{"id":388968,"date":"2025-08-23T12:44:16","date_gmt":"2025-08-23T11:44:16","guid":{"rendered":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/?p=388968"},"modified":"2025-08-28T17:00:20","modified_gmt":"2025-08-28T16:00:20","slug":"sao-vicente-de-paulo-e-a-catequese","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/sao-vicente-de-paulo-e-a-catequese\/","title":{"rendered":"DO PASSADO, UM PRESENTE \u2013 S\u00e3o Vicente de Paulo e a Catequese"},"content":{"rendered":"<p><em>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-388969 alignright\" src=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025-740x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"369\" height=\"511\" srcset=\"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025-740x1024.jpg 740w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025-202x280.jpg 202w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025-768x1063.jpg 768w, https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/11-Jubileu-CM-agosto-2025.jpg 780w\" sizes=\"(max-width: 369px) 100vw, 369px\" \/><\/a>A palavra \u201ccatequese\u201d ou \u201ccatecismo\u201d significa informar, instruir e ensinar, de viva voz, para distinguir do ensino realizado atrav\u00e9s da escrita, ou seja, atrav\u00e9s dos <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Livro\">livros<\/a>. Enquanto o ensino dos livros \u00e9 feito individualmente e silenciosamente, a catequese (ou catecismo) \u00e9 feita com a presen\u00e7a de um instrutor (catequista), ensinando de viva voz, testemunhando o que ensina (1).<\/p>\n<p>O Padre Vicente de Paulo n\u00e3o escreveu nada expressamente sobre a catequese. Mas foi um extraordin\u00e1rio catequista: viveu, ensinou e testemunhou. \u00c9 nas Confer\u00eancias \u00e0s Filhas da Caridade e aos Padres da Miss\u00e3o que captamos o seu pensamento sobre o assunto. Come\u00e7a por apresentar o objetivo: inculcar nas crian\u00e7as e nos adultos o conhecimento e o amor de Deus, ensinar os mist\u00e9rios da f\u00e9, lev\u00e1-los \u00e0 melhoria de vida: <em>\u201ctendes de levar aos pobres doentes duas esp\u00e9cies de alimento: o corporal e o espiritual, isto \u00e9, dizer-lhes, com a inten\u00e7\u00e3o de os instruir, algumas palavras que os levem a cumprir os seus deveres de crist\u00e3os e a levar a vida com paci\u00eancia\u2026 A vossa Companhia, tem tamb\u00e9m a finalidade de instruir os meninos nas escolas no temor e no amor de Deus\u201d (2).<\/em><\/p>\n<p>A duas irm\u00e3s, enviadas a Ussel, para a funda\u00e7\u00e3o de uma \u201cCaridade\u201d lembra que a catequese daquela gente (instru\u00e7\u00e3o religiosa) ser\u00e1 a sua principal miss\u00e3o: <em>\u201cAquele povo \u00e9 bom, d\u00f3cil e inclinado ao bem, mas encontra-se na maior ignor\u00e2ncia que se possa imaginar. Fazer o poss\u00edvel para que conhe\u00e7am e amem a Deus, ser\u00e1 o vosso grande trabalho. Dar a conhecer a grandeza de Deus, a sua bondade e o amor que tem \u00e0 humanidade, ensinando-lhes os mist\u00e9rios da f\u00e9 e, a partir desse conhecimento, lev\u00e1-los a descobrir o seu amor\u201d (3).<\/em><\/p>\n<p>Descobre-se, nas suas palavras, um gosto especial por um m\u00e9todo ativo que desperte a aten\u00e7\u00e3o e o interesse dos participantes. Ele mesmo, numa linguagem coloquial, o aplicava na instru\u00e7\u00e3o das Irm\u00e3s e recomendava-lhes que, elas mesmas, o aplicassem na catequese. A partir de perguntas e respostas, corrigir o que estava errado, aperfei\u00e7oar o imperfeito e uma palavra de louvor para o que foi acertado. E porque os adultos, em geral, mas em particular os av\u00f3s, se encantam com as respostas das crian\u00e7as, que se organize uma esp\u00e9cie de \u201csabatina\u201d diante deles para que admirem o modo como os pequenos se exprimem t\u00e3o bem sobre os conte\u00fados da f\u00e9 (4). Experimenta e recomenda a utiliza\u00e7\u00e3o da imagem, sobretudo com crian\u00e7as, atrav\u00e9s de quadros alusivos ao assunto da catequese.<\/p>\n<p>N\u00e3o passa despercebida, ao Padre Vicente, a necessidade de prepara\u00e7\u00e3o para o ensino da catequese. Antes de partirem para as par\u00f3quias, onde devem ensinar a catequese \u00e0s crian\u00e7as e aos doentes, as Irm\u00e3s devem tratar esse tema entre elas. <em>\u201cA que estiver a orientar, escuta as respostas, explica-as naquilo em que n\u00e3o sejam t\u00e3o claras ou naquilo em que n\u00e3o se compreendam. Este \u00e9 o melhor m\u00e9todo de vos instruirdes a v\u00f3s mesmas e de vos tornardes capazes de ensinar o catecismo aos pobres e \u00e0s crian\u00e7as nas coisas necess\u00e1rias \u00e0 salva\u00e7\u00e3o\u201d (5).