unem, a educa\u00e7\u00e3o deixa de ser apenas um treino t\u00e9cnico e volta a ser uma verdadeira escola de humanidade. Nesses lugares, n\u00e3o se programa s\u00f3 tecnologia. Programa-se o futuro e constroem-se mem\u00f3rias.<\/p>\n<p>Mas isso exige escolhas. Escolhas pol\u00edticas, culturais e pessoais. Exige romper com a ilus\u00e3o de que basta digitalizar para educar ou que basta competir para progredir. Exige, acima de tudo, coragem para colocar a pessoa no centro e o algoritmo ao servi\u00e7o.<\/p>\n<p>Saber programar \u00e9 \u00fatil. Mas saber viver juntos, construir la\u00e7os, partilhar mem\u00f3rias, \u00e9 o que nos impede de falhar como sociedade. E o futuro \u2014 esse \u2014 n\u00e3o se constr\u00f3i com linhas de c\u00f3digo ou m\u00e9tricas de sucesso. Constr\u00f3i-se com pessoas. Com encontros. Com humanidade.<\/p>\n<p>Essa linguagem, se a ensinarmos e cultivarmos, far\u00e1 do digital uma ponte e n\u00e3o um muro. E talvez assim, juntos, programemos n\u00e3o apenas m\u00e1quinas, mas tamb\u00e9m o futuro que queremos habitar. Um futuro onde n\u00e3o se armazenam apenas dados, mas se criam mem\u00f3rias. E onde, mais do que tudo, aprendemos novamente a estar juntos.<\/p>\n<p>Porque, no fim, as m\u00e1quinas lembrar\u00e3o o que quisermos. Mas s\u00f3 n\u00f3s decidimos se este tempo se transforma em mem\u00f3ria\u2026 ou em vazio. S\u00f3 n\u00f3s podemos programar o futuro com humanidade \u2014 ou deix\u00e1-lo vazio de sentido. A decis\u00e3o \u00e9 nossa.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em>(Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Manuel Ribeiro, Diocese de Bragan\u00e7a-Miranda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":228266,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-389297","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389297","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=389297"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389297\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/228266"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=389297"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=389297"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=389297"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}