{"id":389251,"date":"2025-09-02T09:03:14","date_gmt":"2025-09-02T08:03:14","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=389251"},"modified":"2025-09-02T09:36:00","modified_gmt":"2025-09-02T08:36:00","slug":"a-sinodalidade-e-uma-moda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/a-sinodalidade-e-uma-moda\/","title":{"rendered":"A sinodalidade \u00e9 uma moda?"},"content":{"rendered":"<p><em>C\u00f3nego H\u00e9lder Miranda Alexandre, Diocese de Angra<\/em><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-163088 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda-390x260.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"260\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda-390x260.jpg 390w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda-768x512.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda-480x320.jpg 480w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/helder-miranda.jpg 900w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/a>A sinodalidade tornou-se um mote frequentemente usado em linguagens, discursos e documentos no seio da Igreja. No entanto, para a maioria dos leigos \u00e9 um conceito obscuro e at\u00e9 nas fileiras clericais h\u00e1 quem n\u00e3o o entenda ou n\u00e3o o queira entender a s\u00e9rio.<\/p>\n<p>Uma leitura superficial parece indicar mais um daqueles chav\u00f5es da moda e do p\u00eandulo dos tempos, algo pr\u00f3ximo do conceito de democracia. N\u00e3o raramente serve de pretexto a decis\u00f5es arbitr\u00e1rias em todos os sectores da Igreja. O que significa realmente? Ser\u00e1 que todas as decis\u00f5es t\u00eam de ser verdadeiramente sinodais? Outros aproveitam para afirmar que esta \u00e9 a hora dos leigos, como se o tempo dos pastores fosse algo do passado. No entanto, uma leitura atenta dos documentos da Igreja p\u00f3s-conciliar permite afirmar que o discurso eclesial se centra no \u201cbatizado\u201d e n\u00e3o o \u201cleigo\u201d. As confus\u00f5es abundam por a\u00ed.<\/p>\n<p>No dia 26 de outubro de 2024 surgiu o Documento Final aprovado pela XVI Assembleia Geral Ordin\u00e1ria do S\u00ednodo dos Bispos acerca da aplica\u00e7\u00e3o da sinodalidade ao funcionamento dos \u00f3rg\u00e3os de governo da Igreja universal, particular e local aprovado pelo Papa Francisco. Apresenta-se como um documento do magist\u00e9rio e \u00e9 o resultado do processo sinodal iniciado a 9 de outubro de 2021 em Roma, e a 17 do mesmo m\u00eas nas Igrejas Particulares. \u00c9 interessante notar que D. Jo\u00e3o Lavrador j\u00e1 tinha iniciado na Diocese de Angra um caminho sinodal que se cruzou com este processo universal. As conclus\u00f5es j\u00e1 tinham sido publicadas com propostas pastorais muito assertivas.<\/p>\n<p>O n. 30 deste Documento evidencia tr\u00eas aspetos da sinodalidade na vida da Igreja: aspeto ontol\u00f3gico, estruturas e processos eclesiais sinodais e eventos sinodais. O que significa?<\/p>\n<p>O primeiro ponto diz respeito \u00e0 natureza sinodal da Igreja, que caminha conjuntamente e se re\u00fane em assembleia. Este \u00e9 o seu modo de viver e agir nas dimens\u00f5es prof\u00e9tica, sacerdotal e de servi\u00e7o. O n. 36 precisa que esta natureza se manifesta numa corresponsabilidade diferenciada de todos os batizados, homens e mulheres.<\/p>\n<p>O documento evoca o <em>sensus fidei<\/em> (sentido da f\u00e9), em virtude do qual todos os fi\u00e9is t\u00eam o dom do Esp\u00edrito Santo, pelo que o povo de Deus n\u00e3o se pode enganar no acreditar, quando a totalidade dos fi\u00e9is exprime o seu consentimento universal em mat\u00e9ria de f\u00e9 e moral. N\u00e3o \u00e9 uma opini\u00e3o p\u00fablica! Por isso, a necessidade de que esse <em>sensus fidei<\/em> se baseie numa consulta a todos os n\u00edveis antes de uma decis\u00e3o importante.<\/p>\n<p>Ora, numa sociedade secularizada, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil entender o que significa escutar e consultar o Povo de Deus. Pode-se cair em ret\u00f3ricas f\u00e1ceis (Roberto Repole). Neste sentido, e partindo da LG 21, os fi\u00e9is, no seu conjunto e n\u00e3o como indiv\u00edduos, n\u00e3o se podem enganar quando se orientam pelo magist\u00e9rio. Por exemplo a Dei Verbum 10 tamb\u00e9m destaca que a interpreta\u00e7\u00e3o da Palavra de Deus, o dep\u00f3sito da f\u00e9 confiado a toda a Igreja, \u00e9 pr\u00f3pria do magist\u00e9rio vivo da Igreja. Por isso, o <em>sensus fidei<\/em> \u00e9 sempre unido ao discernimento dos pastores nos diversos n\u00edveis da vida eclesial, sem esquecer que os pastores est\u00e3o dentro do povo de Deus. \u00c9 nisto que se baseia a circularidade pr\u00f3pria da sinodalidade e da\u00ed nasce a complementaridade entre os sacerd\u00f3cios batismal e ministerial. Na verdade, a <em>Episcopalis communio<\/em> destaca que a a\u00e7\u00e3o do Bispo \u00e9 de ser mestre e disc\u00edpulo. N\u00e3o existe assim uma separa\u00e7\u00e3o r\u00edgida entre a Igreja que ensina e a que escuta. Como afirmava S. Agostinho, \u201cpara v\u00f3s sou Bispo, convosco sou crist\u00e3o\u201d e como afirmou Jo\u00e3o Paulo II, \u201cno reter, praticar e professar a f\u00e9 transmitida estabelece-se uma singular unidade entre os Bispos e os fi\u00e9is, com v\u00ednculos profundos de f\u00e9\u201d (cf. PG 10 e 28).<\/p>\n<p>Por isso, a sinodalidade traduz-se numa espiritualidade, que reconhecendo o primado da gra\u00e7a, permeia a vida quotidiana de cada batizado, qualquer que seja a sua voca\u00e7\u00e3o, carismas ou fun\u00e7\u00f5es que exerce. \u00c9 uma aut\u00eantica \u201cconvers\u00e3o no Esp\u00edrito\u201d que, numa convers\u00e3o interior relacional (n. 50), somente pode ser realizada na escuta, o que requer ascese, humildade, paci\u00eancia, no dar e receber perd\u00e3o, na troca de dons, no amor fraterno e rec\u00edproco. Este modo de ser e agir deve tornar a Igreja \u201cuma voz prof\u00e9tica no mundo de hoje\u201d, uma profecia contra o individualismo (nn. 47-48).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\">(<em>Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.<\/em>)<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00f3nego H\u00e9lder Miranda Alexandre, Diocese de Angra<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":163088,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-389251","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389251","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=389251"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/389251\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/163088"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=389251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=389251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=389251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}