<\/em><\/p>\n<p>Em favor desta pr\u00e1tica, o Padre Vicente de Paulo refere que se procede assim nos Semin\u00e1rios e em outras reuni\u00f5es em que aqueles a quem vai ser confiado um minist\u00e9rio passam por exerc\u00edcios de prepara\u00e7\u00e3o (celebrar, confessar, pregar, batizar, \u2026), que os capacitem para as suas fun\u00e7\u00f5es. Assim deve ser com o ensino da catequese. Para uma prepara\u00e7\u00e3o mais t\u00e9cnica e aperfei\u00e7oada, pensa em enviar algumas irm\u00e3s \u00e0s Ursulinas e \u00e0s Filhas da Cruz, consideradas as mais bem preparadas.<\/p>\n<p>Nas Miss\u00f5es Populares, havia momentos dedicados exclusivamente \u00e0 catequese em sentido estrito: catequese para crian\u00e7as de manh\u00e3; catequese para adultos, ao entardecer, sem subir ao p\u00falpito para n\u00e3o se confundir com a prega\u00e7\u00e3o e cuja dura\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria ultrapassar a meia hora (6).<\/p>\n<p>A testemunhar esta tradicional preocupa\u00e7\u00e3o pelo ensino da catequese, como heran\u00e7a de fam\u00edlia, encontra-se no arquivo dos Padres da Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o, em Lisboa, um relat\u00f3rio manuscrito do s\u00e9culo XVIII (1744-1834) em que a catequese (doutrina) aparece como atividade di\u00e1ria durante a miss\u00e3o, ao lado de outras (prega\u00e7\u00e3o, confiss\u00f5es, inicia\u00e7\u00e3o \u00e0 ora\u00e7\u00e3o mental, pacifica\u00e7\u00e3o e reconcilia\u00e7\u00e3o social, &#8230;), e para a qual se destacava exclusivamente um mission\u00e1rio, dada a sua import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 comunidade crist\u00e3 sem catequese, isto \u00e9, sem instru\u00e7\u00e3o, sem forma\u00e7\u00e3o, sem an\u00fancio, sem o testemunho de vida de quem anuncia (catequista). Pode faltar o catecismo (livro), mas que nunca falte o catequista. O que celebramos nos Sacramentos, mormente na Eucaristia, \u00e9 o que nos foi anunciado e recebemos pela instru\u00e7\u00e3o (catequese). Da\u00ed a sua primordial import\u00e2ncia!<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas apost\u00e1mos muito em catecismos (livros); apost\u00e1mos muito na forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos catequistas. Ainda bem. Era necess\u00e1rio. O resultado n\u00e3o tem sido entusiasmante. Ent\u00e3o o que falta!? A dimens\u00e3o espiritual do catequista. Homens e mulheres de f\u00e9. Felizmente h\u00e1 muitos a quem a Igreja muito deve! Mas \u00e9 necess\u00e1rio que sejam todos: homens e mulheres de f\u00e9, de vida espiritual profunda que sejam capazes de comunicar, de viva voz, e de dizer como o autor Primeira Carta de S\u00e3o Jo\u00e3o:<em> \u201co que ouvimos, o que vimos, o que contempl\u00e1mos\u2026 isso vos anunciamos\u201d<\/em> (cf. 1Jo 1, 1.3)<em>.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Pe. <\/em><em>Jos\u00e9 Alves, CM<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&#8212;&#8211;<\/p>\n<p>(1) Catequese (do latim tardio catechesis, por sua vez do grego \u03ba\u03b1\u03c4\u03ae\u03c7\u03b7\u03c3\u03b9\u03c2, tamb\u00e9m derivado do verbo \u03ba\u03b1\u03c4\u03b7\u03c7\u03ad\u03c9, que significa \u201cinstruir de viva voz\u201d) \u00e9 a instru\u00e7\u00e3o.<br \/>\n(2) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, IX (2), p. 535.<br \/>\n(3) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, IX (2), p. 1028.<br \/>\n(4) Cfr. San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, IX (2), p. 1029.<br \/>\n(5) San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, IX (2), pp. 1148-1149.<br \/>\n(6) Cfr. San Vicente de Pa\u00fal, <em>Obras Completas<\/em>, X, p. 391.408.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 10pt;\"><em> (Os artigos de opini\u00e3o publicados na sec\u00e7\u00e3o \u2018Opini\u00e3o\u2019 e \u2018Rubricas\u2019 do portal da Ag\u00eancia Ecclesia s\u00e3o da responsabilidade de quem os assina e vinculam apenas os seus autores.)<\/em><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Jos\u00e9 Alves, Congrega\u00e7\u00e3o da Miss\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":345947,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","ast-disable-related-posts":"","theme-transparent-header-meta":"default","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"default","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"set","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[984],"class_list":["post-388968","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-opiniao","tag-400-anos-vicentinos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/388968","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=388968"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/388968\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media\/345947"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=388968"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=388968"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/agencia.ecclesia.pt\/portal\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=388968"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}